Vencendo o passado

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Vocês têm a sensação de que estão enfrentando uma batalha diariamente? Por vezes, é assim que me sinto!

Todos os dias, acordamos com a sensação de que não podemos esmorecer, que não podemos nos deixar abater diante das experiências que já estamos vivendo ou das que iremos enfrentar. Todos os dias, já acordamos armados, buscando fôlego para não desanimarmos ante a falta de uma visão mais esperançosa, seja na nossa vida, seja na vida de outras pessoas que, indiretamente, tomamos conhecimento e nos influenciamos.

Comecei a sentir isso e percebi que a cada dia estava mais e mais cansada. A cada dia parecia que as minhas forças estavam se esvaindo... e eu não sabia para onde estavam indo!

Comecei a me entregar a uma sensação de abandono e impotência... e tenho de dizer que é horrível viver assim! Mas, não pensem que estava depressiva. Não! Eu estava bem... bem para conseguir flagrar esse processo em mim e me policiar para não descer mais fundo. E por esta razão, imagino o quão é arrebatador estarmos portadores da depressão. Não a desejo para ninguém e não critico quem está com dificuldade para superá-la.

De qualquer forma, como eu dizia, vendo-me entrar neste processo, precisei parar e ter coragem para descobrir o que estava “errado” em mim. Graças a Deus, achei e continuo achando algumas respostas e elas serviram e servirão como ferramentas imprescindíveis para a superação desta fase na minha vida. Afirmo que, tomando coragem e fazendo essa análise, cada um poderá achar as suas próprias respostas.[1]

Mas, o que seria esse momento, afinal de contas? Dentre tantas outras respostas, posso afirmar que é um período em que estamos vivendo o nosso presente tendo o nosso passado incompreendido como base.

Pode parecer óbvio e infalível o que acabei de dizer, afinal,

o presente sempre terá o passado como base,

mas precisamos fazer algumas ressalvas. Passado é passado e quando não o deixamos lá, principalmente nas experiências que não superamos, estaremos vivenciando no hoje:
  1. todos os traumas nele (passado) criados,
  2. todas as nossas crenças limitantes que construímos com os traumas, usando-as como se fossem as ferramentas certas, mas, na essência, sendo equivocadas para o nosso caminhar.

Diante dessa nossa ação, estaremos literalmente construindo uma vida sobre um terreno bem instável de areia fofa. A qualquer momento, sob qualquer tempestade, ela (construção) sucumbirá por falta de segurança ou fortaleza de nossa base.

Para não haver dúvidas sobre o que estou falando, quando afirmamos que o presente tem o passado como alicerce, não é o passado em si, mas todo entendimento que extraímos das experiências que já vivenciamos.

A base de nosso presente deve ser o aprendizado e não o resultado que extraímos das nossas vivências no ontem.

Dentre outras explicações, a sensação de fragilidade, de desgosto com a vida, são o resultado de nos perdemos em nossos medos e angústias que têm o seu foco nas experiências que vivenciamos, mas que com elas ainda não aprendemos toda a essência do que é necessário para o nosso caminhar seguro.

Assim, ouvimos muito sobre as posturas otimistas e espiritualizadas que devemos tomar para não sucumbirmos diante das dificuldades diárias que enfrentamos, mas, se não compreendermos que a nossa base está instável, continuaremos acrescentando mais peso sobre paredes que não aguentarão todo o peso nelas depositado.

Friso aqui que não estou dizendo que precisamos saber a origem de todo e qualquer trauma, mas sim que precisamos tornar segura a base, iniciando:
  1. por um processo de alimentar em nós a certeza de que cada experiência vivida é uma benção para o nosso crescer,
  2. que apesar das dificuldades, tudo passa e, com certeza, estaremos melhores amanhã,
  3. que nossas crenças deixarão de ser limitantes, ficando o passado no passado naquilo que ainda não temos condição de compreender,
  4. que não sabermos o que fazer faz parte de nossa elevação e não precisamos nos punir por isso,
  5. e, tentando colocar em prática todos os itens anteriores, nossos dias estarão mais sadios e leves porque essa será a nossa verdade.

Estaremos vencendo o passado quando, deixando-o nos influenciar no momento certo de cada vivência, ele depositará aos nossos pés os instrumentos com os quais antes já nos deparamos, mas, pela nossa falta de compreensão não os tínhamos entendido. Agora, no entanto, com o pouco do que já vivenciamos, poderemos melhor usá-los para a depuração de nosso ser.

Assim, o passado estará por nós e não contra nós.

Um viva para a nossa vitória!



[1] Não estou falando de casos em que a depressão já seja uma realidade. Para esse quadro, somente através de um acompanhamento profissional, associado ao enriquecimento espiritual, poderá auxiliar efetivamente na sua superação.

A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também!

10:37 4 Comments A+ a-



Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.

No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.

Os tempos são outros

12:21 2 Comments A+ a-


Estamos em um momento de transição. 

Não estou me referindo ao momento eleitoral, apesar de ser real no nosso país, mas sim da transição planetária. 

Estamos em um momento em que todas as nossas mazelas estão emergindo com as experiências que estamos vivenciando.

A espiritualidade fala abertamente que as nossas máscaras estão caindo. Elas já não se sustentam mais, elas não devem ser mais utilizadas para nos iludir porque os tempos são outros.

NÃO ENTENDERAM, EU EXPLICO

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai aqui um pequeno resumo: nosso planeta é habitado por espíritos imperfeitos, de terceira ordem[1], espíritos que podem ser descritos como propensos ao mal, ignorantes, orgulhosos, egoístas, etc.

