O sofrimento silencioso



Estamos vivenciando um momento em que vemos muitas pessoas buscando no suicídio a cura para as suas dores.

Estaria mentindo se disse que consigo imaginar o que sentem essas pessoas que, em razão de sua dor, chegam ao ponto de infringir uma das leis divinas mais perfeitas que é a Lei da Conservação. Como somos seres de outra localidade (plano espiritual), e para não desejarmos voltar à nossa origem antes do tempo, a cada existência terrena nos é imputada a vontade quase intransponível de nos manter aqui para vivenciarmos os momentos de alegria e de dor sem desejarmos fugir de nossa própria regeneração.

Estamos a séculos vindo e indo, repetindo os mesmos equívocos, buscando o nosso aprimoramento, caindo e levantando, nos melhorando pouco a pouco apesar de nossa teimosia em acreditar que a vida a ser valorizada é a material e não a espiritual.

Mas, estamos evoluindo. E como estamos enfrentando uma fase de mudança do estágio evolutivo planetário, para aqui ficarmos, precisaremos nos deparar conosco sem máscaras, sem véus. Assim, todos que para cá vieram (e ainda vem) reencarnados, estão preparados para se enfrentar ou enfrentar as experiências que nos farão enxergar quem somos, não significando dizer, todavia, que gostaremos do que veremos, ou que aceitaremos quem somos sem lutas íntimas.

Assim, sem fazer qualquer julgamento a quem quer que seja, percebo que, por nos vermos tão enfraquecidos em nossos valores íntimos, por não valorizarmos quem somos, não nos sentimos fortalecidos para enfrentarmos algumas experiências que, pela misericórdia divina, estaríamos à altura de vivenciá-las e, portanto, de alcançarmos o aprendizado merecido.

Por tal incapacidade, muitas vezes sem percebermos, buscamos um dos caminhos mais difíceis de trilhar, mas que, por nossa ignorância, nos parece o único apropriado: o de interromper a dor pela ausência da vida que acreditamos estar alimentando essa mesma dor.

Precisamos voltar a nos importar! Precisamos estar atentos às mudanças de atitude daqueles que estão ao nosso redor, precisamos estar atentos às nossas próprias mudanças internas!... porque podemos ser nós, daqui a um tempo, entristecidos profundamente por uma dor vivenciada, a nos afundar na lama da desesperança e não conseguirmos sair dela.

Se não voltarmos o nosso coração e mente para esta vida encarnada;
Se não voltamos a nossa atenção para a vida real, fora das redes sociais, fora da internet, fora da ilusão de que “todos têm uma vida melhor do que a minha”;
Se não valorizarmos cada experiência como uma benção divina a nos ensinar e nos fortalecer diante das adversidades;
Se não abraçarmos, com fé, a crença de que Deus é Misericordioso e Bom e que não agiria com menos amor do que um filho Seu que, diante de um filho da carne, só quer o melhor para ele;
Não conseguiremos perceber os dramas que nos rodeiam e, não chegaremos a tempo de socorrer a quem amamos ou, até pior, nos impedir de ir pelo mesmo caminho.

O problema é que, na grande maioria, essa dor é silenciosa. Ela vai preenchendo o nosso ser, sem nos apercebermos. Vamos desconsiderando os parcos avisos que a nossa consciência nos permite flagrar, achando que o que sentimos é simples, drama ou bobagem, e que as pessoas não nos escutarão porque veriam essa mesma dor como frescura. Sem sabermos, estamos alimentando uma doença que após alojada é difícil combater!

Percebo que tudo o que os nossos irmãos desalentados pela dor precisam é de alguém que possa mostrar-lhes um outro caminho, porque eles não estão mais aptos para achá-lo. Eles não precisam de julgamento, eles não precisam de nossa piedade, eles precisam de nosso consolo e atenção.

Que sejamos nós a ouvir e acalentar o nosso próximo. Que sejamos nós a indicar um caminho de amor e esperança[1] para que as cores da vida voltem a fazer parte da vida deste nosso irmão. Que não desistamos jamais de socorrer mesmo aqueles que parecem não querer o auxílio. É uma vida que precisa ser defendida!

Usemos de tantas horas quantas forem necessárias para o auxílio deste irmão, da mesma forma que gostaríamos que gastassem conosco no momento de nosso maior desespero.

