As adversidades nos mostrando quem somos

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Engraçado como a vida é vista por nós. Ela pode nos incomodar sobremaneira quando vivenciamos os percalços da vida, ou pode ser o precioso diamante que não desejaremos vender jamais apesar dessas mesmas adversidades. 

O que faz com que ela seja assim aos nossos olhos? Penso que a resposta está exatamente aí: nos nossos “olhos”!

A vida será exatamente aquilo que enxergarmos, como uma conquista de nosso esforço e entendimento. Poderemos vê-la como uma benção ou como uma provação intransponível se ainda não compreendemos que podemos enxergá-la além das próprias provas.

Claro que (podemos pensar), se já estamos conseguindo ver, apesar dos percalços, que a vida é boa, então, parece-nos que já não precisamos nos preocupar tanto, que já estamos crescendo. É verdade, mas pode não ser na proporção que estamos imaginando!

Para que tenhamos a certeza dessa conquista evolutiva, a vida precisa nos abrir a visão para que não nos iludamos conosco. Ela nos trará adversidades das mais necessárias, das mais sábias... aquelas que tocam nas nossas feridas que ainda estão por cicatrizar, para que não as esqueçamos de tratar e não deixemos de progredir em nossa caminhada, deixando resquícios para trás.

Explico melhor: se, em razão das experiências que estou tendo, acredito falsamente na depuração de minha alma, precisarei “daquela” experiência para que me veja como realmente sou. Então, por exemplo, percebo que estou muito paciente no meu trabalho. Para tudo o que vivencio lá, nada está me tirando do sério. Concluo, por consequência, que já compreendi a preciosidade das relações para com o próximo.

Mas, se essa não é a verdade ainda do meu Ser, a providência divina agirá para que eu possa me curar da miopia a que estou acometida.

Pelo curso do rio de nossa existência, seremos levados a vivenciar experiências que ainda não compreendemos, não suportamos enfrentá-las, para que percebamos que algumas situações do cotidiano não mais nos tirarão do sério, porém, ainda há muito a ser aprendido.

As adversidades são instrumentos maravilhosos de nossa lapidação interior, se, claro, desejarmos enxergá-las como tal. Somente quando começamos a entender a presença constante de Deus em tudo o que vivemos, em tudo o que está ao nosso redor, começaremos (só começaremos!) a não mais nos revoltarmos com tais experiências.

O normal é, quando nos vemos diante de algo que tememos, reagimos. E nossa reação imediata será com base no que realmente somos. Não há como ser diferente. No entanto, a partir desta reação instantânea, poderemos nos frear, raciocinar e não desejar seguir agindo com as mazelas do passado. Aí está o “espelho” que reflete quem somos. Estão aí os “óculos” que nos auxiliam a enxergar a nossa construção íntima, apesar da miopia que nos compromete a visão.

Da mesma forma que a criança não compreende o quanto é importante a vacinação para o seu futuro e suplica para os seus pais que não a deixem passar por aquele sofrimento, nós também agimos assim diante da agulha da experiência dolorosa, suplicando ao Pai que nos afaste daquele cálice. Mas, ao crescer, aquela criança percebe o amor maior de seus pais por ela, porque compreende o que seria de sua vida sem a imunidade que a vacina lhe trouxe. É assim que percebemos o amor maior de Deus por nós, porque compreendemos o que seria de nossa existência vivenciando e colhendo o que a nossa ignorância moral planta a cada experiência.

Por isso, não deixemos de valorizar quaisquer circunstâncias que nos chegam, porque estarão elas eivadas da sabedoria divina a nos ensinar o que precisamos deixar para trás e alimentar o que realmente importa para a nossa vivência nos patamares mais altos de nossa escala evolutiva.



