A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também!

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Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.

No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.

Os tempos são outros

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Estamos em um momento de transição. 

Não estou me referindo ao momento eleitoral, apesar de ser real no nosso país, mas sim da transição planetária. 

Estamos em um momento em que todas as nossas mazelas estão emergindo com as experiências que estamos vivenciando.

A espiritualidade fala abertamente que as nossas máscaras estão caindo. Elas já não se sustentam mais, elas não devem ser mais utilizadas para nos iludir porque os tempos são outros.

NÃO ENTENDERAM, EU EXPLICO

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai aqui um pequeno resumo: nosso planeta é habitado por espíritos imperfeitos, de terceira ordem[1], espíritos que podem ser descritos como propensos ao mal, ignorantes, orgulhosos, egoístas, etc.

Nossos conhecimentos sobre “as coisas do espírito” são limitados e o pouco que sabemos fazemos comparações que, por vezes, nos levam ao equívoco por não termos qualquer noção do que está além de nós, só do que vemos na matéria. Vivemos em um mundo interior de tormentos, porque, pela nossa ausência de entendimento da divina sabedoria, sentimos intensamente e nos revoltamos a cada circunstância que não nos agrada, a cada “injustiça” que pensamos ser alvo.

Em razão desse nosso grau evolutivo, vivemos em um mundo material que nos recepciona e que é descrito, na escala planetária, como de provas e expiações e que, abaixo de nós, somente os planetas primitivos, aqueles que recepcionam as almas humanas que acabaram de nascer. Então, podemos concluir que ainda muito precisaremos caminhar para atingirmos mundos mais evoluídos.

A boa notícia, no entanto, é que estamos saindo desse patamar planetário e estamos entrando em um novo nível, na regeneração. Nosso mundo está evoluindo e precisa que aqueles que nele habitam também cresçam. Não sairemos da escala de espíritos imperfeitos, mas diante do que já aprendemos (o que não é muito) teremos condições de buscar novas forças, repousando das lutas empreendidas, para enfrentarmos nossas novas expiações.

Para tanto, não conseguiríamos permanecer aqui, num planeta que está buscando novas energias, sem desabarem as máscaras que vestimos todos os dias, com as quais buscávamos iludir a quem conosco convive, com as quais buscávamos nos iludir para continuarmos vítimas (e sem responsabilidade) da Soberana Justiça.

O QUE FAZEMOS, ENTÃO?

TEMPO DE ILUDIR X TEMPO DE AGIR

Necessitamos saber quem somos. Necessitamos nos enxergar, doa a quem doer. Foi por isso que viemos nesta fase de transição e é por isso que tudo o que vemos está acontecendo agora.
Todas as experiências que vivemos, da mais simplória circunstância à mais complexa, nos levam a enxergar quem somos. E sabendo quem somos, podemos fazer nossa escolha futura.

Pensem comigo: se temos segurança financeira, social e ideológica, nada nos levará a agir ou reagir com o que há de primitivo em nós. Nada nos incitará a trazermos à tona nossos instintos de sobrevivência, nossas reações egoístas e violentas. Mostrar-nos-emos sempre civilizados.

Para que fique palpável o que afirmo, pensemos no caso global dos refugiados (da Síria, Afeganistão, Somália, Venezuela...). São milhões de refugiados que fogem de seus países de origem em razão de perseguições políticas, de raça, de religião, necessitando do abrigo dos países que estão mais próximos e, principalmente, necessitando que os que os abrigarem os vejam como seres humanos.

Não afirmo ser errado um país temer receber um contingente enorme de pessoas que, por vezes, é até maior que o seu próprio número de cidadãos, mas, isso só acontece porque o mundo se faz cego diante da necessidade dos que sofrem. Afirma-se que não é problema nosso uma guerra, uma chacina no país vizinho e, quando somos pegos de surpresa com a imigração dos que fogem, não temos (como mundo) um planejamento de contingência para colocarmos em prática.

Mas, verdadeiramente, o que quero chamar a atenção de vocês nessa questão é (não passem adiante sem responder as perguntas):  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema é do outro (de outro país, por exemplo)? Julgamo-lo por fechar suas fronteiras?  
  • O que pensamos e como agimos quando o problema chega em nossas mãos? Queremos abrir as nossas fronteiras para eles?
 Conseguiram responder?

Quais foram os sentimentos que brotaram em seus corações? 
  • Medo, temor deste acolhimento trazer prejuízos ao conforto que todos usufruem? 
  • Medo, temor deles preencherem os empregos que já são tão poucos?
  • Medo, temor do aumento da violência e pobreza que vem com a falta de infraestrutura para toda essa gente? 
  • Medo, temor de suas crenças tão diferentes das que possuem?
Mas, será que somos somente “trevas”? 
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam mesmo que se lhes impunha algumas condições?
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam seja qual for o resultado que isso acarrete na nossa vida, na de nossos amores, ou em nosso país?
 Qualquer que seja aquele(s) com o qual(is) nos identificamos somos nós! Esse ser que emergiu dos recôncavos de nosso mundo interior é quem estamos e que, sem um impulsionamento externo, não o flagraríamos. Esse ser que precisa ser elogiado ou lapidado com carinho e dedicação.

Não se iludam achando que, neste período, precisamos descobrir somente as nossas mazelas internas. Muitas vezes, precisamos enxergar o quanto crescemos, o quanto estamos melhores para nos sentirmos merecedores de permanecer neste planeta de regeneração.

Abramos os nossos olhos. Não queiramos esconder de nós mesmos quem ainda somos, porque não conseguiremos enganar a Supremacia Divina que sabe o que é melhor para nós.

Acreditem que estarmos em um mundo onde não nos enquadramos seria ruim. O ambiente nos incomodaria, as pessoas nos incomodariam, as nossas imperfeições nos dilacerariam interiormente, nos trazendo muito sofrimento.

A boa notícia é que, se estamos aqui, ainda muito poderemos fazer para nos melhorar. Se estamos aqui é porque a Suprema Providência entende que temos os instrumentos para darmos a volta por cima porque, como foi dito acima, quem permanecerá aqui ainda é um espírito imperfeito, mas esse desejará mudança, esse terá em seu ser a vontade de valorizar suas vitórias, superar suas “chagas interiores” e seguir em frente,  junto com toda a humanidade.

Os tempos são outros, mas nós estamos aqui. Façamos parte "destes tempos" com consciência.





[1] In “O Livro dos Espíritos”, p. 73, Ed Petit, 1999.

A intolerância que eu desconhecia em mim

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Mais uma vez, percebemos como a vida é sábia.

Somente quando somos testados pelas alegrias e adversidades, somente quando os nossos interesses são glorificados ou colocados em “perigo” é que deixamos emergir para a superfície de nossas ações aquilo que ainda trazemos em nossos corações, aquilo que ainda nos acompanha como parte de nossa essência.

Enquanto vivemos uma existência sem tormentos, enquanto vivenciamos um mar de tranquilidade antes as circunstâncias que nos rodeiam, não temos noção das mazelas que carregamos nas profundezas de nossa alma, tampouco a nossa capacidade de fazer o bem.

Mas, não é para isso que viemos aqui neste planeta escola? Não é para nos conhecermos e nos lapidarmos, para nos conhecermos e nos aprimorarmos?

