Será que eu me conheço?

13:34 2 Comments A+ a-


Quantas vezes nos damos a oportunidade de escutar o que se passa em nosso coração e percebemos quais são as nossas reais necessidades?

Acredito que ficamos dias, semanas e até mesmo anos sem nos enxergarmos!

Sei que poderão estar horrorizados com a minha afirmativa, mas, ela é verdadeira. Nos dias atuais, não estamos nos dando muita chance de pedir socorro para aquele ser que é o único que poderá realmente fazer mudanças em nossa vida: nós mesmos!

Começamos o dia acordando exaustos, tomando um café da manhã corrido (quando tomamos!), para sairmos rapidamente para o trabalho que exigirá de nós toda a nossa atenção pelas próximas doze horas. Mesmo quando paramos para almoçar, fixamos a nossa mente para solucionarmos pendências do trabalho ou de algum problema do cotidiano.

Após o horário do expediente, quando podemos voltar para o nosso lar, já nos ocupamos mentalmente, pelo caminho, com as tarefas domésticas a serem realizadas ou com as outras tantas atividades pessoais ou sociais que abraçamos em nossa vida. Quando nos permitimos deitar, adormecemos exaustos para acordarmos, dali a poucas horas, para mais outro dia de trabalho.

Diante desta rotina diária, aqui vai uma pergunta importante: quando nos daremos um tempo para enxergarmos o que vai dentro de nós?

Ainda: será que são esses motivos ou atribuições diárias que abraçamos que nos levam para longe de nós ou será que os utilizamos como desculpas para não termos de nos aprofundar nos abismos do nosso próprio ser?

Parece-me que são as duas coisas! Não queremos parar para pensar sobre nós mesmos! Tudo é motivo para fugirmos de nossa realidade íntima: seja de cunho doméstico ou profissional, seja de cunho social, seja impulsionado por amor (a um filho, marido, pais, etc), ou seja por qual motivo for, tudo nos leva para longe de nós mesmos! E, não se iludam porque se estamos agindo assim, estamos nos utilizando desses subterfúgios para não nos interiorizarmos.

Mas, o que tememos encontrar nesta análise íntima?

Diante dessa incógnita, me surpreendi pensando em quando eu era criança. Me lembro que, quando eu pensava que monstros ferozes estavam embaixo de minha  cama, eu só tinha uma solução: me cobria por inteiro para me proteger de todos eles! ( tenho certeza que eu não era a única a fazer isso! rsrsrs)

Essa crença era tão real para mim que, depois que eu me cobria toda e ficava quietinha (assim, os monstros não saberiam que eu estava ali), eu  conseguia dormir. Era como eu sabia agir!!

Mas, agora que aprendi algumas outras coisas, eu posso questionar a capacidade do meu cobertor de me proteger! Só entendi que ele e nada são a mesma coisa quando eu adquiri outras ferramentas de conhecimento que me fizeram não mais temer aqueles monstros! Por um tempo precioso, o cobertor era a minha eficiente “bóia de salvação”.  E sabem quando isso aconteceu? Quando tomei um pouco mais de consciência de quem sou, ou seja, quando eu cresci um pouquinho mais.

Agora, parem para pensar se não agimos assim no tocante aos nossos temores internos. Com o tempo, vamos percebendo que muitos dos monstros que tememos advém de nossos medos interiores, de nossa visão deturpada sobre a nossa capacidade de enfrentarmos situações desgastantes. Além do mais, como acreditamos que não sabemos lidar com elas nos “cobrimos” e fingimos que não estamos ali para não sermos achados. É o nosso instrumento de defesa, é como sabemos agir!

O certo é que, se em algum momento do nosso passado não conseguimos lidar com alguma circunstância, não significa que agora não saberemos como fazê-lo, porque já não somos  os mesmos e muitas outras ferramentas de conduta já teremos conquistado.

Por não olharmos para dentro de nós, pensando que enxergaremos algo que nos desagrada, não percebemos as ferramentas que vamos conquistando ao longo de nossas experiências, nos tornando mais capazes de lidar com as adversidades da vida e com os nossos mais íntimos temores. Perdemos, portanto, a noção exata de nosso crescimento individual.

Por imaturidade, continuamos com medo de enfrentar as nossas dores, porque nos vemos ainda como aquela criança que se tampa com o cobertor ante a “sombra” que a atemoriza.

Precisamos acreditar em nós! Precisamos perceber o quanto já crescemos desde o tempo do cobertor mágico! Mas, também, precisamos entender que, se não estamos nos possibilitando escutar os nossos pedidos internos de mudanças,  utilizarmo-nos das justificativas que abordamos acima (e muitas outras),  não é nada mais do que acreditarmos que elas sejam o nosso cobertor super poderoso e que, enquanto não crescermos (não atingindo a maturidade necessária para termos olhos de nos ver e ouvidos de nos ouvir), precisaremos delas (justificativas) para podermos “dormir” tranquilos.

Será que eu me conheço? Talvez não muito!









2 comentários

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Clara soares
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3 de junho de 2016 22:36 delete

Perfeito Adriana, eu imagino que pior do que nos conhecermos pouco e achar que nos conhcemos ....

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6 de junho de 2016 07:10 delete

Oi Clara! Eu, às vezes, me pergunto isso também e me flagro com uma resposta rasgada dizendo: "Não se iluda!" (Rsrsrsr). Como diz uma amiga minha: "E vamos que vamos..." em busca de nos conhecermos melhor. Abraços.

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