Vencendo o passado



Vocês têm a sensação de que estão enfrentando uma batalha diariamente? Por vezes, é assim que me sinto!

Todos os dias, acordamos com a sensação de que não podemos esmorecer, que não podemos nos deixar abater diante das experiências que já estamos vivendo ou das que iremos enfrentar. Todos os dias, já acordamos armados, buscando fôlego para não desanimarmos ante a falta de uma visão mais esperançosa, seja na nossa vida, seja na vida de outras pessoas que, indiretamente, tomamos conhecimento e nos influenciamos.

Comecei a sentir isso e percebi que a cada dia estava mais e mais cansada. A cada dia parecia que as minhas forças estavam se esvaindo... e eu não sabia para onde estavam indo!

Comecei a me entregar a uma sensação de abandono e impotência... e tenho de dizer que é horrível viver assim! Mas, não pensem que estava depressiva. Não! Eu estava bem... bem para conseguir flagrar esse processo em mim e me policiar para não descer mais fundo. E por esta razão, imagino o quão é arrebatador estarmos portadores da depressão. Não a desejo para ninguém e não critico quem está com dificuldade para superá-la.

De qualquer forma, como eu dizia, vendo-me entrar neste processo, precisei parar e ter coragem para descobrir o que estava “errado” em mim. Graças a Deus, achei e continuo achando algumas respostas e elas serviram e servirão como ferramentas imprescindíveis para a superação desta fase na minha vida. Afirmo que, tomando coragem e fazendo essa análise, cada um poderá achar as suas próprias respostas.[1]

Mas, o que seria esse momento, afinal de contas? Dentre tantas outras respostas, posso afirmar que é um período em que estamos vivendo o nosso presente tendo o nosso passado incompreendido como base.

Pode parecer óbvio e infalível o que acabei de dizer, afinal,

o presente sempre terá o passado como base,

mas precisamos fazer algumas ressalvas. Passado é passado e quando não o deixamos lá, principalmente nas experiências que não superamos, estaremos vivenciando no hoje:
  1. todos os traumas nele (passado) criados,
  2. todas as nossas crenças limitantes que construímos com os traumas, usando-as como se fossem as ferramentas certas, mas, na essência, sendo equivocadas para o nosso caminhar.

Diante dessa nossa ação, estaremos literalmente construindo uma vida sobre um terreno bem instável de areia fofa. A qualquer momento, sob qualquer tempestade, ela (construção) sucumbirá por falta de segurança ou fortaleza de nossa base.

Para não haver dúvidas sobre o que estou falando, quando afirmamos que o presente tem o passado como alicerce, não é o passado em si, mas todo entendimento que extraímos das experiências que já vivenciamos.

A base de nosso presente deve ser o aprendizado e não o resultado que extraímos das nossas vivências no ontem.

Dentre outras explicações, a sensação de fragilidade, de desgosto com a vida, são o resultado de nos perdemos em nossos medos e angústias que têm o seu foco nas experiências que vivenciamos, mas que com elas ainda não aprendemos toda a essência do que é necessário para o nosso caminhar seguro.

Assim, ouvimos muito sobre as posturas otimistas e espiritualizadas que devemos tomar para não sucumbirmos diante das dificuldades diárias que enfrentamos, mas, se não compreendermos que a nossa base está instável, continuaremos acrescentando mais peso sobre paredes que não aguentarão todo o peso nelas depositado.

Friso aqui que não estou dizendo que precisamos saber a origem de todo e qualquer trauma, mas sim que precisamos tornar segura a base, iniciando:
  1. por um processo de alimentar em nós a certeza de que cada experiência vivida é uma benção para o nosso crescer,
  2. que apesar das dificuldades, tudo passa e, com certeza, estaremos melhores amanhã,
  3. que nossas crenças deixarão de ser limitantes, ficando o passado no passado naquilo que ainda não temos condição de compreender,
  4. que não sabermos o que fazer faz parte de nossa elevação e não precisamos nos punir por isso,
  5. e, tentando colocar em prática todos os itens anteriores, nossos dias estarão mais sadios e leves porque essa será a nossa verdade.

