Solidão, sensação devastadora.

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“Me sinto sozinho(a)!”, “Ninguém liga para mim”, “Não posso contar com ninguém”, “Não sou ninguém”... Não nos enganemos pensando que essas são frases faladas, pensadas e sentidas por quem só quer chamar a atenção. Muitos de nós as pensamos a todo momento, de forma consciente ou não.
Estamos o tempo todo nos colocando à prova sobre as nossas necessidades e sentimentos e, por um motivo ou outro, podemos entrar num turbilhão de emoções que nos levam a acreditar que estamos “sozinhos no mundo”!
E esse sentimento é real ou falso? Antes de responder a essa pergunta, gostaria de levantar outra: eu tenho a exata noção do quanto eu me valorizo nesta vida?
Bem, como eu disse acima, muitos de nós pensamos dessa forma a todo momento. E pensamos, na maioria das vezes, sem nos apercebermos disso. Vivenciamos uma tristeza, uma inadequação e não nos damos conta que o que acontece tem origem no nosso mundo interior por não nos apreciarmos o suficiente para aceitarmos que os outros podem gostar de nós; que a nossa presença é apreciada, não por todos, mas por muitos, o que é perfeitamente natural porque não conseguiremos agradar a todos. Se nem Jesus agradou!...
Isso se dá porque, em razão de pensarmos da mesma forma, nos fixamos somente em quem não nos aprecia e deixamos de valorizar quem naturalmente nos ama e nos quer bem.
Se não conseguimos enxergar esse processo interno, tampouco estas pessoas preciosas em nosso viver, teremos um sentimento muito real de inadaptação e ele será mais do que palpável. Quem se convence que ninguém o ama, se sentirá só e estará só, mesmo que viva no meio de uma multidão de amigos, parentes e amores. A pessoa não se enxergará amada, não se enxergará objeto e alvo de atenção, não se sentirá capaz, não se enxergará merecedora de nada, absolutamente nada.
Sem querer julgar, mas tentando achar uma das respostas para essa visão da “falta” de amor, acredito que muitos daqueles que se sentem assim supervalorizam à opinião alheia, tendo-a como um norteador perigoso. Por exemplo: eu só me sinto competente se os meus colegas de trabalho me elogiarem. Se eles nada disserem, começo a me sentir inseguro(a) e até sem criatividade. Sem perceber, eu deixo de usar algo que eu já possuo por acreditar que me falta o combustível (opinião alheia) que me alimentaria a capacidade de fazer bem feito.
Se fazemos isso no âmbito profissional, imagina o que não fazemos quando é de cunho pessoal!
Nenhum desconforto íntimo deve ser ignorado porque ele se agrava gradativamente. A solidão, quando sentida com intensidade, nos torna cegos. Não enxergamos caminhos a serem trilhados; nos tornamos escravos dos conceitos equivocados que vamos abraçando sobre nós mesmos; e, encarcerados a estas falsas impressões, tomamos atitudes drásticas para nos vermos livres dos grilhões da dor que nos sufocam.
Quando chegamos a este estado, o sentimento de inadequação é muito doloroso. Para aquele que o porta, o auxílio vindo somente de si deixa de ser suficiente e há a necessidade de uma ajuda externa para reconquistar o seu equilíbrio emocional. Acredito, piamente, que a associação do entendimento espiritual (seja de qual religião ou postural moral adotada for) com o auxílio profissional (terapias, tratamentos médicos) seja a resposta para um “navegar” a “portos” emocionais mais seguros. Em ambos os casos, tais ajudas levarão ao “solitário” maior capacidade para conhecer a si mesmo e, por consequência, enxergar melhor a realidade que o cerca.
Se alguém que amamos está passando por isso, mesmo que não entendamos o que está acontecendo com ele, não devemos deixar de ajudá-lo. Sem culpá-lo ou criticá-lo, percebamos que cada um de nós é passível de passar por isso em algum momento.
Assim, mais chances aquele com quem nos importamos chegará a sua autodescoberta e mais rápido poderá voltar a sorrir, não mais sentindo-se só.

O que somos perante a nossa (in)utilidade?