A espiritualidade há muito tem nos avisado que passaríamos por momentos de aprendizado; que deveríamos nos preparar para enfrentar os nossos temores mais íntimos; que também nos escandalizaríamos com as nossas boas e não tão boas ações e pensamentos, porque as máscaras iriam cair e que nos enxergaríamos por inteiro.

O momento chegou. O momento de turbulência está aí para quem quiser admitir!

O nosso povo está dividido, realmente, dividido. Uns mais exaltados, outros mais comedidos, mas o que conta é o que flagramos em nossos corações.

Pense com honestidade, sem buscar justificativas: o que está acontecendo aí dentro do seu Eu? Quais os sentimentos que estão borbulhando, que estão se fazendo presentes a cada experiência boa e não tão boa que vivencia? Elas o incomodam? Se sim, o que fará a respeito?

Percebo muitas em mim! Me surpreendo com algumas que antes eu mesma afirmava (ou até condenava) ser inconcebível para um ser cristão! Elas estão aqui e o que faço? Tenho de me envergonhar por tê-las? Não.

Como não?

Não tenho de me envergonhar porque elas são aquilo que estou, mas não significa que eu as aceitarei em meu ser. Se eu as estou abominando em mim, posso simplesmente trabalhá-las pacificamente para transmutá-las. Diante de tantas lutas externas que assolam o nosso país, não preciso criar outra batalha dentro de mim para me lapidar. Posso fazer isso no silêncio de minha vontade, na minha vontade de querer mudar.

Mas, além das circunstâncias, o que fez ressurgir e alimentar tais sentimentos em cada um de nós?

Eu acredito que o maior impulsionador de nossos sentimentos exacerbados é o nosso medo!

Estamos com medo! Medo desta instabilidade, medo da violência, medo do nosso presente, medo de vermos que, efetivamente, a nossa vida está na mão de outras pessoas que poderão, através de suas concepções (diferentes das nossas), moldar um futuro que nos parece aterrorizador. O brasileiro tomou consciência de seu papel como cidadão e que a escolha do coletivo fará diferença para a condução de sua vida.

O engraçado é que esse papel nunca fugiu deste contexto. Pela nossa ignorância cívica, não dávamos o devido valor ao nosso voto e, por isso, sempre estivemos à mercê de qualquer decisão mal direcionada de nossos governantes, podendo-nos trazer o caos e a decadência. Somos parte da mesma moeda, onde um for, o outro lado vai também!

No entanto, somente agora, ante as adversidades vivenciadas pela nação, o povo aprendeu que não podemos nos alienar ou nos isentar de nossas responsabilidades.

Percebam que, em nenhum momento, estou apontando quem está certo ou errado. Estou, ao contrário, me referindo a todos os brasileiros, sem exceção, que, em razão de tantas dificuldades, temem por um futuro sombrio e, por isso, usam da intolerância como um escudo de proteção.

O medo nos afasta de quem pode nos ajudar. O medo nos leva a acreditar que o caos impera. O medo nos leva a agir com violência verbal ou física contra aqueles que acreditamos que concretizarão o que mais tememos. O medo nos faz enxergar um inimigo a cada esquina.

Voltemo-nos para o Cristo. Voltemo-nos para quem realmente nos ampara a cada momento e ajamos conforme Ele ensinou[1]:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.”

Nesta passagem bíblica, Ele nos dizia que precisamos fazer a nossa parte. Não podemos cruzar os braços, mas, agirmos sim, seguindo os Seus ensinamentos no império da paz, do consolo e da compreensão.

Voltemo-nos para o nosso Ser. Busquemos compreender o medo que nos assola para que a nossa fé seja mais forte do que ele. Abandonemos a intolerância e façamos as pazes com os que pensam diferentes de nós, porque a intenção deles não é o nosso prejuízo, mas sim concretizar o que entendem ser o certo e impedir que vivenciemos as dificuldades que eles enxergam para o futuro de todos.

Assim, com esse novo entendimento, mataremos de fome o medo que nos inunda e incomoda e fortaleceremos a nossa fé na Providência Divina que nos fará compreender que, se todos estão fazendo a sua parte, não importa quem chegará no Podium, nada fugirá ao que o nosso povo, agora, necessita para o seu aprendizado coletivo.  



[1] Matheus, 7:7-8

As adversidades nos mostrando quem somos

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Engraçado como a vida é vista por nós. Ela pode nos incomodar sobremaneira quando vivenciamos os percalços da vida, ou pode ser o precioso diamante que não desejaremos vender jamais apesar dessas mesmas adversidades. 

O que faz com que ela seja assim aos nossos olhos? Penso que a resposta está exatamente aí: nos nossos “olhos”!

A vida será exatamente aquilo que enxergarmos, como uma conquista de nosso esforço e entendimento. Poderemos vê-la como uma benção ou como uma provação intransponível se ainda não compreendemos que podemos enxergá-la além das próprias provas.

Claro que (podemos pensar), se já estamos conseguindo ver, apesar dos percalços, que a vida é boa, então, parece-nos que já não precisamos nos preocupar tanto, que já estamos crescendo. É verdade, mas pode não ser na proporção que estamos imaginando!

Para que tenhamos a certeza dessa conquista evolutiva, a vida precisa nos abrir a visão para que não nos iludamos conosco. Ela nos trará adversidades das mais necessárias, das mais sábias... aquelas que tocam nas nossas feridas que ainda estão por cicatrizar, para que não as esqueçamos de tratar e não deixemos de progredir em nossa caminhada, deixando resquícios para trás.

Explico melhor: se, em razão das experiências que estou tendo, acredito falsamente na depuração de minha alma, precisarei “daquela” experiência para que me veja como realmente sou. Então, por exemplo, percebo que estou muito paciente no meu trabalho. Para tudo o que vivencio lá, nada está me tirando do sério. Concluo, por consequência, que já compreendi a preciosidade das relações para com o próximo.

Mas, se essa não é a verdade ainda do meu Ser, a providência divina agirá para que eu possa me curar da miopia a que estou acometida.

Pelo curso do rio de nossa existência, seremos levados a vivenciar experiências que ainda não compreendemos, não suportamos enfrentá-las, para que percebamos que algumas situações do cotidiano não mais nos tirarão do sério, porém, ainda há muito a ser aprendido.

As adversidades são instrumentos maravilhosos de nossa lapidação interior, se, claro, desejarmos enxergá-las como tal. Somente quando começamos a entender a presença constante de Deus em tudo o que vivemos, em tudo o que está ao nosso redor, começaremos (só começaremos!) a não mais nos revoltarmos com tais experiências.

O normal é, quando nos vemos diante de algo que tememos, reagimos. E nossa reação imediata será com base no que realmente somos. Não há como ser diferente. No entanto, a partir desta reação instantânea, poderemos nos frear, raciocinar e não desejar seguir agindo com as mazelas do passado. Aí está o “espelho” que reflete quem somos. Estão aí os “óculos” que nos auxiliam a enxergar a nossa construção íntima, apesar da miopia que nos compromete a visão.