Estaremos vencendo o passado quando, deixando-o nos influenciar no momento certo de cada vivência, ele depositará aos nossos pés os instrumentos com os quais antes já nos deparamos, mas, pela nossa falta de compreensão não os tínhamos entendido. Agora, no entanto, com o pouco do que já vivenciamos, poderemos melhor usá-los para a depuração de nosso ser.

Assim, o passado estará por nós e não contra nós.

Um viva para a nossa vitória!



[1] Não estou falando de casos em que a depressão já seja uma realidade. Para esse quadro, somente através de um acompanhamento profissional, associado ao enriquecimento espiritual, poderá auxiliar efetivamente na sua superação.

A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também!



Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.

No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.


Os tempos são outros


Estamos em um momento de transição. 

Não estou me referindo ao momento eleitoral, apesar de ser real no nosso país, mas sim da transição planetária. 

Estamos em um momento em que todas as nossas mazelas estão emergindo com as experiências que estamos vivenciando.

A espiritualidade fala abertamente que as nossas máscaras estão caindo. Elas já não se sustentam mais, elas não devem ser mais utilizadas para nos iludir porque os tempos são outros.

NÃO ENTENDERAM, EU EXPLICO

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai aqui um pequeno resumo: nosso planeta é habitado por espíritos imperfeitos, de terceira ordem[1], espíritos que podem ser descritos como propensos ao mal, ignorantes, orgulhosos, egoístas, etc.

Nossos conhecimentos sobre “as coisas do espírito” são limitados e o pouco que sabemos fazemos comparações que, por vezes, nos levam ao equívoco por não termos qualquer noção do que está além de nós, só do que vemos na matéria. Vivemos em um mundo interior de tormentos, porque, pela nossa ausência de entendimento da divina sabedoria, sentimos intensamente e nos revoltamos a cada circunstância que não nos agrada, a cada “injustiça” que pensamos ser alvo.

Em razão desse nosso grau evolutivo, vivemos em um mundo material que nos recepciona e que é descrito, na escala planetária, como de provas e expiações e que, abaixo de nós, somente os planetas primitivos, aqueles que recepcionam as almas humanas que acabaram de nascer. Então, podemos concluir que ainda muito precisaremos caminhar para atingirmos mundos mais evoluídos.

A boa notícia, no entanto, é que estamos saindo desse patamar planetário e estamos entrando em um novo nível, na regeneração. Nosso mundo está evoluindo e precisa que aqueles que nele habitam também cresçam. Não sairemos da escala de espíritos imperfeitos, mas diante do que já aprendemos (o que não é muito) teremos condições de buscar novas forças, repousando das lutas empreendidas, para enfrentarmos nossas novas expiações.

Para tanto, não conseguiríamos permanecer aqui, num planeta que está buscando novas energias, sem desabarem as máscaras que vestimos todos os dias, com as quais buscávamos iludir a quem conosco convive, com as quais buscávamos nos iludir para continuarmos vítimas (e sem responsabilidade) da Soberana Justiça.

O QUE FAZEMOS, ENTÃO?

TEMPO DE ILUDIR X TEMPO DE AGIR

Necessitamos saber quem somos. Necessitamos nos enxergar, doa a quem doer. Foi por isso que viemos nesta fase de transição e é por isso que tudo o que vemos está acontecendo agora.
Todas as experiências que vivemos, da mais simplória circunstância à mais complexa, nos levam a enxergar quem somos. E sabendo quem somos, podemos fazer nossa escolha futura.

Pensem comigo: se temos segurança financeira, social e ideológica, nada nos levará a agir ou reagir com o que há de primitivo em nós. Nada nos incitará a trazermos à tona nossos instintos de sobrevivência, nossas reações egoístas e violentas. Mostrar-nos-emos sempre civilizados.

Para que fique palpável o que afirmo, pensemos no caso global dos refugiados (da Síria, Afeganistão, Somália, Venezuela...). São milhões de refugiados que fogem de seus países de origem em razão de perseguições políticas, de raça, de religião, necessitando do abrigo dos países que estão mais próximos e, principalmente, necessitando que os que os abrigarem os vejam como seres humanos.