Estamos vivenciando um guerra velada


Vemos grupos de pessoas brigando entre si sobre questões de ordem psíquica, emocional e familiar, levando uma boa parte de nossa sociedade a se manifestar de uma forma descontente, frustrada, irritada.
Existe uma onda, onde alguns, para não perderem o pequeno espaço que já conquistaram, estão mais atuantes em defender aquilo que acreditam. Fazem barulho, expõem suas ideias, chamam a atenção para as suas verdades, criam circunstâncias que escandalizam, trazem desconforto ou, ao contrário, dão condições de novos entendimentos aos nunca tinham sido colocados frente àquelas novas concepções. Outros, por serem contrários, lutam pelas suas convicções e valores, não querendo que essa onda os afogue, temendo o que não conhecem ou vislumbrando as consequências de adotá-las. Infelizmente, nenhum dos lados está a salvo das revoltas e indignações produzidas pelas ponderações trazidas pelo seu oposto.
Tentando analisar com brandura e raciocínio, venho tentando ouvir e ver o que está acontecendo ao meu redor, mas admito que estou me sentindo “afogar” vez por outra.
Influenciando essa batalha, temos os meios de comunicação, que, infelizmente, trazem as notícias, espelham em suas novelas, tudo o que está negativo em nosso país: corrupção, violência, descaso aos valores familiares, etc.

Tudo isso nos faz chegar ao final do dia com a impressão de que nada está bem, mas isso não é verdade!
Afirmo isso porque, o que generalizam como se fosse a característica de nosso povo, não nos resume. O que vemos alguns fazerem tão gravemente, não pode ser espelhado aos milhões de brasileiros. A maioria de nós se importa com o futuro de nosso país e usa das armas que tem, como votar com mais consciência e continuar trabalhando, esperançosa que mudanças aconteçam. Muitos estrangeiros afirmam não entender como podemos ser tão mansos e pacíficos diante dos últimos acontecimentos. Eu diria que somos assim (!), talvez “por enquanto”, talvez “isso nunca mude”, mas digo que é melhor do que pegarmos em armas e resolvermos pela força e pela violência. Será que reagimos assim por sermos o país que é considerado o “coração” do mundo, a pátria do evangelho[1]? Saímos da ditadura militar sem uma guerra civil. Não acham que, em razão de nossa postura “pacífica”, não recebemos o auxílio divino para que as etapas de nosso aprendizado surjam? Fica aí a minha suspeita para vocês pensarem.
A decência de nosso povo não se resume ao samba nem na alegria de viver, mas de sabermos que somos capazes de, mesmo pobres, devolvermos bolsas de dinheiro perdidas aos seus verdadeiros donos; de termos ONGs, templos religiosos e trabalhadores voluntários que se dedicam efetivamente a auxiliar os mais necessitados; de vermos bons policiais que arriscam, todo dia a sua vida, recebendo um salário minguado, para fazer o seu trabalho por convicção de que eles podem fazer a diferença em um país ainda violento; por termos médicos que, mesmo em hospitais sem condições mínimas de trabalho, ainda se esforçam para salvar vidas e dar dignidade àqueles que os procuram; de vermos trabalhadores honestos diariamente superando longas distâncias para serem úteis e merecerem a sua remuneração no final do mês...
Vocês poderiam dizer que nem todos são assim ou que “os países mais avançados também fazem isso”, como se isso fosse desmantelar os meus argumentos. Mas, ao contrário, só me dá a certeza que estamos no caminho certo. Aqueles que não fazem têm o exemplo daqueles que fazem para aprender a fazer diferente, essa é a proposta da lei divina que nos rege.
Como eu estava dizendo, muitos são os bons exemplos, mas estes não são divulgados. E por que não? Porque afirmam os meios de comunicação que não é assunto que interessa ao público. Será mesmo? Quantos de nós já manifestam a insatisfação de deixarmos entrar em nossos lares o “lixo” produzido por essas programações?
Se não buscarmos querer enxergar aquilo que está ao nosso redor “com os nossos próprios olhos” (e não com os da mídia), essa onda que está nos levando de um lado para o outro, sem boia e sem leme, nos influenciará de tal forma que acabará com a nossa autoestima, com os nossos valores familiares e morais, com o nosso orgulho de sermos brasileiros... e aí, o que sobrará?
Hoje, estamos vivenciando uma verdadeira guerra velada dentro de nossa sociedade. Mas, essa guerra pode deixar de sê-lo se defendermos os nossos valores sem raiva e indignação, porque deixaremos de ver quem pensa diferente de nós como inimigo e poderemos achar um porto seguro, onde todos poderão repousar, não tendo que “aniquilar” ninguém, mas sim compreender as diferenças pelo diálogo e respeito.





