Mediunidade na programação de uma vida – Parte II

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Ao final do artigo anterior, afirmamos que “Mais do que isso, porém, a mediunidade na programação de uma vida é ser mais um instrumento de evolução e de perdão pessoal do obreiro para consigo mesmo diante das suas próprias mazelas”.
Prometemos que iríamos dar continuidade ao assunto e é isso que faremos neste artigo.
Na maioria das vezes, quando o reencarnante escolhe a mediunidade ativa, na confecção da programação de sua nova existência carnal, é porque se entende devedor e portador de inúmeras mazelas construídas em suas existências anteriores. Por não se perdoar diante de tamanhas faltas, escolhe atuar com essa ferramenta para se enxergar mais íntimo de verdades que seriam por ele propagadas através da mediunidade e se daria a oportunidade de colocá-las em prática no seu dia a dia.
Se doando ao próximo, se vê mais perto do perdão que acredita necessitado de receber de si mesmo. Se fazendo útil, se verá merecedor da cura das mazelas que conquistou durante as suas vidas, tendo provocado dores ao próximo e a si mesmo.
Portando a mediunidade, aquele que é médium tem a oportunidade de se ver como um obreiro precioso de auxílio e de consolo a outros tantos irmãos que necessitam de uma palavra amiga, de um abraço acolhedor. Ele se coloca à disposição do outro em uma tarefa que não a realizaria de outra forma, a não ser possuindo a “tal” mediunidade.
Mas, isso o faz elevado? Muitas pessoas que veem os médiuns com a sua capacidade de comunicação com o plano espiritual, de trazer verdades que são por demais preciosas para as suas vidas, os confundem, em virtudes, com os comunicantes espirituais. Isso traz a esses irmãos o equívoco da admiração exacerbada ou da idolatria, o que pode fazer esses médiuns se perderem de seus propósitos maiores. Essa diferença precisa ficar muito clara para o obreiro espírita. Ele não deve se confundir e achar que todo aquele conhecimento exposto é conquista sua. Para tanto, todo médium é testado pela vida para enxergar-se em sua realidade moral, seja no tocante às suas qualidades, seja em suas dificuldades.
Chico Xavier dizia-se apenas um verme diante de sua tamanha falta de entendimento da vida. Emmanuel, contradizendo-o, dizia que ele estaria ofendendo o verme porque este “é um excelente funcionário da Lei, preparando o êxito da sementeira pelo trabalho constante no solo e funciona, ativo, na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza...”. E como era característica de Emmanuel, terminava dizendo: “Não insulte o verme, pois, comparando-se a ele, porquanto muito nos cabe ainda aprender para sermos fiéis a Deus, na posição evolutiva que já conseguimos alcançar...”[1]
Diante dessa verdade, por vezes, dolorosa ao nosso orgulho exacerbado, como médiuns precisamos estar atentos e não confundirmos o nosso verdadeiro papel que é sermos aprendizes de valiosos mestres espirituais. Absorvendo o entendimento (que é deles) daquilo que sai de nossas bocas, estaremos nos oportunizando um crescimento mais célere, sabendo que ainda estamos longe de entendê-lo na sua mais pura essência.
Após inúmeras oportunidades que serão geradas pelas nossas ações ante os aprendizados adquiridos, nos enxergaremos em nosso verdadeiro potencial e tamanho evolutivo.
Ao final dessa jornada, poderemos nos dar a oportunidade de nos vermos desobrigados com as pendências que acreditávamos possuir e nos libertaremos para outras experiências enobrecedoras em nossas próximas existências.
Mas, e se, apesar de todo o planejamento, quando chegarmos ao plano da carne, não aceitarmos a nossa tarefa medianímica?
Isso já é assunto para um outro artigo.





[1] http://grupoallankardec.blogspot.com.br/2011/04/chico-xavier-e-o-verme-historia.html