Da mesma forma que a criança não compreende o quanto é importante a vacinação para o seu futuro e suplica para os seus pais que não a deixem passar por aquele sofrimento, nós também agimos assim diante da agulha da experiência dolorosa, suplicando ao Pai que nos afaste daquele cálice. Mas, ao crescer, aquela criança percebe o amor maior de seus pais por ela, porque compreende o que seria de sua vida sem a imunidade que a vacina lhe trouxe. É assim que percebemos o amor maior de Deus por nós, porque compreendemos o que seria de nossa existência vivenciando e colhendo o que a nossa ignorância moral planta a cada experiência.

Por isso, não deixemos de valorizar quaisquer circunstâncias que nos chegam, porque estarão elas eivadas da sabedoria divina a nos ensinar o que precisamos deixar para trás e alimentar o que realmente importa para a nossa vivência nos patamares mais altos de nossa escala evolutiva.


Estamos vivenciando um guerra velada

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Vemos grupos de pessoas brigando entre si sobre questões de ordem psíquica, emocional e familiar, levando uma boa parte de nossa sociedade a se manifestar de uma forma descontente, frustrada, irritada.
Existe uma onda, onde alguns, para não perderem o pequeno espaço que já conquistaram, estão mais atuantes em defender aquilo que acreditam. Fazem barulho, expõem suas ideias, chamam a atenção para as suas verdades, criam circunstâncias que escandalizam, trazem desconforto ou, ao contrário, dão condições de novos entendimentos aos nunca tinham sido colocados frente àquelas novas concepções. Outros, por serem contrários, lutam pelas suas convicções e valores, não querendo que essa onda os afogue, temendo o que não conhecem ou vislumbrando as consequências de adotá-las. Infelizmente, nenhum dos lados está a salvo das revoltas e indignações produzidas pelas ponderações trazidas pelo seu oposto.
Tentando analisar com brandura e raciocínio, venho tentando ouvir e ver o que está acontecendo ao meu redor, mas admito que estou me sentindo “afogar” vez por outra.
Influenciando essa batalha, temos os meios de comunicação, que, infelizmente, trazem as notícias, espelham em suas novelas, tudo o que está negativo em nosso país: corrupção, violência, descaso aos valores familiares, etc.

Tudo isso nos faz chegar ao final do dia com a impressão de que nada está bem, mas isso não é verdade!
Afirmo isso porque, o que generalizam como se fosse a característica de nosso povo, não nos resume. O que vemos alguns fazerem tão gravemente, não pode ser espelhado aos milhões de brasileiros. A maioria de nós se importa com o futuro de nosso país e usa das armas que tem, como votar com mais consciência e continuar trabalhando, esperançosa que mudanças aconteçam. Muitos estrangeiros afirmam não entender como podemos ser tão mansos e pacíficos diante dos últimos acontecimentos. Eu diria que somos assim (!), talvez “por enquanto”, talvez “isso nunca mude”, mas digo que é melhor do que pegarmos em armas e resolvermos pela força e pela violência. Será que reagimos assim por sermos o país que é considerado o “coração” do mundo, a pátria do evangelho[1]? Saímos da ditadura militar sem uma guerra civil. Não acham que, em razão de nossa postura “pacífica”, não recebemos o auxílio divino para que as etapas de nosso aprendizado surjam? Fica aí a minha suspeita para vocês pensarem.
A decência de nosso povo não se resume ao samba nem na alegria de viver, mas de sabermos que somos capazes de, mesmo pobres, devolvermos bolsas de dinheiro perdidas aos seus verdadeiros donos; de termos ONGs, templos religiosos e trabalhadores voluntários que se dedicam efetivamente a auxiliar os mais necessitados; de vermos bons policiais que arriscam, todo dia a sua vida, recebendo um salário minguado, para fazer o seu trabalho por convicção de que eles podem fazer a diferença em um país ainda violento; por termos médicos que, mesmo em hospitais sem condições mínimas de trabalho, ainda se esforçam para salvar vidas e dar dignidade àqueles que os procuram; de vermos trabalhadores honestos diariamente superando longas distâncias para serem úteis e merecerem a sua remuneração no final do mês...
Vocês poderiam dizer que nem todos são assim ou que “os países mais avançados também fazem isso”, como se isso fosse desmantelar os meus argumentos. Mas, ao contrário, só me dá a certeza que estamos no caminho certo. Aqueles que não fazem têm o exemplo daqueles que fazem para aprender a fazer diferente, essa é a proposta da lei divina que nos rege.
Como eu estava dizendo, muitos são os bons exemplos, mas estes não são divulgados. E por que não? Porque afirmam os meios de comunicação que não é assunto que interessa ao público. Será mesmo? Quantos de nós já manifestam a insatisfação de deixarmos entrar em nossos lares o “lixo” produzido por essas programações?
Se não buscarmos querer enxergar aquilo que está ao nosso redor “com os nossos próprios olhos” (e não com os da mídia), essa onda que está nos levando de um lado para o outro, sem boia e sem leme, nos influenciará de tal forma que acabará com a nossa autoestima, com os nossos valores familiares e morais, com o nosso orgulho de sermos brasileiros... e aí, o que sobrará?
Hoje, estamos vivenciando uma verdadeira guerra velada dentro de nossa sociedade. Mas, essa guerra pode deixar de sê-lo se defendermos os nossos valores sem raiva e indignação, porque deixaremos de ver quem pensa diferente de nós como inimigo e poderemos achar um porto seguro, onde todos poderão repousar, não tendo que “aniquilar” ninguém, mas sim compreender as diferenças pelo diálogo e respeito.





[1] Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos).

Apoderar-se de si mesmo, uma luta que pode ser exaustiva

11:20 4 Comments A+ a-

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Viver! Ato de respirar e acreditar que podemos raciocinar sobre tudo o que está ao nosso redor. Afinal, somos seres pensantes, não somos?

Esse conceito que trouxe é o mais comum entre as pessoas que estão “existindo”, mas não vivenciando a sua vida. E não podemos nos iludir e achar que são os outros os que existem sem perceber-se, porque nós também fazemos isso.

Tive uma experiência que me mostrou o quanto a gente se desconhece na intensidade de nossas emoções. Tive um dissabor que me fez ver quantos recantos existem em mim que ainda não os tinha explorado devidamente. Acreditando me conhecer, fiquei surpresa com a intensidade das emoções e sentimentos que emergiram de um desses refúgios de minha alma ainda em crescimento.

Parando para tentar me harmonizar, pude flagrar qual seria o sentimento que servia de trampolim para o meu desequilíbrio emocional, mas, mesmo o flagrando, precisei de tempo para enfrentá-lo e, por fim, compreendê-lo.

Somos humanos e, mesmo estando em nosso mundo interior, lutamos com garra para superarmos tudo o que já construímos lá dentro tendo como alicerce a nossa ignorância de milênios.

Eram tantos pensamentos e emoções que me sufocavam e atrapalhavam o meu raciocínio que me sentia incapaz de colocar tudo em ordem sozinha.

Precisei de tempo e de amigos para me escutarem, porque, falando, eu também me ouvia e raciocinava a tempestade que se avolumava em mim. Por isso, falar com alguém em quem confiamos nos ajuda, pois somos obrigados a organizar o pensamento para que o outro possa compreender a nossa fala e a escutarmos os seus conselhos. E, como tudo na vida é perfeito, se estivermos atentos ao que sai de nossa boca ou passa pelo nosso campo mental, poderemos flagrar muitos terrenos inférteis a serem trabalhados porque o nosso subconsciente aproveita esses momentos e exterioriza algo mais sobre nós mesmos.