Não afirmo ser errado um país temer receber um contingente enorme de pessoas que, por vezes, é até maior que o seu próprio número de cidadãos, mas, isso só acontece porque o mundo se faz cego diante da necessidade dos que sofrem. Afirma-se que não é problema nosso uma guerra, uma chacina no país vizinho e, quando somos pegos de surpresa com a imigração dos que fogem, não temos (como mundo) um planejamento de contingência para colocarmos em prática.

Mas, verdadeiramente, o que quero chamar a atenção de vocês nessa questão é (não passem adiante sem responder as perguntas):  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema é do outro (de outro país, por exemplo)? Julgamo-lo por fechar suas fronteiras?  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema chega em nossas mãos? Queremos abrir as nossas fronteiras para eles?
 Conseguiram responder?

Quais foram os sentimentos que brotaram em seus corações? 
  • Medo, temor deste acolhimento trazer prejuízos ao conforto que todos usufruem? 
  • Medo, temor deles preencherem os empregos que já são tão poucos?
  • Medo, temor do aumento da violência e pobreza que vem com a falta de infraestrutura para toda essa gente? 
  • Medo, temor de suas crenças tão diferentes das que possuem?
Mas, será que somos somente “trevas”? 
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam mesmo que se lhes impunha algumas condições?
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam seja qual for o resultado que isso acarrete na nossa vida, na de nossos amores, ou em nosso país?
 Qualquer que seja aquele(s) com o qual(is) nos identificamos somos nós! Esse ser que emergiu dos recôncavos de nosso mundo interior é quem estamos e que, sem um impulsionamento externo, não o flagraríamos. Esse ser que precisa ser elogiado ou lapidado com carinho e dedicação.

Não se iludam achando que, neste período, precisamos descobrir somente as nossas mazelas internas. Muitas vezes, precisamos enxergar o quanto crescemos, o quanto estamos melhores para nos sentirmos merecedores de permanecer neste planeta de regeneração.

Abramos os nossos olhos. Não queiramos esconder de nós mesmos quem ainda somos, porque não conseguiremos enganar a Supremacia Divina que sabe o que é melhor para nós.

Acreditem que estarmos em um mundo onde não nos enquadramos seria ruim. O ambiente nos incomodaria, as pessoas nos incomodariam, as nossas imperfeições nos dilacerariam interiormente, nos trazendo muito sofrimento.

A boa notícia é que, se estamos aqui, ainda muito poderemos fazer para nos melhorar. Se estamos aqui é porque a Suprema Providência entende que temos os instrumentos para darmos a volta por cima porque, como foi dito acima, quem permanecerá aqui ainda é um espírito imperfeito, mas esse desejará mudança, esse terá em seu ser a vontade de valorizar suas vitórias, superar suas “chagas interiores” e seguir em frente,  junto com toda a humanidade.

Os tempos são outros, mas nós estamos aqui. Façamos parte "destes tempos" com consciência.





[1] In “O Livro dos Espíritos”, p. 73, Ed Petit, 1999.

A intolerância que eu desconhecia em mim


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Mais uma vez, percebemos como a vida é sábia.

Somente quando somos testados pelas alegrias e adversidades, somente quando os nossos interesses são glorificados ou colocados em “perigo” é que deixamos emergir para a superfície de nossas ações aquilo que ainda trazemos em nossos corações, aquilo que ainda nos acompanha como parte de nossa essência.

Enquanto vivemos uma existência sem tormentos, enquanto vivenciamos um mar de tranquilidade antes as circunstâncias que nos rodeiam, não temos noção das mazelas que carregamos nas profundezas de nossa alma, tampouco a nossa capacidade de fazer o bem.

Mas, não é para isso que viemos aqui neste planeta escola? Não é para nos conhecermos e nos lapidarmos, para nos conhecermos e nos aprimorarmos?

A espiritualidade há muito tem nos avisado que passaríamos por momentos de aprendizado; que deveríamos nos preparar para enfrentar os nossos temores mais íntimos; que também nos escandalizaríamos com as nossas boas e não tão boas ações e pensamentos, porque as máscaras iriam cair e que nos enxergaríamos por inteiro.

