O que a raiva faz conosco?


Pensando de cabeça fria, respondo a essa pergunta sobre a raiva com uma resposta muito simples: ela nos incomoda! Mas, saindo de um momento de turbulência, eu descreveria que a raiva faz muito mais do que isso: ela nos devasta! Ela acaba com a nossa paz, com a nossa alegria, ela nos adoece e... como é difícil voltar a serenidade anterior!!

A raiva não é sentida à toa. Ela só aparece porque algo acontece. E esse algo, vindo de fora ou de dentro, atinge alguma coisa, no nosso mundo interior, que é muito importante para nós, mesmo que não saibamos o que tenha sido. Na maioria das vezes, ficamos com raiva sem conseguirmos identificar o que foi mexido em nós. 

Mas, a raiva não é um sentimento natural nosso! Se alguém vive com raiva o tempo todo, algo está mais do que “errado”. Talvez, essa pessoa não esteja percebendo as suas emoções e age assim por acreditar que é um proceder que o ajudará a alcançar o seu objetivo (seja ele qual for). Exemplifico melhor: uma pessoa muito quieta sofre muito com as ações alheias. Então, em um determinado momento, ela reage com raiva e violentamente contra alguém e descobre nele a reação de respeito ou medo. Como ela somente conseguiu agir assim porque estava com raiva, em seu inconsciente, sempre buscará tal emoção para alcançar o seu intento. Então, por várias outras vezes, ela reagirá da mesma forma e gostando do que vê, não parará. Por um tempo, isso dará certo, mas, quando alguém começa a exagerar na raiva ou na violência, a reação natural daqueles que não se sintonizam com essas energias é se afastar. Enquanto, ela não perceber que as pessoas que valem a pena (para ela) estão se afastando, ela, possivelmente, continuará a agir no equívoco, porque foi a forma que percebeu dar certo. 

A raiva se impregna em suas ações como uma doença altamente arrebatadora, ficando ali, manifestando os seus sintomas para quem quiser ver, inclusive o próprio raivoso que, no início, está cego para ela. Se ele a percebe, pode querer limitá-la ou extirpá-la, mas levará um tempo razoável para se descontaminar, porque ela fica encubada produzindo o efeito da insatisfação e da tristeza, da indignação e da impaciência. Tudo isso é devastador e viciante em nosso campo interno. Para nos descontarminarmos, para não cairmos realmente doentes em razão de a cultivamos em nós, precisaremos da compreensão do que é viver com ela e as suas consequências.

Ainda assim, somos seres que desejamos a paz, porque a paz faz parte de nosso ser divino, mas em razão de nossa ignorância, ainda não compreendemos isso. Ainda, nos iludimos acreditando que o nosso orgulho é sábio e o usamos como conselheiro para as nossas próximas ações (pós raiva) e aí fica tudo pior... Melhor responder a célebre frase do poeta maranhense, Ferreira Gullar: “Você quer ter razão ou ser feliz?” No momento do seu distúrbio, se você fizer essa pergunta para si, possivelmente, não agirá tão impulsivamente e se dará uma chance de evitar sofrimentos desnecessários. Quando entramos nestes embates, na maioria das vezes, o objeto da discussão não é tão relevante e sair vencedor não lhe trará nenhuma vantagem. Ou seja, é nada prático.

A raiva é uma consequência, uma reação, e o autor dela seremos somente nós mesmos. Sendo assim, a boa notícia é que podemos amenizá-la, podemos transmutá-la porque se fomos nós que a produzimos no nosso templo interior, somente nós, e tão somente nós, poderemos desconstrui-la. Essa é uma outra benesse da sabedoria divina atuando em nossa vida... somos os únicos responsáveis pelo nosso bem-estar!

Raiva... se ainda a temos, que a sintamos mais e mais levemente, abdicando do nosso orgulho e colocando como meta um resultado prático para as nossas ações: sermos felizes!