[1] Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos).


Apoderar-se de si mesmo, uma luta que pode ser exaustiva

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Viver! Ato de respirar e acreditar que podemos raciocinar sobre tudo o que está ao nosso redor. Afinal, somos seres pensantes, não somos?

Esse conceito que trouxe é o mais comum entre as pessoas que estão “existindo”, mas não vivenciando a sua vida. E não podemos nos iludir e achar que são os outros os que existem sem perceber-se, porque nós também fazemos isso.

Tive uma experiência que me mostrou o quanto a gente se desconhece na intensidade de nossas emoções. Tive um dissabor que me fez ver quantos recantos existem em mim que ainda não os tinha explorado devidamente. Acreditando me conhecer, fiquei surpresa com a intensidade das emoções e sentimentos que emergiram de um desses refúgios de minha alma ainda em crescimento.

Parando para tentar me harmonizar, pude flagrar qual seria o sentimento que servia de trampolim para o meu desequilíbrio emocional, mas, mesmo o flagrando, precisei de tempo para enfrentá-lo e, por fim, compreendê-lo.

Somos humanos e, mesmo estando em nosso mundo interior, lutamos com garra para superarmos tudo o que já construímos lá dentro tendo como alicerce a nossa ignorância de milênios.

Eram tantos pensamentos e emoções que me sufocavam e atrapalhavam o meu raciocínio que me sentia incapaz de colocar tudo em ordem sozinha.

Precisei de tempo e de amigos para me escutarem, porque, falando, eu também me ouvia e raciocinava a tempestade que se avolumava em mim. Por isso, falar com alguém em quem confiamos nos ajuda, pois somos obrigados a organizar o pensamento para que o outro possa compreender a nossa fala e a escutarmos os seus conselhos. E, como tudo na vida é perfeito, se estivermos atentos ao que sai de nossa boca ou passa pelo nosso campo mental, poderemos flagrar muitos terrenos inférteis a serem trabalhados porque o nosso subconsciente aproveita esses momentos e exterioriza algo mais sobre nós mesmos.

Pensem vocês em um barco pequeno, em pleno oceano, enfrentando um temporal cataclísmico (dramático, não é?). Era assim que eu estava me sentindo. Enfrentando o temporal, não vemos com clareza, nos sentimos abandonados naquele mar revolto. Mas, seremos obrigados a respirar em algum momento, e quando conseguirmos fazer isso, perceberemos que temos todos os instrumentos para nos salvar: o barquinho, que somos nós e os remos, que são o nosso querer.

Eu quis melhorar, eu quis enxergar a situação de uma forma mais positiva, eu quis buscar o consolo nas minhas crenças cristãs, aceitando que tudo está para o meu crescer e que nada é injusto, só ajustável às minhas necessidades de criança em evolução.

O temporal se amenizou. Não foi rápido! Passei todo o dia naquele barquinho, remando até chegar a alguma ilha. Precisei dormir e acordar, acreditando que era um novo dia e que mais outras provas viriam para que eu me reconhecesse, para que eu recordasse que tais provas eram o significado de que a vida estava me dizendo que eu era capaz! Precisei agradecer a Deus!

Com Ele, apoderei-me de novo do meu ser, mesmo ainda sentindo os resquícios dessa luta: um coração mais sobressaltado, um vestígio no peito das energias de angústia e incapacitação que me deixei dominar no dia anterior, mas estava bem mais forte e corajosa para continuar navegando em busca do crescimento e evolução de minha alma.

A boa notícia é que, apesar de ainda cair nessas tempestades, hoje, já me vejo fora de muitas batalhas, porque antes lutei nelas com afinco, mas somente as venci quando simplesmente me permiti compreendê-las no contexto do meu viver.  Percebo, mais do que nunca, que a paz ainda é a resposta para as nossas “lutas” internas e será nela que a compreensão se fará em nosso coração.