Sem buscar nas crenças espíritas cristãs que me alimentam a alma, façamos isso, pura e simplesmente, porque precisamos uns dos outros.

O nosso silêncio ou o de nosso irmão pode ser o sinal de que precisamos nos movimentar urgentemente para a mudança deste caminho para a escuridão.



[1] Essa ajuda, dependendo do grau da dor de nosso irmão, precisa ser associada ao auxílio de um profissional que saberá desenrolar os fios embolados que embaçam a visão de um futuro melhor.


A vida nos mostrando quem somos



Engraçado como a vida funciona. A todo tempo, ela nos traz experiências que nos fazem reagir.

Essa reação pode ser intensa ou não, segundo o quão profundo tal experiência nos atinge. Mas, o que é ser atingido por ela? Fácil. Quais foram as circunstâncias que mais marcaram vocês? Sei que a maioria está pensando naquelas que foram extremamente negativas, mas não são somente elas que nos impressionam. Quem não se lembra do colo amoroso de nossas mães? Quem não se lembra do sorriso de um amigo ao nosso lado? Ou da voz de nossos amores ao telefone? Quem não se lembra, simplesmente, de um dia de chuva onde brincamos nela e, encharcados e felizes, voltamos para casa?

Todos esses momentos nos marcaram por um motivo muito pessoal, mas que podemos generalizar afirmando que, em cada um deles, algo foi aprendido. Por exemplo, que podemos agir com carinho quando alguém precisar de nós; que podemos fazer diferença na vida de alguém pelo simples fato de estarmos presentes ou nos fazermos presentes; que, na simplicidade do que a vida nos oferece, podemos ser felizes...

Para cada uma dessas experiências, há um grande aprendizado que pode ser absorvido por nós, se estivermos atentos a ele. Quanto mais abertos aos ensinamentos existentes nas entrelinhas das experiências ofertadas mais rápido nos damos condições de subirmos nos degraus de nossa escala evolutiva.

Mas, o ponto crucial é que cada uma dessas circunstâncias nos trarão o olhar mais cristalino de quem estamos hoje! As nossas reações são um reflexo da pessoa que ainda somos, bem como da pessoa que queremos nos tornar.

Cada experiência coloca à prova o nosso ser interno que está atento a tudo ao seu redor e que reage imediatamente ao ser estimulado. Não é difícil vocês entenderem o que eu quero dizer. Vamos lembrar de uma situação corriqueira que acontece com um amigo e que ele sempre se indigna ou se revolta. Você, que está fora das consequências daquela experiência, dá a ele os melhores conselhos, dizendo que ele precisa ter mais paciência, por exemplo. Mas, você não percebe que, em algumas situações corriqueiras da sua existência, você age da mesma maneira, sem ter paciência para aguardar os melhores resultados. Situações diferentes, mas semelhantes na postura, que nos mostram que já temos conhecimento de como agir, mas que ainda estamos absorvendo os detalhes importantes para melhor aplicá-los no nosso viver.

A vida nos traz as melhores experiências, aquelas que nos impulsionam a nos mostrar sem máscaras. Assim, podemos nos dar a chance de perceber o que precisamos ainda aprimorar em nosso ser, fazendo diferente a partir desta percepção.

Fato é que ela (a vida), ao nos colocar à prova, está nos dizendo que já portamos algum entendimento que só precisa ser aprimorado, passo a passo, em direção às verdades perfeitas e imutáveis que nos regem.

Quem a vida nos mostra que somos? Seres em evolução que, pelos percalços de nossa ignorância, não desejamos nos enxergar. A sabedoria divina, no entanto, nos levará a nos depararmos com as experiências que nos farão reagir como realmente somos e, não havendo mais o véu que tentamos sustentar, só teremos uma postura a seguir: aprimorarmo-nos para um melhor viver.


Quem ocupa o primeiro lugar na sua vida?



Muitos têm problema em responder essa pergunta porque ela nos coloca filosoficamente à prova. Somos, por toda a nossa vida, educados a buscar colocar o outro como o principal alvo de nossa atenção: filhos, marido ou esposa, pais, amigos... porque se assim não agirmos, estaremos sendo egoístas, não estaremos sendo verdadeiros cristãos.

Porém, o tempo passa e nós amadurecemos e percebemos que aquilo que pensávamos estar correto, pode não ser bem a verdade a ser mantida.