Pensem vocês em um barco pequeno, em pleno oceano, enfrentando um temporal cataclísmico (dramático, não é?). Era assim que eu estava me sentindo. Enfrentando o temporal, não vemos com clareza, nos sentimos abandonados naquele mar revolto. Mas, seremos obrigados a respirar em algum momento, e quando conseguirmos fazer isso, perceberemos que temos todos os instrumentos para nos salvar: o barquinho, que somos nós e os remos, que são o nosso querer.

Eu quis melhorar, eu quis enxergar a situação de uma forma mais positiva, eu quis buscar o consolo nas minhas crenças cristãs, aceitando que tudo está para o meu crescer e que nada é injusto, só ajustável às minhas necessidades de criança em evolução.

O temporal se amenizou. Não foi rápido! Passei todo o dia naquele barquinho, remando até chegar a alguma ilha. Precisei dormir e acordar, acreditando que era um novo dia e que mais outras provas viriam para que eu me reconhecesse, para que eu recordasse que tais provas eram o significado de que a vida estava me dizendo que eu era capaz! Precisei agradecer a Deus!

Com Ele, apoderei-me de novo do meu ser, mesmo ainda sentindo os resquícios dessa luta: um coração mais sobressaltado, um vestígio no peito das energias de angústia e incapacitação que me deixei dominar no dia anterior, mas estava bem mais forte e corajosa para continuar navegando em busca do crescimento e evolução de minha alma.

A boa notícia é que, apesar de ainda cair nessas tempestades, hoje, já me vejo fora de muitas batalhas, porque antes lutei nelas com afinco, mas somente as venci quando simplesmente me permiti compreendê-las no contexto do meu viver.  Percebo, mais do que nunca, que a paz ainda é a resposta para as nossas “lutas” internas e será nela que a compreensão se fará em nosso coração.

Apoderemo-nos de nós, enfrentando os nossos medos e ignorância com a espada da compreensão e com o escudo do entendimento sem temermos a nossa queda, porque “do chão não passaremos” e sozinhos não estaremos.

O sofrimento silencioso

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Estamos vivenciando um momento em que vemos muitas pessoas buscando no suicídio a cura para as suas dores.

Estaria mentindo se disse que consigo imaginar o que sentem essas pessoas que, em razão de sua dor, chegam ao ponto de infringir uma das leis divinas mais perfeitas que é a Lei da Conservação. Como somos seres de outra localidade (plano espiritual), e para não desejarmos voltar à nossa origem antes do tempo, a cada existência terrena nos é imputada a vontade quase intransponível de nos manter aqui para vivenciarmos os momentos de alegria e de dor sem desejarmos fugir de nossa própria regeneração.

Estamos a séculos vindo e indo, repetindo os mesmos equívocos, buscando o nosso aprimoramento, caindo e levantando, nos melhorando pouco a pouco apesar de nossa teimosia em acreditar que a vida a ser valorizada é a material e não a espiritual.

Mas, estamos evoluindo. E como estamos enfrentando uma fase de mudança do estágio evolutivo planetário, para aqui ficarmos, precisaremos nos deparar conosco sem máscaras, sem véus. Assim, todos que para cá vieram (e ainda vem) reencarnados, estão preparados para se enfrentar ou enfrentar as experiências que nos farão enxergar quem somos, não significando dizer, todavia, que gostaremos do que veremos, ou que aceitaremos quem somos sem lutas íntimas.

Assim, sem fazer qualquer julgamento a quem quer que seja, percebo que, por nos vermos tão enfraquecidos em nossos valores íntimos, por não valorizarmos quem somos, não nos sentimos fortalecidos para enfrentarmos algumas experiências que, pela misericórdia divina, estaríamos à altura de vivenciá-las e, portanto, de alcançarmos o aprendizado merecido.

Por tal incapacidade, muitas vezes sem percebermos, buscamos um dos caminhos mais difíceis de trilhar, mas que, por nossa ignorância, nos parece o único apropriado: o de interromper a dor pela ausência da vida que acreditamos estar alimentando essa mesma dor.

Precisamos voltar a nos importar! Precisamos estar atentos às mudanças de atitude daqueles que estão ao nosso redor, precisamos estar atentos às nossas próprias mudanças internas!... porque podemos ser nós, daqui a um tempo, entristecidos profundamente por uma dor vivenciada, a nos afundar na lama da desesperança e não conseguirmos sair dela.

Se não voltarmos o nosso coração e mente para esta vida encarnada;
Se não voltamos a nossa atenção para a vida real, fora das redes sociais, fora da internet, fora da ilusão de que “todos têm uma vida melhor do que a minha”;
Se não valorizarmos cada experiência como uma benção divina a nos ensinar e nos fortalecer diante das adversidades;
Se não abraçarmos, com fé, a crença de que Deus é Misericordioso e Bom e que não agiria com menos amor do que um filho Seu que, diante de um filho da carne, só quer o melhor para ele;
Não conseguiremos perceber os dramas que nos rodeiam e, não chegaremos a tempo de socorrer a quem amamos ou, até pior, nos impedir de ir pelo mesmo caminho.

O problema é que, na grande maioria, essa dor é silenciosa. Ela vai preenchendo o nosso ser, sem nos apercebermos. Vamos desconsiderando os parcos avisos que a nossa consciência nos permite flagrar, achando que o que sentimos é simples, drama ou bobagem, e que as pessoas não nos escutarão porque veriam essa mesma dor como frescura. Sem sabermos, estamos alimentando uma doença que após alojada é difícil combater!

Percebo que tudo o que os nossos irmãos desalentados pela dor precisam é de alguém que possa mostrar-lhes um outro caminho, porque eles não estão mais aptos para achá-lo. Eles não precisam de julgamento, eles não precisam de nossa piedade, eles precisam de nosso consolo e atenção.

Que sejamos nós a ouvir e acalentar o nosso próximo. Que sejamos nós a indicar um caminho de amor e esperança[1] para que as cores da vida voltem a fazer parte da vida deste nosso irmão. Que não desistamos jamais de socorrer mesmo aqueles que parecem não querer o auxílio. É uma vida que precisa ser defendida!

Usemos de tantas horas quantas forem necessárias para o auxílio deste irmão, da mesma forma que gostaríamos que gastassem conosco no momento de nosso maior desespero.

Sem buscar nas crenças espíritas cristãs que me alimentam a alma, façamos isso, pura e simplesmente, porque precisamos uns dos outros.

O nosso silêncio ou o de nosso irmão pode ser o sinal de que precisamos nos movimentar urgentemente para a mudança deste caminho para a escuridão.



[1] Essa ajuda, dependendo do grau da dor de nosso irmão, precisa ser associada ao auxílio de um profissional que saberá desenrolar os fios embolados que embaçam a visão de um futuro melhor.

A vida nos mostrando quem somos

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Engraçado como a vida funciona. A todo tempo, ela nos traz experiências que nos fazem reagir.

Essa reação pode ser intensa ou não, segundo o quão profundo tal experiência nos atinge. Mas, o que é ser atingido por ela? Fácil. Quais foram as circunstâncias que mais marcaram vocês? Sei que a maioria está pensando naquelas que foram extremamente negativas, mas não são somente elas que nos impressionam. Quem não se lembra do colo amoroso de nossas mães? Quem não se lembra do sorriso de um amigo ao nosso lado? Ou da voz de nossos amores ao telefone? Quem não se lembra, simplesmente, de um dia de chuva onde brincamos nela e, encharcados e felizes, voltamos para casa?

