Qual é a sua razão de viver?



Começamos a nossa conversa com essa pergunta e, não se iludam pensando que ela é simples, porque muitos terão dificuldades em respondê-la.

Podemos ter respostas prontas do tipo: a minha razão de viver é a minha família, meus filhos, meus pais, minha realização pessoal... somente porque sabemos que seriam as respostas mais “certas” para darmos. Mas, elas estampam a nossa realidade?

Como agimos todos os dias? Como demonstramos a relevância destas pessoas no nosso dia a dia? Será que é somente quando elas partem que analisaremos o nosso comportamento em relação a elas?

Para as primeiras questões, deixo as respostas para a sua análise pessoal, mas para essa última pergunta a resposta é: na maioria das vezes, sim, infelizmente. É somente quando alguém que muito amamos se vai que paramos para sentir a sua falta, a sua relevância em nossa vida e sofremos por não termos dado um pouco mais do nosso tempo para ela em nosso cotidiano.

Em que pensamos quando acordamos? É na família, no trabalho ou na ascensão social que quero alcançar? Tudo junto?

Falamos de nossas famílias, amigos, companheiros de jornada, que nos acompanham, nos amam e nos encorajam a seguir com a vida, principalmente quando ela não está fácil. Falamos de trabalho e ascensão social... mas, será que não falta alguém ou alguma coisa nesta relação?

Existe alguém para quem muito lutamos, mas pouco analisamos a sua relevância; que, normalmente, é esquecido, é desvalorizado, e jamais é poupado de nossos desequilíbrios. Ele é quem mais serve de alvo de nosso julgamento e críticas, de nossa intolerância e descrédito frente às suas dificuldades. Esta pessoa que tanto necessita de nossa atenção e consolo, de nossa tolerância e caridade, de nossa valorização e tempo para ampará-la, amá-la e compreendê-la, deveria ser aquela que jamais daríamos às costas porque sem ela nada poderíamos ser, fazer ou aprender.

Essa pessoa é o seu Eu.

Vai parecer clichê, mas quantos de nós se valoriza? Quantos procuram conhecer a si mesmos? Quantos param para, verdadeiramente, descobrir o que os incomoda, o que precisa ser mudado, o que necessita para um crescer com menos dor? Quantos de nós se dão paz?

Hoje, graças a Deus, muitos são os que estão se voltando para compreender o seu papel nesta grande Escola da Vida. Estão se buscando, porque algo está faltando e este algo é a ligação mais profunda do seu Eu, da sua Chama Divinal, com o ser consciente.

Outros, porém, ainda não acordaram para isso. Enquanto estes continuarem depositando a sua razão de viver em algo ou alguém que não seja o seu Eu mais profundo, tudo ficará sem sentido, não se sentirão aptos para a sua caminhada evolutiva, não acreditarão em sua capacidade de enfrentar os desafios da vida, sofrendo profundamente diante das adversidades porque não se fizeram aliados de si mesmos. Sozinhos sucumbirão ante as dificuldades que lhes fazem ascender.

Lembrei do pontinho preto no imenso lençol branco. No que vocês fixariam a sua atenção? Se a sua resposta é para o pontinho preto que o está incomodando, você acabou de descortinar uma sábia manobra da vida para o seu crescimento íntimo: tudo o que o incomoda o leva a prestar mais atenção nele, o faz querer consertá-lo ou modificá-lo para que fique bem alinhado aos ditames do que você acha ser o certo. Então, concluímos que não são ruins os pontos negros em nossos lençóis, porém, como escolhemos enfrentá-los ou como exacerbamos os nossos incômodos é que fará a diferente!

Por ainda não compreendermos o quanto ele (ponto preto) pode nos fazer progredir, fixamo-nos neste, reclamando do lençol ter sido maculado, e esquecemos que a sua função de cobrir não está perdida e que o ponto preto pode ser lavado.

Reclamamos tanto daquilo que nos incomoda que deixamos de valorizar o que temos de positivo e deixamos de agir com todo o nosso potencial para enfrentarmos as adversidades. Como reflexo desta nossa postura, não nos valorizamos, não nos perdoamos, não aceitamos as nossas limitações, criando um vazio existencial.