Apoderemo-nos de nós, enfrentando os nossos medos e ignorância com a espada da compreensão e com o escudo do entendimento sem temermos a nossa queda, porque “do chão não passaremos” e sozinhos não estaremos.

O sofrimento silencioso



Estamos vivenciando um momento em que vemos muitas pessoas buscando no suicídio a cura para as suas dores.

Estaria mentindo se disse que consigo imaginar o que sentem essas pessoas que, em razão de sua dor, chegam ao ponto de infringir uma das leis divinas mais perfeitas que é a Lei da Conservação. Como somos seres de outra localidade (plano espiritual), e para não desejarmos voltar à nossa origem antes do tempo, a cada existência terrena nos é imputada a vontade quase intransponível de nos manter aqui para vivenciarmos os momentos de alegria e de dor sem desejarmos fugir de nossa própria regeneração.

Estamos a séculos vindo e indo, repetindo os mesmos equívocos, buscando o nosso aprimoramento, caindo e levantando, nos melhorando pouco a pouco apesar de nossa teimosia em acreditar que a vida a ser valorizada é a material e não a espiritual.

Mas, estamos evoluindo. E como estamos enfrentando uma fase de mudança do estágio evolutivo planetário, para aqui ficarmos, precisaremos nos deparar conosco sem máscaras, sem véus. Assim, todos que para cá vieram (e ainda vem) reencarnados, estão preparados para se enfrentar ou enfrentar as experiências que nos farão enxergar quem somos, não significando dizer, todavia, que gostaremos do que veremos, ou que aceitaremos quem somos sem lutas íntimas.

Assim, sem fazer qualquer julgamento a quem quer que seja, percebo que, por nos vermos tão enfraquecidos em nossos valores íntimos, por não valorizarmos quem somos, não nos sentimos fortalecidos para enfrentarmos algumas experiências que, pela misericórdia divina, estaríamos à altura de vivenciá-las e, portanto, de alcançarmos o aprendizado merecido.

Por tal incapacidade, muitas vezes sem percebermos, buscamos um dos caminhos mais difíceis de trilhar, mas que, por nossa ignorância, nos parece o único apropriado: o de interromper a dor pela ausência da vida que acreditamos estar alimentando essa mesma dor.

Precisamos voltar a nos importar! Precisamos estar atentos às mudanças de atitude daqueles que estão ao nosso redor, precisamos estar atentos às nossas próprias mudanças internas!... porque podemos ser nós, daqui a um tempo, entristecidos profundamente por uma dor vivenciada, a nos afundar na lama da desesperança e não conseguirmos sair dela.

Se não voltarmos o nosso coração e mente para esta vida encarnada;
Se não voltamos a nossa atenção para a vida real, fora das redes sociais, fora da internet, fora da ilusão de que “todos têm uma vida melhor do que a minha”;
Se não valorizarmos cada experiência como uma benção divina a nos ensinar e nos fortalecer diante das adversidades;
Se não abraçarmos, com fé, a crença de que Deus é Misericordioso e Bom e que não agiria com menos amor do que um filho Seu que, diante de um filho da carne, só quer o melhor para ele;
Não conseguiremos perceber os dramas que nos rodeiam e, não chegaremos a tempo de socorrer a quem amamos ou, até pior, nos impedir de ir pelo mesmo caminho.

O problema é que, na grande maioria, essa dor é silenciosa. Ela vai preenchendo o nosso ser, sem nos apercebermos. Vamos desconsiderando os parcos avisos que a nossa consciência nos permite flagrar, achando que o que sentimos é simples, drama ou bobagem, e que as pessoas não nos escutarão porque veriam essa mesma dor como frescura. Sem sabermos, estamos alimentando uma doença que após alojada é difícil combater!

Percebo que tudo o que os nossos irmãos desalentados pela dor precisam é de alguém que possa mostrar-lhes um outro caminho, porque eles não estão mais aptos para achá-lo. Eles não precisam de julgamento, eles não precisam de nossa piedade, eles precisam de nosso consolo e atenção.