Jesus não nos disse que deveríamos colocar o outro em primeiro lugar, Ele nos disse: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Isso significa que não devemos deixar de amar o outro, mas que não o faríamos mais do que a nós mesmos.

Isso não é egoísmo, isso é amor-próprio. Isso é entendermos que não conseguiremos dar ao outro o que não possuímos, porque vai contra a lei divina: só podemos dispor daquilo que temos ou somos.

No patamar evolutivo que estamos, quando vemos pessoas se “anulando” completamente em prol de alguém, e aplaudimos, valorizando sobremaneira a sua atitude, estamos incentivando-a a fazer algo que não é benéfico nem para ela nem para aquele que é o seu alvo de amor.

Normalmente, em contrapartida por tudo o que faz, este alguém deposita todas as suas expectativas no outro, querendo que ele lhe seja grato eternamente. “Abdica de si” esperando que o ser amado faça por ele, o que ele não fez por si mesmo. Daí é que acontecem os desapontamentos, as expectativas maiores do que o outro consegue lidar e o círculo vicioso se instala.

Assim, aquela mãe que faz tudo pelo seu filho, esquecendo-se de suas próprias necessidades, desejará, no seu íntimo, que ele supra aquilo que ela não está podendo fazer para si mesma. O filho não conseguirá atendê-la e as cobranças se iniciam, muitas vezes, sem ela mesma perceber, porque cobra sem saber o que ela deseja dele e ele, tampouco, saberá o que ela precisa.

Vocês podem se perguntar: mas Jesus, que é o exemplo a ser seguido, não fez isso? Não se sacrificou por todos nós, sem pensar em si mesmo? Minha resposta é simples: Ele, em nenhum momento, deixou de amar a Si mesmo e jamais abriu mão de Seu ser por nós. No “sacrifício” que fez, não abriu mão de quem Ele era, porque Ele sabe amar.

Jesus nos proporcionou uma lição de amor e devotamento às verdades que trazia em Seu peito e, nessas verdades, nós estávamos incluídos. Jesus viveu para cumprir a missão que se propôs e não abriu não dela, amando-nos sem cobranças. Como um pai que coloca a sua vida em risco por um filho em perigo, sem exigências e preocupações, Jesus fez o mesmo por nós. Isso é amor e devotamento. Não é deixar de se amar pelo outro, é amar o outro como nos amamos.  

Confundimos tais sentimentos e invadimos a vida do outro, porque ainda não compreendemos que a dor é útil, nos fortalece e nos amadurece para o nosso trilhar evolutivo. Por não gostarmos de sofrer, queremos abraçar as dores de nossos amores para poupá-los do sofrimento, mas, esquecemos de que somos quem somos pela somatória de todas as experiências vivenciadas. Jesus era quem era pelo mesmo motivo.

Estamos crescendo e percebendo que precisamos nos amar conscientemente. E se este amar significa vez por outra auxiliarmos quem amamos em sua trajetória, tudo bem. Mas, não os deixar viver por temermos que eles se forjem nas labaredas da dor que edifica a sua alma, estaremos errando duplamente, conosco e com eles.  




Medo: freio ou impulsionador?

