O AMOR É UNIVERSAL



Vamos conversar um pouco sobre um tema que está levando uma grande parcela da humanidade a se defrontar com um dos seus inúmeros tabus: a homossexualidade. 

Para não haver dúvidas e buscando trazer um conceito simples, uma pessoa homofóbica é aquela que tem rejeição ou aversão ao homossexual e à homossexualidade. Homossexual, por sua vez, é a denominação dada a uma pessoa que sente atração por pessoas do mesmo sexo.

Em nosso país, existem muitas pessoas que, declarada ou veladamente, são contra o sentimento/relacionamento homoafetivo. Precisamos relembrar que, para um país que até hoje vê com estranheza um casal inter-racial, não seria diferente com um casal homossexual!

Diante desta triste realidade, podemos ter uma ideia do que hoje ainda somos como seres humanos. Ainda temos dificuldade de enfrentar o que é novo, de perceber que o que antes poderia ser uma verdade, hoje, ela pode ter sido superada.  

Com o propósito de fazer uma reflexão ampla e sem julgamento, trago à baila que, por muitos séculos, nosso povo foi convencido, por dogmas religiosos, que a escravidão era certa porque os negros não tinham alma e que a homossexualidade era um pecado capital

Ainda hoje, existem pessoas que pregam essas vertentes como se pecaminosas fossem. Então, infelizmente, não será de uma hora para outra que essas ideias serão extirpadas de nosso consciente individual e coletivo. E quando digo nosso consciente, estou também englobando aqueles que carregam esse estigma, porque muitos deles não se aceitam como são pelo próprio medo de não ser aceito e, acreditem, do próprio preconceito que carregam. Mas, tal evolução consciencial acontecerá com cada um de nós, isso eu tenho certeza. 

Justificada ou não, essa é uma das razões, em pleno século XXI, de ainda se ter dificuldade de se aceitar um casal inter-racial ou homossexual. Isso é tão real que somente agora um Papa teve coragem de falar aberta e favoravelmente sobre esse assunto com um olhar mais acolhedor, pacificador e cristão!

Durante séculos, muitas foram (e ainda são) as pessoas alvo de preconceito de terceiros que tinham (e ainda têm) dificuldade de entender as escolhas das primeiras, não as aceitando antes, não as aceitando agora. 

Quantos filhos homossexuais foram (e ainda são) expulsos de seus lares, porque os seus pais não aceitaram que aqueles optem por escutar o seu próprio coração? É triste, mas, peço para não criticarmos imediatamente esses pais, por que fico a imaginar que nível de devoção cega eles carregam a ponto de acharem que isso é tão abominável ou pecaminoso, que não devem mais amar o seu próprio filho?

Em uma sociedade que pensava assim desde muitos séculos atrás, como esta poderia dar um salto e aceitar naturalmente aquilo que lhes é dito, somente agora, como certo e natural? Não há como exigirmos isso, mas podemos começar a nossa conscientização pessoal e coletiva. Cada um de nós precisa se analisar, flagrar e se conscientizar sobre os preconceitos que carrega e, neste momento propício, ajudarmos àqueles a enxergar o que nós já conseguimos ver com o coração.

Vemos estudos onde se comprova que as crianças (espíritos milenares) tendem a não alimentar o preconceito que carregam dentro de si (dogmas latentes). Elas, se bem orientadas, não alimentarão aquilo que podem ter trazido de outras vidas (como no caso do preconceito) e ainda terão a oportunidade, numa sociedade mais conscientizada, de se verem trabalhando os seus próprios sentimentos menos nobres sobre as escolhas alheias.

O homem preconceituoso (homofóbico, racista, etc) é aquele ser que ainda não aprendeu a lidar com os seus próprios sentimentos em relação a si mesmo e ao próximo. Ele luta incansavelmente para defender as suas ideias, porque entende que está certo num mundo que está se perdendo. Por isso, quando o homem preconceituoso se une a outro com o mesmo ideal, normalmente, se torna violento em defender as suas ideias porque, sem a razão, é a violência que impera para implantar uma “verdade” unilateral. 

Não há como contestar que a homossexualidade e a homofobia são uma realidade no mundo, mas, segundo a minha proposta de reflexão neste blog, não posso deixar de mencionar sobre o perigo de tudo se generalizar, porque, buscando ter um olhar mais pacificador, nem toda opinião contrária à homossexualidade é contrária ao homossexual, bem como o fato de alguém não desejar ser homossexual, não significa que ele é contrário à homossexualidade. Temos a tendência de, generalizando, imputarmos ao próximo preconceitos que, talvez, ele não os possua. Podemos não gostar de verduras, mas amarmos os vegetarianos!

E, fazendo um adendo, mesmo que quiséssemos defender a homofobia baseada na ideia da programação antecipada da nossa vida terrena e, por causa dela, entendêssemos que viemos homem ou mulher com um propósito e que não devemos deturpar o gênero para aprendermos com ele e suas limitações, ainda assim, não podemos esquecer que essa abertura de sentimentos não surpreendeu a Deus, que o espírito não tem sexo, que somos portadores de livre arbítrio e que jamais deveremos usar da exclusão familiar e social se nos denominamos cristãos. 

Por tudo isso, frente à nossa evolução, aprenderemos de uma forma ou de outra sobre como lidar com as nossas escolhas, emoções e sentimentos... sobre como lidarmos com as escolhas alheias, suas emoções e sentimentos.

Amar é natural e, se é natural, estarei cometendo pecado se amar incondicionalmente alguém que é do mesmo gênero que eu?

Fica a reflexão.



2 comentários :

  1. Ótimo texto para reflexão e muito propício aos dias atuais, principalmente quando se discute a tal da ideologia de gênero. Podemos discordar, não aceitar (quando for para nós mesmos), ter nossa opinião, porém devemos sempre manter o respeito à escolha alheia. Nossa vida só diz respeito a nós mesmos, e devemos ter o mesmo pensamento sobre o próximo e as suas escolhas de vida. Tendo respeito pelo próximo e suas escolhas, cada um fica livre para seguir suas próprias orientações e tendências, sem se preocupar com violência e intolerância. E como foi dito no texto, o amor é algo natural, não precisa de gêneros para defini-lo.

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    1. Muita boa explanação, Henderson. Vamos continuar nos conhecendo e será um passo a mais que daremos para compreendermos e aceitarmos o outro e suas próprias escolhas.
      Abraços fraternos.

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