Por exemplo, eu não consigo fazer algo que outras pessoas fazem bem. Em razão disso, me condeno pela minha incapacidade. Estaciono no meio do caminho ante o meu cruel julgamento. Mas, se voltamos para nós os olhos da tolerância e amor, perceberíamos que isso nós ainda não conseguimos fazer, mas outras tantas coisas fazemos com muita competência (= relação do ponto preto com lençol branco). Isso é nos conhecermos.

Sei que podem estar pensando que eu os quero egoístas e pensando somente em si. Claro que não é isso! O que estou dizendo é que, para nos doarmos por inteiro, para estarmos bem com quem amamos e com o mundo, temos que agir da mesma forma conosco.
Para tanto, precisamos saber quem somos nas boas ou más tendências. Isso não é egoísmo, isso é auto amor. Quando nos amamos com consciência, conseguimos amar muito mais profundamente o outro que está ao nosso lado.

Infelizmente, ao não nos amarmos com sabedoria, nos fixamos muito mais nas nossas más tendências e nos convencemos que não somos capazes de valorizar quem somos e, por consequência, quem está ao nosso redor.

Conhecer a si mesmo vai além do saber do que somos capazes, é também olharmos para nós sem uma visão deturpada de nós mesmos. Precisamos nos esforçar para nos parabenizar pela caminhada árdua que trilhamos até onde estamos.

A nossa razão de viver deve estar pautada, primordialmente, na vontade de nos “bem compreender”, porque fazendo isso nos “bem capacitamos” na compreensão do próximo e, nesta vibração enobrecedora, tudo se tornará um “bom reflexo” do caminhar seguro do Ser divino que há em nós.



Desencarne Coletivo – Uma pequena visão da Misericórdia Divina

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Este artigo se diferenciará dos demais, porque não serei eu a comentar o tema proposto. 

Peço licença para trazer-lhes uma mensagem psicografada por mim, de um irmão espiritual que, juntamente com outros tantos, trabalha diretamente com o socorro das almas que desencarnam em situações desalentadoras. 

Suas palavras nos levam a meditar sobre a Misericórdia Divina e a entender o quanto somos amados e nunca desamparados pelo Pai que tudo sabe. 

Espero que estas palavras tragam paz aos seus corações, como trouxe ao meu.

"Amigos, Paz!

Estamos nos deparando com alguma frequência com aquilo que chamamos de desencarnes coletivos. 

Tais fatos nos confrangem a alma porque os enxergamos como uma calamidade, uma catástrofe, uma dor incomensurável.

Sentimos na pele a dor dos familiares, porque nos é (im)possível pensar o que sentiríamos se fôssemos nós os parentes das vítimas deste holocausto. Mas, jamais poderemos esquecer que, mesmo diante de tal calamidade, existe a presença divina da Providência a nos conduzir pelos caminhos certos para a nossa redenção íntima.

Certo é que a nossa pequena evolução moral já nos dá a oportunidade de participarmos de nossa programação reencarnatória no que concerne ao resgate de nosso coração ante as mazelas produzidas por nossas ações equivocadas. No plano da real existência, a culpa nos acompanha e dilacera a nossa alma, sentindo-nos necessitados de resgatar os males provocados por nós em existências anteriores.

E, se assim é no campo individual, também se estende para o campo coletivo.

Quando na coletividade, criamos situações em que provocamos o mal alheio, quando em grupo provocamos a dor direta ou indireta de nossos irmãos em Cristo, criamos para cada um de nós a necessidade de resgatarmos coletivamente o que se tornou uma mazela em nosso ser e que nos parece irrecuperável.

Diante de nossa consciência mais sábia sobre o que é certo e errado, percebemos as mazelas que trazemos e, abarrotados de um sentimento de culpa que nos escraviza a alma, buscamos nos libertar através dos aprendizados futuros advindos de nossas próprias escolhas.  

Como agimos no pretérito pelo conjunto, será pelo conjunto que poderemos sucumbir na matéria perecível e, através dela, elevarmo-nos em nossas aspirações mais espiritualizadas.

Face a um evento catastrófico, provocando as desencarnações coletivas, a Providência Divina nos dá a chance de buscarmos no nosso tribunal interior o perdão dos pecados que ainda entendemos carregar. Por séculos, se algo dessa magnitude não acontecer, ficaríamos escravizados a culpas atrozes por acreditarmo-nos merecedores do inferno de Dante, sem remissão, sem perdão.

Por isso, voltemos os nossos corações aos que retornaram para o plano imaterial, levando-lhes, pelas orações, a compreensão de que mais uma etapa de findou e que tudo o que vivenciaram foi acrescentado em seu benefício.