O momento chegou. O momento de turbulência está aí para quem quiser admitir!

O nosso povo está dividido, realmente, dividido. Uns mais exaltados, outros mais comedidos, mas o que conta é o que flagramos em nossos corações.

Pense com honestidade, sem buscar justificativas: o que está acontecendo aí dentro do seu Eu? Quais os sentimentos que estão borbulhando, que estão se fazendo presentes a cada experiência boa e não tão boa que vivencia? Elas o incomodam? Se sim, o que fará a respeito?

Percebo muitas em mim! Me surpreendo com algumas que antes eu mesma afirmava (ou até condenava) ser inconcebível para um ser cristão! Elas estão aqui e o que faço? Tenho de me envergonhar por tê-las? Não.

Como não?

Não tenho de me envergonhar porque elas são aquilo que estou, mas não significa que eu as aceitarei em meu ser. Se eu as estou abominando em mim, posso simplesmente trabalhá-las pacificamente para transmutá-las. Diante de tantas lutas externas que assolam o nosso país, não preciso criar outra batalha dentro de mim para me lapidar. Posso fazer isso no silêncio de minha vontade, na minha vontade de querer mudar.

Mas, além das circunstâncias, o que fez ressurgir e alimentar tais sentimentos em cada um de nós?

Eu acredito que o maior impulsionador de nossos sentimentos exacerbados é o nosso medo!

Estamos com medo! Medo desta instabilidade, medo da violência, medo do nosso presente, medo de vermos que, efetivamente, a nossa vida está na mão de outras pessoas que poderão, através de suas concepções (diferentes das nossas), moldar um futuro que nos parece aterrorizador. O brasileiro tomou consciência de seu papel como cidadão e que a escolha do coletivo fará diferença para a condução de sua vida.

O engraçado é que esse papel nunca fugiu deste contexto. Pela nossa ignorância cívica, não dávamos o devido valor ao nosso voto e, por isso, sempre estivemos à mercê de qualquer decisão mal direcionada de nossos governantes, podendo-nos trazer o caos e a decadência. Somos parte da mesma moeda, onde um for, o outro lado vai também!

No entanto, somente agora, ante as adversidades vivenciadas pela nação, o povo aprendeu que não podemos nos alienar ou nos isentar de nossas responsabilidades.

Percebam que, em nenhum momento, estou apontando quem está certo ou errado. Estou, ao contrário, me referindo a todos os brasileiros, sem exceção, que, em razão de tantas dificuldades, temem por um futuro sombrio e, por isso, usam da intolerância como um escudo de proteção.

O medo nos afasta de quem pode nos ajudar. O medo nos leva a acreditar que o caos impera. O medo nos leva a agir com violência verbal ou física contra aqueles que acreditamos que concretizarão o que mais tememos. O medo nos faz enxergar um inimigo a cada esquina.

Voltemo-nos para o Cristo. Voltemo-nos para quem realmente nos ampara a cada momento e ajamos conforme Ele ensinou[1]:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.”

Nesta passagem bíblica, Ele nos dizia que precisamos fazer a nossa parte. Não podemos cruzar os braços, mas, agirmos sim, seguindo os Seus ensinamentos no império da paz, do consolo e da compreensão.

Voltemo-nos para o nosso Ser. Busquemos compreender o medo que nos assola para que a nossa fé seja mais forte do que ele. Abandonemos a intolerância e façamos as pazes com os que pensam diferentes de nós, porque a intenção deles não é o nosso prejuízo, mas sim concretizar o que entendem ser o certo e impedir que vivenciemos as dificuldades que eles enxergam para o futuro de todos.

Assim, com esse novo entendimento, mataremos de fome o medo que nos inunda e incomoda e fortaleceremos a nossa fé na Providência Divina que nos fará compreender que, se todos estão fazendo a sua parte, não importa quem chegará no Podium, nada fugirá ao que o nosso povo, agora, necessita para o seu aprendizado coletivo.  



[1] Matheus, 7:7-8


As adversidades nos mostrando quem somos

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Engraçado como a vida é vista por nós. Ela pode nos incomodar sobremaneira quando vivenciamos os percalços da vida, ou pode ser o precioso diamante que não desejaremos vender jamais apesar dessas mesmas adversidades. 

