Somos donos ou pais dos nossos pets?

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Primeiramente, quero deixar claro que este artigo não foi elaborado para criticar quem quer que seja. Nosso objetivo será sempre buscar raciocinar nossas ações e posturas diante da vida. Então, vamos nos dar a oportunidade de pensar sobre o assunto... 
Não é novidade o quanto os donos de animais domésticos (inclusive eu) são ligados aos seus bichinhos. Não é segredo também que, na atualidade, são muitos os donos de pets que estão mais e mais ligados a eles por laços de amor e carinho, chegando alguns até a “exagerar” nesse amor.
Acredito que isso se dê por que da mesma forma que amamos, os pets também nos amam... e, “vamos e convenhamos”, como estamos necessitados de sermos amados!
Ter um animal de estimação é terapêutico. Muitos profissionais aconselham a adoção deles para que nos acalmemos, nos desestressemos das atividades do dia a dia.
Diante de tantas vantagens, porque não ter um Pet?
O problema é: será que estamos pensando neles quando resolvemos que os queremos como “filhos”?
Infelizmente, pela nossa falta de conhecimento, acreditamos que não fazemos nenhum mal a eles. Segundo os especialistas dessa área, quando o ser humano começa a humanizar os seus pets, ele traz enormes prejuízos para os seus bichinhos! Quando agimos desta forma, esquecendo que são animais e que cada um deles tem necessidades próprias de suas espécies, retiramos deles os reflexos de sua natureza e os tornamos inseguros, agressivos, desobedientes ou manipuladores.
Pensemos no cachorro como exemplo: eles vivem em bando e têm, como característica de sua espécie, um líder. Quando o humano o adota, ele entende que entrou para um bando onde o humano é o seu líder. Entretanto, quando este tenta humanizá-lo, o cachorro deixa de vê-lo como líder e se vê obrigado a abraçar tão posição, o que pode trazer distúrbios na relação entre o dono e seu cachorro. Então, ele não atende aos comandos; estraga móveis e objetos do lar; faz o que quer em casa; não acompanha, mas sim, puxa o seu dono nos passeios...
Toda essa confusão pode ser evitada se o humano abraçar o seu papel de dono do seu animalzinho tão amado.
Mas, porque não agimos assim? Porque estamos querendo humanizar os nossos pets?
Acredito que é porque vivemos um momento em que nós não estamos sabendo lidar com o próximo. Estamos arredios, desconfiados, temerosos... de sermos magoados, de sofrermos decepções... ao aceitarmos o outro na nossa vida!
Já é uma realidade a inversão dos papéis entre pais e filhos. Muitos especialistas estão chamando a atenção dessa geração de pais que estão criando verdadeiros déspotas (é essa expressão mesmo que usam!) na figura de seus filhos. São crianças que não sabem aceitar um “não”, não têm limites, são tiranas e não sabem lidar com as frustrações normais de uma vida que exigirá delas, sabiamente, crescimento.
Isso se torna uma bola de neve rolando ladeira abaixo! Quanto mais vemos filhos dos outros desobedientes, mais desejaremos não tê-los em nosso lar. Então, os futuros pais interpretam que toda criança dá trabalho e que não vale a pena tê-las! Ledo engano!
Mas, como somos seres amorosos, precisamos dar e receber amor. Então, descobriu-se que a melhor fonte de amor são os pets que se doam por inteiro ao seu dono e não pedem quase nada em troca.
Parece bom, não é? Mas, o que está acontecendo é que, muitos donos estão se perdendo neste caminho também, acreditando que o seu pet tem as mesmas necessidades que uma criança teria, por exemplo.
Eu me lembro quando eu pedi para um especialista de comportamento animal vir conhecer a minha gatinha, porque ela estava “terrível”. Nesta visita, ele me esclareceu muitos pontos, inclusive que minha família precisava mudar o comportamento que tínhamos com ela e que ela não era portadora de sentimentos humanos! Estávamos com medo dela ficar magoada com a dica de adestramento dada por ele e falamos isso. Ele com um sorriso no rosto, nos esclareceu que o animal não é humano e que esse sentimento não é de sua natureza. Ele pode se afastar de você por um momento quando você pisa em seu pé, por exemplo. Mas, será só a dor parar que ele voltará ao seu convívio.
Claro que, se o dono o espancar diariamente, o seu pet terá medo dele. Neste caso, o bichinho não terá mágoa, mas medo (advindo de seu instinto de sobrevivência), que pode ser demonstrado com uma atitude agressiva de mostrar os dentes e rosnar para o seu dono para se defender.
Precisamos, portanto, escolher o melhor caminho a seguir (e que possa atender a ambos, dono e animal) porque os nossos bichinhos estão sob a nossa responsabilidade e, como tutores deles perante a Providência Divina, teremos de prestar contas de como agimos com eles.
Amemos nossos bichinhos, mas não tiremos deles aquilo que nos cativou quando o adotamos: deles serem e agirem como animais.