Deus escreve certo nas linhas tortas de nossa vida

Imagem relacionada


Ouvimos todos os dias esta máxima "Deus escreve certo por linhas tortas"e não paramos para analisar o que ela significa profundamente. Hoje, me deparei com um pensamento de uma amiga sobre esse refrão e pensei que, quando nos envolvemos a entendê-lo, podemos sentir a paz reinar em nosso coração.

Deus escreve sempre certo... Isso é uma verdade incontestável para cada um de nós, apesar de às vezes nos perdemos em nossos medos e inseguranças, nos remetendo a não abraçarmos essa verdade o tempo todo e plenamente. Todavia, sabemos que Ele escreve nas linhas de nossa vida e o que lá Ele coloca é Justo e Bom, mesmo que teimemos em duvidar, vez por outra.

Se, em relação a primeira parte somos mais uníssonos, qual o ponto a ser analisado nesta máxima? Entendo que é a parte das tais linhas tortas. Quem as produz? O que fazem no nosso Livro da Vida?

Se pensarmos que quem as delimitou foi Deus, estaríamos dizendo que Ele acertou em um ponto e errou em outro, o que não é o caso. Se pensarmos na Vida, estamos dizendo que ela também erra e não seria regida pelas leis divinas e perfeitas do Pai.

Então, para quem ficou a elaboração de tais linhas? Para cada um de nós. Somos nós quem as firmamos tortas ou retas, segundo as nossas escolhas e, tal fato, só nos demonstra o quanto ainda precisamos aprender e nos reconhecer como caminhantes inexperientes.
Através do nosso livre arbítrio, as leis naturais e divinas incidem sobre as nossas ações e reagem a elas nos dando circunstâncias adequadas para aprendermos e nos tornarmos melhores a cada experiência.

Mas, o que nos traz a certeza de que estamos num caminho cada vez mais acertado é que as linhas agora firmadas, nas páginas de nosso livro, são muito menos tortas. Antes, éramos mais tacanhos, mais ignorantes, mais teimosos, e outras tantas características que nos levavam, no nosso primeiro momento evolutivo, a indiferença quanto ao resultado de nossas ações e, depois e com o passar das lições, a dores e sofrimentos inenarráveis face ao que nos acontecia, que somente eram amenizados diante da aplicação da lei maior do Pai que nos acalentava, e ainda acalentam, com as suas bênçãos consoladoras e misericordiosas.

Hoje, portanto, estamos cada dia mais entendendo que somos os primeiros e os únicos responsáveis pelo que nos acontece e, sendo assim, os únicos que podem modificar a trajetória, trágica ou não, de nosso caminhar.

Se está em nossas mãos todo tipo de semente que poderemos plantar, que escolhamos melhor qual tipo semearemos para que não reclamemos, no futuro, dos frutos amargos colhidos para matar a nossa fome, frutos esses que são o reflexo de nossa ignorância.

“Deus escreve certo por linhas tortas”... porque, através de nosso livre arbítrio, foram elas que escolhemos traçar para que o Ser mais perfeito que existe pudesse agir sobre nós.

Chegará um dia no qual, com o nosso crescimento, nossas linhas não serão mais tortas, nós estaremos mais sábios e, por consequência, mais perto de entendermos a nós mesmos, compreendendo, sem temor, a Escrita Divina em nosso livro da vida!





Viver... ato de confiar!