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Todos somos portadores de muitos medos. Pequenos, médios, grandes ou enormes, eles nos preenchem quando algumas circunstâncias se fazem presentes em nossas vidas.
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O medo é uma reação natural e, em razão disso, já podemos analisar a sua importância para nós. Ai de nós se não tivéssemos medo! Ai de nós, que já não temos juízo suficiente, se não tivéssemos esse freio natural para a nossa subsistência!
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O medo é importante porque ele nos freia em determinadas circunstâncias e nos dá o tempo devido para pensarmos sobre qual seria a melhor solução ou caminho para chegarmos ao que desejamos. Ele também nos impulsiona, porque nos faz correr, nos afastar daquilo que não seria seguro à nossa preservação emocional e física.
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Mas, da mesma forma que afirmo que é um elemento íntimo e natural em nós, podemos deturpá-lo e é quando o deturpamos que ele começa a nos prejudicar.
Podemos exasperá-lo a um nível tal que “ele”[1] pode nos impedir de caminhar; nos impedir de irmos além do nosso “limite”; nos impulsionar para longe de nossos propósitos mais nobres, quando acreditamos que arriscaremos algo que tememos perder.
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Temos a capacidade de nos superar dia a dia, porque dia a dia somos uma pessoa nova, somos um novo dínamo para novas experiências. Mas, acreditando que um limite nos é traçado, tememos ir além dele, nos limitando efetivamente em nosso crescer. Esse medo emocional nos é extremamente restritivo.
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Cada um de nós pode pensar em alguém que se “arriscou” demais... por “confiar” demais... e acabou tendo resultados que não desejou para sua vida. E é isso que nos motiva a não abusar, a não arriscar demais, porque não queremos sofrer como ele.
Para esse alguém que confia cegamente em sua capacidade e almeja um resultado que não atinge, ou atinge outros resultados indesejados, ele simplesmente estará colhendo uma consequência de todas as suas plantações, que, no conjunto, será muito útil e digo até necessária para o seu crescer. Pelo agir, ele está arriscando alcançar os seus sonhos.
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Agindo ou não agindo, os resultados virão, mas pela nossa omissão, nos arriscamos a jamais atingir a solução tão sonhada. É a história daquele que sonha em ganhar na loteria, mas jamais joga!
Se agimos sem nos responsabilizarmos pelas nossas ações, é natural acontecer um resultado inesperado. Se agimos com um planejamento, estaremos arriscando um resultado mais direcionado, mas ainda assim não significa que obteremos o resultado desejado. Isso fará parte de nossas conquistas, do nosso aprendizado. Isso é a vida em toda a sua essência.
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A verdade é que precisamos nos conscientizar que, quando não tivermos preparados para nos “superar”, a vida nos impedirá carinhosa e misericordiosamente de ir além. Quando não pudermos seguir por algum caminho que nos será efetivamente “prejudicial”, a nossa própria ignorância não nos mostrará tal possibilidade. Quando “enxergamos” alguma coisa, ela está no campo do realizável para nós, então, seremos capazes de analisar a situação e nos responsabilizarmos por suas consequências. Essa é a lei. Cada um colherá aquilo que está plantando, esse é o aprendizado.
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O medo, na sua dose certa de sabedoria, é um instrumento valoroso de proteção e amparo, mas também de crescimento e evolução. Ele nos impele a agir instintivamente quando em situações de perigo; nos possibilita raciocinar as circunstâncias estressantes que vivemos, no átomo de segundo que nos freia; e nos impulsiona para seguirmos em frente quando o que parece estar “atrás” de nós nos é prejudicial ou já não nos é mais útil ou necessário para continuarmos semeando.
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O que nos falta é compreendermos que o medo, originário de nossa criação, não precisa ser alimentado, mas sim, raciocinado e compreendido para o aplicarmos na sua dosagem certa a cada circunstância. Não devemos alimentá-lo, para que não nos sufoque, mas sim, compreendê-lo, moldando-o, para que nos impulsione a agirmos com responsabilidade e sabedoria.
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Assim, o medo é um freio, mas também é um impulsionador valoroso para o nosso viver.



[1] “Ele” significa: nós nos impedirmos, tendo o medo como instrumento impedidor.


O que precisamos para sermos felizes?


