Quero desaparecer, sumir!

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Poucas são as pessoas que podem afirmar que jamais, jamais falaram isso.

Quero desaparecer, sumir!

Na maioria das vezes, afirmamos isso em momentos de grande cansaço, quando olhamos para todos os lados e nos vemos sobrecarregados, sem tempo, sem vida.

Atribuímos esse cansaço a tudo o que vivemos, a todas as atribulações que se apresentam diariamente e fica parecendo que não temos saída, que nada daquilo vai mudar.

Será verdade?

Primeiramente, quero dar uma boa notícia: tudo passa, da mesma forma que depois da tempestade sempre vem a bonança! Aquela poderá demorar o que for, mas depois dela virá o momento de tranquilidade e paz na natureza, porque esta precisará se recompor.

Se observássemos com esmero o exemplo mais fiel da criação divina (que conhecemos), perceberíamos que a natureza se recompõe no tempo dela. Cada criatura, animal ou vegetal, se reorganiza no tempo certo de sua espécie, nunca antes disso.

E nós, seres humanos? Qual o nosso tempo?

Bem, eu diria que, para as leis divinas, existe um tempo limite, mas, até chegar a ele, esse tempo se relativiza quando pensamos em nossa escala evolutiva, sendo cada um o seu relógio, porque dependerá de como reagiremos a cada tempestade, de como resolveremos as pendências que ficarem após cada intempérie.

Então, o que fazemos?

O “quero desaparecer, sumir” é um pedido de socorro! É o nosso Eu jogando para fora o seu aviso de que algo não está bem, que ele não está confortável com o que está acontecendo e que precisamos tomar providências.

Infelizmente, reclamamos muito, mas ainda não damos muita atenção ao que falamos! Em razão disso, precisaremos do outro nos escutar e nos avisar sobre isso.

Esse proceder inconsciente de levar para os nossos ouvidos o que não está bom, nos possibilita não implodirmos, seja porque desabafamos, seja porque podemos nos escutar e mudar. Mas, para tanto, precisamos estar atentos às nossas próprias declarações verbais, e, se não estivermos, damos a oportunidade para o outro nos ajudar.

E isso nos descortina mais um instrumento de auxílio, um alarme sobressalente que nos ajuda de forma transversa. Pensem: está em nós o conflito, mas, se não nos percebemos nesta batalha íntima, teremos o outro para nos alertar de estados de espírito que nos abarrotam o ser.

Quero afirmar com veemência que não estou dizendo que somos dependentes do outro para ficarmos bem, estou dizendo que se não fizermos por nós, alguém poderá fazê-lo, se ele se importar verdadeiramente.

Segunda boa notícia

Saída deste estado existe, talvez não a estejamos encontrando.

Se estou sobrecarregada, se estou cansada, o que provocou isso?

Vocês podem afirmar que foram as circunstâncias da vida, mas não são elas os agentes delituosos do nosso estado íntimo deplorável.

As circunstâncias vêm com um fim e tenham certeza que não é para o nosso mal. Se assim é (e é, porque essa é a Lei), então, a sua chegada não poderia acarretar o nosso desgaste, mas se faz é porque NÓS não estamos reciclando o que há de bom nela nos colocando como vítimas da Justiça Divina.

Falando assim, vocês podem pensar que tiro de letra todas as circunstâncias da minha vida, que não afirmo que quero sumir, o que não é verdade! Mas, percebo que a cada vez que me dou o direito de me escutar, percebo que posso mudar o meu estado de espírito, que posso fazer algo por mim mesma e ficar bem (pelo menos não sofrer tanto no decorrer das experiências).

Quando afirmamos que queremos desaparecer ou sumir, estamos afirmando com todas as palavras e sentimentos (mesmo que ainda não saibamos disso) que está na hora de mudar o nosso proceder, mudar como estamos encarando e vivenciando cada experiência.

Verdadeiramente, estamos apertando o alarme de “incêndio” e dizendo que está na hora de refazermos a nossa visão sobre a vida e alteramos os nossos passos dali para frente.

Como?

Posso trazer alguns exemplos para vocês entenderem o que falo:
  1. no trabalho, se não estamos exigindo de nós uma perfeição inatingível;
  2. em casa, se não estamos nos fixando somente nas tarefas, deixando de curtir a presença daqueles que nos são caros;
  3. no lazer, criando expectativas altas demais que este momento não pode proporcionar...

Em cada um deles, o que sentiremos será somente sobrecarga, somente uma frustração por querermos colocar em prática algo que está sob um parâmetro irrealizável, nos mostrando (falsamente) que somos incompetentes.