Todos os dias, acordamos para mais uma experiência de vida.
Todos os dias, nos oportunizamos vivenciar circunstâncias que construímos através de nossas ações e escolhas, bem como circunstâncias que chegam sem nenhum aviso (pelo menos é o que a gente acredita), nos surpreendendo.  
É ao sair da cama que nos daremos a chance de vivenciar cada uma dessas experiências que vêm até nós para o nosso crescer.
Até o momento do acordar, estamos todos agindo da mesma forma. Mas, o que nos diferencia uns dos outros é como reagimos daí para frente, com cada uma dessas experiências.
Podemos viver, conscientemente, sabedores da nossa necessidade de absorção dos inúmeros aprendizados que a vida nos proporciona ou não. No primeiro caso, para cada experiência, uma consciência mais profunda do nosso próprio Eu; no segundo caso, uma vida inexpressiva de ausência de conquistas interiores, tendo só a inconsciência de nossa própria existência.
Para estarmos englobados no primeiro caso, precisamos entender que somos seres portadores de inúmeros aprendizados, mas não da totalidade dos aprendizados existente no universo. Mas, estes poucos que já conquistamos nos dão condições de “melhor” agirmos, apreendendo as novas lições que nos chegam e vivenciando, conscientemente, cada experiência, enxergando a atuação da sabedoria divina nos caminhos que nos cercam. Aí está a misericórdia do Pai Criador por nós.
Diante desta realidade, compreendemos o porquê reagirmos diferentemente uns dos outros, mesmo que as circunstâncias nos pareçam idênticas: cada um de nós possui uma gama vasta de aprendizados, mas nenhum de nós possuiu o mesmo cabedal de entendimentos. Vivenciamos muitas vidas e nelas aprendemos muita coisa. Porém, em cada uma, absorveremos os nossos aprendizados de uma forma muito particular, com a visão que temos das coisas, das pessoas, do mundo.
E, nessas vivências, construímos ferramentas (internas) que nos auxiliam a viver e enfrentar a vida em todo o seu enfoque, sejam para os momentos de adversidades ou de muita felicidade (porque para a Sabedoria Divina, não há diferença entre as duas situações). Essas ferramentas são uma somatória de nossas emoções e sentimentos, de nosso raciocínio e instintos, e as criamos e as utilizamos para nos ajudar a enfrentar aquilo que acreditamos nos massacrar a alma ou nos alegrar eternamente.
O ponto é que a maioria das ferramentas que construímos tem data de validade, porque ainda não temos entendimento suficiente para compreendermos o que é bom para nós. Por isso, ao nos deparamos com circunstâncias que tememos, criamos uma forma de defesa emocional que dará certo por um tempo, mas não todo o tempo. Ela caducará, porque não seremos mais os mesmos e necessitaremos de outras ferramentas melhor adequadas ao nosso novo ser em evolução. Um bom exemplo é enxergarmos que há poucos anos nossos instrumentos tecnológicos necessitavam de menos memória do que os que temos hoje. O que mudou foi o aperfeiçoamento dos programas e das exigências do mercado em relação aos mesmos. Nós também nos tornamos exigentes na absorção e atuação de nossos próximos entendimentos para que o nosso caminhar fique mais suave e sereno.
Cada uma dessas ferramentas nos demonstra quem estamos hoje e quais são os nossos maiores temores. Cada reação nossa, nos dá uma ideia do que precisamos lapidar em nós, porque, diante do nosso Eu, reagimos na defensiva para não esmorecermos em prol de nossa sobrevivência.
Precisamos entender que tudo o que vivemos está de acordo com o que programamos para a nossa lapidação pessoal e, portanto, esse tudo será um reflexo de nossas construções pessoais e da vida nos impulsionando para o nosso melhor aprendizado.
Diante disso, que possamos recepcionar o que a vida nos traz com a singeleza da confiança de que é Deus quem está atuando e que nenhuma dor será eterna porque, com Ele, nós a superaremos.


