Viver... ato de confiar!

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Todos os dias, acordamos para mais uma experiência de vida.

Todos os dias, nos oportunizamos vivenciar circunstâncias que construímos através de nossas ações e escolhas, bem como circunstâncias que chegam sem nenhum aviso (pelo menos é o que a gente acredita), nos surpreendendo.  

É ao sair da cama que nos daremos a chance de vivenciar cada uma dessas experiências que vêm até nós para o nosso crescer.

Até o momento do acordar, estamos todos agindo da mesma forma. Mas, o que nos diferencia uns dos outros é como reagimos daí para frente, com cada uma dessas experiências.

Podemos viver, conscientemente, sabedores da nossa necessidade de absorção dos inúmeros aprendizados que a vida nos proporciona ou não. No primeiro caso, para cada experiência, uma consciência mais profunda do nosso próprio Eu; no segundo caso, uma vida inexpressiva de ausência de conquistas interiores, tendo só a inconsciência de nossa própria existência.

Para estarmos englobados no primeiro caso, precisamos entender que somos seres portadores de inúmeros aprendizados, mas não da totalidade dos aprendizados existente no universo. Mas, estes poucos que já conquistamos nos dão condições de “melhor” agirmos, apreendendo as novas lições que nos chegam e vivenciando, conscientemente, cada experiência, enxergando a atuação da sabedoria divina nos caminhos que nos cercam. Aí está a misericórdia do Pai Criador por nós.

Diante desta realidade, compreendemos o porquê reagirmos diferentemente uns dos outros, mesmo que as circunstâncias nos pareçam idênticas: cada um de nós possui uma gama vasta de aprendizados, mas nenhum de nós possuiu o mesmo cabedal de entendimentos. Vivenciamos muitas vidas e nelas aprendemos muita coisa. Porém, em cada uma, absorveremos os nossos aprendizados de uma forma muito particular, com a visão que temos das coisas, das pessoas, do mundo.

E, nessas vivências, construímos ferramentas (internas) que nos auxiliam a viver e enfrentar a vida em todo o seu enfoque, sejam para os momentos de adversidades ou de muita felicidade (porque para a Sabedoria Divina, não há diferença entre as duas situações). Essas ferramentas são uma somatória de nossas emoções e sentimentos, de nosso raciocínio e instintos, e as criamos e as utilizamos para nos ajudar a enfrentar aquilo que acreditamos nos massacrar a alma ou nos alegrar eternamente.

O ponto é que a maioria das ferramentas que construímos tem data de validade, porque ainda não temos entendimento suficiente para compreendermos o que é bom para nós. Por isso, ao nos deparamos com circunstâncias que tememos, criamos uma forma de defesa emocional que dará certo por um tempo, mas não todo o tempo. Ela caducará, porque não seremos mais os mesmos e necessitaremos de outras ferramentas melhor adequadas ao nosso novo ser em evolução. Um bom exemplo é enxergarmos que há poucos anos nossos instrumentos tecnológicos necessitavam de menos memória do que os que temos hoje. O que mudou foi o aperfeiçoamento dos programas e das exigências do mercado em relação aos mesmos. Nós também nos tornamos exigentes na absorção e atuação de nossos próximos entendimentos para que o nosso caminhar fique mais suave e sereno.

Cada uma dessas ferramentas nos demonstra quem estamos hoje e quais são os nossos maiores temores. Cada reação nossa, nos dá uma ideia do que precisamos lapidar em nós, porque, diante do nosso Eu, reagimos na defensiva para não esmorecermos em prol de nossa sobrevivência.

Precisamos entender que tudo o que vivemos está de acordo com o que programamos para a nossa lapidação pessoal e, portanto, esse tudo será um reflexo de nossas construções pessoais e da vida nos impulsionando para o nosso melhor aprendizado.

Diante disso, que possamos recepcionar o que a vida nos traz com a singeleza da confiança de que é Deus quem está atuando e que nenhuma dor será eterna porque, com Ele, nós a superaremos.