Todos esses momentos nos marcaram por um motivo muito pessoal, mas que podemos generalizar afirmando que, em cada um deles, algo foi aprendido. Por exemplo, que podemos agir com carinho quando alguém precisar de nós; que podemos fazer diferença na vida de alguém pelo simples fato de estarmos presentes ou nos fazermos presentes; que, na simplicidade do que a vida nos oferece, podemos ser felizes...

Para cada uma dessas experiências, há um grande aprendizado que pode ser absorvido por nós, se estivermos atentos a ele. Quanto mais abertos aos ensinamentos existentes nas entrelinhas das experiências ofertadas mais rápido nos damos condições de subirmos nos degraus de nossa escala evolutiva.

Mas, o ponto crucial é que cada uma dessas circunstâncias nos trarão o olhar mais cristalino de quem estamos hoje! As nossas reações são um reflexo da pessoa que ainda somos, bem como da pessoa que queremos nos tornar.

Cada experiência coloca à prova o nosso ser interno que está atento a tudo ao seu redor e que reage imediatamente ao ser estimulado. Não é difícil vocês entenderem o que eu quero dizer. Vamos lembrar de uma situação corriqueira que acontece com um amigo e que ele sempre se indigna ou se revolta. Você, que está fora das consequências daquela experiência, dá a ele os melhores conselhos, dizendo que ele precisa ter mais paciência, por exemplo. Mas, você não percebe que, em algumas situações corriqueiras da sua existência, você age da mesma maneira, sem ter paciência para aguardar os melhores resultados. Situações diferentes, mas semelhantes na postura, que nos mostram que já temos conhecimento de como agir, mas que ainda estamos absorvendo os detalhes importantes para melhor aplicá-los no nosso viver.

A vida nos traz as melhores experiências, aquelas que nos impulsionam a nos mostrar sem máscaras. Assim, podemos nos dar a chance de perceber o que precisamos ainda aprimorar em nosso ser, fazendo diferente a partir desta percepção.

Fato é que ela (a vida), ao nos colocar à prova, está nos dizendo que já portamos algum entendimento que só precisa ser aprimorado, passo a passo, em direção às verdades perfeitas e imutáveis que nos regem.

Quem a vida nos mostra que somos? Seres em evolução que, pelos percalços de nossa ignorância, não desejamos nos enxergar. A sabedoria divina, no entanto, nos levará a nos depararmos com as experiências que nos farão reagir como realmente somos e, não havendo mais o véu que tentamos sustentar, só teremos uma postura a seguir: aprimorarmo-nos para um melhor viver.

Quem ocupa o primeiro lugar na sua vida?

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Muitos têm problema em responder essa pergunta porque ela nos coloca filosoficamente à prova. Somos, por toda a nossa vida, educados a buscar colocar o outro como o principal alvo de nossa atenção: filhos, marido ou esposa, pais, amigos... porque se assim não agirmos, estaremos sendo egoístas, não estaremos sendo verdadeiros cristãos.

Porém, o tempo passa e nós amadurecemos e percebemos que aquilo que pensávamos estar correto, pode não ser bem a verdade a ser mantida.

Jesus não nos disse que deveríamos colocar o outro em primeiro lugar, Ele nos disse: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Isso significa que não devemos deixar de amar o outro, mas que não o faríamos mais do que a nós mesmos.

Isso não é egoísmo, isso é amor-próprio. Isso é entendermos que não conseguiremos dar ao outro o que não possuímos, porque vai contra a lei divina: só podemos dispor daquilo que temos ou somos.

No patamar evolutivo que estamos, quando vemos pessoas se “anulando” completamente em prol de alguém, e aplaudimos, valorizando sobremaneira a sua atitude, estamos incentivando-a a fazer algo que não é benéfico nem para ela nem para aquele que é o seu alvo de amor.

Normalmente, em contrapartida por tudo o que faz, este alguém deposita todas as suas expectativas no outro, querendo que ele lhe seja grato eternamente. “Abdica de si” esperando que o ser amado faça por ele, o que ele não fez por si mesmo. Daí é que acontecem os desapontamentos, as expectativas maiores do que o outro consegue lidar e o círculo vicioso se instala.

Assim, aquela mãe que faz tudo pelo seu filho, esquecendo-se de suas próprias necessidades, desejará, no seu íntimo, que ele supra aquilo que ela não está podendo fazer para si mesma. O filho não conseguirá atendê-la e as cobranças se iniciam, muitas vezes, sem ela mesma perceber, porque cobra sem saber o que ela deseja dele e ele, tampouco, saberá o que ela precisa.

Vocês podem se perguntar: mas Jesus, que é o exemplo a ser seguido, não fez isso? Não se sacrificou por todos nós, sem pensar em si mesmo? Minha resposta é simples: Ele, em nenhum momento, deixou de amar a Si mesmo e jamais abriu mão de Seu ser por nós. No “sacrifício” que fez, não abriu mão de quem Ele era, porque Ele sabe amar.

Jesus nos proporcionou uma lição de amor e devotamento às verdades que trazia em Seu peito e, nessas verdades, nós estávamos incluídos. Jesus viveu para cumprir a missão que se propôs e não abriu não dela, amando-nos sem cobranças. Como um pai que coloca a sua vida em risco por um filho em perigo, sem exigências e preocupações, Jesus fez o mesmo por nós. Isso é amor e devotamento. Não é deixar de se amar pelo outro, é amar o outro como nos amamos.  

Confundimos tais sentimentos e invadimos a vida do outro, porque ainda não compreendemos que a dor é útil, nos fortalece e nos amadurece para o nosso trilhar evolutivo. Por não gostarmos de sofrer, queremos abraçar as dores de nossos amores para poupá-los do sofrimento, mas, esquecemos de que somos quem somos pela somatória de todas as experiências vivenciadas. Jesus era quem era pelo mesmo motivo.

Estamos crescendo e percebendo que precisamos nos amar conscientemente. E se este amar significa vez por outra auxiliarmos quem amamos em sua trajetória, tudo bem. Mas, não os deixar viver por temermos que eles se forjem nas labaredas da dor que edifica a sua alma, estaremos errando duplamente, conosco e com eles.  



Medo: freio ou impulsionador?