O que faz com que ela seja assim aos nossos olhos? Penso que a resposta está exatamente aí: nos nossos “olhos”!

A vida será exatamente aquilo que enxergarmos, como uma conquista de nosso esforço e entendimento. Poderemos vê-la como uma benção ou como uma provação intransponível se ainda não compreendemos que podemos enxergá-la além das próprias provas.

Claro que (podemos pensar), se já estamos conseguindo ver, apesar dos percalços, que a vida é boa, então, parece-nos que já não precisamos nos preocupar tanto, que já estamos crescendo. É verdade, mas pode não ser na proporção que estamos imaginando!

Para que tenhamos a certeza dessa conquista evolutiva, a vida precisa nos abrir a visão para que não nos iludamos conosco. Ela nos trará adversidades das mais necessárias, das mais sábias... aquelas que tocam nas nossas feridas que ainda estão por cicatrizar, para que não as esqueçamos de tratar e não deixemos de progredir em nossa caminhada, deixando resquícios para trás.

Explico melhor: se, em razão das experiências que estou tendo, acredito falsamente na depuração de minha alma, precisarei “daquela” experiência para que me veja como realmente sou. Então, por exemplo, percebo que estou muito paciente no meu trabalho. Para tudo o que vivencio lá, nada está me tirando do sério. Concluo, por consequência, que já compreendi a preciosidade das relações para com o próximo.

Mas, se essa não é a verdade ainda do meu Ser, a providência divina agirá para que eu possa me curar da miopia a que estou acometida.

Pelo curso do rio de nossa existência, seremos levados a vivenciar experiências que ainda não compreendemos, não suportamos enfrentá-las, para que percebamos que algumas situações do cotidiano não mais nos tirarão do sério, porém, ainda há muito a ser aprendido.

As adversidades são instrumentos maravilhosos de nossa lapidação interior, se, claro, desejarmos enxergá-las como tal. Somente quando começamos a entender a presença constante de Deus em tudo o que vivemos, em tudo o que está ao nosso redor, começaremos (só começaremos!) a não mais nos revoltarmos com tais experiências.

O normal é, quando nos vemos diante de algo que tememos, reagimos. E nossa reação imediata será com base no que realmente somos. Não há como ser diferente. No entanto, a partir desta reação instantânea, poderemos nos frear, raciocinar e não desejar seguir agindo com as mazelas do passado. Aí está o “espelho” que reflete quem somos. Estão aí os “óculos” que nos auxiliam a enxergar a nossa construção íntima, apesar da miopia que nos compromete a visão.

Da mesma forma que a criança não compreende o quanto é importante a vacinação para o seu futuro e suplica para os seus pais que não a deixem passar por aquele sofrimento, nós também agimos assim diante da agulha da experiência dolorosa, suplicando ao Pai que nos afaste daquele cálice. Mas, ao crescer, aquela criança percebe o amor maior de seus pais por ela, porque compreende o que seria de sua vida sem a imunidade que a vacina lhe trouxe. É assim que percebemos o amor maior de Deus por nós, porque compreendemos o que seria de nossa existência vivenciando e colhendo o que a nossa ignorância moral planta a cada experiência.

Por isso, não deixemos de valorizar quaisquer circunstâncias que nos chegam, porque estarão elas eivadas da sabedoria divina a nos ensinar o que precisamos deixar para trás e alimentar o que realmente importa para a nossa vivência nos patamares mais altos de nossa escala evolutiva.