A importância dos relacionamentos

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Somos seres que vivemos na coletividade. Isso é tão importante para nós que somos influenciados por uma lei divina e natural chamada Lei da Sociedade, cujo objetivo é vivermos em comunidade para aprendermos no coletivo e, para isso, Deus nos concedeu as faculdades necessárias ao relacionamento.
Sabemos que existem pessoas que querem ficar sozinhas, ou escolhem uma vida de reclusão e, a princípio, poderíamos dizer que elas estariam contrárias ao estado natural do ser humano. Bem, apesar de O livro dos Espíritos[1] afirmar que querer viver só é um estado de egoísmo, também nos mostra que existem exceções à regra, quando a escolha daquele que se isola tem uma conotação meritória, como por exemplo, fugir do mundo para se devotar ao alívio dos sofredores.
Mas, veja que gostar de estar só é muito diferente de querer estar só. O primeiro pode englobar o segundo, mas, a recíproca não é verdadeira. O primeiro se dá quando você gosta de estar consigo mesmo, de curtir a sua presença. É se autoconhecer. E isso é muito bom porque tal estado não nos impede de curtir a presença dos demais. Já o segundo, pode conotar vários estados de espírito em desalinho associados a um medo não flagrado pelo seu detentor.
Vimos que, para que estejamos indo de encontro ao um estado natural, precisamos ter alguma base racional ou emocional para isso. Vocês poderiam estar pensando no caso em que alguém faz uma opção reencarnatória para viver na reclusão buscando valorizar as companhias que, até então, nunca as tinha apreciado. Sim, esses casos existem, e podem ter certeza que tal experiência marcará essa pessoa, mesmo resignada, diante de sua escolha como toda e qualquer escolha que nos faça mudar as crenças que tínhamos até então. Mas, deixando as exceções e comentando sobre os casos em geral, precisamos estar atentos aos nossos comportamentos, como também aos dos nossos amores, porque estando (ou sendo) nós (ou eles) muito sozinhos, tal postura pode estar sendo alimentada, por exemplo (e não se surpreendam!), pelo objetivo incessante de querermos agradar aos outros.
É certo que vivemos hoje um momento em que a sociedade exige TUDO de nós. Saímos do Oito e fomos para o Oitenta num salto. Estamos vivendo num oceano de cobranças que, vez por outra, suas águas nos afogam. As pessoas estão se sentindo tão cobradas que, por ação reflexa, cobram de si e dos outros também, e o ciclo vicioso se instala. Diante desta realidade, muitos não estão conseguindo enfrentar suas frustrações, por não saberem que tais exigências são irreais, inconcebíveis, impraticáveis, inatendíveis. Se soubessem, reagiriam diferente, não dando margem à adoecerem, abandonarem seus sonhos e suas vidas.
Como não conseguimos atender a todas as nossas expectativas ou daqueles que nos circundam, podemos nos sentir incapazes e, por consequência, fugirmos de suas companhias para não sofrermos com as nossas decepções. “Antes só do que mal acompanhado”, se pensamos ou sentimos que ele estaria nos fazendo sofrer. O problema é que se estamos fugindo dos outros, não estaremos em paz, e isso nos leva a uma vida sem sentido e triste.
Por tudo isso, se alguém está ficando muito só algo pode estar errado, mesmo que essa pessoa sempre tenha sido assim. Precisamos ajudá-la a saber se o estado de solidão em que ela se abrigou é só um momento em que ela precisa se deparar consigo mesma (autoanálise), ou se ela está se refugiando neste estado para não ter de enfrentar alguns de seus medos mais íntimos, porque se for o segundo caso (que pode durar anos a fio), esta pessoa estará deixando de aproveitar uma das bênçãos mais notáveis que o Pai nos concedeu: vivermos na coletividade para aprendermos mais rápido e, se possível, mais felizes.







[1] Editora Petit, Cap. 07, ano 1999, p. 265.