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Todos somos portadores de muitos medos. Pequenos, médios, grandes ou enormes, eles nos preenchem quando algumas circunstâncias se fazem presentes em nossas vidas.
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O medo é uma reação natural e, em razão disso, já podemos analisar a sua importância para nós. Ai de nós se não tivéssemos medo! Ai de nós, que já não temos juízo suficiente, se não tivéssemos esse freio natural para a nossa subsistência!
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O medo é importante porque ele nos freia em determinadas circunstâncias e nos dá o tempo devido para pensarmos sobre qual seria a melhor solução ou caminho para chegarmos ao que desejamos. Ele também nos impulsiona, porque nos faz correr, nos afastar daquilo que não seria seguro à nossa preservação emocional e física.
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Mas, da mesma forma que afirmo que é um elemento íntimo e natural em nós, podemos deturpá-lo e é quando o deturpamos que ele começa a nos prejudicar.
Podemos exasperá-lo a um nível tal que “ele”[1] pode nos impedir de caminhar; nos impedir de irmos além do nosso “limite”; nos impulsionar para longe de nossos propósitos mais nobres, quando acreditamos que arriscaremos algo que tememos perder.
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Temos a capacidade de nos superar dia a dia, porque dia a dia somos uma pessoa nova, somos um novo dínamo para novas experiências. Mas, acreditando que um limite nos é traçado, tememos ir além dele, nos limitando efetivamente em nosso crescer. Esse medo emocional nos é extremamente restritivo.
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Cada um de nós pode pensar em alguém que se “arriscou” demais... por “confiar” demais... e acabou tendo resultados que não desejou para sua vida. E é isso que nos motiva a não abusar, a não arriscar demais, porque não queremos sofrer como ele.
Para esse alguém que confia cegamente em sua capacidade e almeja um resultado que não atinge, ou atinge outros resultados indesejados, ele simplesmente estará colhendo uma consequência de todas as suas plantações, que, no conjunto, será muito útil e digo até necessária para o seu crescer. Pelo agir, ele está arriscando alcançar os seus sonhos.
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Agindo ou não agindo, os resultados virão, mas pela nossa omissão, nos arriscamos a jamais atingir a solução tão sonhada. É a história daquele que sonha em ganhar na loteria, mas jamais joga!
Se agimos sem nos responsabilizarmos pelas nossas ações, é natural acontecer um resultado inesperado. Se agimos com um planejamento, estaremos arriscando um resultado mais direcionado, mas ainda assim não significa que obteremos o resultado desejado. Isso fará parte de nossas conquistas, do nosso aprendizado. Isso é a vida em toda a sua essência.
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A verdade é que precisamos nos conscientizar que, quando não tivermos preparados para nos “superar”, a vida nos impedirá carinhosa e misericordiosamente de ir além. Quando não pudermos seguir por algum caminho que nos será efetivamente “prejudicial”, a nossa própria ignorância não nos mostrará tal possibilidade. Quando “enxergamos” alguma coisa, ela está no campo do realizável para nós, então, seremos capazes de analisar a situação e nos responsabilizarmos por suas consequências. Essa é a lei. Cada um colherá aquilo que está plantando, esse é o aprendizado.
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O medo, na sua dose certa de sabedoria, é um instrumento valoroso de proteção e amparo, mas também de crescimento e evolução. Ele nos impele a agir instintivamente quando em situações de perigo; nos possibilita raciocinar as circunstâncias estressantes que vivemos, no átomo de segundo que nos freia; e nos impulsiona para seguirmos em frente quando o que parece estar “atrás” de nós nos é prejudicial ou já não nos é mais útil ou necessário para continuarmos semeando.
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O que nos falta é compreendermos que o medo, originário de nossa criação, não precisa ser alimentado, mas sim, raciocinado e compreendido para o aplicarmos na sua dosagem certa a cada circunstância. Não devemos alimentá-lo, para que não nos sufoque, mas sim, compreendê-lo, moldando-o, para que nos impulsione a agirmos com responsabilidade e sabedoria.
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Assim, o medo é um freio, mas também é um impulsionador valoroso para o nosso viver.



[1] “Ele” significa: nós nos impedirmos, tendo o medo como instrumento impedidor.

O que precisamos para sermos felizes?

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Eu acredito que não é tolice gastar uma ou duas páginas escrevendo sobre esse tema, porque, hoje, a maioria de nós não sabe a sua própria receita para ser feliz. A maioria de nós está usando a receita alheia para buscar alcançar uma felicidade que, a cada dia, percebemos que é efêmera e não se sustentará como meio eficaz para permanecermos felizes quando a alcançarmos... logo, logo, estaremos buscando outro meio para sentirmo-nos bem.
Por isso, faça essa pergunta para você e, agindo, aguarde o tempo necessário para ouvir ou enxergar a resposta da vida.
Eu comecei lá no início deste artigo dizendo que não sabemos qual a nossa própria receita para sermos felizes e, se assim é, está na hora de procurarmos descobrir. Esta receita é particular, subjetiva, mas também é baseada em uma base coletiva que poderá ser colocada aqui.
Há dois mil anos, Jesus dizia que não veio modificar as leis e os profetas, mas dar-lhes cumprimento naquilo que é e que foi trazido. Ele veio nos descortinar a lei maior e que deveria estar em nossos corações e na prática de nossas escolhas: “Amar a Deus sobre todas as pessoas, seres ou coisas e ao seu próximo, como a ti mesmo”. Ele estava nos dando a receita para a nossa felicidade infinita. Ela nos traz uma regra de comportamento que adentrará em nosso ser tão profundamente que não deixará espaço para tristezas ou desilusões.
“Amar a Deus sobre tudo e todos” é entender que somos eternamente amados; que a nossa criação teve um propósito; e que Ele, que É Tudo e sabe Tudo, não errou conosco.
“Amar ao próximo como a nós mesmos”, é compreendermos que podemos dar tudo ao outro, porque não sairemos perdendo em nada. Esse tudo é o que já podemos repartir, pois, antes de dar, tivemos de acolher em nós mesmos o que construímos, para conseguirmos repartir o que é verdadeiramente nosso.
Se não tivermos essa compreensão, continuaremos sentindo que nada nos pertence, que não adianta repartirmos o que pouco parece que temos e que Deus não se importa nada conosco. Nossa felicidade não será completa, não porque não temos todas as ferramentas para esse fim, mas sim porque as temos e não sabemos como usá-las.
Na prática do nosso viver, é que as enxergaremos em nós e, assim, poderemos lubrificá-las e amolá-las para que sirvam a sua função de ferramentas perfeitamente utilizáveis para o reequilíbrio do nosso ser (espírito/matéria).
Para sermos felizes, precisamos amar a vida com tudo o que ela nos oferece sem rancor ou mágoa de quem quer que seja. Não se surpreendam em saber que um desses alvos dos nossos sentimentos menos gratificantes pode ser o nosso Eu por não compreendermos que podemos errar, por não compreendermos que ainda temos muito a aprender e, portanto, nos massacramos em punições e revoltas. Quando é assim, além de nós mesmos, Deus está inserido neste alvo porque Ele está em nós e, como resultado, a nossa dor será infinitamente mais desoladora.
Se a vida está tranquila, sejamos gratos. Se a vida nos parece difícil ou tumultuada, sem esperança ou desoladora, sejamos gratos ainda mais, confiantes que podemos superar esse turbilhão e que não estaremos nunca sozinhos para tal enfrentamento. Deus está conosco. Jesus também está. Seus mensageiros nos acompanham e nos dão fôlego para sermos fortes e seguirmos em frente. Se acreditarmos nisso, tudo o que compõe a nossa receita pessoal de felicidade será conquistada ou simplesmente adaptada para um melhor viver.


