O que significa tanta violência ao nosso redor?

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Mais uma chacina! Agora, foi em uma escola em Suzano, no Estado de São Paulo. Jovens e adultos mortos após um ato de violência de dois adolescentes que, ao final, estavam mortos também.


A maioria de nós ficou se perguntando o que levou esses jovens a tomar essa atitude, porque, em nossa mente, há uma necessidade de entendermos o que leva alguém a atentar contra a vida alheia ou a sua própria, sem qualquer hesitação.

É possível que consigamos saber a resposta algum dia, mas, neste artigo, tendo como base essa tragédia, gostaria de não me apegar ao motivo, mas sim a descoberta de quem estamos segundo as posturas que adotamos frente a ela.

COMO REAGIMOS A SITUAÇÕES QUE NOS ESCANDALIZAM


  • Diante desta situação tão estarrecedora, qual foi ou está sendo a nossa postura? Como estão as nossas emoções e sentimentos?
  • Diante de tanta violência no mundo, como podemos viver tranquilos? Como podemos acreditar que dá para sair de casa e nos arriscar nas ruas onde parece que estamos totalmente desprotegidos?

Numa resposta singela, eu acredito que tentamos não pensar em nada disso, buscando acreditar que nada acontecerá conosco ou com quem a gente ama; que estamos entregando nas mãos de Deus e seguindo em frente, porque não temos muitas alternativas ou, se as temos, tomamos todas as providências que conhecemos para que essa violência não nos atinja.

E NOSSAS REFLEXÕES CONTINUAM...

Além destes questionamentos acima, cujas respostas não devem ser esquecidas, outros se fazem necessários para termos luz onde parece que há somente desesperança:


  • Porque estamos encarnados neste momento e neste país tão inseguro?
  • Porque estamos tendo que passar por isso?
  • Se não retroagimos, porque parece que estamos dando passos para trás, quando antes pensávamos que estávamos mais adiantados espiritualmente?

PENSANDO ALÉM DO SER MATERIAL

Começo o meu raciocínio afirmando: eu acredito que não retroagimos jamais em nossa evolução, mas também acredito que podemos nos iludir diante de nosso próprio progresso moral. Quando pensamos que já aprendemos algo plenamente, vem a vida e nos traz várias oportunidades para nos enxergar agindo e reagindo às circunstâncias e nos desnudando frente à nossa própria consciência.

Sendo recorrente esse processo, podemos afirmar que ele deve ser o método que a vida entende ser verdadeiramente eficaz para nos fazer enxergar como realmente estamos, porque, infelizmente, em algumas experiências, ainda não sabemos diferençar quando estamos somente entendendo ou quando já aprendemos.

Em razão deste desconhecimento, nos surpreendemos quando, vivenciando alguma circunstância, nos vemos reagindo em contradição ao que dizemos acreditar ser o mais correto ética e moralmente.

Sejamos honestos:


  • Qual a nossa reação, emocional e racional, em circunstâncias como da chacina de Suzano?
  • Em nosso pensar ou agir, somos superficial ou verdadeiramente cristãos?
  • Se somos verdadeiramente cristãos, valorizamos o nosso aprendizado?
  • Se somos superficialmente cristãos, quais os motivos que nos levam a acreditar que seria certo pensar ou agir diferentemente dos ensinamentos de nosso Mestre Nazareno[1]?

As perguntas são muitas, não são? Mas, quero deixar claro que elas são necessárias para abraçarmos uma futura mudança porque serão as respostas delas que nos mostrarão o porquê de estarmos encarnados, cada um em um local do mundo, tendo que vivenciar os problemas nele existentes. Quanto a nós, brasileiros, vivemos em um país em desenvolvimento e a violência ainda faz parte de nosso cotidiano, infelizmente. Sobre este pormenor, quero expressar, dentre tantos, dois pontos de vista:


  • primeiro, se estou vivendo em um país violento, algo ainda preciso aprender. Se a violência está em mim, seja ela qual for, necessito dos bons exemplos da passividade, mas também de me deparar com uma violência semelhante ou maior do que a minha para perceber que ela não deveria ser tolerada, tampouco justificada quando é executada;
  • segundo, se hoje não vivo em um local violento, mas sinto que ainda há violência em mim apesar do ambiente que me cerca, posso somente ter tido a oportunidade de uma existência mais branda, onde não deixarei de aprender outras vertentes, ficando para outro momento a lapidação profunda do meu “Eu selvagem”.

Se assim é, conseguiremos encarar a atitude daqueles jovens com mais caridade? Conseguimos enxergá-los em nós, mas que, em razão de nossa busca em nos melhorar, já demos início o nosso aprimoramento?

Se vocês estão respondendo que não, eu trago outra pergunta: será que jamais mataríamos alguém, se nos deparássemos com aquele que colocou em perigo ou maltratou um amor de nosso coração?

COMO AGIR

A espiritualidade nos ensina, a cada texto psicografado, a sua visão ética e moral de amparo e auxílio aos irmãos que estão perdidos e que se encontram nas trevas. Não importa os débitos contraídos por eles, o auxílio e o amor empregado pelos “obreiros do senhor” serão sempre os mesmos.

Imagino que alguns de vocês já estão quase desistindo de ler porque estão pensando que, desta vez, eu estou “delirando” e que eu não sei o que digo, mas, isso não é verdade.

Tivemos muitos exemplos entre nós de pessoas comuns que superaram suas próprias dificuldades e nos mostraram que era possível serem melhores.

Claro que, se temos dificuldades ainda em aplicar alguns dos ensinamentos do Cristo, não será de um dia para o outro que os absorveremos. Eu mesma não sei o que faria se alguém fizesse mal a uma pessoa por mim amada, mas, o que eu sei é que tento todos os dias melhorar o meu Eu e enxergar o mundo com olhos mais sábios.

Para isso preciso acreditar que existe uma razão justa para todos nós estarmos aqui e nos depararmos com pessoas que parecem estar mais evoluídas ou mais atrasadas ética e moralmente que nós.

FINALIZANDO

Concluo, portanto, que o que nos dará a chance de não termos de voltar a repetir este “ano letivo” é aprendermos as lições que a vida nos oferece, sempre lembrando que o nosso professor é O melhor, O mais Misericordioso e O mais Justo.

Diante de tanta violência, de tantas dores, de tantas dificuldades, tentemos mudar o nosso pensar para compreendermos que as experiências (boas ou não tão boas) vivenciadas são úteis e necessárias para o nosso crescer; que com fé e/ou otimismo conseguiremos superá-las; e, compreendendo-as, passaremos com louvor para outros níveis de aprendizado. 

Ao meu ver, o resultado prático dessa ação (= mudança de como encaramos a nossa realidade) já seria sentido por ficarmos de luto pelo sofrimento de pessoas que nos são desconhecidas (as famílias que tiveram os seus amados arrancados de suas vidas), mas, também ficarmos de luto pelos dois jovens assassinos que, apesar de poderem nos entristecer com as suas ações, não deixariam de ser vistos como nossos irmãos em Cristo e merecedores de outras oportunidades de crescimento[2].



[1] Ou outro mestre que vocês possuem como referência de luz e consolo para as suas almas.
[2] Em nenhum momento, estou defendendo a ideia que eles ou quaisquer outros não sejam responsabilizados pelos seus atos. Mas, que não os vejamos como monstros, porque estaríamos refletindo neles toda as nossas mazelas.