Ações temidas, Reações necessárias

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Todos os dias estamos à mercê de vivenciarmos experiências que nos levarão a reagir. Reagir segundo a nossa forma de enxergarmos serem elas boas ou não tão boas; reagir segundo o nosso desejo e visão de vivenciarmos ou não os resultados de tais experiências.
Na maioria das vezes, experimentamos rotinas que não nos incomodam e firmam as nossas convicções diariamente. Quando, porém, passamos por algumas experiências que nos transtornam, que nos incomodam, que nos tiram de nosso prumo, necessitamos agir mais veementemente para resolvermos tal embaraço, e nem sempre queremos ou conseguimos fazê-lo de pronto.
São essas vivências que nos levam a nos conhecer mais interiormente, porque para as enfrentarmos precisaremos lidar com muitas emoções e limites anteriormente construídos por nós mesmos para o nosso “não sofrer”.
Tomar tais medidas, enfrentar tais desconfortos, nos levam a ter que superar muitos medos, muitas mazelas internas que, na maioria das vezes, nem desejamos lembrar que eles existem.
Quando ignoramos por muito tempo o que precisa ser trabalhado em nós, a vida nos levará a enfrentar tais aflições, seja “por bem” seja “por mal”. Daí que vemos como somos rebeldes! Não queremos enfrentar, tampouco queremos mudar o que parece estar tranquilo e em paz.
O ponto é que se a experiência nos chega, significa que esse estado de espírito não é mais real. Algo em nós já clama por mudanças e, nos fazendo de cegos e surdos, precisamos da vida como um microscópio eletrônico para nos mostrar o que já nos contaminou por inteiro.
Seja agindo diretamente conosco, seja com o próximo, a vida nos leva a enxergar aquilo que muitas vezes não queremos ver. Quantas vezes, nos deparamos com a necessidade de agir com o outro com mais rigor, impondo limites à sua atuação em nossa vida ou na dele própria (porque também nos influencia), e não conseguimos? O que nos impede? Cada caso é um caso. Muitos de nós tememos perder algo precioso que achamos ter construído com este alguém e se agirmos, o destruiremos. Um bom exemplo é de um pai que não consegue impor limites ao seu filho! Possivelmente, há nele um medo interno que, a cada vez que se coloca para agir, esse medo o impede de seguir adiante. Infelizmente, apesar de enxergar a necessidade, o seu temor fala mais alto e ele não age. Mas, o que pode ser tão importante que impede um pai de fazer aquilo que ele acha que é o certo para o seu filho? De novo, cada caso é um caso. Mas, hoje, muitos pais estão tendo uma relação de dependência com os seus filhos, onde aqueles necessitam do amor destes para sobreviver, esquecendo que estes precisam da orientação e segurança emocional de seus pais para superarem suas dificuldades também.
Tal atitude acontece a nível inconsciente, porque muitos resolveram afirmar para si que “não deixariam os seus filhos passarem pelo que eles passaram”. Isso leva tais pais a criarem justificativas deturpadas sobre o que os motiva a passarem a mão na cabeça de seus filhos que percebendo a insegurança deles (pais), os escravizarão à sua vontade infantil.
Assim também é conosco. Muitas serão as dificuldades para nos imputarmos mudanças de comportamento que nos fariam “sofrer” porque nos retirariam de nossa zona de conforto. Vendo-nos inseguros, seremos nós a nos escravizarmos a nossa vontade infantil de teimarmos em não sair do lugar, em não buscarmos novos rumos para um crescer mais amadurecido e sem sofrimento.
Infelizmente, na maioria das vezes, somente quando o estrago é feito que nos arrependeremos de não termos atendido àquela necessidade intuitiva que buzinava aos nossos ouvidos antes e que não desejamos ouvi-la por medo.

Mas, não nos permitamos ser pessimistas, porque podemos ainda estar meios cegos e surdos para algumas mudanças, mas já nos esforçamos para não temermos o novo e seguimos em frente, e a cada dia, estamos mais e mais amadurecidos e escolhendo caminhos menos dolorosos para trilhar. 

Sabemos quem somos?

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Durante toda a nossa vida, imaginamos que não sabemos quem somos.