Aprendamos a enxergar a misericórdia de Deus em todas as circunstâncias, porque o aprendizado se faz para os mais próximos, mas também para os que não vivenciaram diretamente os reflexos do evento devastador.

Voltemo-nos aos que ficaram, nos solidarizando pelas lágrimas vertidas e dores sentidas. Façamos o que está ao nosso alcance para que a paz reine em seus corações, porque a dor ensina, mas será pela caridade que se amenizará as chagas das suas feridas emocionais.

Acalmem os corações deles e os seus, pulsando as suas intenções pelo bem e sempre no bem para que as energias deletérias criadas com a dor e revolta possam se dissipar e a paz volte a reinar.

Fiquem bem!"
Irmão Jacinto
Trabalhador socorrista na Seara do Mestre Jesus



Qual a medida de nossa crueldade... para conosco?




Quantas vezes voltamos o nosso olhar para trás para agradecer pelas nossas conquistas?

Quantas vezes olhamos para o nosso presente e nos parabenizamos por tudo o que já passamos e ultrapassamos nesta vida?

Por vezes, somos cruéis. Fixamo-nos naquilo que não conseguimos alcançar e não enxergamos todo o caminho trilhado para chegarmos onde estamos, para obtermos toda a experiência que nos fez ser quem somos hoje.

Porque essa postura tão dura conosco? Jesus disse certa vez:

“Onde estão aqueles teus acusadores?” (João 8:10).

Após a resposta da adúltera de que todos tinham ido, ele completou:

“Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8:11).

Jesus não estava somente se referindo a todos aqueles que antes a estavam criticando, julgando e condenando, quando afirmou “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Ele também incluía entre os acusadores alguém muito mais importante que aqueles antes mencionados... Ele se referia à nossa própria consciência.

Se a mulher, que diziam ser adúltera, não se perdoasse pelo seu erro, acabaria se condenando, não se sentindo capaz de se libertar de seus enganos pela culpa que carregaria.

Até que percebesse o seu “pecado”, até que percebesse que não é perfeita e que pode demorar um pouco para adquirir a compreensão para não mais se equivocar, a prisão dessa mulher adúltera (e de todos nós) seria sem grades, mas muito eficaz.

Quando nos incomodamos com as nossas ações, estamos no princípio de uma caminhada mais consciente e tudo fazemos para aplicar as mudanças que nos levarão a não ficarmos mais atormentados. Não posso afirmar que faremos tudo certo desde o começo, mas se tentamos fazer aquilo que achamos certo desde o princípio, compreenderemos que, não nos parabenizar pelo esforço aplicado, é desumano e cruel.

Pensem comigo, em qual fase empreendemos mais esforço: no percurso da maratona ou na linha de chegada? Se não valorizarmos todo o percurso da corrida, todas as dores sentidas, mas superadas, não compreenderemos o verdadeiro valor da chegada. Infelizmente, é o que fazemos, na maioria das vezes, no nosso caminhar.  

Li a seguinte frase de um autor desconhecido:

“Eu me lembro dos dias em que orei por coisas que tenho hoje.”

Esse pensamento me fez pensar muito.

Como esquecer que fiz tanto esforço, deixei de realizar tantos outros desejos para chegar onde cheguei? E, qual é a minha reação diante da vitória?

Estamos tão empenhados em angariar conquistas que não percebemos que não estamos vivenciando nenhuma delas. É como se ganhássemos uma corrida e nem parássemos para pegar a medalha. Já partiríamos para outra corrida e sem o descanso devido.

Chega um momento em que nosso corpo se esgota e não conseguimos mais correr. Nossa mente embaralha, nossas emoções e sentimentos se exacerbam e, sem considerar nossos exageros que provocaram esse colapso, colocamos a culpa em um outro alguém por não darmos mais conta das corridas programadas.

Pergunto, então, sobre quem jogamos a nossa responsabilidade? Cada pessoa é uma pessoa, mas posso afirmar que o nosso principal alvo é Deus. É Ele quem não nos ama o suficiente para nos dar aquilo que muito desejamos; é Ele que nos pune ao seu bel-prazer e sem motivos.

Esquecemos que se nem nós, pais imperfeitos, damos tudo para os nossos filhos, imagina Deus que tudo sabe. Se você vir que a postura adotada por seu filho com o seu carro é um pulo para o desastre, você iria apoiá-lo? Possivelmente, retiraria dele o carro que emprestou e diria para que ele tomasse cuidado e consciência de seus erros no trânsito. Assim é Deus, só devolverá o carro quando perceber que você entendeu o recado dado.