A importância dos relacionamentos


Imagem relacionada

Somos seres que vivemos na coletividade. Isso é tão importante para nós que somos influenciados por uma lei divina e natural chamada Lei da Sociedade, cujo objetivo é vivermos em comunidade para aprendermos no coletivo e, para isso, Deus nos concedeu as faculdades necessárias ao relacionamento.
Sabemos que existem pessoas que querem ficar sozinhas, ou escolhem uma vida de reclusão e, a princípio, poderíamos dizer que elas estariam contrárias ao estado natural do ser humano. Bem, apesar de O livro dos Espíritos[1] afirmar que querer viver só é um estado de egoísmo, também nos mostra que existem exceções à regra, quando a escolha daquele que se isola tem uma conotação meritória, como por exemplo, fugir do mundo para se devotar ao alívio dos sofredores.
Mas, veja que gostar de estar só é muito diferente de querer estar só. O primeiro pode englobar o segundo, mas, a recíproca não é verdadeira. O primeiro se dá quando você gosta de estar consigo mesmo, de curtir a sua presença. É se autoconhecer. E isso é muito bom porque tal estado não nos impede de curtir a presença dos demais. Já o segundo, pode conotar vários estados de espírito em desalinho associados a um medo não flagrado pelo seu detentor.
Vimos que, para que estejamos indo de encontro ao um estado natural, precisamos ter alguma base racional ou emocional para isso. Vocês poderiam estar pensando no caso em que alguém faz uma opção reencarnatória para viver na reclusão buscando valorizar as companhias que, até então, nunca as tinha apreciado. Sim, esses casos existem, e podem ter certeza que tal experiência marcará essa pessoa, mesmo resignada, diante de sua escolha como toda e qualquer escolha que nos faça mudar as crenças que tínhamos até então. Mas, deixando as exceções e comentando sobre os casos em geral, precisamos estar atentos aos nossos comportamentos, como também aos dos nossos amores, porque estando (ou sendo) nós (ou eles) muito sozinhos, tal postura pode estar sendo alimentada, por exemplo (e não se surpreendam!), pelo objetivo incessante de querermos agradar aos outros.
É certo que vivemos hoje um momento em que a sociedade exige TUDO de nós. Saímos do Oito e fomos para o Oitenta num salto. Estamos vivendo num oceano de cobranças que, vez por outra, suas águas nos afogam. As pessoas estão se sentindo tão cobradas que, por ação reflexa, cobram de si e dos outros também, e o ciclo vicioso se instala. Diante desta realidade, muitos não estão conseguindo enfrentar suas frustrações, por não saberem que tais exigências são irreais, inconcebíveis, impraticáveis, inatendíveis. Se soubessem, reagiriam diferente, não dando margem à adoecerem, abandonarem seus sonhos e suas vidas.
Como não conseguimos atender a todas as nossas expectativas ou daqueles que nos circundam, podemos nos sentir incapazes e, por consequência, fugirmos de suas companhias para não sofrermos com as nossas decepções. “Antes só do que mal acompanhado”, se pensamos ou sentimos que ele estaria nos fazendo sofrer. O problema é que se estamos fugindo dos outros, não estaremos em paz, e isso nos leva a uma vida sem sentido e triste.
Por tudo isso, se alguém está ficando muito só algo pode estar errado, mesmo que essa pessoa sempre tenha sido assim. Precisamos ajudá-la a saber se o estado de solidão em que ela se abrigou é só um momento em que ela precisa se deparar consigo mesma (autoanálise), ou se ela está se refugiando neste estado para não ter de enfrentar alguns de seus medos mais íntimos, porque se for o segundo caso (que pode durar anos a fio), esta pessoa estará deixando de aproveitar uma das bênçãos mais notáveis que o Pai nos concedeu: vivermos na coletividade para aprendermos mais rápido e, se possível, mais felizes.







[1] Editora Petit, Cap. 07, ano 1999, p. 265.


Sempre podemos recomeçar


Todos os dias, temos a oportunidade de recomeçar. Recomeçar para uma nova visão de nós mesmos... recomeçar uma nova vida... recomeçar...
Mas, se não enxergamos que, a todo instante, Deus nos dá a chance de compreendermos um pouco mais sobre a nós mesmos e, por consequência, consertarmos o que estamos fazendo de não tão certo, então, esse verbo recomeçar não nos é conhecido, tampouco vivido!
Quando acordamos, iniciamos um novo dia, mas me pergunto se iniciamos uma nova vida. Será que não estamos vivendo uma rotina tão perniciosa que nos impedimos de enxergar que não precisamos seguir com ela (rotina) sempre e sempre? Será que não compreendemos que a rotina nos dá segurança, mas também nos impede de tentarmos algo diferente quando possível e, por consequência, adquirirmos novas experiências e crescermos com elas?
Observem como nossa vida é toda moldada no tempo... já perceberam isso? Temos o milênio, o século, o ano, o mês, a semana, o dia, a hora, o minuto, o segundo... também temos o dia e a noite, as estações do ano e assim sucessivamente. Cada um desses elementos nos dá a oportunidade de compreendermos que não deveríamos deixar o tempo passar porque temos um tempo de vida nesta existência terrena e ele findará.
Ao contrário de nossa postura frente à vida, o tempo passará, apesar de continuarmos teimando em nos manter na mesmice desta rotina alienatória e de não desejarmos refletir que tudo o que está ao nosso redor tem um motivo útil e necessário para o nosso crescimento individual e coletivo.
Sem perder a esperança, o “tempo” aguarda tomarmos consciência de que ele é um bem precioso e repleto de novas chances para o nosso crescer.
Voltando ao falado acima, quando acordamos, podemos encarar o dia como mais uma oportunidade de compreendermos que o homem velho que foi dormir já não mais existe e o homem novo que acordou tem a capacidade de inovar e ser diferente... se ele quiser. Igual a todo início de ano que estamos determinados a mudar o que não nos pareceu bom, podemos fazer isso todo início de dia, com as esperanças renovadas de que as oportunidades virão para nos auxiliarem nesta proposta.
Na Sua sabedoria infinita, Deus nos deu inúmeras existências e, junto com elas, a contagem dos tempos para que jamais esqueçamos de que podemos recomeçar e recomeçar... quantas vezes forem necessárias, até podermos estar ao Seu lado, vitoriosos e merecedores do lugar conquistado.
Aprendamos a não temer o recomeçar. Ele é, antes de tudo, uma oportunidade divina abraçada por aqueles que querem crescer, por aqueles que não se contentam mais em ficar à deriva nas tempestades de sua existência.
Recomeçar... é somente um presente de Deus para cada um de nós!