Que sejamos nós a ouvir e acalentar o nosso próximo. Que sejamos nós a indicar um caminho de amor e esperança[1] para que as cores da vida voltem a fazer parte da vida deste nosso irmão. Que não desistamos jamais de socorrer mesmo aqueles que parecem não querer o auxílio. É uma vida que precisa ser defendida!

Usemos de tantas horas quantas forem necessárias para o auxílio deste irmão, da mesma forma que gostaríamos que gastassem conosco no momento de nosso maior desespero.

Sem buscar nas crenças espíritas cristãs que me alimentam a alma, façamos isso, pura e simplesmente, porque precisamos uns dos outros.

O nosso silêncio ou o de nosso irmão pode ser o sinal de que precisamos nos movimentar urgentemente para a mudança deste caminho para a escuridão.



[1] Essa ajuda, dependendo do grau da dor de nosso irmão, precisa ser associada ao auxílio de um profissional que saberá desenrolar os fios embolados que embaçam a visão de um futuro melhor.


A vida nos mostrando quem somos



Engraçado como a vida funciona. A todo tempo, ela nos traz experiências que nos fazem reagir.

Essa reação pode ser intensa ou não, segundo o quão profundo tal experiência nos atinge. Mas, o que é ser atingido por ela? Fácil. Quais foram as circunstâncias que mais marcaram vocês? Sei que a maioria está pensando naquelas que foram extremamente negativas, mas não são somente elas que nos impressionam. Quem não se lembra do colo amoroso de nossas mães? Quem não se lembra do sorriso de um amigo ao nosso lado? Ou da voz de nossos amores ao telefone? Quem não se lembra, simplesmente, de um dia de chuva onde brincamos nela e, encharcados e felizes, voltamos para casa?

Todos esses momentos nos marcaram por um motivo muito pessoal, mas que podemos generalizar afirmando que, em cada um deles, algo foi aprendido. Por exemplo, que podemos agir com carinho quando alguém precisar de nós; que podemos fazer diferença na vida de alguém pelo simples fato de estarmos presentes ou nos fazermos presentes; que, na simplicidade do que a vida nos oferece, podemos ser felizes...

Para cada uma dessas experiências, há um grande aprendizado que pode ser absorvido por nós, se estivermos atentos a ele. Quanto mais abertos aos ensinamentos existentes nas entrelinhas das experiências ofertadas mais rápido nos damos condições de subirmos nos degraus de nossa escala evolutiva.

Mas, o ponto crucial é que cada uma dessas circunstâncias nos trarão o olhar mais cristalino de quem estamos hoje! As nossas reações são um reflexo da pessoa que ainda somos, bem como da pessoa que queremos nos tornar.

Cada experiência coloca à prova o nosso ser interno que está atento a tudo ao seu redor e que reage imediatamente ao ser estimulado. Não é difícil vocês entenderem o que eu quero dizer. Vamos lembrar de uma situação corriqueira que acontece com um amigo e que ele sempre se indigna ou se revolta. Você, que está fora das consequências daquela experiência, dá a ele os melhores conselhos, dizendo que ele precisa ter mais paciência, por exemplo. Mas, você não percebe que, em algumas situações corriqueiras da sua existência, você age da mesma maneira, sem ter paciência para aguardar os melhores resultados. Situações diferentes, mas semelhantes na postura, que nos mostram que já temos conhecimento de como agir, mas que ainda estamos absorvendo os detalhes importantes para melhor aplicá-los no nosso viver.

A vida nos traz as melhores experiências, aquelas que nos impulsionam a nos mostrar sem máscaras. Assim, podemos nos dar a chance de perceber o que precisamos ainda aprimorar em nosso ser, fazendo diferente a partir desta percepção.

Fato é que ela (a vida), ao nos colocar à prova, está nos dizendo que já portamos algum entendimento que só precisa ser aprimorado, passo a passo, em direção às verdades perfeitas e imutáveis que nos regem.