Nossas conquistas não são somente a vitória merecedora de medalha, mas sim todo o esforço, tempo e dedicação que empreendemos para chegarmos lá. Aí, perceberemos que a medalha já é merecida pelo primeiro passo que dermos rumo à linha de chegada. E Deus? Ele nos dará todas as oportunidades e tempo que forem necessários para a concretização de nossa meta.

Por tudo isso, necessitamos valorizar cada etapa já ultrapassada porque muito oramos para ali chegar, mas se já é momento para dali partirmos, que jamais esqueçamos que não chegaríamos a lugar nenhum sem o primeiro passo desta grande caminhada.

  



Nós não temos tempo



O tempo todo pensamos que temos tempo para fazer o que desejamos. É tão intrínseco isso que deixamos para depois o que podemos fazer hoje.

O problema (se posso dizer que é um problema) é que nós não temos tempo. O tempo não nos pertence, ele flui e nós estamos nele, como estamos em Deus.

O TEMPO FLUI

O tempo passa e tudo o que passou não volta mais. O tempo escoa por nossos dedos e tudo o que nele tinha a sua base também com ele escoará. O nosso passado está no passado.

Podemos, porém, não nos desatrelar do passado, trazendo-o para o presente. E fazemos isso porque o passado ainda não é passado; não está acabado, não está encerrado para nós. Ele ainda é presente.

No entanto, o tempo do passado no presente ou o próprio presente no presente, a cada segundo, deixa de existir e o que ficou foram nossas impressões, são as nossas crenças internas construídas ou destruídas a cada experiência. Elas nos fazem mais sábios, mesmo que não estejamos enxergando as lições que ficam para nós; mesmo que não entendamos que aquilo que ficou fará sentindo um dia em nossa existência.

O QUE É MAIS VALORIZADO: O TEMPO OU O QUE FAZEMOS COM ELE?

Após a nossa criação por Deus, nos tornamos seres atemporais (nosso espírito imortal), e para o plano imaterial voltaremos, deixando, finalmente, o ser que sofre o efeito do tempo se findar. Isso nos amedronta, mas é o destino de todos nós que ainda necessitamos viver no plano material. Para nós, na carne, nada fará o tempo voltar e ele poderá fazer falta se acharmos que não o aproveitamos como deveríamos.

Isso é notório quando estamos acamados, doentes em casa ou nos hospitais. Temos tempo para perceber realmente se e como aproveitamos (ou não) o nosso tempo, porque, nos tornamos mais introspectivos quando nestas condições.

Quase todos os médicos e enfermeiras são unânimes em concordar que o que mais se vê, nos quartos, enfermarias e corredores dos hospitais, são os doentes e familiares arrependidos por não terem se doado por inteiro àquela vida (sua ou do seu amor) a si ofertada; por não terem se dedicado mais aos verdadeiros valores do espírito, aos únicos tesouros que o espírito pode acumular e levar daqui. É como se você tivesse resolvido investir todo o seu dinheiro (tempo) em fundos de investimento (escolhas) e estes perderem o seu valor com a quebra da bolsa de valores (escolhas equivocadas).

A culpa por esse horrível investimento o acometerá, mas você poderá se acusar de ter errado se, naquele momento, tudo o levava a acreditar que seus investimentos estavam certos? Preste atenção onde a culpa se baseia, porque, possivelmente, é você se acusando (justa ou injustamente) de não ter feito tudo o que podia para impedir aquele desfecho.

Prestaram a atenção no que eu disse? Justa ou injustamente! Nem sempre estaremos corretos ao nos condenarmos pelas escolhas que fizermos.

JUSTIFICATIVAS OU DESCULPAS?

Voltemos ao caso da doença ou de um dos nossos amores no hospital, lugar onde paramos e nos damos a oportunidade de pensar sobre o que fizemos ou deixamos de fazer em relação a eles ou a nós mesmos: claro que poderíamos ter aproveitado melhor a presença dos nossos filhos, mas eu precisava trabalhar para dar o melhor para eles; claro que poderíamos ter ido visitar mais vezes os nossos pais, mas acreditávamos que teríamos mais tempo; claro que poderíamos ter ajudado financeiramente a nosso irmão quando este pediu ajuda, mas entendíamos que estávamos construindo o seu caráter para lutar pelo que ele sonhava... e quando nós ou estes se vão, uma culpa pode nos atormentar a alma.