Para não nos sentirmos assim, precisamos entender que, possivelmente:
  1. nos perdemos em alguma curva do caminho, 
  2. que precisamos nos entender, 
  3. que a vida é nossa amiga e 
  4. que o mundo em que vivemos depende de como o enxergamos e reagimos a cada experiência vivenciada.


O que estou tentando dizer?

Quando afirmo que estou querendo desaparecer, sumir, estou dizendo para mim mesma e para o mundo que o meu mundo está em desalinho e que, por incrível que pareça, não estou sabendo como arrumá-lo, não estou sabendo quem eu sou.

Estou dizendo que, mesmo ainda sem perceber, já estou dando os primeiros passos para me preparar para aceitar ajuda, porque posso (ainda) ficar refratária a qualquer esclarecimento vindo de mim ou do outro, mas, que o meu “jardim” já está pronto para receber sementes.

Estou também dizendo, e suplicando, que não exijam muito de mim para a solução rápida deste novo processo, porque quero muito me encontrar, quero muito me entender, mas ainda não sei como.

Estou dizendo que, apesar de perdida, não quero que se afastem (muito) de mim porque eu vou chegar as devidas conclusões um dia e precisarei do carinho de quem me ama para enfrentar essa mudança.

Quando eu afirmo que quero desaparecer, sumir, estou tentando dizer (para mim e para o mundo) que sou humana, que tenho limitações e que não posso solucionar tudo o que está a minha volta, mesmo que eu tente.





O que significa tanta violência ao nosso redor?

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Mais uma chacina! Agora, foi em uma escola em Suzano, no Estado de São Paulo. Jovens e adultos mortos após um ato de violência de dois adolescentes que, ao final, estavam mortos também.


A maioria de nós ficou se perguntando o que levou esses jovens a tomar essa atitude, porque, em nossa mente, há uma necessidade de entendermos o que leva alguém a atentar contra a vida alheia ou a sua própria, sem qualquer hesitação.

É possível que consigamos saber a resposta algum dia, mas, neste artigo, tendo como base essa tragédia, gostaria de não me apegar ao motivo, mas sim a descoberta de quem estamos segundo as posturas que adotamos frente a ela.

COMO REAGIMOS A SITUAÇÕES QUE NOS ESCANDALIZAM


  • Diante desta situação tão estarrecedora, qual foi ou está sendo a nossa postura? Como estão as nossas emoções e sentimentos?
  • Diante de tanta violência no mundo, como podemos viver tranquilos? Como podemos acreditar que dá para sair de casa e nos arriscar nas ruas onde parece que estamos totalmente desprotegidos?

Numa resposta singela, eu acredito que tentamos não pensar em nada disso, buscando acreditar que nada acontecerá conosco ou com quem a gente ama; que estamos entregando nas mãos de Deus e seguindo em frente, porque não temos muitas alternativas ou, se as temos, tomamos todas as providências que conhecemos para que essa violência não nos atinja.

E NOSSAS REFLEXÕES CONTINUAM...

Além destes questionamentos acima, cujas respostas não devem ser esquecidas, outros se fazem necessários para termos luz onde parece que há somente desesperança:


  • Porque estamos encarnados neste momento e neste país tão inseguro?
  • Porque estamos tendo que passar por isso?
  • Se não retroagimos, porque parece que estamos dando passos para trás, quando antes pensávamos que estávamos mais adiantados espiritualmente?

PENSANDO ALÉM DO SER MATERIAL

Começo o meu raciocínio afirmando: eu acredito que não retroagimos jamais em nossa evolução, mas também acredito que podemos nos iludir diante de nosso próprio progresso moral. Quando pensamos que já aprendemos algo plenamente, vem a vida e nos traz várias oportunidades para nos enxergar agindo e reagindo às circunstâncias e nos desnudando frente à nossa própria consciência.

Sendo recorrente esse processo, podemos afirmar que ele deve ser o método que a vida entende ser verdadeiramente eficaz para nos fazer enxergar como realmente estamos, porque, infelizmente, em algumas experiências, ainda não sabemos diferençar quando estamos somente entendendo ou quando já aprendemos.

Em razão deste desconhecimento, nos surpreendemos quando, vivenciando alguma circunstância, nos vemos reagindo em contradição ao que dizemos acreditar ser o mais correto ética e moralmente.