Solidão, sensação devastadora.




“Me sinto sozinho(a)!”, “Ninguém liga para mim”, “Não posso contar com ninguém”, “Não sou ninguém”... Não nos enganemos pensando que essas são frases faladas, pensadas e sentidas por quem só quer chamar a atenção. Muitos de nós as pensamos a todo momento, de forma consciente ou não.
Estamos o tempo todo nos colocando à prova sobre as nossas necessidades e sentimentos e, por um motivo ou outro, podemos entrar num turbilhão de emoções que nos levam a acreditar que estamos “sozinhos no mundo”!
E esse sentimento é real ou falso? Antes de responder a essa pergunta, gostaria de levantar outra: eu tenho a exata noção do quanto eu me valorizo nesta vida?
Bem, como eu disse acima, muitos de nós pensamos dessa forma a todo momento. E pensamos, na maioria das vezes, sem nos apercebermos disso. Vivenciamos uma tristeza, uma inadequação e não nos damos conta que o que acontece tem origem no nosso mundo interior por não nos apreciarmos o suficiente para aceitarmos que os outros podem gostar de nós; que a nossa presença é apreciada, não por todos, mas por muitos, o que é perfeitamente natural porque não conseguiremos agradar a todos. Se nem Jesus agradou!...
Isso se dá porque, em razão de pensarmos da mesma forma, nos fixamos somente em quem não nos aprecia e deixamos de valorizar quem naturalmente nos ama e nos quer bem.
Se não conseguimos enxergar esse processo interno, tampouco estas pessoas preciosas em nosso viver, teremos um sentimento muito real de inadaptação e ele será mais do que palpável. Quem se convence que ninguém o ama, se sentirá só e estará só, mesmo que viva no meio de uma multidão de amigos, parentes e amores. A pessoa não se enxergará amada, não se enxergará objeto e alvo de atenção, não se sentirá capaz, não se enxergará merecedora de nada, absolutamente nada.
Sem querer julgar, mas tentando achar uma das respostas para essa visão da “falta” de amor, acredito que muitos daqueles que se sentem assim supervalorizam à opinião alheia, tendo-a como um norteador perigoso. Por exemplo: eu só me sinto competente se os meus colegas de trabalho me elogiarem. Se eles nada disserem, começo a me sentir inseguro(a) e até sem criatividade. Sem perceber, eu deixo de usar algo que eu já possuo por acreditar que me falta o combustível (opinião alheia) que me alimentaria a capacidade de fazer bem feito.
Se fazemos isso no âmbito profissional, imagina o que não fazemos quando é de cunho pessoal!
Nenhum desconforto íntimo deve ser ignorado porque ele se agrava gradativamente. A solidão, quando sentida com intensidade, nos torna cegos. Não enxergamos caminhos a serem trilhados; nos tornamos escravos dos conceitos equivocados que vamos abraçando sobre nós mesmos; e, encarcerados a estas falsas impressões, tomamos atitudes drásticas para nos vermos livres dos grilhões da dor que nos sufocam.
Quando chegamos a este estado, o sentimento de inadequação é muito doloroso. Para aquele que o porta, o auxílio vindo somente de si deixa de ser suficiente e há a necessidade de uma ajuda externa para reconquistar o seu equilíbrio emocional. Acredito, piamente, que a associação do entendimento espiritual (seja de qual religião ou postural moral adotada for) com o auxílio profissional (terapias, tratamentos médicos) seja a resposta para um “navegar” a “portos” emocionais mais seguros. Em ambos os casos, tais ajudas levarão ao “solitário” maior capacidade para conhecer a si mesmo e, por consequência, enxergar melhor a realidade que o cerca.
Se alguém que amamos está passando por isso, mesmo que não entendamos o que está acontecendo com ele, não devemos deixar de ajudá-lo. Sem culpá-lo ou criticá-lo, percebamos que cada um de nós é passível de passar por isso em algum momento.
Assim, mais chances aquele com quem nos importamos chegará a sua autodescoberta e mais rápido poderá voltar a sorrir, não mais sentindo-se só.

O que somos perante a nossa (in)utilidade?