Mediunidade na programação de uma vida – Parte I

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Como vocês acham que um médium se vê médium? Para aqueles que não sabem de sua mediunidade, a sua primeira experiência, normalmente, é escutar de um outro médium que ele também o é. A surpresa pode ser intensa ou recebida de uma forma muito natural. Para estes, uma alegria, para aqueles, um sentimento de temor pelo o que não conhecem.
A maioria sente esse temor devido às ideias equivocadas que se encontram por aí, considerando que ainda vivemos em um mundo repleto de preconceito onde a humanidade ainda critica, sem saber sobre o que realmente está falando.
Se imaginarmos que, em pleno século 21, ainda escutamos algumas pessoas professando que todo espírita é macumbeiro, adorador do demônio, etc, entendemos o porquê de algumas pessoas temerem ser portadoras dessa “maldição”.
Mas, o que é a mediunidade? É um dom, um instrumento que o médium traz em sua existência carnal para servir como intermediário entre os dois planos da vida. Conceito simples, mas que diz tudo.
Como dissemos acima, normalmente, um médium somente sabe que é médium quando outro lhe fala, o que, normalmente, acontece em uma casa espírita. Vocês podem se perguntar que, se aquela pessoa foi na casa espírita, então, ela é simpatizante! Infelizmente, nem sempre é assim. Muitas chegam em nossos grupos por meio do desequilíbrio, por não compreenderem o momento em que estão vivendo, por sensações físicas que estão tendo e que não sabem como explicar. Muitas vezes, já passaram por todo tipo de ajuda religiosa antes de aceitarem a ideia de adentrar em uma casa espírita, sendo ela a sua última esperança.
Quando nela chegam, recebem a notícia que uma boa parte do que estão vivendo advém da mediunidade. Percebem que o seu remédio é somente se enxergar como um para-raios que está puxando para si todo tipo de energia ao seu redor, porque é o que um médium faz quando desconhece o seu estado mediúnico.
A princípio, essa descrição pode trazer aos mais temerosos, muito mais resistência a aceitarem-se como médiuns, porque podem entender que ela só traz sofrimento. Mas, isso não é real. É somente uma fase em que somos chamados para a tarefa e resistimos à nossa própria escolha reencarnatória. Seria, mais ou menos, pensar que as espinhas que ganhamos são uma punição por atingirmos a puberdade! Verdadeiramente, resistindo, demoramos a nos ver com o dom que portamos e, demorando, mais propensos ficamos a carregar a nossa mediunidade sem educá-la para os percalços da vida. Numa vinculação prática, quanto mais tempo demoramos para tratar de nossas espinhas, mais elas inflamarão e maior será o incômodo por elas estarem ali.
Quando, diversamente, aceitamos a tarefa que abraçamos em nosso planejamento reencarnatório e lidamos com naturalidade com aquilo que está em nós como uma benção para nos lapidarmos e crescermos como indivíduos, todo o aprendizado e adaptação se faz mais rapidamente.
Mas, o que é essa adaptação? Simplesmente, é vermos que tudo o que fazíamos antes com extrema naturalidade advinha de nossa capacidade de nos sensibilizarmos com as pessoas e ambientes ao nosso redor, ou de estarmos mais conectados ao Todo, tendo olhos para ver e ouvidos para ouvir, o que os “outros” não teriam condições de perceber.
A mediunidade é uma benção que cada um desses médiuns escolhe portar, antes de reencarnar, com o propósito de crescimento pessoal ou coletivo. Afirmaria que é uma missão muito bonita que os médiuns abraçam, como um padre, um pastor, uma mãe, um pai, fazem em suas vidas para orientar outros irmãos neste crescimento coletivo, mas que não deixam de crescer agraciados com a sua própria conquista individual.
Em todas as religiões, os seus fiéis encontrarão o consolo que os levará a buscar o caminho mais reto em suas vidas e isso não há porque duvidar. Mas, na filosofia espírita, os médiuns são “a face” da espiritualidade amiga, devendo, cada um deles, ao seu tempo e modo, servir como exemplo de amor, caridade e fraternidade cristã, levando aos apreciadores desta doutrina o consolo das verdades espirituais e, aos seus corações, a certeza da misericórdia e do amparo diário do Pai.
Mais do que isso, porém, a mediunidade na programação de uma vida é ser mais um instrumento de evolução e de perdão pessoal do obreiro para consigo mesmo diante das suas próprias mazelas.

Isso, todavia, falaremos no próximo artigo. 

Pecados de uma sociedade...