Sejamos honestos:


  • Qual a nossa reação, emocional e racional, em circunstâncias como da chacina de Suzano?
  • Em nosso pensar ou agir, somos superficial ou verdadeiramente cristãos?
  • Se somos verdadeiramente cristãos, valorizamos o nosso aprendizado?
  • Se somos superficialmente cristãos, quais os motivos que nos levam a acreditar que seria certo pensar ou agir diferentemente dos ensinamentos de nosso Mestre Nazareno[1]?

As perguntas são muitas, não são? Mas, quero deixar claro que elas são necessárias para abraçarmos uma futura mudança porque serão as respostas delas que nos mostrarão o porquê de estarmos encarnados, cada um em um local do mundo, tendo que vivenciar os problemas nele existentes. Quanto a nós, brasileiros, vivemos em um país em desenvolvimento e a violência ainda faz parte de nosso cotidiano, infelizmente. Sobre este pormenor, quero expressar, dentre tantos, dois pontos de vista:


  • primeiro, se estou vivendo em um país violento, algo ainda preciso aprender. Se a violência está em mim, seja ela qual for, necessito dos bons exemplos da passividade, mas também de me deparar com uma violência semelhante ou maior do que a minha para perceber que ela não deveria ser tolerada, tampouco justificada quando é executada;
  • segundo, se hoje não vivo em um local violento, mas sinto que ainda há violência em mim apesar do ambiente que me cerca, posso somente ter tido a oportunidade de uma existência mais branda, onde não deixarei de aprender outras vertentes, ficando para outro momento a lapidação profunda do meu “Eu selvagem”.

Se assim é, conseguiremos encarar a atitude daqueles jovens com mais caridade? Conseguimos enxergá-los em nós, mas que, em razão de nossa busca em nos melhorar, já demos início o nosso aprimoramento?

Se vocês estão respondendo que não, eu trago outra pergunta: será que jamais mataríamos alguém, se nos deparássemos com aquele que colocou em perigo ou maltratou um amor de nosso coração?

COMO AGIR

A espiritualidade nos ensina, a cada texto psicografado, a sua visão ética e moral de amparo e auxílio aos irmãos que estão perdidos e que se encontram nas trevas. Não importa os débitos contraídos por eles, o auxílio e o amor empregado pelos “obreiros do senhor” serão sempre os mesmos.

Imagino que alguns de vocês já estão quase desistindo de ler porque estão pensando que, desta vez, eu estou “delirando” e que eu não sei o que digo, mas, isso não é verdade.

Tivemos muitos exemplos entre nós de pessoas comuns que superaram suas próprias dificuldades e nos mostraram que era possível serem melhores.

Claro que, se temos dificuldades ainda em aplicar alguns dos ensinamentos do Cristo, não será de um dia para o outro que os absorveremos. Eu mesma não sei o que faria se alguém fizesse mal a uma pessoa por mim amada, mas, o que eu sei é que tento todos os dias melhorar o meu Eu e enxergar o mundo com olhos mais sábios.

Para isso preciso acreditar que existe uma razão justa para todos nós estarmos aqui e nos depararmos com pessoas que parecem estar mais evoluídas ou mais atrasadas ética e moralmente que nós.

FINALIZANDO

Concluo, portanto, que o que nos dará a chance de não termos de voltar a repetir este “ano letivo” é aprendermos as lições que a vida nos oferece, sempre lembrando que o nosso professor é O melhor, O mais Misericordioso e O mais Justo.

Diante de tanta violência, de tantas dores, de tantas dificuldades, tentemos mudar o nosso pensar para compreendermos que as experiências (boas ou não tão boas) vivenciadas são úteis e necessárias para o nosso crescer; que com fé e/ou otimismo conseguiremos superá-las; e, compreendendo-as, passaremos com louvor para outros níveis de aprendizado. 

Ao meu ver, o resultado prático dessa ação (= mudança de como encaramos a nossa realidade) já seria sentido por ficarmos de luto pelo sofrimento de pessoas que nos são desconhecidas (as famílias que tiveram os seus amados arrancados de suas vidas), mas, também ficarmos de luto pelos dois jovens assassinos que, apesar de poderem nos entristecer com as suas ações, não deixariam de ser vistos como nossos irmãos em Cristo e merecedores de outras oportunidades de crescimento[2].



[1] Ou outro mestre que vocês possuem como referência de luz e consolo para as suas almas.
[2] Em nenhum momento, estou defendendo a ideia que eles ou quaisquer outros não sejam responsabilizados pelos seus atos. Mas, que não os vejamos como monstros, porque estaríamos refletindo neles toda as nossas mazelas.