Durante toda a vida, crescemos trilhando o caminho equivocado da busca da nossa utilidade.
E isso se dá porque escutamos os sons da sociedade a nos hipnotizar, dizendo que só teremos o que desejamos, que só merecemos ser felizes se formos produtivos para nós, para a nossa família, para os amigos, para toda a sociedade. Esses sons não estão totalmente errados!
Vivemos toda a vida tentando ser produtivos para atender às nossas (e às dos outros) necessidades exteriores, não parando para nada. E mesmo que pareça um contrassenso ao que já afirmei, não paramos nem para nós mesmos! Esquecemos de nos dedicar ao nosso ser interior, alimentando tão somente com as nossas atitudes às paixões e carências externas que este nosso Eu material exige.
Vocês podem pensar assim: “mas, eu faço muito pelo outro! Isso não é bom?” Claro que é, mas a pergunta certa dentro deste contexto é: “porque eu me dedico tanto a esse alguém?” Se estivermos fazendo isso para que tenhamos um retorno, estamos, inconscientemente, reproduzindo o ciclo da utilidade x inutilidade, porque enxergamos no próximo o ser produtivo que é hoje ou amanhã. E se ele se transformar num inútil? Um exemplo bom é a história de termos filhos para que eles nos amparem amanhã.
Quem gostaria de usufruir de algo que não foi merecedor de conquistar? Estou aqui dando umas risadinhas, porque a resposta da minha mente foi “Muita gente”... Mas, relevando essa nossa tendência (rsrsrs), refaço a minha pergunta: “existe sentimento mais gostoso do que aquele que temos ao usufruir de algo que conquistamos com o nosso próprio esforço?” Realmente, é impagável. Mais ainda quando percebemos que o resultado de nossa construção foi o amor dos que amamos e que eles nos valorizam pelo que somos, não pela nossa utilidade. Mas, como não determinamos nada na vida do outro, só dependerá do outro como agirá conosco no futuro! E a nós, não nos magoarmos ou nos decepcionarmos se esse alguém não agir como gostaríamos.
Ainda, temos a providência divina atuando a nosso favor. Lembremos que recebemos a todo instante do nosso viver a incidência da Lei do Trabalho, natural e divina, que nos move a não nos dominarmos pelas tendências preguiçosas e a nos transformarmos em trabalhadores assíduos para a nossa evolução. Mas, ela não se resume só nisso. Em razão da nossa imaturidade e ignorância espiritual, ainda não entendemos que tudo que é divino (e isso nos inclui) tem sua utilidade. Nós ainda não compreendemos que o trabalho que está descrito nessa lei é mais do que estarmos úteis nas atividades de nosso cotidiano, é também estarmos vivos, interagindo com os nossos sentimentos, desejos e intenções com o próximo, com a vida. Este reflexo na vida do outro, seja ele qual for (bom ou não tão bom), serve de aprendizado para ele (e para nós) e, neste toar, também estaremos trabalhando.
Todavia, no mundo material que vivemos, a verdade é que não dá para sermos produtivos (da forma que entendemos o seu conceito) o tempo inteiro. Teremos um tempo de utilidade e, depois, nos tornaremos “inúteis” para a sociedade, até para a nossa família. Adoeceremos, vez por outra, envelheceremos, se Deus quiser, e já não conseguiremos fazer tudo o que antes era muito fácil fazer. Quando isso acontecer, com a visão que temos da vida, tenderemos a ser os primeiros a nos crucificar, a acreditar que para nada mais servimos e que não temos mais merecimento de continuar vivendo.
Só que nós somos aquilo que construímos a vida toda. Não importa que não sejamos mais “lucrativos”, ainda merecemos o nosso respeito e amor por tudo o que já produzimos, seja no mundo exterior, seja no interior dos nossos e nos demais corações.
Admito, todavia, que, diante da minha pequenez, peço a Deus, todos os dias, que eu possa construir muito amor e respeito nos corações alheios para que, quando eu não puder fazer o que faço hoje, possa ter alguém que aguente a minha “inutilidade” pelo valor que eu tenho em sua vida. Mas também peço que eu não deixe, mesmo só, de ser feliz por enxergar o quanto fui e sou útil somente pelo fato de existir, de me amar.

Quem somos diante de nossa (in)utilidade? Somos aqueles que souberam construir amor.

Pequeno recesso. Aguardem nosso retorno!


Amigos queridos,
peço desculpas pela falta de postagens, mas estou viajando e curtindo a minha família.
Agradeço a Deus por tantas bênçãos, as amizades que construímos e os amores conquistados.
Agradeço e peço a Deus por todos nós, que almejamos algo mais que só os bens terrenos. Que os tesouros da alma possam ser enxergados, conquistados e vivenciados por todos nós.
Abraços fraternos.