Para me conhecerem melhor - Entrevista feita em 2015 pela Editora Dufaux

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1 – Descreva Adriana Machado na visão de Adriana Machado.
Eu estou mãe, filha, esposa, irmã, sobrinha, nora, cunhada e outros, e ainda participo, juntamente com amigos espirituais queridos, do trabalho mediúnico na casa espírita que frequento e na elaboração de livros que trazem consolo e paz. Dizem que isso é ser escritora.
Eu me vejo como uma pessoa de temperamento forte, rigorosa nos meus objetivos, organizada, uma boa amiga (mas isso só os amigos podem afirmar - risos). Me descrevo como uma pessoa meiga, carinhosa e honesta.
Sou uma pessoa otimista e vejo o mundo com os olhos de quem acredita na existência do bem. Não quero enxergar no outro uma ação maldosa que ele ainda não tenha me mostrado. Prefiro a decepção do que a ansiedade de encontrar algo que me desagrade no próximo.
Tenho muito sede do Saber. Mas, esse Saber é bastante diversificado. Quero muito aprender “coisas”. Sempre gostei de observar as pessoas fazendo as suas atividades, como consertar um aparelho, instalar um equipamento, trocar uma lâmpada... Mas, a minha sede de aprender, hoje, está muito voltada para encontrar os instrumentos que me ajudarão a lapidar todos aqueles resquícios de imperfeição que enxergo em mim todos os dias.
Por isso, trabalho com todo o meu coração nas atividades mediúnicas e sociais que realizamos, para colocar, na prática, o que escuto a cada dia do meu viver.

2 – Fale sobre a fraternidade que você fundou.
Ah! A Fraternidade é o meu segundo lar. É onde me vejo como aprendiz, como professora, como amiga, como auxiliadora, como cristã! Fundamos a Fraternidade no ano de 1998, porque o grupo espiritual que nos assistia nos convidou para abraçarmos uma tarefa de auxílio e amparo com parâmetros um pouquinho diferenciados dos que existiam até então. Que não seríamos os únicos, mas que não haveria na nossa cidade de Vitória, no Espírito Santo, uma Instituição que nos abrigaria com aquela proposta. Neste ano, fazemos dezessete anos de muito trabalho, dedicação e amor a todos que nos visitam, sejam os da carne, sejam os do mundo maior, e a cada dia parece que mais e mais temos de aprender para continuarmos nos doando. Trabalhamos com muito empenho e é com alegria que desejamos aprender.  

3 – Quem foi Ezequiel? 
Ezequiel não foi, ele é (risos). Ele é um amigo querido que sofre um bocado comigo, porque por mais que eu tente me organizar para atendê-lo, inúmeras vezes, o deixo esperando devido a mil compromissos que tenho. Ele é um trabalhador da Seara Cristã que continua na ativa auxiliando a muitos.
Acho que a melhor pessoa para descrevê-lo é o Thomas, meu mentor. Quando ele me apresentou Ezequiel, ele me disse:
“Ezequiel é um espírito que a todo instante nos dá lições sobre o que é trabalhar na Seara de Jesus. Sempre alegre em seus afazeres, dedica-se de coração a todos os irmãos que necessitam de uma palavra amiga e de um carinho especial. Ele se dirige às zonas de sofrimento para minimizar as dores alheias, transmitindo aos necessitados toda a sua compreensão, para que o destino desses irmãos que sofrem sejam os leitos de auxílio dos Prontos Socorros Espirituais. Jamais se permite esmorecer diante das dificuldades impostas pelos irmãos em sofrimento: com amor no coração, os orienta e consola para que enxerguem os seus equívocos e abandonem a dor exacerbada, voltando-se a Jesus. Ezequiel é um exemplo para todos nós que com ele convivem. Se faz Obreiro do "Cordeiro" a todo momento e nos dá a certeza de que, com amor e zelo, poderemos enfrentar todas as dores sem perder a alegria no viver.”
E ele é isso tudo mesmo! No ano de 1998, fomos “apresentados” e, a partir daí, muitos foram os aprendizados.

4 - Como e quando conheceu o espiritismo?
Bem, eu nasci em uma família católica e espírita. Até mais além dos meus dezessete anos, frequentei o catolicismo indo à missa todos os domingos e respeitando os seus preceitos. O problema, se eu posso dizer que é um problema, é que existia algo dentro de mim que dizia que eu não poderia continuar seguindo somente aquele caminho, pois outros projetos eu precisava abraçar.
Quando eu tinha dezessete anos, eu fui visitar um centro espírita e, quando lá cheguei, tive a certeza que deveria continuar nele. Senti a presença de alguns de meus amigos espirituais e continuei ali até o ano de 1996, mais ou menos.
Ali aprendi tantas coisas sobre humildade, sobre trabalho perseverante, sobre a pessoa que eu era e que poderia me transformar... foram tantas coisas e tantos amigos. Mas, a vida me afastou daquela escola, para me conduzir a uma outra tão maravilhosa quanto. E estou nela desde então.

5 – Como foi seu primeiro contato com a mediunidade?
A gente sempre escuta no meio espírita o preceito: “Se você não vem pelo amor, vem pela dor”. Naquele momento, eu tinha certeza que eu teria ido pelo amor. Como eu disse, minha família também era espírita e eu somente senti que tinha chegado a hora, que eu podia trabalhar mediunicamente, tendo a vontade sincera de ajudar e ser útil a quem precisava. Mas, após estar na tarefa, percebi também que a dor se fazia presente quando eu a abracei, porque se houve consolo em meu coração, então, a dor se fazia presente em mim e eu nem percebia.

6 – Como é o processo de psicografia de um livro?
Eu não tenho a menor ideia!! Acho que o jeito que Ezequiel e eu fazemos não deve ser o procedimento padrão (risos). Eu comecei a treinar a psicografia no ano de 1997/1998, tendo os espíritos amigos como professores nesta jornada. Neste período, eu estava desvinculada de uma “Casa Espírita” porque já tinha saído da primeira e não tinha achado ainda o meu ninho. Como eu não queria parar de estudar, eu e um grupo pequeno de amigos, todos futuros fundadores da Fraternidade, realizávamos reuniões de estudo na casa de Dona Hebe, uma preciosa amiga, que hoje já está desencarnada. Nessas reuniões, começamos a ter orientação sobre como psicografar. Somente quando abrimos a Fraternidade (Fratê, para os íntimos), que Ezequiel me fez a proposta de psicografar livros. Então, eu psicografava somente na Fraternidade com hora marcada. Hoje, eu já tenho autorização dos coordenadores espirituais para psicografar em casa. Lá, eu tenho o meu cantinho onde eu e os que me acompanham fazemos a “mágica” de colocar no papel ideias tão consoladoras.   