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Eu acredito que não é tolice gastar uma ou duas páginas escrevendo sobre esse tema, porque, hoje, a maioria de nós não sabe a sua própria receita para ser feliz. A maioria de nós está usando a receita alheia para buscar alcançar uma felicidade que, a cada dia, percebemos que é efêmera e não se sustentará como meio eficaz para permanecermos felizes quando a alcançarmos... logo, logo, estaremos buscando outro meio para sentirmo-nos bem.
Por isso, faça essa pergunta para você e, agindo, aguarde o tempo necessário para ouvir ou enxergar a resposta da vida.
Eu comecei lá no início deste artigo dizendo que não sabemos qual a nossa própria receita para sermos felizes e, se assim é, está na hora de procurarmos descobrir. Esta receita é particular, subjetiva, mas também é baseada em uma base coletiva que poderá ser colocada aqui.
Há dois mil anos, Jesus dizia que não veio modificar as leis e os profetas, mas dar-lhes cumprimento naquilo que é e que foi trazido. Ele veio nos descortinar a lei maior e que deveria estar em nossos corações e na prática de nossas escolhas: “Amar a Deus sobre todas as pessoas, seres ou coisas e ao seu próximo, como a ti mesmo”. Ele estava nos dando a receita para a nossa felicidade infinita. Ela nos traz uma regra de comportamento que adentrará em nosso ser tão profundamente que não deixará espaço para tristezas ou desilusões.
“Amar a Deus sobre tudo e todos” é entender que somos eternamente amados; que a nossa criação teve um propósito; e que Ele, que É Tudo e sabe Tudo, não errou conosco.
“Amar ao próximo como a nós mesmos”, é compreendermos que podemos dar tudo ao outro, porque não sairemos perdendo em nada. Esse tudo é o que já podemos repartir, pois, antes de dar, tivemos de acolher em nós mesmos o que construímos, para conseguirmos repartir o que é verdadeiramente nosso.
Se não tivermos essa compreensão, continuaremos sentindo que nada nos pertence, que não adianta repartirmos o que pouco parece que temos e que Deus não se importa nada conosco. Nossa felicidade não será completa, não porque não temos todas as ferramentas para esse fim, mas sim porque as temos e não sabemos como usá-las.
Na prática do nosso viver, é que as enxergaremos em nós e, assim, poderemos lubrificá-las e amolá-las para que sirvam a sua função de ferramentas perfeitamente utilizáveis para o reequilíbrio do nosso ser (espírito/matéria).
Para sermos felizes, precisamos amar a vida com tudo o que ela nos oferece sem rancor ou mágoa de quem quer que seja. Não se surpreendam em saber que um desses alvos dos nossos sentimentos menos gratificantes pode ser o nosso Eu por não compreendermos que podemos errar, por não compreendermos que ainda temos muito a aprender e, portanto, nos massacramos em punições e revoltas. Quando é assim, além de nós mesmos, Deus está inserido neste alvo porque Ele está em nós e, como resultado, a nossa dor será infinitamente mais desoladora.
Se a vida está tranquila, sejamos gratos. Se a vida nos parece difícil ou tumultuada, sem esperança ou desoladora, sejamos gratos ainda mais, confiantes que podemos superar esse turbilhão e que não estaremos nunca sozinhos para tal enfrentamento. Deus está conosco. Jesus também está. Seus mensageiros nos acompanham e nos dão fôlego para sermos fortes e seguirmos em frente. Se acreditarmos nisso, tudo o que compõe a nossa receita pessoal de felicidade será conquistada ou simplesmente adaptada para um melhor viver.



Para me conhecerem melhor - Entrevista feita em 2015 pela Editora Dufaux

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1 – Descreva Adriana Machado na visão de Adriana Machado.
Eu estou mãe, filha, esposa, irmã, sobrinha, nora, cunhada e outros, e ainda participo, juntamente com amigos espirituais queridos, do trabalho mediúnico na casa espírita que frequento e na elaboração de livros que trazem consolo e paz. Dizem que isso é ser escritora.
Eu me vejo como uma pessoa de temperamento forte, rigorosa nos meus objetivos, organizada, uma boa amiga (mas isso só os amigos podem afirmar - risos). Me descrevo como uma pessoa meiga, carinhosa e honesta.
Sou uma pessoa otimista e vejo o mundo com os olhos de quem acredita na existência do bem. Não quero enxergar no outro uma ação maldosa que ele ainda não tenha me mostrado. Prefiro a decepção do que a ansiedade de encontrar algo que me desagrade no próximo.
Tenho muito sede do Saber. Mas, esse Saber é bastante diversificado. Quero muito aprender “coisas”. Sempre gostei de observar as pessoas fazendo as suas atividades, como consertar um aparelho, instalar um equipamento, trocar uma lâmpada... Mas, a minha sede de aprender, hoje, está muito voltada para encontrar os instrumentos que me ajudarão a lapidar todos aqueles resquícios de imperfeição que enxergo em mim todos os dias.
Por isso, trabalho com todo o meu coração nas atividades mediúnicas e sociais que realizamos, para colocar, na prática, o que escuto a cada dia do meu viver.

2 – Fale sobre a fraternidade que você fundou.
Ah! A Fraternidade é o meu segundo lar. É onde me vejo como aprendiz, como professora, como amiga, como auxiliadora, como cristã! Fundamos a Fraternidade no ano de 1998, porque o grupo espiritual que nos assistia nos convidou para abraçarmos uma tarefa de auxílio e amparo com parâmetros um pouquinho diferenciados dos que existiam até então. Que não seríamos os únicos, mas que não haveria na nossa cidade de Vitória, no Espírito Santo, uma Instituição que nos abrigaria com aquela proposta. Neste ano, fazemos dezessete anos de muito trabalho, dedicação e amor a todos que nos visitam, sejam os da carne, sejam os do mundo maior, e a cada dia parece que mais e mais temos de aprender para continuarmos nos doando. Trabalhamos com muito empenho e é com alegria que desejamos aprender.  