Nossos conhecimentos sobre “as coisas do espírito” são limitados e o pouco que sabemos fazemos comparações que, por vezes, nos levam ao equívoco por não termos qualquer noção do que está além de nós, só do que vemos na matéria. Vivemos em um mundo interior de tormentos, porque, pela nossa ausência de entendimento da divina sabedoria, sentimos intensamente e nos revoltamos a cada circunstância que não nos agrada, a cada “injustiça” que pensamos ser alvo.

Em razão desse nosso grau evolutivo, vivemos em um mundo material que nos recepciona e que é descrito, na escala planetária, como de provas e expiações e que, abaixo de nós, somente os planetas primitivos, aqueles que recepcionam as almas humanas que acabaram de nascer. Então, podemos concluir que ainda muito precisaremos caminhar para atingirmos mundos mais evoluídos.

A boa notícia, no entanto, é que estamos saindo desse patamar planetário e estamos entrando em um novo nível, na regeneração. Nosso mundo está evoluindo e precisa que aqueles que nele habitam também cresçam. Não sairemos da escala de espíritos imperfeitos, mas diante do que já aprendemos (o que não é muito) teremos condições de buscar novas forças, repousando das lutas empreendidas, para enfrentarmos nossas novas expiações.

Para tanto, não conseguiríamos permanecer aqui, num planeta que está buscando novas energias, sem desabarem as máscaras que vestimos todos os dias, com as quais buscávamos iludir a quem conosco convive, com as quais buscávamos nos iludir para continuarmos vítimas (e sem responsabilidade) da Soberana Justiça.

O QUE FAZEMOS, ENTÃO?

TEMPO DE ILUDIR X TEMPO DE AGIR

Necessitamos saber quem somos. Necessitamos nos enxergar, doa a quem doer. Foi por isso que viemos nesta fase de transição e é por isso que tudo o que vemos está acontecendo agora.
Todas as experiências que vivemos, da mais simplória circunstância à mais complexa, nos levam a enxergar quem somos. E sabendo quem somos, podemos fazer nossa escolha futura.

Pensem comigo: se temos segurança financeira, social e ideológica, nada nos levará a agir ou reagir com o que há de primitivo em nós. Nada nos incitará a trazermos à tona nossos instintos de sobrevivência, nossas reações egoístas e violentas. Mostrar-nos-emos sempre civilizados.

Para que fique palpável o que afirmo, pensemos no caso global dos refugiados (da Síria, Afeganistão, Somália, Venezuela...). São milhões de refugiados que fogem de seus países de origem em razão de perseguições políticas, de raça, de religião, necessitando do abrigo dos países que estão mais próximos e, principalmente, necessitando que os que os abrigarem os vejam como seres humanos.

Não afirmo ser errado um país temer receber um contingente enorme de pessoas que, por vezes, é até maior que o seu próprio número de cidadãos, mas, isso só acontece porque o mundo se faz cego diante da necessidade dos que sofrem. Afirma-se que não é problema nosso uma guerra, uma chacina no país vizinho e, quando somos pegos de surpresa com a imigração dos que fogem, não temos (como mundo) um planejamento de contingência para colocarmos em prática.

Mas, verdadeiramente, o que quero chamar a atenção de vocês nessa questão é (não passem adiante sem responder as perguntas):  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema é do outro (de outro país, por exemplo)? Julgamo-lo por fechar suas fronteiras?  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema chega em nossas mãos? Queremos abrir as nossas fronteiras para eles?
 Conseguiram responder?

Quais foram os sentimentos que brotaram em seus corações? 
  • Medo, temor deste acolhimento trazer prejuízos ao conforto que todos usufruem? 
  • Medo, temor deles preencherem os empregos que já são tão poucos?
  • Medo, temor do aumento da violência e pobreza que vem com a falta de infraestrutura para toda essa gente? 
  • Medo, temor de suas crenças tão diferentes das que possuem?
Mas, será que somos somente “trevas”? 
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam mesmo que se lhes impunha algumas condições?
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam seja qual for o resultado que isso acarrete na nossa vida, na de nossos amores, ou em nosso país?
 Qualquer que seja aquele(s) com o qual(is) nos identificamos somos nós! Esse ser que emergiu dos recôncavos de nosso mundo interior é quem estamos e que, sem um impulsionamento externo, não o flagraríamos. Esse ser que precisa ser elogiado ou lapidado com carinho e dedicação.

Não se iludam achando que, neste período, precisamos descobrir somente as nossas mazelas internas. Muitas vezes, precisamos enxergar o quanto crescemos, o quanto estamos melhores para nos sentirmos merecedores de permanecer neste planeta de regeneração.

Abramos os nossos olhos. Não queiramos esconder de nós mesmos quem ainda somos, porque não conseguiremos enganar a Supremacia Divina que sabe o que é melhor para nós.

Acreditem que estarmos em um mundo onde não nos enquadramos seria ruim. O ambiente nos incomodaria, as pessoas nos incomodariam, as nossas imperfeições nos dilacerariam interiormente, nos trazendo muito sofrimento.

A boa notícia é que, se estamos aqui, ainda muito poderemos fazer para nos melhorar. Se estamos aqui é porque a Suprema Providência entende que temos os instrumentos para darmos a volta por cima porque, como foi dito acima, quem permanecerá aqui ainda é um espírito imperfeito, mas esse desejará mudança, esse terá em seu ser a vontade de valorizar suas vitórias, superar suas “chagas interiores” e seguir em frente,  junto com toda a humanidade.

Os tempos são outros, mas nós estamos aqui. Façamos parte "destes tempos" com consciência.





[1] In “O Livro dos Espíritos”, p. 73, Ed Petit, 1999.