Quem a vida nos mostra que somos? Seres em evolução que, pelos percalços de nossa ignorância, não desejamos nos enxergar. A sabedoria divina, no entanto, nos levará a nos depararmos com as experiências que nos farão reagir como realmente somos e, não havendo mais o véu que tentamos sustentar, só teremos uma postura a seguir: aprimorarmo-nos para um melhor viver.


Quem ocupa o primeiro lugar na sua vida?



Muitos têm problema em responder essa pergunta porque ela nos coloca filosoficamente à prova. Somos, por toda a nossa vida, educados a buscar colocar o outro como o principal alvo de nossa atenção: filhos, marido ou esposa, pais, amigos... porque se assim não agirmos, estaremos sendo egoístas, não estaremos sendo verdadeiros cristãos.

Porém, o tempo passa e nós amadurecemos e percebemos que aquilo que pensávamos estar correto, pode não ser bem a verdade a ser mantida.

Jesus não nos disse que deveríamos colocar o outro em primeiro lugar, Ele nos disse: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Isso significa que não devemos deixar de amar o outro, mas que não o faríamos mais do que a nós mesmos.

Isso não é egoísmo, isso é amor-próprio. Isso é entendermos que não conseguiremos dar ao outro o que não possuímos, porque vai contra a lei divina: só podemos dispor daquilo que temos ou somos.

No patamar evolutivo que estamos, quando vemos pessoas se “anulando” completamente em prol de alguém, e aplaudimos, valorizando sobremaneira a sua atitude, estamos incentivando-a a fazer algo que não é benéfico nem para ela nem para aquele que é o seu alvo de amor.

Normalmente, em contrapartida por tudo o que faz, este alguém deposita todas as suas expectativas no outro, querendo que ele lhe seja grato eternamente. “Abdica de si” esperando que o ser amado faça por ele, o que ele não fez por si mesmo. Daí é que acontecem os desapontamentos, as expectativas maiores do que o outro consegue lidar e o círculo vicioso se instala.

Assim, aquela mãe que faz tudo pelo seu filho, esquecendo-se de suas próprias necessidades, desejará, no seu íntimo, que ele supra aquilo que ela não está podendo fazer para si mesma. O filho não conseguirá atendê-la e as cobranças se iniciam, muitas vezes, sem ela mesma perceber, porque cobra sem saber o que ela deseja dele e ele, tampouco, saberá o que ela precisa.

Vocês podem se perguntar: mas Jesus, que é o exemplo a ser seguido, não fez isso? Não se sacrificou por todos nós, sem pensar em si mesmo? Minha resposta é simples: Ele, em nenhum momento, deixou de amar a Si mesmo e jamais abriu mão de Seu ser por nós. No “sacrifício” que fez, não abriu mão de quem Ele era, porque Ele sabe amar.

Jesus nos proporcionou uma lição de amor e devotamento às verdades que trazia em Seu peito e, nessas verdades, nós estávamos incluídos. Jesus viveu para cumprir a missão que se propôs e não abriu não dela, amando-nos sem cobranças. Como um pai que coloca a sua vida em risco por um filho em perigo, sem exigências e preocupações, Jesus fez o mesmo por nós. Isso é amor e devotamento. Não é deixar de se amar pelo outro, é amar o outro como nos amamos.  

Confundimos tais sentimentos e invadimos a vida do outro, porque ainda não compreendemos que a dor é útil, nos fortalece e nos amadurece para o nosso trilhar evolutivo. Por não gostarmos de sofrer, queremos abraçar as dores de nossos amores para poupá-los do sofrimento, mas, esquecemos de que somos quem somos pela somatória de todas as experiências vivenciadas. Jesus era quem era pelo mesmo motivo.

Estamos crescendo e percebendo que precisamos nos amar conscientemente. E se este amar significa vez por outra auxiliarmos quem amamos em sua trajetória, tudo bem. Mas, não os deixar viver por temermos que eles se forjem nas labaredas da dor que edifica a sua alma, estaremos errando duplamente, conosco e com eles.  




Medo: freio ou impulsionador?