3 – Quem foi Ezequiel? 
Ezequiel não foi, ele é (risos). Ele é um amigo querido que sofre um bocado comigo, porque por mais que eu tente me organizar para atendê-lo, inúmeras vezes, o deixo esperando devido a mil compromissos que tenho. Ele é um trabalhador da Seara Cristã que continua na ativa auxiliando a muitos.
Acho que a melhor pessoa para descrevê-lo é o Thomas, meu mentor. Quando ele me apresentou Ezequiel, ele me disse:
“Ezequiel é um espírito que a todo instante nos dá lições sobre o que é trabalhar na Seara de Jesus. Sempre alegre em seus afazeres, dedica-se de coração a todos os irmãos que necessitam de uma palavra amiga e de um carinho especial. Ele se dirige às zonas de sofrimento para minimizar as dores alheias, transmitindo aos necessitados toda a sua compreensão, para que o destino desses irmãos que sofrem sejam os leitos de auxílio dos Prontos Socorros Espirituais. Jamais se permite esmorecer diante das dificuldades impostas pelos irmãos em sofrimento: com amor no coração, os orienta e consola para que enxerguem os seus equívocos e abandonem a dor exacerbada, voltando-se a Jesus. Ezequiel é um exemplo para todos nós que com ele convivem. Se faz Obreiro do "Cordeiro" a todo momento e nos dá a certeza de que, com amor e zelo, poderemos enfrentar todas as dores sem perder a alegria no viver.”
E ele é isso tudo mesmo! No ano de 1998, fomos “apresentados” e, a partir daí, muitos foram os aprendizados.

4 - Como e quando conheceu o espiritismo?
Bem, eu nasci em uma família católica e espírita. Até mais além dos meus dezessete anos, frequentei o catolicismo indo à missa todos os domingos e respeitando os seus preceitos. O problema, se eu posso dizer que é um problema, é que existia algo dentro de mim que dizia que eu não poderia continuar seguindo somente aquele caminho, pois outros projetos eu precisava abraçar.
Quando eu tinha dezessete anos, eu fui visitar um centro espírita e, quando lá cheguei, tive a certeza que deveria continuar nele. Senti a presença de alguns de meus amigos espirituais e continuei ali até o ano de 1996, mais ou menos.
Ali aprendi tantas coisas sobre humildade, sobre trabalho perseverante, sobre a pessoa que eu era e que poderia me transformar... foram tantas coisas e tantos amigos. Mas, a vida me afastou daquela escola, para me conduzir a uma outra tão maravilhosa quanto. E estou nela desde então.

5 – Como foi seu primeiro contato com a mediunidade?
A gente sempre escuta no meio espírita o preceito: “Se você não vem pelo amor, vem pela dor”. Naquele momento, eu tinha certeza que eu teria ido pelo amor. Como eu disse, minha família também era espírita e eu somente senti que tinha chegado a hora, que eu podia trabalhar mediunicamente, tendo a vontade sincera de ajudar e ser útil a quem precisava. Mas, após estar na tarefa, percebi também que a dor se fazia presente quando eu a abracei, porque se houve consolo em meu coração, então, a dor se fazia presente em mim e eu nem percebia.

6 – Como é o processo de psicografia de um livro?
Eu não tenho a menor ideia!! Acho que o jeito que Ezequiel e eu fazemos não deve ser o procedimento padrão (risos). Eu comecei a treinar a psicografia no ano de 1997/1998, tendo os espíritos amigos como professores nesta jornada. Neste período, eu estava desvinculada de uma “Casa Espírita” porque já tinha saído da primeira e não tinha achado ainda o meu ninho. Como eu não queria parar de estudar, eu e um grupo pequeno de amigos, todos futuros fundadores da Fraternidade, realizávamos reuniões de estudo na casa de Dona Hebe, uma preciosa amiga, que hoje já está desencarnada. Nessas reuniões, começamos a ter orientação sobre como psicografar. Somente quando abrimos a Fraternidade (Fratê, para os íntimos), que Ezequiel me fez a proposta de psicografar livros. Então, eu psicografava somente na Fraternidade com hora marcada. Hoje, eu já tenho autorização dos coordenadores espirituais para psicografar em casa. Lá, eu tenho o meu cantinho onde eu e os que me acompanham fazemos a “mágica” de colocar no papel ideias tão consoladoras.   