7 – Até agora quantos livros escreveu?
A primeira obra psicografada de Ezequiel foi um romance intitulado “Onde Tudo Começou”. Este foi o livro que ele se propôs a escrever comigo no ano de 1998. Começamos tateando. Ele me treinando, eu tentando entender como ele pensava e criava os capítulos. Eu advogava nesse período e meus horários eram mais desorganizados do que hoje, por isso, somente conseguimos terminá-lo após três anos, quando ele deu por terminada a obra. A parte interessante desta “novela” foi que esse livro quase foi perdido. Eu achei que tinha tomado todas as medidas para salvaguardá-lo: imprimi, guardei em um disquete e no computador o arquivo, mas, as coisas não acontecem como a gente quer: o arquivo impresso foi perdido por uma amiga, o disquete e a placa mãe do computador, onde o havia gravado, indicavam, mensagens de corrompido e necessária formatação, respectivamente. Foi muito frustrante. Nos dois anos seguintes, tentei de tudo para recuperar o livro, mas não consegui nada. Pensei que não era para ser, que aquela obra seria só para um treinamento, mas eu, no fundo, não acreditava nisso. Fiquei praticamente cinco anos lembrando de vez em quando daquela obra perdida e perguntando ao Ezequiel se ele a iria escrever novamente. Enquanto isso, fui psicografando outros livros, fomos participando de palestras...
Somente, no final do ano de 2010, quando, eu estava fazendo uma limpeza profunda nas minhas gavetas e caixas em meu lar, me deparei com um CD de backups. Alguma coisa me dizia que o livro estava ali. Não me pergunte porquê, mas eu sabia que estava ali... e estava! Quase chorei. Eu fiquei profundamente emocionada. Parecia que o filho pródigo estava voltando ao lar (risos). 
Depois, no ano de 2014, comecei a psicografar o segundo livro. Este já era um pouco diferente do primeiro. Ezequiel deu um enfoque mais profundo, provocando muita emoção e lágrimas ao lermos sua obra. Esse foi entitulado "Perdão, a chave para a liberdade". Quando eu tive a oportunidade de enviar para a Editora Dufaux uma obra dele, foi esta que eu escolhi como cartão de visitas deste autor espiritual. 

8 – Qual a proposta de Ezequiel no livro “Perdão, a chave para a liberdade”?
Eu acredito que a proposta dele sempre foi e sempre será levar o consolo aos irmãos que necessitam de uma palavra amiga. Ele sempre demonstrou o tamanho de seu coração quando trazia em palavras os seus sentimentos de amparo.
Aos meus olhos, neste livro, ele tenta nos ensinar a ideia de que nós estamos todos interligados e que, apesar de ficarmos um pouco afastados durante um tempo, estamos sempre juntos, estejamos aonde estivermos, porque o amor nos une.
Somos nós que nos escravizamos a preceitos que estão na contramão da Bondade Divina; somos nós que acreditamos que “perdemos” um ente querido, quando ele não pode ser perdido, porque jamais nos pertenceu. O que nos une e que nos dá a sensação de propriedade é o amor e este jamais se esgotará.
Entendo, portanto, que Ezequiel tentou, nesta obra, nos mostrar que a vida segue um curso inteligente, que nós não estamos desamparados e que sempre haverá aquele que nos ama e estará a rogar por nós diante de nossa ignorância.
O perdão é o ponto máximo da história, porque, por estarmos sempre caminhando e errando, caminhando e acertando, acreditamos ainda que seremos punidos pela Vida pelos nossos erros. Assim, quando somos contrariados pela Vida, quando estamos diante de situações adversas, sentimos a punição sendo aplicada e isso nos tira a paz. Qual é o filho que quer ficar “mal” com o seu pai? Imagina nós acreditarmos que estamos aborrecendo o nosso Pai Maior!
Apesar de todos os nossos equívocos, Ele ainda nos ama com todo o Seu esplendor. Se aplicarmos o autoperdão, nos libertaremos das amarras que nos impedem o caminhar mais lúcido e que nos dá a sensação de dever cumprido.  

9 – Qual sua parte preferida do livro?
Tem como você dizer o que você prefere nos seus filhos? Tudo o que eles são e estão é o que preferimos. Eu adoro o livro do começo ao fim. Mas, já que é para dizer um ponto, eu me encantei com a parte que vejo um irmão seguindo um caminho tortuoso e, pela bondade dos corações que o amam, ele é ajudado para retomar a sua vida para o bem.
Eu acredito que todos temos inúmeras chances de nos redimirmos. Eu acredito que quando saímos do caminho, o fazemos por não termos ainda a noção do que é o melhor para nós. Por não sabermos, tentamos vários percursos para atingirmos o que nos parece melhor.
Por isso menciono essa parte, porque ela me dá a certeza que eu posso errar, que eu posso tentar acertar a cada minuto do meu viver, porque terei sempre a chance de me reencontrar lá na frente. Consequências virão? Sim! Mas, até elas estarão na proporção de meu entendimento. Saber disso, me traz paz!




Deus escreve certo nas linhas tortas de nossa vida

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Ouvimos todos os dias esta máxima "Deus escreve certo por linhas tortas"e não paramos para analisar o que ela significa profundamente. Hoje, me deparei com um pensamento de uma amiga sobre esse refrão e pensei que, quando nos envolvemos a entendê-lo, podemos sentir a paz reinar em nosso coração.

Deus escreve sempre certo... Isso é uma verdade incontestável para cada um de nós, apesar de às vezes nos perdemos em nossos medos e inseguranças, nos remetendo a não abraçarmos essa verdade o tempo todo e plenamente. Todavia, sabemos que Ele escreve nas linhas de nossa vida e o que lá Ele coloca é Justo e Bom, mesmo que teimemos em duvidar, vez por outra.

Se, em relação a primeira parte somos mais uníssonos, qual o ponto a ser analisado nesta máxima? Entendo que é a parte das tais linhas tortas. Quem as produz? O que fazem no nosso Livro da Vida?

Se pensarmos que quem as delimitou foi Deus, estaríamos dizendo que Ele acertou em um ponto e errou em outro, o que não é o caso. Se pensarmos na Vida, estamos dizendo que ela também erra e não seria regida pelas leis divinas e perfeitas do Pai.

Então, para quem ficou a elaboração de tais linhas? Para cada um de nós. Somos nós quem as firmamos tortas ou retas, segundo as nossas escolhas e, tal fato, só nos demonstra o quanto ainda precisamos aprender e nos reconhecer como caminhantes inexperientes.
Através do nosso livre arbítrio, as leis naturais e divinas incidem sobre as nossas ações e reagem a elas nos dando circunstâncias adequadas para aprendermos e nos tornarmos melhores a cada experiência.

Mas, o que nos traz a certeza de que estamos num caminho cada vez mais acertado é que as linhas agora firmadas, nas páginas de nosso livro, são muito menos tortas. Antes, éramos mais tacanhos, mais ignorantes, mais teimosos, e outras tantas características que nos levavam, no nosso primeiro momento evolutivo, a indiferença quanto ao resultado de nossas ações e, depois e com o passar das lições, a dores e sofrimentos inenarráveis face ao que nos acontecia, que somente eram amenizados diante da aplicação da lei maior do Pai que nos acalentava, e ainda acalentam, com as suas bênçãos consoladoras e misericordiosas.

Hoje, portanto, estamos cada dia mais entendendo que somos os primeiros e os únicos responsáveis pelo que nos acontece e, sendo assim, os únicos que podem modificar a trajetória, trágica ou não, de nosso caminhar.

Se está em nossas mãos todo tipo de semente que poderemos plantar, que escolhamos melhor qual tipo semearemos para que não reclamemos, no futuro, dos frutos amargos colhidos para matar a nossa fome, frutos esses que são o reflexo de nossa ignorância.

“Deus escreve certo por linhas tortas”... porque, através de nosso livre arbítrio, foram elas que escolhemos traçar para que o Ser mais perfeito que existe pudesse agir sobre nós.

Chegará um dia no qual, com o nosso crescimento, nossas linhas não serão mais tortas, nós estaremos mais sábios e, por consequência, mais perto de entendermos a nós mesmos, compreendendo, sem temor, a Escrita Divina em nosso livro da vida!