Se isso ocorre é porque nós não estávamos totalmente convencidos de nossas próprias justificativas (ou desculpas) e, com o tempo que se foi, amadurecemos para perceber que elas (ou elas) poderiam ser contornadas e que a valorização do ser espiritual deveria ter sido a primeira meta. Mas, todas essas circunstâncias estão no passado e, o amadurecimento, no nosso presente. Por isso, aprendamos com o que ocorreu no passado e tentemos não repetir aquilo que provocou hoje o tormento de nossa alma.

O TEMPO É

O tempo não nos pertence porque ele não nos atende em nossos desejos. Ele chega e vai, ele chega e fica, ele vem e vai sem pudor, sem convite ou carta de despedimento.

Mas, mesmo não nos pertencendo, ele faz diferença, ele nos dá a oportunidade de nos moldar, ele nos dá a chance de refazermos os nossos equívocos simplesmente por estarmos nele e ele escoar de nós.

Não possuímos o tempo e quanto mais tempo gastarmos com o que não nos faz crescer, mais arrependidos poderemos nos sentir por não percebermos que a cada tempo que se vai, menos tempo teremos nesta vivência para melhor dela aproveitar e crescer.

Que entendamos que o tempo é um presente divino e que somente no presente ele existe para nós, mas que, como uma onda intensa, passará e também estará conosco e nos arremeterá aonde necessitamos estar para o nosso aprimoramento.

Usemos do tempo a nosso favor, mesmo que ele não possa ficar, mesmo que ele ainda esteja ao nosso redor!

O tempo não nos pertence, mas é nele que agiremos com os princípios e crenças que nos norteiam para transformarmos a nossa vida no presente, tendo o passado como instrutor e o futuro como meta!  

Vencendo o passado



Vocês têm a sensação de que estão enfrentando uma batalha diariamente? Por vezes, é assim que me sinto!

Todos os dias, acordamos com a sensação de que não podemos esmorecer, que não podemos nos deixar abater diante das experiências que já estamos vivendo ou das que iremos enfrentar. Todos os dias, já acordamos armados, buscando fôlego para não desanimarmos ante a falta de uma visão mais esperançosa, seja na nossa vida, seja na vida de outras pessoas que, indiretamente, tomamos conhecimento e nos influenciamos.

Comecei a sentir isso e percebi que a cada dia estava mais e mais cansada. A cada dia parecia que as minhas forças estavam se esvaindo... e eu não sabia para onde estavam indo!

Comecei a me entregar a uma sensação de abandono e impotência... e tenho de dizer que é horrível viver assim! Mas, não pensem que estava depressiva. Não! Eu estava bem... bem para conseguir flagrar esse processo em mim e me policiar para não descer mais fundo. E por esta razão, imagino o quão é arrebatador estarmos portadores da depressão. Não a desejo para ninguém e não critico quem está com dificuldade para superá-la.

De qualquer forma, como eu dizia, vendo-me entrar neste processo, precisei parar e ter coragem para descobrir o que estava “errado” em mim. Graças a Deus, achei e continuo achando algumas respostas e elas serviram e servirão como ferramentas imprescindíveis para a superação desta fase na minha vida. Afirmo que, tomando coragem e fazendo essa análise, cada um poderá achar as suas próprias respostas.[1]

Mas, o que seria esse momento, afinal de contas? Dentre tantas outras respostas, posso afirmar que é um período em que estamos vivendo o nosso presente tendo o nosso passado incompreendido como base.

Pode parecer óbvio e infalível o que acabei de dizer, afinal,

o presente sempre terá o passado como base,

mas precisamos fazer algumas ressalvas. Passado é passado e quando não o deixamos lá, principalmente nas experiências que não superamos, estaremos vivenciando no hoje:
  1. todos os traumas nele (passado) criados,
  2. todas as nossas crenças limitantes que construímos com os traumas, usando-as como se fossem as ferramentas certas, mas, na essência, sendo equivocadas para o nosso caminhar.

Diante dessa nossa ação, estaremos literalmente construindo uma vida sobre um terreno bem instável de areia fofa. A qualquer momento, sob qualquer tempestade, ela (construção) sucumbirá por falta de segurança ou fortaleza de nossa base.