Eu acredito que sabemos, apesar de eu me surpreender, em muitos momentos, com algumas posturas ou reações que tenho frente às inúmeras experiências da minha vida. Se é assim, o que é se conhecer? É você ter noção do que você é capaz de fazer sem máscaras, sem tentar se convencer que é alguém que ainda não conquistou em seu ser.

Para aqueles que têm o objetivo de crescer (e não somente viver esta vida), todo dia é um experimento novo, é um momento em que estamos atentos (e não obsessivos) para as reflexões que nos chegam e estas servirão para nos tornarmos melhores dia a dia.

Assim, essas pessoas (incluindo eu) têm uma visão um pouco mais aberta e reflexiva sobre si mesmas, o que pode ser bom ou não segundo a nossa capacidade de sermos benevolentes conosco. Se não formos benevolentes, podemos nos tornar cruéis carrascos de nós mesmos quando percebermos que não estamos atendendo ao que julgamos ser o melhor para nós. Poderemos estar cavando um buraco grande o suficiente para nos enterrarmos depois sem piedade.

Tal atitude, nos demonstra que, apesar de sabermos que nos conhecemos (e isso realmente é um fato), vivemos nos iludindo, não aceitando o belo progresso que já nos permitimos ter diante dessa caminhada árdua e espinhosa, mas também fascinante e formidável de nos vermos subindo os degraus de nossa evolução.

Somente uma ilusão é capaz de nos trazer desilusões. Sabemos quem somos, mas manipulamos a nossa verdade com os sonhos de quem gostaríamos de ser, e isso nos entristece quando nos flagramos ainda em crescimento e não crescidos.

O interessante é que, não podemos confundir ilusão com a busca de estarmos melhor. Estar melhor é você colocar em prática aquilo que você quer ser, ou seja, se quero ser mais caridosa, preciso fazer a caridade, mesmo que ainda seja difícil para mim esse altruísmo. Me iludir é acreditar que, por fazer alguma caridade, já sou inerentemente caridosa. Mas, por não ser eu ainda, significa que estou me iludindo e deveria não fazer? Não, significa que estou me dando a oportunidade de vivenciar esse ser melhor em meu cotidiano e até me ver caridosa, sem a ilusão de pensar que o egoísmo em mim, por exemplo, já “morreu”. O flagrar esse algo em mim não é para o meu desespero, mas para a minha iluminação! “Estou ainda egoísta, mas hoje já consigo dar algo que tenho, o que não fazia antes”.

Esse é o melhor comportamento de quem está na busca incessante de seu aprimoramento! Dar-se o crédito pelo que fez de bom ou pelas tentativas de fazer o seu melhor... Esta é a mais adequada visão de nossa caminhada. Porque o que conta para nós, verdadeiramente, não deveria ser o resultado final, mas sim como agimos pelo caminho, o que escolhemos para atingir esse crescimento. Existe um ditado popular que diz mais ou menos assim: “se não posso dizer como fiz, então, não deveria nem fazer.” Esse é um dos inúmeros parâmetros que podemos utilizar como norteador de nossas ações.

A cada noite, deveríamos nos parabenizar pelas várias etapas vivenciadas naquele dia, mesmo que algumas delas tenham sido atitudes que já nos arrependemos de tê-las cometido. Com certeza, elas também nos ensinaram e até nos especializaram na tarefa de lapidação íntima. Elas, portanto, foram importantes na nossa existência!

Continuemos em nossa trajetória jamais esquecendo que sabemos quem somos, e este saber nos ajudará a não nos iludirmos diante dos nossos sonhos de alcançarmos patamares mais iluminados em nosso caminhar. 

Um capítulo de meu diário de vida!