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Durante toda a vida, crescemos trilhando o caminho equivocado da busca da nossa utilidade.
E isso se dá porque escutamos os sons da sociedade a nos hipnotizar, dizendo que só teremos o que desejamos, que só merecemos ser felizes se formos produtivos para nós, para a nossa família, para os amigos, para toda a sociedade. Esses sons não estão totalmente errados!
Vivemos toda a vida tentando ser produtivos para atender às nossas (e às dos outros) necessidades exteriores, não parando para nada. E mesmo que pareça um contrassenso ao que já afirmei, não paramos nem para nós mesmos! Esquecemos de nos dedicar ao nosso ser interior, alimentando tão somente com as nossas atitudes às paixões e carências externas que este nosso Eu material exige.
Vocês podem pensar assim: “mas, eu faço muito pelo outro! Isso não é bom?” Claro que é, mas a pergunta certa dentro deste contexto é: “porque eu me dedico tanto a esse alguém?” Se estivermos fazendo isso para que tenhamos um retorno, estamos, inconscientemente, reproduzindo o ciclo da utilidade x inutilidade, porque enxergamos no próximo o ser produtivo que é hoje ou amanhã. E se ele se transformar num inútil? Um exemplo bom é a história de termos filhos para que eles nos amparem amanhã.
Quem gostaria de usufruir de algo que não foi merecedor de conquistar? Estou aqui dando umas risadinhas, porque a resposta da minha mente foi “Muita gente”... Mas, relevando essa nossa tendência (rsrsrs), refaço a minha pergunta: “existe sentimento mais gostoso do que aquele que temos ao usufruir de algo que conquistamos com o nosso próprio esforço?” Realmente, é impagável. Mais ainda quando percebemos que o resultado de nossa construção foi o amor dos que amamos e que eles nos valorizam pelo que somos, não pela nossa utilidade. Mas, como não determinamos nada na vida do outro, só dependerá do outro como agirá conosco no futuro! E a nós, não nos magoarmos ou nos decepcionarmos se esse alguém não agir como gostaríamos.
Ainda, temos a providência divina atuando a nosso favor. Lembremos que recebemos a todo instante do nosso viver a incidência da Lei do Trabalho, natural e divina, que nos move a não nos dominarmos pelas tendências preguiçosas e a nos transformarmos em trabalhadores assíduos para a nossa evolução. Mas, ela não se resume só nisso. Em razão da nossa imaturidade e ignorância espiritual, ainda não entendemos que tudo que é divino (e isso nos inclui) tem sua utilidade. Nós ainda não compreendemos que o trabalho que está descrito nessa lei é mais do que estarmos úteis nas atividades de nosso cotidiano, é também estarmos vivos, interagindo com os nossos sentimentos, desejos e intenções com o próximo, com a vida. Este reflexo na vida do outro, seja ele qual for (bom ou não tão bom), serve de aprendizado para ele (e para nós) e, neste toar, também estaremos trabalhando.
Todavia, no mundo material que vivemos, a verdade é que não dá para sermos produtivos (da forma que entendemos o seu conceito) o tempo inteiro. Teremos um tempo de utilidade e, depois, nos tornaremos “inúteis” para a sociedade, até para a nossa família. Adoeceremos, vez por outra, envelheceremos, se Deus quiser, e já não conseguiremos fazer tudo o que antes era muito fácil fazer. Quando isso acontecer, com a visão que temos da vida, tenderemos a ser os primeiros a nos crucificar, a acreditar que para nada mais servimos e que não temos mais merecimento de continuar vivendo.
Só que nós somos aquilo que construímos a vida toda. Não importa que não sejamos mais “lucrativos”, ainda merecemos o nosso respeito e amor por tudo o que já produzimos, seja no mundo exterior, seja no interior dos nossos e nos demais corações.
Admito, todavia, que, diante da minha pequenez, peço a Deus, todos os dias, que eu possa construir muito amor e respeito nos corações alheios para que, quando eu não puder fazer o que faço hoje, possa ter alguém que aguente a minha “inutilidade” pelo valor que eu tenho em sua vida. Mas também peço que eu não deixe, mesmo só, de ser feliz por enxergar o quanto fui e sou útil somente pelo fato de existir, de me amar.

Quem somos diante de nossa (in)utilidade? Somos aqueles que souberam construir amor.