Para não haver dúvidas sobre o que estou falando, quando afirmamos que o presente tem o passado como alicerce, não é o passado em si, mas todo entendimento que extraímos das experiências que já vivenciamos.

A base de nosso presente deve ser o aprendizado e não o resultado que extraímos das nossas vivências no ontem.

Dentre outras explicações, a sensação de fragilidade, de desgosto com a vida, são o resultado de nos perdemos em nossos medos e angústias que têm o seu foco nas experiências que vivenciamos, mas que com elas ainda não aprendemos toda a essência do que é necessário para o nosso caminhar seguro.

Assim, ouvimos muito sobre as posturas otimistas e espiritualizadas que devemos tomar para não sucumbirmos diante das dificuldades diárias que enfrentamos, mas, se não compreendermos que a nossa base está instável, continuaremos acrescentando mais peso sobre paredes que não aguentarão todo o peso nelas depositado.

Friso aqui que não estou dizendo que precisamos saber a origem de todo e qualquer trauma, mas sim que precisamos tornar segura a base, iniciando:
  1. por um processo de alimentar em nós a certeza de que cada experiência vivida é uma benção para o nosso crescer,
  2. que apesar das dificuldades, tudo passa e, com certeza, estaremos melhores amanhã,
  3. que nossas crenças deixarão de ser limitantes, ficando o passado no passado naquilo que ainda não temos condição de compreender,
  4. que não sabermos o que fazer faz parte de nossa elevação e não precisamos nos punir por isso,
  5. e, tentando colocar em prática todos os itens anteriores, nossos dias estarão mais sadios e leves porque essa será a nossa verdade.

Estaremos vencendo o passado quando, deixando-o nos influenciar no momento certo de cada vivência, ele depositará aos nossos pés os instrumentos com os quais antes já nos deparamos, mas, pela nossa falta de compreensão não os tínhamos entendido. Agora, no entanto, com o pouco do que já vivenciamos, poderemos melhor usá-los para a depuração de nosso ser.

Assim, o passado estará por nós e não contra nós.

Um viva para a nossa vitória!



[1] Não estou falando de casos em que a depressão já seja uma realidade. Para esse quadro, somente através de um acompanhamento profissional, associado ao enriquecimento espiritual, poderá auxiliar efetivamente na sua superação.

A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também!



Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.

No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.


Os tempos são outros


Estamos em um momento de transição. 

Não estou me referindo ao momento eleitoral, apesar de ser real no nosso país, mas sim da transição planetária. 

Estamos em um momento em que todas as nossas mazelas estão emergindo com as experiências que estamos vivenciando.

A espiritualidade fala abertamente que as nossas máscaras estão caindo. Elas já não se sustentam mais, elas não devem ser mais utilizadas para nos iludir porque os tempos são outros.

NÃO ENTENDERAM, EU EXPLICO

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai aqui um pequeno resumo: nosso planeta é habitado por espíritos imperfeitos, de terceira ordem[1], espíritos que podem ser descritos como propensos ao mal, ignorantes, orgulhosos, egoístas, etc.

Nossos conhecimentos sobre “as coisas do espírito” são limitados e o pouco que sabemos fazemos comparações que, por vezes, nos levam ao equívoco por não termos qualquer noção do que está além de nós, só do que vemos na matéria. Vivemos em um mundo interior de tormentos, porque, pela nossa ausência de entendimento da divina sabedoria, sentimos intensamente e nos revoltamos a cada circunstância que não nos agrada, a cada “injustiça” que pensamos ser alvo.

Em razão desse nosso grau evolutivo, vivemos em um mundo material que nos recepciona e que é descrito, na escala planetária, como de provas e expiações e que, abaixo de nós, somente os planetas primitivos, aqueles que recepcionam as almas humanas que acabaram de nascer. Então, podemos concluir que ainda muito precisaremos caminhar para atingirmos mundos mais evoluídos.

A boa notícia, no entanto, é que estamos saindo desse patamar planetário e estamos entrando em um novo nível, na regeneração. Nosso mundo está evoluindo e precisa que aqueles que nele habitam também cresçam. Não sairemos da escala de espíritos imperfeitos, mas diante do que já aprendemos (o que não é muito) teremos condições de buscar novas forças, repousando das lutas empreendidas, para enfrentarmos nossas novas expiações.