Hoje, eu acordei pensando que era necessário eu voltar um pouco no tempo. Voltar, não para sofrer, mas para me regenerar. Voltar para eu conseguir perceber o quanto cresci e, também, para prender agora, no presente, algumas importantes pontas soltas que ficaram pelo caminho.
Se, naquele momento, em que as deixei sem solução não tinha capacidade para resolvê-las, talvez hoje possa enxergá-las com maior clareza e solucioná-las mais rapidamente.
Assim, fiquei pensando um pouco sobre a minha vida. As circunstâncias que passei, boas ou não tão boas; as situações em que me vi incapaz de enfrentá-las e as que as resolvi sem qualquer dificuldade.
Percebi que tudo o que vivenciei, mesmo aquelas situações que parece que eu nada fiz para que acontecessem, aconteceram como a água do rio que corre pelas suas margens, fluindo!! Mesmo aquelas que vieram como uma torrente desembestada que levou toda a paz e alegria do meu coração naquele momento... fluíram!!
Não sei se dá para vocês entenderem o que quero dizer, mas fluíram porque seguiram com o tempo. Hoje, eu ainda estou aqui, cheia de cicatrizes sim, mas com a certeza de que, sem elas, não seria um terço do que sou hoje. Elas me ajudaram a querer buscar o meu aprimoramento moral e ético; a buscar ser melhor a cada dia porque é esse estado de espírito que eu quero para mim.
Entendam que não há necessidade de construirmos essas cicatrizes em nós para sermos melhores, mas, se não conseguimos evitá-las, que as enxerguemos como um instrumento de muito valor para o nosso crescer. Assim, perceberemos que tudo flui... com o tempo, flui, e nós já não somos mais aqueles que éramos antes!
Volto no tempo para perceber que, todas as circunstâncias que vivenciei, boas ou não, tiveram em mim um gatilho para tê-las vivido e por isso são de minha responsabilidade, mas que foram tão essenciais que não consigo enxergar uma outra vida melhor para a lapidação do meu ser.
Neste meu regresso, flagrei situações em que pensei ter sido poupada de dores incômodas ou atrozes. Fiquei feliz e pensei que foi “merecimento” meu! Então, seguindo com o meu passeio, me surpreendi porque elas vieram, à frente, porém, mais bem adaptadas ao meu ser imperfeito, à minha capacidade de enfrentá-las e superá-las. Por incrível que pareça, agradeci, pois, no final, eu fui poupada sim, em ambos os momentos!
Todos nós viveremos momentos de dores profundas em nossas vidas, dores morais e materiais, dores da alma e do físico, e todas elas estarão pautadas em nós, como um reflexo de nossas escolhas, em como conseguiremos enfrentá-las e superá-las (ou não). Após este regresso, é mais palpável aos meus olhos que não estamos largados sozinhos nas tempestades da vida, e que, sabendo disso, teremos paz para nos fortalecermos e aguardarmos o tempo certo em que tudo se resolverá, porque seremos portadores das ferramentas certas e necessárias para o enfrentamento de nossas mazelas.
Não se iludam! Esse processo não é fácil e, diria até (des)necessário, porque se não fizermos isso por nos sentirmos incapazes de enfrentar as nossas dificuldades do pretério, a vida nos trará, no presente, experiências novas e adaptadas para a nossa lapidação. 
É verdade, também, que não pude enfrentar tudo no dia de hoje! Mas, consegui prender algumas pontas soltas que enxerguei e isso já merece um orgulhoso “Parabéns para mim!”.
Se vocês tiverem coragem, façam isso por vocês também!

No que consiste o nosso planejamento reencarnatório.