7 – Até agora quantos livros escreveu?
A primeira obra psicografada de Ezequiel foi um romance intitulado “Onde Tudo Começou”. Este foi o livro que ele se propôs a escrever comigo no ano de 1998. Começamos tateando. Ele me treinando, eu tentando entender como ele pensava e criava os capítulos. Eu advogava nesse período e meus horários eram mais desorganizados do que hoje, por isso, somente conseguimos terminá-lo após três anos, quando ele deu por terminada a obra. A parte interessante desta “novela” foi que esse livro quase foi perdido. Eu achei que tinha tomado todas as medidas para salvaguardá-lo: imprimi, guardei em um disquete e no computador o arquivo, mas, as coisas não acontecem como a gente quer: o arquivo impresso foi perdido por uma amiga, o disquete e a placa mãe do computador, onde o havia gravado, indicavam, mensagens de corrompido e necessária formatação, respectivamente. Foi muito frustrante. Nos dois anos seguintes, tentei de tudo para recuperar o livro, mas não consegui nada. Pensei que não era para ser, que aquela obra seria só para um treinamento, mas eu, no fundo, não acreditava nisso. Fiquei praticamente cinco anos lembrando de vez em quando daquela obra perdida e perguntando ao Ezequiel se ele a iria escrever novamente. Enquanto isso, fui psicografando outros livros, fomos participando de palestras...
Somente, no final do ano de 2010, quando, eu estava fazendo uma limpeza profunda nas minhas gavetas e caixas em meu lar, me deparei com um CD de backups. Alguma coisa me dizia que o livro estava ali. Não me pergunte porquê, mas eu sabia que estava ali... e estava! Quase chorei. Eu fiquei profundamente emocionada. Parecia que o filho pródigo estava voltando ao lar (risos). 
Depois, no ano de 2014, comecei a psicografar o segundo livro. Este já era um pouco diferente do primeiro. Ezequiel deu um enfoque mais profundo, provocando muita emoção e lágrimas ao lermos sua obra. Esse foi entitulado "Perdão, a chave para a liberdade". Quando eu tive a oportunidade de enviar para a Editora Dufaux uma obra dele, foi esta que eu escolhi como cartão de visitas deste autor espiritual. 

8 – Qual a proposta de Ezequiel no livro “Perdão, a chave para a liberdade”?
Eu acredito que a proposta dele sempre foi e sempre será levar o consolo aos irmãos que necessitam de uma palavra amiga. Ele sempre demonstrou o tamanho de seu coração quando trazia em palavras os seus sentimentos de amparo.
Aos meus olhos, neste livro, ele tenta nos ensinar a ideia de que nós estamos todos interligados e que, apesar de ficarmos um pouco afastados durante um tempo, estamos sempre juntos, estejamos aonde estivermos, porque o amor nos une.
Somos nós que nos escravizamos a preceitos que estão na contramão da Bondade Divina; somos nós que acreditamos que “perdemos” um ente querido, quando ele não pode ser perdido, porque jamais nos pertenceu. O que nos une e que nos dá a sensação de propriedade é o amor e este jamais se esgotará.
Entendo, portanto, que Ezequiel tentou, nesta obra, nos mostrar que a vida segue um curso inteligente, que nós não estamos desamparados e que sempre haverá aquele que nos ama e estará a rogar por nós diante de nossa ignorância.
O perdão é o ponto máximo da história, porque, por estarmos sempre caminhando e errando, caminhando e acertando, acreditamos ainda que seremos punidos pela Vida pelos nossos erros. Assim, quando somos contrariados pela Vida, quando estamos diante de situações adversas, sentimos a punição sendo aplicada e isso nos tira a paz. Qual é o filho que quer ficar “mal” com o seu pai? Imagina nós acreditarmos que estamos aborrecendo o nosso Pai Maior!
Apesar de todos os nossos equívocos, Ele ainda nos ama com todo o Seu esplendor. Se aplicarmos o autoperdão, nos libertaremos das amarras que nos impedem o caminhar mais lúcido e que nos dá a sensação de dever cumprido.  

