Apoderar-se de si mesmo, uma luta que pode ser exaustiva

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Viver! Ato de respirar e acreditar que podemos raciocinar sobre tudo o que está ao nosso redor. Afinal, somos seres pensantes, não somos?

Esse conceito que trouxe é o mais comum entre as pessoas que estão “existindo”, mas não vivenciando a sua vida. E não podemos nos iludir e achar que são os outros os que existem sem perceber-se, porque nós também fazemos isso.

Tive uma experiência que me mostrou o quanto a gente se desconhece na intensidade de nossas emoções. Tive um dissabor que me fez ver quantos recantos existem em mim que ainda não os tinha explorado devidamente. Acreditando me conhecer, fiquei surpresa com a intensidade das emoções e sentimentos que emergiram de um desses refúgios de minha alma ainda em crescimento.

Parando para tentar me harmonizar, pude flagrar qual seria o sentimento que servia de trampolim para o meu desequilíbrio emocional, mas, mesmo o flagrando, precisei de tempo para enfrentá-lo e, por fim, compreendê-lo.

Somos humanos e, mesmo estando em nosso mundo interior, lutamos com garra para superarmos tudo o que já construímos lá dentro tendo como alicerce a nossa ignorância de milênios.

Eram tantos pensamentos e emoções que me sufocavam e atrapalhavam o meu raciocínio que me sentia incapaz de colocar tudo em ordem sozinha.

Precisei de tempo e de amigos para me escutarem, porque, falando, eu também me ouvia e raciocinava a tempestade que se avolumava em mim. Por isso, falar com alguém em quem confiamos nos ajuda, pois somos obrigados a organizar o pensamento para que o outro possa compreender a nossa fala e a escutarmos os seus conselhos. E, como tudo na vida é perfeito, se estivermos atentos ao que sai de nossa boca ou passa pelo nosso campo mental, poderemos flagrar muitos terrenos inférteis a serem trabalhados porque o nosso subconsciente aproveita esses momentos e exterioriza algo mais sobre nós mesmos.

Pensem vocês em um barco pequeno, em pleno oceano, enfrentando um temporal cataclísmico (dramático, não é?). Era assim que eu estava me sentindo. Enfrentando o temporal, não vemos com clareza, nos sentimos abandonados naquele mar revolto. Mas, seremos obrigados a respirar em algum momento, e quando conseguirmos fazer isso, perceberemos que temos todos os instrumentos para nos salvar: o barquinho, que somos nós e os remos, que são o nosso querer.

Eu quis melhorar, eu quis enxergar a situação de uma forma mais positiva, eu quis buscar o consolo nas minhas crenças cristãs, aceitando que tudo está para o meu crescer e que nada é injusto, só ajustável às minhas necessidades de criança em evolução.

O temporal se amenizou. Não foi rápido! Passei todo o dia naquele barquinho, remando até chegar a alguma ilha. Precisei dormir e acordar, acreditando que era um novo dia e que mais outras provas viriam para que eu me reconhecesse, para que eu recordasse que tais provas eram o significado de que a vida estava me dizendo que eu era capaz! Precisei agradecer a Deus!

Com Ele, apoderei-me de novo do meu ser, mesmo ainda sentindo os resquícios dessa luta: um coração mais sobressaltado, um vestígio no peito das energias de angústia e incapacitação que me deixei dominar no dia anterior, mas estava bem mais forte e corajosa para continuar navegando em busca do crescimento e evolução de minha alma.

A boa notícia é que, apesar de ainda cair nessas tempestades, hoje, já me vejo fora de muitas batalhas, porque antes lutei nelas com afinco, mas somente as venci quando simplesmente me permiti compreendê-las no contexto do meu viver.  Percebo, mais do que nunca, que a paz ainda é a resposta para as nossas “lutas” internas e será nela que a compreensão se fará em nosso coração.

Apoderemo-nos de nós, enfrentando os nossos medos e ignorância com a espada da compreensão e com o escudo do entendimento sem temermos a nossa queda, porque “do chão não passaremos” e sozinhos não estaremos.

O sofrimento silencioso

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Estamos vivenciando um momento em que vemos muitas pessoas buscando no suicídio a cura para as suas dores.