Fazemos uma ideia muito errada sobre o que é o nosso planejamento reencarnatório. E nos equivocamos porque temos ideias muito deturpadas do que é sairmos vencedores, termos boas experiências, superarmos nossas dificuldades.
Enquanto não percebermos que a nossa existência não se resume a um punhado de experiências que nos farão sofrer, não compreenderemos a essência de nossa própria realidade.
E porque pensamos isso? Primeiro, porque muitos ainda acreditam que é pelo sofrimento que seremos felizes! Interpretamos, equivocadamente, que sendo a dor necessária para o nosso crescimento, o sofrimento também o será, como se um dependesse do outro, como fossem um só. Mas, hoje, mais do que nunca, esses conceitos estão sendo explicados de uma forma mais simples e libertadora: dor e sofrimento são dois aspectos de uma experiência, sendo que a primeira é a forma que encaramos a experiência em que vivemos e o segundo, como nos deixamos senti-la.
Quando é afirmado que a dor é necessária, está se dizendo, simplesmente, que a maioria de nós, seres terrenos, nesta etapa evolutiva, somente nos freamos quando algo “desagradável” aos nossos olhos nos acontece. Esse algo, normalmente, é um alarme que nos faz perceber que precisamos parar e descobrir, de uma forma mais racional e sem destemperos, qual o caminho que nos retirará daquela trajetória desastrosa que estávamos percorrendo. E por que digo “aos nossos olhos”? Porque tal circunstância pode ser horrível para nós e não ser para um outro alguém. Eu posso perder a paz em uma circunstância que outra pessoa a vivenciaria sem muitos tumultos... Por isso, a dor é subjetiva, da mesma forma que a intensidade de nosso sofrimento também é. Ambos, serão avaliados pelo indivíduo e dada a sua importância e intensidade segundo a sua forma de enxergar a vida.
Mas, o que isso tem a ver com a programação reencarnatória? Tudo, porque ambas serão produzidas pelo indivíduo segundo a sua noção consciente ou inconsciente de seus débitos e trabalhadas em suas existências materiais. Está muito claro para mim que, os nossos débitos são contraídos pelas nossas ações equivocadas, mas eles só são mantidos pela nossa consciência culpada. Mesmo quando pensamos naquele indivíduo que não tem noção exata de seus equívocos e é aprisionado pelos seus algozes no plano imaterial, isso só acontece porque ele, como qualquer um de nós, já “sabe” o que é certo e errado, e ele “vibra” conforme este entendimento. Desde a vinda dos grandes Mestres, incluindo Jesus, não podemos mais dizer que não sabemos onde erramos.
Por isso, quando participamos de nossa programação reencarnatória, temos em nossa mente o que queremos superar e se possível “pagar” para nos vermos livres de nossa consciência perturbada. Elegemos muitas possíveis experiências não especificadas[1], mas úteis para o nosso desabrochar e, na ilusão de um menino pequeno que acha que se esconde atrás de suas próprias mãos, enxergamos muita dor e empreendemos muito sofrimento nelas para nos vermos pagando por cada erro cometido.
Precisamos compreender que sermos vencedores em uma existência terrena, termos boas experiências e superarmos nossas dificuldades depende de como vemos o que recebemos da vida e estas podem ser por nós transmutadas para um olhar mais humano e caridoso para conosco. Se não aprendermos isso, ao acreditarmos que precisaremos padecer os horrores de uma doença terminal para nos livrarmos de nossos males, será isso que construiremos para nós ao final de nossa existência.  Assim, atendendo ao nosso desejo, a vida nos dará a chave de nossa libertação (a doença terminal) para que alcancemos o objetivo de nossa programação reencarnatória que é, tão somente, alcançarmos a nossa felicidade espiritual.



[1] Em nosso planejamento, com raras exceções, não escolhemos passar especificamente por uma avalanche ou um tiroteio, uma queda de avião ou acidente de carro... Escolheremos, de uma forma geral, passar por uma experiência que nos ajudará a compreender o valor da vida, da família ou do emprego que nos sustenta... Daí, as circunstâncias serão construídas a partir de nossas ações, serão o resultado de nossas construções segundo as nossas escolhas de toda uma vida.

Temos de nos preocupar com a parte espiritual de nossas vidas?