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Todos somos portadores de muitos medos. Pequenos, médios, grandes ou enormes, eles nos preenchem quando algumas circunstâncias se fazem presentes em nossas vidas.
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O medo é uma reação natural e, em razão disso, já podemos analisar a sua importância para nós. Ai de nós se não tivéssemos medo! Ai de nós, que já não temos juízo suficiente, se não tivéssemos esse freio natural para a nossa subsistência!
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O medo é importante porque ele nos freia em determinadas circunstâncias e nos dá o tempo devido para pensarmos sobre qual seria a melhor solução ou caminho para chegarmos ao que desejamos. Ele também nos impulsiona, porque nos faz correr, nos afastar daquilo que não seria seguro à nossa preservação emocional e física.
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Mas, da mesma forma que afirmo que é um elemento íntimo e natural em nós, podemos deturpá-lo e é quando o deturpamos que ele começa a nos prejudicar.
Podemos exasperá-lo a um nível tal que “ele”[1] pode nos impedir de caminhar; nos impedir de irmos além do nosso “limite”; nos impulsionar para longe de nossos propósitos mais nobres, quando acreditamos que arriscaremos algo que tememos perder.
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Temos a capacidade de nos superar dia a dia, porque dia a dia somos uma pessoa nova, somos um novo dínamo para novas experiências. Mas, acreditando que um limite nos é traçado, tememos ir além dele, nos limitando efetivamente em nosso crescer. Esse medo emocional nos é extremamente restritivo.
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Cada um de nós pode pensar em alguém que se “arriscou” demais... por “confiar” demais... e acabou tendo resultados que não desejou para sua vida. E é isso que nos motiva a não abusar, a não arriscar demais, porque não queremos sofrer como ele.
Para esse alguém que confia cegamente em sua capacidade e almeja um resultado que não atinge, ou atinge outros resultados indesejados, ele simplesmente estará colhendo uma consequência de todas as suas plantações, que, no conjunto, será muito útil e digo até necessária para o seu crescer. Pelo agir, ele está arriscando alcançar os seus sonhos.
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Agindo ou não agindo, os resultados virão, mas pela nossa omissão, nos arriscamos a jamais atingir a solução tão sonhada. É a história daquele que sonha em ganhar na loteria, mas jamais joga!
Se agimos sem nos responsabilizarmos pelas nossas ações, é natural acontecer um resultado inesperado. Se agimos com um planejamento, estaremos arriscando um resultado mais direcionado, mas ainda assim não significa que obteremos o resultado desejado. Isso fará parte de nossas conquistas, do nosso aprendizado. Isso é a vida em toda a sua essência.
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A verdade é que precisamos nos conscientizar que, quando não tivermos preparados para nos “superar”, a vida nos impedirá carinhosa e misericordiosamente de ir além. Quando não pudermos seguir por algum caminho que nos será efetivamente “prejudicial”, a nossa própria ignorância não nos mostrará tal possibilidade. Quando “enxergamos” alguma coisa, ela está no campo do realizável para nós, então, seremos capazes de analisar a situação e nos responsabilizarmos por suas consequências. Essa é a lei. Cada um colherá aquilo que está plantando, esse é o aprendizado.
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O medo, na sua dose certa de sabedoria, é um instrumento valoroso de proteção e amparo, mas também de crescimento e evolução. Ele nos impele a agir instintivamente quando em situações de perigo; nos possibilita raciocinar as circunstâncias estressantes que vivemos, no átomo de segundo que nos freia; e nos impulsiona para seguirmos em frente quando o que parece estar “atrás” de nós nos é prejudicial ou já não nos é mais útil ou necessário para continuarmos semeando.
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O que nos falta é compreendermos que o medo, originário de nossa criação, não precisa ser alimentado, mas sim, raciocinado e compreendido para o aplicarmos na sua dosagem certa a cada circunstância. Não devemos alimentá-lo, para que não nos sufoque, mas sim, compreendê-lo, moldando-o, para que nos impulsione a agirmos com responsabilidade e sabedoria.
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Assim, o medo é um freio, mas também é um impulsionador valoroso para o nosso viver.



[1] “Ele” significa: nós nos impedirmos, tendo o medo como instrumento impedidor.