PERDA DE UM ENTE QUERIDO.

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Não é a primeira vez que este assunto é tratado, seja na mídia, seja na internet, nas redes sociais, nas casas e livros espíritas.

Uma coisa é certa, ele é um assunto que nos atinge profundamente quando nos encontramos encarnados. Sentimos que, quando um ente querido se vai, algo muito precioso é perdido e não desejamos ficar longe daquilo que nos é valioso.

Gostaria de voltar a esse assunto, porque o livro de Ezequiel, “Perdão, a Chave para a Liberdade”, bem como as manifestações de tantas pessoas antes e após o seu lançamento, me fizeram ver o quanto o desalento pode conseguir guarida em nossos corações. Tudo isso me fez repensar alguns conceitos que tinha.

Desde muito nova, eu ouvia minha mãe dizer que, quando nascemos, a única certeza que temos na vida é de que vamos morrer. Após constatar esse fato, também percebi que não nos preparamos para tal evento e, quando ele chega, ficamos desnorteados.

Estamos errados? Não! Claro que não! É como sabemos reagir. Mas, se desejamos enfrentar algo que é inevitável, porque o desencarne chegará (sendo o nosso ou o de quem amamos profundamente), precisamos nos trabalhar intimamente para que, quando a dor chegar, nós não alimentemos um sofrimento desenfreado.

Uma das coisas mais fantásticas que descobri (e foi com a ajuda da espiritualidade) é que dor e sofrimento são duas coisas muito diferentes! E, se são diferentes, podemos separá-las!

A DOR é um uma circunstância, uma experiência em nossa vida que a interpretamos como ruim. O SOFRIMENTO é o “como?” e o “quanto?” sentiremos essa dor em nossa vida. Conceitos bem simples, não são? Complexos, porém, em nosso íntimo!

Para entendermos o conceito, vamos dar o exemplo de uma criança pequena em um playground: ela, brincando na areia, cai e se machuca. Chora, por que é o natural. Ela não entende porque dói, mas dói. Sua mãe vai até ela, a acalenta em sua dor e, depois, lhe diz: “Meu amor, só temos mais 10 minutos para ficarmos aqui. Se você ficar chorando, vai perder o parquinho!” Qual é a reação natural da criança? Ela levanta do chão e, mesmo com as lágrimas ainda frescas em seu rosto, escolhe brincar.

Sabemos que a dor não passou. Ela ainda está vivenciando a experiência dolorida, porque a sua perninha ainda dói, mas ela escolheu, apesar da dor, vivenciar aquele momento, especial para ela, sem sofrimento.

Entendo, nesse exemplo, que a criança somos nós! Por ainda sermos crianças, não entendemos as nossas dores e choramos todas às vezes que elas se manifestam. A mãe é Deus que sabe de nossa capacidade de enfrentarmos “o” parquinho (a vida), nos dando a oportunidade de explorarmos toda a sua extensão e, sob os Seus olhos atentos, quando nos machucamos, Ele vem até nós, nos acalenta e nos informa que aquele momento especial (a vida) é curto para perdermos tempo no sofrimento. 
É por isso que vemos tantas pessoas diferentes reagindo de forma diferente ante a perda de um ser amado. O amor de uma dessas pessoas pelo seu amado é menor do que o da outra? Não, claro que não!

Muitos são os fatores que nos fazem reagir diferente de nosso próximo em circunstâncias semelhantes. E um desses fatores é o entendimento de que não devemos escolher alimentar em demasia o sofrimento sentido, porque ele (o sofrimento) está lá, pode ser sentido, mas, para o nosso próprio bem, não deve ser alimentado. Se essa pessoa, ao contrário, escolher alimentá-lo, estará, como a criança, sentada no chão daquele parquinho e não se dará a chance de enxergar todas as bênçãos que chegarem a partir daquela queda.

O interessante, em nossa historinha, é que a “mãe” deixou a criança escolher. Se ela escolhesse continuar chorando, a mãe nada poderia fazer, a não ser continuar tentando lhe trazer conforto ao seu coraçãozinho sofrido. Deus respeita as nossas escolhas e isso é uma escolha!