Muitos se confundem quando acreditam que têm ou não têm de se preocupar com a parte espiritual de suas vidas. A bem da verdade, a palavra não é essa!
Cada um de nós busca o conhecimento sobre as verdades do plano imaterial por uma razão particular: porque sente que algo está errado, que não pode haver somente violência, corrupção, injustiça ao nosso redor, porque tem de existir algo maior do que o que a gente enxerga...
Na maioria das vezes, fazemos isso porque nos sentimos desamparados. Começamos a duvidar da providência divina e nos sentimos orfãos. E é exatamente porque não compreendemos o que está acontecendo ao nosso redor (no plano material) é que buscamos respostas que nos ajudarão a saber como agir (interna e/ou externamente) diante de tanta degradação moral, ética e intelectual. Mas, essas mazelas nos incomodam também porque estão sendo flagradas em nosso mundo interior: a violência sentida em nosso coração, a revolta que assola o nosso eu diante das injustiças que presenciamos, a falta de empatia que enxergamos no outro, e até em nós mesmos, frente às necessidades do próximo... tudo isso e muito mais está em nosso mundo interior, mas que não eram sentidos como hoje.
Desde os tempos imemoriais, nós agimos assim, com corrupção, com violência, com imaturidade emocional e eu me pergunto: como somente agora estamos tão incomodados com algo que já existe desde sempre? É porque tudo isso estava longe de nós, não nos atingia diretamente, fazia parte da vida "dos outros". Mas, agora, a violência está nas nossas portas; as guerras, a corrupção, em nossos lares (através da televisão, por exemplo), nos fazendo nos depararmos com a nossa própria violência e corrupção (em patamares menores, mas dolorosos para quem se dizia íntegro)... E, frente a tudo isso, nossos sentimentos e emoções borbulham, nos incomodam.
A verdade é que nada fazemos para mudar a nossa realidade se não nos incomodarmos com o que vemos e não nos aprofundarmos em nós mesmos para possíveis mudanças.
Não somos obrigados a buscar, ou nos preocupar, com o nosso mundo interior ou com o mundo espiritual (que fazem parte do mundo incorpóreo), mas, nós que o fazemos, percebemos que esse encontro nos permite sentir uma paz íntima, apesar de todos esses tormentos.
Nossos olhos se abrem um pouquinho mais para percebermos que tudo o que está acontecendo não é novidade para a humanidade e, ainda assim, Deus não nos abandona. Como dizia, desde os tempos imemoriais, a humanidade vive essas mazelas, mas, apesar disso, estamos crescendo. E percebemos isso porque nos sentimos crescer, através de nossas observações internas. E é por isso que chegou a hora de todos esses desvirtuamentos mundanos serem mostrados, escancarados para nós, porque já estamos tendo maturidade para vê-los e enfrentá-los.
O mundo é um lugar maravilhoso, mas imaturo. Precisa de bons líderes, mas também precisa de um bom povo que mude muitos de seus conceitos sobre integridade, honestidade, merecimento... E isso só acontecerá se formos chacoalhados, balançados em nossas bases, em nossas zonas de conforto. Vivenciando e sentindo tudo isso, como ficamos se não acreditarmos que estamos sendo protegidos, amparados pelo  Criador? Tudo isso que desejamos (mudanças para a humanidade e para a nossa vida diária) só alcançaremos quando pudermos ter olhos para ver. Muitos só abrirão os seus olhos quando perceberem que tudo isso está vinculado também à sua vida imaterial, suas responsabilidades diante de suas escolhas diárias e a necessidade de vivenciarem todas as experiências de sua vida, percebendo como reagirão em relação às mesmas. Para muitos de nós, sem essas bases, nos sentimos angustiados, desmotivados, sem chão... sem esperança.
Por tudo isso, buscar as verdades espirituais deixa de ser algo com que nos preocupamos e se torna algo que necessitamos, porque elas servirão como instrumentos para nos fortalecermos diante dessa "dor" moral em que vivemos em nosso país e no mundo, e nos tornaremos proativos para que as mudanças ocorram.
Se me perguntarem porque eu busco as verdades espirituais, eu respondo sem medo: é porque eu preciso saber que o que parece ser o caos ao meu redor é tão somente Deus agindo para o esclarecimento de todos os seus filhos.

Quem poderá acabar com a nossa solidão?