Estaria mentindo se disse que consigo imaginar o que sentem essas pessoas que, em razão de sua dor, chegam ao ponto de infringir uma das leis divinas mais perfeitas que é a Lei da Conservação. Como somos seres de outra localidade (plano espiritual), e para não desejarmos voltar à nossa origem antes do tempo, a cada existência terrena nos é imputada a vontade quase intransponível de nos manter aqui para vivenciarmos os momentos de alegria e de dor sem desejarmos fugir de nossa própria regeneração.

Estamos a séculos vindo e indo, repetindo os mesmos equívocos, buscando o nosso aprimoramento, caindo e levantando, nos melhorando pouco a pouco apesar de nossa teimosia em acreditar que a vida a ser valorizada é a material e não a espiritual.

Mas, estamos evoluindo. E como estamos enfrentando uma fase de mudança do estágio evolutivo planetário, para aqui ficarmos, precisaremos nos deparar conosco sem máscaras, sem véus. Assim, todos que para cá vieram (e ainda vem) reencarnados, estão preparados para se enfrentar ou enfrentar as experiências que nos farão enxergar quem somos, não significando dizer, todavia, que gostaremos do que veremos, ou que aceitaremos quem somos sem lutas íntimas.

Assim, sem fazer qualquer julgamento a quem quer que seja, percebo que, por nos vermos tão enfraquecidos em nossos valores íntimos, por não valorizarmos quem somos, não nos sentimos fortalecidos para enfrentarmos algumas experiências que, pela misericórdia divina, estaríamos à altura de vivenciá-las e, portanto, de alcançarmos o aprendizado merecido.

Por tal incapacidade, muitas vezes sem percebermos, buscamos um dos caminhos mais difíceis de trilhar, mas que, por nossa ignorância, nos parece o único apropriado: o de interromper a dor pela ausência da vida que acreditamos estar alimentando essa mesma dor.

Precisamos voltar a nos importar! Precisamos estar atentos às mudanças de atitude daqueles que estão ao nosso redor, precisamos estar atentos às nossas próprias mudanças internas!... porque podemos ser nós, daqui a um tempo, entristecidos profundamente por uma dor vivenciada, a nos afundar na lama da desesperança e não conseguirmos sair dela.

Se não voltarmos o nosso coração e mente para esta vida encarnada;
Se não voltamos a nossa atenção para a vida real, fora das redes sociais, fora da internet, fora da ilusão de que “todos têm uma vida melhor do que a minha”;
Se não valorizarmos cada experiência como uma benção divina a nos ensinar e nos fortalecer diante das adversidades;
Se não abraçarmos, com fé, a crença de que Deus é Misericordioso e Bom e que não agiria com menos amor do que um filho Seu que, diante de um filho da carne, só quer o melhor para ele;
Não conseguiremos perceber os dramas que nos rodeiam e, não chegaremos a tempo de socorrer a quem amamos ou, até pior, nos impedir de ir pelo mesmo caminho.

O problema é que, na grande maioria, essa dor é silenciosa. Ela vai preenchendo o nosso ser, sem nos apercebermos. Vamos desconsiderando os parcos avisos que a nossa consciência nos permite flagrar, achando que o que sentimos é simples, drama ou bobagem, e que as pessoas não nos escutarão porque veriam essa mesma dor como frescura. Sem sabermos, estamos alimentando uma doença que após alojada é difícil combater!

Percebo que tudo o que os nossos irmãos desalentados pela dor precisam é de alguém que possa mostrar-lhes um outro caminho, porque eles não estão mais aptos para achá-lo. Eles não precisam de julgamento, eles não precisam de nossa piedade, eles precisam de nosso consolo e atenção.

Que sejamos nós a ouvir e acalentar o nosso próximo. Que sejamos nós a indicar um caminho de amor e esperança[1] para que as cores da vida voltem a fazer parte da vida deste nosso irmão. Que não desistamos jamais de socorrer mesmo aqueles que parecem não querer o auxílio. É uma vida que precisa ser defendida!

Usemos de tantas horas quantas forem necessárias para o auxílio deste irmão, da mesma forma que gostaríamos que gastassem conosco no momento de nosso maior desespero.

Sem buscar nas crenças espíritas cristãs que me alimentam a alma, façamos isso, pura e simplesmente, porque precisamos uns dos outros.

O nosso silêncio ou o de nosso irmão pode ser o sinal de que precisamos nos movimentar urgentemente para a mudança deste caminho para a escuridão.



[1] Essa ajuda, dependendo do grau da dor de nosso irmão, precisa ser associada ao auxílio de um profissional que saberá desenrolar os fios embolados que embaçam a visão de um futuro melhor.