Onofre (personagem do livro) me ensinou que, em muitos momentos, pensamos que estamos sendo penalizados por Deus quando essas circunstâncias dolorosas chegam a nós. Tanto é verdade, que elevamos o nosso pensamento a Ele e perguntamos: “Deus, por que comigo? O que eu fiz?”.  Mas, podemos começar a pensar diferente. Devemos entender que se tivemos alguém que muito amamos ao nosso lado, por um mínimo de tempo possível, foi um presente de Deus para nós, porque Ele nos ama!... E fomos merecedores desse tempo precioso junto a esse alguém!


Se recebemos esse presente, como nos sentirmos magoados ou traídos por Deus quando o tempo chega ao fim? Está na hora de acreditarmos que, apesar de ainda termos muito a caminhar, Deus nos ama do tamanho que somos, porque Ele sabe, Ele nos conhece, Ele nos aguarda! Deus nos quer sempre bem. 

6 comentários

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6 de novembro de 2015 22:46 delete

Olá, Boa noite!
Acho que vou responder a sua pergunta com outra pergunta: o que você chama de cartas consoladoras? Pergunto porque quando eu me vejo apta a fazer algum comentário sobre um assunto ou a ajudar alguém com uma palavra amiga, eu faço com muito carinho. Por isso, seja na confecção de um novo livro, seja na fanpage do Facebook (Adriana Machado - escritora) ou aqui no Blog, o meu desejo é que as mensagens e os temas explanados possam consolar aos que precisam e esclarecer aos que tiverem dúvidas.
Espero ter respondido. Um abraço fraternal.

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8 de novembro de 2015 16:59 delete

Adri, adorei a forma simples e esclarecedora que foi colocado de um assunto que por vezes é tão pesado para todos nós. Sobre este assunto, vejo com um pouco mais de leveza, depois que aprendi que cada um está aqui para aprender, e como foi dito: "o meu Reino não é deste mundo" e realmente não é. Aquele apego que temos pelos nossos entes queridos atrapalham-nos a enxergar que o laço não foi rompido, na verdade, é só um momento de separação do material, mas, o que fica é a satisfação de ter convivido da melhor maneira, e ter possibilitado o aprendizado, enquanto esta pessoa esteve aqui conosco. No meu caminho, enquanto criança/adolescente quando, principalmente, meus avós desencarnaram senti um grande vazio, uma perda enorme, e enquanto adulta, quando minha mãe foi para outro plano senti um grande vazio, a princípio, mas, que foi e está sendo preenchido com os ensinamentos que ela me deixou e, por conseguinte, o meu aprendizado: passei a dar mais valor a pequenos atos como: falar o que tem vontade de falar, abraçar quando tem vontade de abraçar, estar mais perto das pessoas que amo, ah...é a vida né. Vamos sempre em frente aprendendo com cada um que nos cerca. Parabéns pela página e já estou esperando o novo tema. Franciane Lima

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8 de novembro de 2015 23:45 delete

Que bom Franciane que gostou!
E que bom que, hoje, em seu coração, existe a leveza para poder encarar esses momentos. É tão bom quando percebemos que estamos crescendo e nos tornando mais donos de nossas ações e, principalmente, das emoções.
Aguarde que essa semana tem mais.
Bjs mil.

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Mariliaxr
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14 de novembro de 2015 20:01 delete

Adriana,
Através da leitura do livro, descobri que o perdão é a chave para muitas libertações, principalmente por aquelas que confinamos em nosso íntimo. Percebi que saber amar é efetivamente deixar que o outro siga as suas escolhas e caminhe resoluto pela vida, ainda que esta tome caminhos diferentes aos seus. Encontrei nele a chave para perceber que sempre há tempo para renovação, para novas escolhas e para decisões. O que realmente importa?...
Foram tantos ensinamentos quanto aqueles que o meu raciocínio e a minha imaginação se deixaram guiar.
Sei que a "perda" tratada no livro, pode se desmembrar em muitas das "perdas" que trazemos em nossa jornada, então, que nos permitamos galgar a liberdade, amparada pelo perdão, em cada uma das situações que já reconhecemos presentes em nossa vida.
Um grande abraço e parabéns!

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17 de novembro de 2015 02:03 delete

Marilia, fico feliz que o livro de Ezequiel pôde trazer-lhe alento e dado a você essa oportunidade de encontrar tantos subsídios para raciocinar os percalços da vida. Pode ter certeza que é esse o objetivo de nosso amigo espiritual. Agradeço por compartilhar comigo suas ideias. Abraços. Adriana Machado.

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