Para tanto, não conseguiríamos permanecer aqui, num planeta que está buscando novas energias, sem desabarem as máscaras que vestimos todos os dias, com as quais buscávamos iludir a quem conosco convive, com as quais buscávamos nos iludir para continuarmos vítimas (e sem responsabilidade) da Soberana Justiça.

O QUE FAZEMOS, ENTÃO?

TEMPO DE ILUDIR X TEMPO DE AGIR

Necessitamos saber quem somos. Necessitamos nos enxergar, doa a quem doer. Foi por isso que viemos nesta fase de transição e é por isso que tudo o que vemos está acontecendo agora.
Todas as experiências que vivemos, da mais simplória circunstância à mais complexa, nos levam a enxergar quem somos. E sabendo quem somos, podemos fazer nossa escolha futura.

Pensem comigo: se temos segurança financeira, social e ideológica, nada nos levará a agir ou reagir com o que há de primitivo em nós. Nada nos incitará a trazermos à tona nossos instintos de sobrevivência, nossas reações egoístas e violentas. Mostrar-nos-emos sempre civilizados.

Para que fique palpável o que afirmo, pensemos no caso global dos refugiados (da Síria, Afeganistão, Somália, Venezuela...). São milhões de refugiados que fogem de seus países de origem em razão de perseguições políticas, de raça, de religião, necessitando do abrigo dos países que estão mais próximos e, principalmente, necessitando que os que os abrigarem os vejam como seres humanos.

Não afirmo ser errado um país temer receber um contingente enorme de pessoas que, por vezes, é até maior que o seu próprio número de cidadãos, mas, isso só acontece porque o mundo se faz cego diante da necessidade dos que sofrem. Afirma-se que não é problema nosso uma guerra, uma chacina no país vizinho e, quando somos pegos de surpresa com a imigração dos que fogem, não temos (como mundo) um planejamento de contingência para colocarmos em prática.

Mas, verdadeiramente, o que quero chamar a atenção de vocês nessa questão é (não passem adiante sem responder as perguntas):  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema é do outro (de outro país, por exemplo)? Julgamo-lo por fechar suas fronteiras?  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema chega em nossas mãos? Queremos abrir as nossas fronteiras para eles?
 Conseguiram responder?

Quais foram os sentimentos que brotaram em seus corações? 
  • Medo, temor deste acolhimento trazer prejuízos ao conforto que todos usufruem? 
  • Medo, temor deles preencherem os empregos que já são tão poucos?
  • Medo, temor do aumento da violência e pobreza que vem com a falta de infraestrutura para toda essa gente? 
  • Medo, temor de suas crenças tão diferentes das que possuem?
Mas, será que somos somente “trevas”? 
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam mesmo que se lhes impunha algumas condições?
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam seja qual for o resultado que isso acarrete na nossa vida, na de nossos amores, ou em nosso país?
 Qualquer que seja aquele(s) com o qual(is) nos identificamos somos nós! Esse ser que emergiu dos recôncavos de nosso mundo interior é quem estamos e que, sem um impulsionamento externo, não o flagraríamos. Esse ser que precisa ser elogiado ou lapidado com carinho e dedicação.

Não se iludam achando que, neste período, precisamos descobrir somente as nossas mazelas internas. Muitas vezes, precisamos enxergar o quanto crescemos, o quanto estamos melhores para nos sentirmos merecedores de permanecer neste planeta de regeneração.

Abramos os nossos olhos. Não queiramos esconder de nós mesmos quem ainda somos, porque não conseguiremos enganar a Supremacia Divina que sabe o que é melhor para nós.

Acreditem que estarmos em um mundo onde não nos enquadramos seria ruim. O ambiente nos incomodaria, as pessoas nos incomodariam, as nossas imperfeições nos dilacerariam interiormente, nos trazendo muito sofrimento.

A boa notícia é que, se estamos aqui, ainda muito poderemos fazer para nos melhorar. Se estamos aqui é porque a Suprema Providência entende que temos os instrumentos para darmos a volta por cima porque, como foi dito acima, quem permanecerá aqui ainda é um espírito imperfeito, mas esse desejará mudança, esse terá em seu ser a vontade de valorizar suas vitórias, superar suas “chagas interiores” e seguir em frente,  junto com toda a humanidade.

Os tempos são outros, mas nós estamos aqui. Façamos parte "destes tempos" com consciência.





[1] In “O Livro dos Espíritos”, p. 73, Ed Petit, 1999.