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Temos vivenciado, com muita intensidade, histórias marcantes de amigos, conhecidos e até desconhecidos que passam por momentos de muita insatisfação, tristezas, mágoas e, infelizmente, até depressão em suas vidas.
Histórias recorrentes que, por muito tempo, a sociedade considerava bobagem, pequenez e até fraqueza daqueles que estariam tendo esses comportamentos ou sentimentos.
A sociedade não era sensível àqueles que não estavam sabendo lidar com a dor. Como num “espelhar civilizatório”, estávamos voltando à época de Esparta que jogava suas crianças nos penhascos, ou abandonava seus cidadãos mais debilitados por serem fracos para enfrentar as batalhas a que eram submetidos. A fraqueza, naquela sociedade, era um “pecado”, e parece-nos que, na nossa, ainda é.
Hoje, a sociedade já se preocupa com tais perfis, mas ainda não compreende, na essência, o que os origina. Não vinculamos essa fraqueza com a guerra a ser vencida, mas parece que resolvemos abraçar outras guerras interiores mais cruéis. Vi um vídeo com o filósofo Leandro Karnal, onde ele descrevia sua experiência em entrevistas para admissão de novos empregados. Ele afirmou, categoricamente, que nunca ouviu dos candidatos respostas sinceras à pergunta: “qual o seu maior defeito?” Todos tentavam usar dessa pergunta para embutir uma qualidade sua, sem respondê-la diretamente. Isso me fez refletir: por que não conseguimos admitir que ainda somos pessoas com defeitos e que precisamos nos aprimorar, dia a dia?
Mas, podemos pensar que, ali, na tentativa de conseguir um emprego, as pessoas não queriam arriscar e, portanto, aceitavam descrever aquilo que elas não são, mesmo que partindo de uma mentira ou de uma meia verdade! A maioria dizia que era perfeccionista demais, ou que não dava atenção a sua família pela dedicação que tinha ao seu trabalho... essas coisas! Mas, e depois? Quem arcará com essa escolha de não ser sincero? Mesmo sem pensarmos na lei de causa e efeito, o candidato, após contratado, teria de agir da forma como disse ser. Será que ele seria capaz? Ah, mas aí o emprego já seria dele. Será?
Precisamos ser mais honestos conosco para que saibamos quais os instrumentos interiores possuímos para lidar com a nossa vida diária. Se não temos noção de quem somos, precisaremos mentir ou omitir realidades, e, como consequência, não sabermos qual a nossa capacidade para enfrentar as adversidades!
Assim, vamos adoecendo psicologicamente, porque vamos esquecendo de quem realmente somos e nos decepcionamos profundamente com esse “eu” que existe somente em nossa mente. E ele se torna tão real que não aceitamos quando “ele” erra, quando “ele” age contrariamente ao que foi propagado sobre a sua capacitação, seja como profissional, seja como pessoa humana.
Então, vamos construindo sentimentos de tristeza, de incapacitação, de frustração sobre quem “estamos” hoje! Se não sabemos quem “estamos”, será que sabemos quem somos? Se não temos essas informações claras sobre nós, estamos guiando nossa embarcação sem qualquer noção do destino traçado!
Infelizmente, tais desinformações sobre quem somos, somadas a estes sentimentos tóxicos que alimentamos, talvez nos leve a um estado físico que pode atingir várias formas ou graus de enfermidades. Elas são o resultado da não aceitação de nosso eu verdadeiro, refletindo em ações que nos levam a deixar de nos amar e nos preservar.
Não podemos desconsiderar a nossa dor ou a alheia! Ela é um alarme, por vezes, ensurdecedor que chega a nós como um pedido de socorro e não podemos nos fazer de surdos. Todos que passam por isso, sem exceção, darão esses sinais para quem puder escutá-los, porque ninguém desiste de si sem lutar. Precisamos estar atentos. Nós (e os outros) mudamos de comportamento, ficamos introspectivos, tristes, isolados, falamos indiretamente de nossas dores, antes de efetivamente adoecermos.
Mesmo quando tentamos esconder a nossa dor nas risadas expansivas para que ninguém nos flagre em nossa “fraqueza” interior, mudaremos de comportamento porque as máscaras cairão diante da dor dilacerante em nosso peito. Então, a dor pode ser vista e a ajuda pode chegar, vinda dos outros ou de nós mesmos. Se conseguirmos fazer isso por nós, também faremos pelo outro, se for este o nosso propósito.
Não devemos jamais abandonar o nosso posto de amigos e ajudadores do Cristo na tarefa de consolar e amparar os nossos irmãos, porque não há arrependimento maior do que tomarmos essa consciência somente depois dos atos extremos praticados pela dor alheia, não tendo tido mais cuidado com aqueles que estavam ao nosso lado.

Façamos pelo irmão. Façamos por nós... sempre!