Estamos vivenciando um guerra velada


Vemos grupos de pessoas brigando entre si sobre questões de ordem psíquica, emocional e familiar, levando uma boa parte de nossa sociedade a se manifestar de uma forma descontente, frustrada, irritada.
Existe uma onda, onde alguns, para não perderem o pequeno espaço que já conquistaram, estão mais atuantes em defender aquilo que acreditam. Fazem barulho, expõem suas ideias, chamam a atenção para as suas verdades, criam circunstâncias que escandalizam, trazem desconforto ou, ao contrário, dão condições de novos entendimentos aos nunca tinham sido colocados frente àquelas novas concepções. Outros, por serem contrários, lutam pelas suas convicções e valores, não querendo que essa onda os afogue, temendo o que não conhecem ou vislumbrando as consequências de adotá-las. Infelizmente, nenhum dos lados está a salvo das revoltas e indignações produzidas pelas ponderações trazidas pelo seu oposto.
Tentando analisar com brandura e raciocínio, venho tentando ouvir e ver o que está acontecendo ao meu redor, mas admito que estou me sentindo “afogar” vez por outra.
Influenciando essa batalha, temos os meios de comunicação, que, infelizmente, trazem as notícias, espelham em suas novelas, tudo o que está negativo em nosso país: corrupção, violência, descaso aos valores familiares, etc.

Tudo isso nos faz chegar ao final do dia com a impressão de que nada está bem, mas isso não é verdade!
Afirmo isso porque, o que generalizam como se fosse a característica de nosso povo, não nos resume. O que vemos alguns fazerem tão gravemente, não pode ser espelhado aos milhões de brasileiros. A maioria de nós se importa com o futuro de nosso país e usa das armas que tem, como votar com mais consciência e continuar trabalhando, esperançosa que mudanças aconteçam. Muitos estrangeiros afirmam não entender como podemos ser tão mansos e pacíficos diante dos últimos acontecimentos. Eu diria que somos assim (!), talvez “por enquanto”, talvez “isso nunca mude”, mas digo que é melhor do que pegarmos em armas e resolvermos pela força e pela violência. Será que reagimos assim por sermos o país que é considerado o “coração” do mundo, a pátria do evangelho[1]? Saímos da ditadura militar sem uma guerra civil. Não acham que, em razão de nossa postura “pacífica”, não recebemos o auxílio divino para que as etapas de nosso aprendizado surjam? Fica aí a minha suspeita para vocês pensarem.
A decência de nosso povo não se resume ao samba nem na alegria de viver, mas de sabermos que somos capazes de, mesmo pobres, devolvermos bolsas de dinheiro perdidas aos seus verdadeiros donos; de termos ONGs, templos religiosos e trabalhadores voluntários que se dedicam efetivamente a auxiliar os mais necessitados; de vermos bons policiais que arriscam, todo dia a sua vida, recebendo um salário minguado, para fazer o seu trabalho por convicção de que eles podem fazer a diferença em um país ainda violento; por termos médicos que, mesmo em hospitais sem condições mínimas de trabalho, ainda se esforçam para salvar vidas e dar dignidade àqueles que os procuram; de vermos trabalhadores honestos diariamente superando longas distâncias para serem úteis e merecerem a sua remuneração no final do mês...
Vocês poderiam dizer que nem todos são assim ou que “os países mais avançados também fazem isso”, como se isso fosse desmantelar os meus argumentos. Mas, ao contrário, só me dá a certeza que estamos no caminho certo. Aqueles que não fazem têm o exemplo daqueles que fazem para aprender a fazer diferente, essa é a proposta da lei divina que nos rege.
Como eu estava dizendo, muitos são os bons exemplos, mas estes não são divulgados. E por que não? Porque afirmam os meios de comunicação que não é assunto que interessa ao público. Será mesmo? Quantos de nós já manifestam a insatisfação de deixarmos entrar em nossos lares o “lixo” produzido por essas programações?
Se não buscarmos querer enxergar aquilo que está ao nosso redor “com os nossos próprios olhos” (e não com os da mídia), essa onda que está nos levando de um lado para o outro, sem boia e sem leme, nos influenciará de tal forma que acabará com a nossa autoestima, com os nossos valores familiares e morais, com o nosso orgulho de sermos brasileiros... e aí, o que sobrará?
Hoje, estamos vivenciando uma verdadeira guerra velada dentro de nossa sociedade. Mas, essa guerra pode deixar de sê-lo se defendermos os nossos valores sem raiva e indignação, porque deixaremos de ver quem pensa diferente de nós como inimigo e poderemos achar um porto seguro, onde todos poderão repousar, não tendo que “aniquilar” ninguém, mas sim compreender as diferenças pelo diálogo e respeito.