Medo, angústia, frustração, tristeza são alguns dos sentimentos que algumas pessoas portam quando se sentem sozinhas.
Mas, o que é estar sozinha?
Por séculos e séculos, ouvimos dizer que cada ser humano tem a sua alma gêmea, a sua cara metade, a sua outra banda da laranja... Ouvimos que o ser humano é um ser que vive no coletivo e que não sabemos viver sós.
Gostaria de colocar alguns pontos de vista que eu tenho sobre isso.
Primeiramente, tenho por convicção que Deus é Pai e não “carrasco”. Por isso, não acredito em almas gêmeas. Não no sentido que falam por aí. A conotação que dão para isso é de que, para sermos felizes, teríamos de encontrar alguém que nos faria sentir essencialmente plenos, que nos complementaria e que a sua ausência seria um martírio para a nossa alma solitária.
Pela concepção que tenho de Deus (Poderoso, Bom, Justo, Amoroso...), Ele não criaria essa dependência em nós porque não teríamos condições de compreender o amor do outro em toda a sua, ainda, imperfeição. Da forma que sabemos amar, nossa relação com o outro ainda é de muita cobrança, muita ilusão, muito egoísmo.
Vocês poderiam afirmar que já encontraram um casal assim, mas afirmo que essas pessoas não eram almas gêmeas, e sim somente pessoas que, como vocês, estão em pleno crescimento e que, hoje, sabem-se amar da forma que eles mais anseiam. Se assim é, possivelmente, nesta existência, eles tiveram a oportunidade de poder reviver um sentimento antigo sem as mazelas de um relacionamento corrompido. Talvez eles precisassem de uma existência mais calma neste sentido, para poderem enfrentar outras tantas dificuldades que fazem parte de suas superações.
Mas, o que é o amor? É um sentimento gostoso que nos vincula a alguém ou alguma coisa. É o único sentimento que sabemos criar em nosso mundo interior porque, sendo filhos de Deus, somente poderemos fazer o que Ele faz: amar.
No entanto, vocês me diriam que sentimos raiva, tristeza, mágoas, ódios... E eu os respondo: todos derivados do amor que sabemos amar. O que é o ódio, senão o amor violado? O que é a mágoa, senão o amor decepcionado? O que é a tristeza, senão o amor desmotivado? O que é o egoísmo, senão um amor exacerbado por nós mesmos? Tudo o que sentimos deriva-se do amor, mas um amor que foi transmutado por nós, transformado pela nossa ignorância sobre as verdades divinas.
Vivermos numa coletividade nos coloca à prova todos os dias, porque teremos de transmutar o nosso amor o tempo todo em resposta ao comportamento do outro e, quanto mais entendermos como fazê-lo sem prejudicar ao outro e a nós mesmos, mais perto de vivermos uma vida plena, com o outro ou sem ele.
A coletividade faz parte de nossa natureza. Desde o princípio, buscávamos o coletivo para nos proteger, para procriar, para sobreviver às intempéries do ambiente em que vivíamos. Essa coletividade está inserida nas leis divinas, através da Lei da Sociedade que tem como objetivo, além de outros mais, um crescimento intelectual, moral e emocional mais rápido para todos nós, mas nunca a escravidão de sentimentos ou dependência entre nós.
Mas, se não dependemos de ninguém, porque nos sentimos tão sós? Por que mesmo junto a tantos, nos sentimos desamparados, tristes? Porque, pela nossa falta de conhecimento, ainda não compreendemos que a pessoa que nos fará efetivamente felizes está dentro de nós. A cada dia, buscamos em nosso mundo exterior a felicidade, não percebendo que ela depende de como este ser enxerga a vida.
Estamos sós porque queremos viver uma vida que não existe. Os requisitos que numeramos para que a felicidade possa estar na nossa vida, como riqueza, fama, inteligência, influência, não farão qualquer diferença se não mudarmos a nossa forma de pensar.
Quantas celebridades (portadoras desses requisitos almejados) estão perdendo suas vidas, sua saúde, sua paz de espírito porque não deram a si mesmas a visão esclarecedora de que o maior tesouro que temos de cultivar é o do espírito. E aí, chega o ponto que quero lhes chamar a atenção: é nele que temos de nos curar da solidão. É em nós mesmos que precisamos achar a melhor companhia!
Se compreendermos isso, alcançaremos a felicidade e a sensação de solidão não fará parte de nós. E toda e qualquer companhia que conosco esteja estará ampliando, mas não completando a felicidade que já possuímos.