Desabafo de uma motorista cristã

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Mais um dia em que vejo um motociclista estendido no chão de nossas ruas. Mais uma vez, vejo rostos desesperados, não só das pessoas que estão ao redor, mas também do motorista que atingiu aquele ser humano estendido à sua frente.
Fiquei pensando, enquanto seguia no meu caminho, aonde vamos parar?
Me desculpem àqueles que pensam diferente de mim, mas, como eu disse, é um desabafo de uma motorista cristã, porque eu não aguento mais ver pais, chefes de família, filhos, irmãos, parentes e amigos em geral, serem mortos ou ficarem paraplégicos, às vezes em estado vegetativo por toda a sua vida, por ausência total de maturidade nossa, ou de um comprometimento maior das autoridades em velar por nossas vidas.
Estão surpresos? Mas, é verdade! As leis existem com uma finalidade e as do trânsito não são diferentes. Elas servem para nos proteger, porque se cada um agisse como bem quisesse, haveria o caos e a anarquia.
As leis de trânsito existem para que saibamos o que esperar do outro motorista; para que todos tenham uma forma única de agir, nos dando a habilidade de dirigirmos aquelas máquinas “enormes” que, se não forem bem utilizadas, poderão matar.
Eu não sei como é aí na sua cidade, mas aqui na minha, não vemos o guarda aplicar as sanções devidas quando um motociclista descumpre as normas de trânsito. E, infelizmente, todos sabemos que, em nosso país, ainda necessitamos dessas sanções para sermos compelidos a não agir fora da lei. Entende-se, portanto, que, se elas não são aplicadas, acontece o que vemos todos os dias, motociclistas chegando mortos em hospitais públicos, ou feridos gravemente, ou sem esperança de viverem normalmente a partir daquele acidente. Isso é horrível! Isso se tornou tão corriqueiro que os jornais nem publicam mais nada sobre isso.
Fazendo uma análise, talvez, irônica, eu estou tendenciosa a acreditar que, nas provas de habilitação do Detran, o código nacional de trânsito cobrado de um motociclista é diferente dos demais motoristas, porque eles estão descumprindo a maioria das regras nele existentes. A normatização é muito clara sobre qualquer veículo não ultrapassar pela direita da direção; não transitar em alta velocidade seja na via seja no corredor entre os veículos; atendermos a seta acesa do veículo que está à nossa frente e frearmos para lhe dar passagem; dentre outras tantas regras de conduta. Na minha cidade, nada disso é cumprido, tampouco coibido pelos inúmeros guardas de trânsito que estão em nossas ruas!
Pode parecer, para cada um de vocês, que eu estou contrária aos motociclistas, mas não é isso. A minha enorme preocupação é com eles que acreditam que podem fazer o que estão fazendo, arriscando as suas vidas todos os dias nas vias públicas de nossas cidades. Infelizmente, aquele motociclista que vi estendido hoje, talvez não volte mais para a sua família e, o motorista envolvido no acidente também não tenha mais uma vida normal a partir de agora.
Há alguns anos, eu participei de um curso e ouvi a reclamação de um motorista de transporte escolar questionando porque os guardas não multavam os motociclistas que estavam descumprindo tão flagrantemente as normas de trânsito. Sabe o que o expositor respondeu? Que se eles fizessem isso, retirariam das motos a sua função de alta mobilidade! Todos nós ficamos muito espantados com aquela resposta e, apesar de muitos argumentos contrários, trazidos pelos que participavam daquele curso, nada mudou sobre isso. Desde aquele dia, eu fico me perguntando o que leva nossas autoridades a aceitarem essa ideia dos motociclistas acharem que, só porque a moto é rápida e estreita, pode ser usada para colocar em risco a sua vida e a dos demais motoristas e pedestres! Se fosse assim, eu teria que aceitar a ideia de que a arma de fogo deve ser sempre usada para ferir ou matar alguém, sem questionar que ela pode ser somente um instrumento de coação à sua utilização pelo outro!
Pensem comigo: se um motorista de um automóvel não vir a moto no seu lado cego (direita ou próximo demais no corredor), e lhe der um esbarrão (um simples esbarrão), o motociclista será arremessado a muitos metros de onde está, sendo passível de ser morto com a queda. Vale a pena zelar pela mobilidade em detrimento da vida do condutor? Será que não se pode usar desse veículo atendendo às regras de trânsito que existem para a sua própria proteção? Como eu disse antes, não podemos esquecer de que um acidente envolvendo um motociclista, normalmente, acarreta a sua morte e/ou sua debilidade e, quem sabe, um processo crime contra o motorista envolvido, trazendo enormes transtornos também à sua vida.
Escrevo essas linhas ainda com o meu coração oprimido, porque não estamos falando de uma “guerra” entre carros e motos, mas de vidas humanas que conduzem tais veículos e que, por ausência de uma atitude mais enérgica de nossas autoridades, muitos ainda pagarão por essa negligência.
Hoje, a cada dia que saio de carro, peço por mim e por ele, o outro “motorista”.

Só me resta rezar!