9 – Qual sua parte preferida do livro?
Tem como você dizer o que você prefere nos seus filhos? Tudo o que eles são e estão é o que preferimos. Eu adoro o livro do começo ao fim. Mas, já que é para dizer um ponto, eu me encantei com a parte que vejo um irmão seguindo um caminho tortuoso e, pela bondade dos corações que o amam, ele é ajudado para retomar a sua vida para o bem.
Eu acredito que todos temos inúmeras chances de nos redimirmos. Eu acredito que quando saímos do caminho, o fazemos por não termos ainda a noção do que é o melhor para nós. Por não sabermos, tentamos vários percursos para atingirmos o que nos parece melhor.
Por isso menciono essa parte, porque ela me dá a certeza que eu posso errar, que eu posso tentar acertar a cada minuto do meu viver, porque terei sempre a chance de me reencontrar lá na frente. Consequências virão? Sim! Mas, até elas estarão na proporção de meu entendimento. Saber disso, me traz paz!





Deus escreve certo nas linhas tortas de nossa vida

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Ouvimos todos os dias esta máxima "Deus escreve certo por linhas tortas"e não paramos para analisar o que ela significa profundamente. Hoje, me deparei com um pensamento de uma amiga sobre esse refrão e pensei que, quando nos envolvemos a entendê-lo, podemos sentir a paz reinar em nosso coração.

Deus escreve sempre certo... Isso é uma verdade incontestável para cada um de nós, apesar de às vezes nos perdemos em nossos medos e inseguranças, nos remetendo a não abraçarmos essa verdade o tempo todo e plenamente. Todavia, sabemos que Ele escreve nas linhas de nossa vida e o que lá Ele coloca é Justo e Bom, mesmo que teimemos em duvidar, vez por outra.

Se, em relação a primeira parte somos mais uníssonos, qual o ponto a ser analisado nesta máxima? Entendo que é a parte das tais linhas tortas. Quem as produz? O que fazem no nosso Livro da Vida?

Se pensarmos que quem as delimitou foi Deus, estaríamos dizendo que Ele acertou em um ponto e errou em outro, o que não é o caso. Se pensarmos na Vida, estamos dizendo que ela também erra e não seria regida pelas leis divinas e perfeitas do Pai.

Então, para quem ficou a elaboração de tais linhas? Para cada um de nós. Somos nós quem as firmamos tortas ou retas, segundo as nossas escolhas e, tal fato, só nos demonstra o quanto ainda precisamos aprender e nos reconhecer como caminhantes inexperientes.
Através do nosso livre arbítrio, as leis naturais e divinas incidem sobre as nossas ações e reagem a elas nos dando circunstâncias adequadas para aprendermos e nos tornarmos melhores a cada experiência.

Mas, o que nos traz a certeza de que estamos num caminho cada vez mais acertado é que as linhas agora firmadas, nas páginas de nosso livro, são muito menos tortas. Antes, éramos mais tacanhos, mais ignorantes, mais teimosos, e outras tantas características que nos levavam, no nosso primeiro momento evolutivo, a indiferença quanto ao resultado de nossas ações e, depois e com o passar das lições, a dores e sofrimentos inenarráveis face ao que nos acontecia, que somente eram amenizados diante da aplicação da lei maior do Pai que nos acalentava, e ainda acalentam, com as suas bênçãos consoladoras e misericordiosas.

Hoje, portanto, estamos cada dia mais entendendo que somos os primeiros e os únicos responsáveis pelo que nos acontece e, sendo assim, os únicos que podem modificar a trajetória, trágica ou não, de nosso caminhar.

Se está em nossas mãos todo tipo de semente que poderemos plantar, que escolhamos melhor qual tipo semearemos para que não reclamemos, no futuro, dos frutos amargos colhidos para matar a nossa fome, frutos esses que são o reflexo de nossa ignorância.

“Deus escreve certo por linhas tortas”... porque, através de nosso livre arbítrio, foram elas que escolhemos traçar para que o Ser mais perfeito que existe pudesse agir sobre nós.

Chegará um dia no qual, com o nosso crescimento, nossas linhas não serão mais tortas, nós estaremos mais sábios e, por consequência, mais perto de entendermos a nós mesmos, compreendendo, sem temor, a Escrita Divina em nosso livro da vida!