[1] Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos).


Apoderar-se de si mesmo, uma luta que pode ser exaustiva

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Viver! Ato de respirar e acreditar que podemos raciocinar sobre tudo o que está ao nosso redor. Afinal, somos seres pensantes, não somos?

Esse conceito que trouxe é o mais comum entre as pessoas que estão “existindo”, mas não vivenciando a sua vida. E não podemos nos iludir e achar que são os outros os que existem sem perceber-se, porque nós também fazemos isso.

Tive uma experiência que me mostrou o quanto a gente se desconhece na intensidade de nossas emoções. Tive um dissabor que me fez ver quantos recantos existem em mim que ainda não os tinha explorado devidamente. Acreditando me conhecer, fiquei surpresa com a intensidade das emoções e sentimentos que emergiram de um desses refúgios de minha alma ainda em crescimento.

Parando para tentar me harmonizar, pude flagrar qual seria o sentimento que servia de trampolim para o meu desequilíbrio emocional, mas, mesmo o flagrando, precisei de tempo para enfrentá-lo e, por fim, compreendê-lo.

Somos humanos e, mesmo estando em nosso mundo interior, lutamos com garra para superarmos tudo o que já construímos lá dentro tendo como alicerce a nossa ignorância de milênios.

Eram tantos pensamentos e emoções que me sufocavam e atrapalhavam o meu raciocínio que me sentia incapaz de colocar tudo em ordem sozinha.

Precisei de tempo e de amigos para me escutarem, porque, falando, eu também me ouvia e raciocinava a tempestade que se avolumava em mim. Por isso, falar com alguém em quem confiamos nos ajuda, pois somos obrigados a organizar o pensamento para que o outro possa compreender a nossa fala e a escutarmos os seus conselhos. E, como tudo na vida é perfeito, se estivermos atentos ao que sai de nossa boca ou passa pelo nosso campo mental, poderemos flagrar muitos terrenos inférteis a serem trabalhados porque o nosso subconsciente aproveita esses momentos e exterioriza algo mais sobre nós mesmos.

Pensem vocês em um barco pequeno, em pleno oceano, enfrentando um temporal cataclísmico (dramático, não é?). Era assim que eu estava me sentindo. Enfrentando o temporal, não vemos com clareza, nos sentimos abandonados naquele mar revolto. Mas, seremos obrigados a respirar em algum momento, e quando conseguirmos fazer isso, perceberemos que temos todos os instrumentos para nos salvar: o barquinho, que somos nós e os remos, que são o nosso querer.

Eu quis melhorar, eu quis enxergar a situação de uma forma mais positiva, eu quis buscar o consolo nas minhas crenças cristãs, aceitando que tudo está para o meu crescer e que nada é injusto, só ajustável às minhas necessidades de criança em evolução.

O temporal se amenizou. Não foi rápido! Passei todo o dia naquele barquinho, remando até chegar a alguma ilha. Precisei dormir e acordar, acreditando que era um novo dia e que mais outras provas viriam para que eu me reconhecesse, para que eu recordasse que tais provas eram o significado de que a vida estava me dizendo que eu era capaz! Precisei agradecer a Deus!

Com Ele, apoderei-me de novo do meu ser, mesmo ainda sentindo os resquícios dessa luta: um coração mais sobressaltado, um vestígio no peito das energias de angústia e incapacitação que me deixei dominar no dia anterior, mas estava bem mais forte e corajosa para continuar navegando em busca do crescimento e evolução de minha alma.

A boa notícia é que, apesar de ainda cair nessas tempestades, hoje, já me vejo fora de muitas batalhas, porque antes lutei nelas com afinco, mas somente as venci quando simplesmente me permiti compreendê-las no contexto do meu viver.  Percebo, mais do que nunca, que a paz ainda é a resposta para as nossas “lutas” internas e será nela que a compreensão se fará em nosso coração.

Apoderemo-nos de nós, enfrentando os nossos medos e ignorância com a espada da compreensão e com o escudo do entendimento sem temermos a nossa queda, porque “do chão não passaremos” e sozinhos não estaremos.