Estamos atentos às mensagens da vida?

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Todos nós temos experiências únicas em nossas vidas. Mesmo quando todos de uma mesma família passam por uma dor, ou uma alegria, cada um as vivenciará de uma forma única e particular.
Se assim é, significa que as mensagens que chegam a nós também são únicas e individuais. Podemos ter a ajuda dos nossos companheiros de jornada (filhos, pais, irmãos, companheiros, amigos, inimigos...), para melhor compreendê-las, mas será a forma como encararemos aquela experiência que nos dará condições de modificar ou não algo em nós.
Se não estamos atentos ao que se passa em nosso íntimo, estaremos atentos ao que se passa ao nosso redor? Por incrível que pareça, podemos estar sim. Muitos de nós não se dão a oportunidade de fazer uma análise mais detida do que está acontecendo dentro de si porque têm medo do que pode encontrar, mas olham ao seu redor e absorvem alguns ensinamentos para aplicá-los em seu dia a dia. Este é um processo reverso, mas que dá certo, porque é o que este filho de Deus dá conta hoje, que ainda não confia plenamente em si mesmo para fazer diferente.
Se nos permitirmos ver, ouvir e sentir intensamente as oportunidades que nos chegam, começaremos a compreender o que programamos para superarmos nesta existência, porque a nossa vida é um reflexo de nossas escolhas e consequentes ações, sejam elas atuais ou pretéritas. Por elas, sabemos até onde vamos e o que podemos mudar para aproveitarmos ao máximo essa oportunidade de crescimento íntimo.
Mas, para que tudo isso? Para não sofrermos! E só essa resposta já nos traz imensa vontade de agarrar essa oportunidade a mais de aprendizado.
Se estivermos atentos às particularidades de nossa vida, saberemos o momento certo, o que lapidar e como agir para superarmos as nossas mazelas. Se aproveitamos cada aprendizado conquistado, sofreremos muito menos.
Eu brinco com os meus amigos que meu segundo nome era “culpa”. Para tudo o que dava errado, mesmo na vida dos outros, se eu estivesse envolvida de alguma forma, eu me culpava. Até que aprendi que essa culpa, que era útil e utilizada por mim como um instrumento de freio e mudanças, poderia ser transformada, porque, apesar da sua utilidade, ela me causava sofrimento. No início, não foi muito fácil, mas a cada oportunidade que tinha para compreender o meu verdadeiro papel em cada circunstância, vi que era muito possível não me culpar, mas sim me responsabilizar por meus atos e tão somente por eles. Senti, com uma enorme gratidão, que o sofrimento que antes eu produzia, foi por mim mesma sendo transformado em reflexão e consciência.
Todos nós viemos a este planeta escola com uma finalidade: aprimoramento. E é o que nos esforçaremos para alcançar, seja de uma forma sofrida ou não. Mas, se estivermos atentos (e não obcecados) aos avisos da vida, tudo ficará mais ameno, tudo será melhor vivido por cada um de nós.

Estejamos atentos às mensagens da vida porque elas nos mostram quais seriam as nossas propostas de mudanças íntimas, mesmo que, enquanto encarnados, tenhamos tentado nos esquivar, inconscientemente, da programação de vida que nos comprometemos a cumprir.

Brincadeiras perigosas, quem de nós não caiu nelas?

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O ingresso de nossos jovens em “jogos mortais” é algo que está preocupando todo pai e mãe hoje em dia.
Primeiro, foram as “brincadeiras do desmaio”, onde os jovens provocavam a falta de oxigenação do cérebro, tendo a perda da consciência pela apnéia. Para isso, eles empurram o tórax do amigo (na região do esterno) com força contra a parede ou simplesmente sufocam-no, fazendo-o desmaiar. O objetivo é a sensação de se aventurar pelo desligamento do corpo, o que lhes proporciona uma euforia. O problema é que alguns jovens morreram. Após isso ou concomitantemente, foi proposto que o próprio jovem deveria se sufocar até quase perder a consciência, com cordas, cintos ou lençóis, enquanto os seus amigos viam pelas redes sociais. Muitos foram os que chegaram as vias de fato por estarem sozinhos e morreram sufocados na frente de seus amigos. Isso sem contar a quantidade de outras brincadeiras que já devem ter sido feitas e que não tivemos conhecimento.
Bem, o que faz um jovem procurar esse tipo de jogo para se divertir? Acredito que a desinformação pode ser um dos motivos. O jovem é convidado para participar e ele sem malícia o faz. Parece muito simples a resposta, e é mesmo. Outro motivo, é a sensação de eternidade que todo jovem tem. Ele nunca acredita que pode acontecer algo grave com ele e, por isso, arrisca. Mas, a insatisfação (que pode estar vinculada a tristeza, a depressão, etc), que motiva o jovem a buscar a felicidade ou o término de sua dor, em qualquer proposta feita vinda de qualquer amigo ou desconhecido, é uma das mais comuns.
Até pouco tempo atrás, vimos jovens matando outros em escolas porque eles não aguentavam mais a sua dor e, não importava que ela não tinha sido provocada por todos os seus colegas, a dor precisava ser anulada. Então, eles imputavam aos outros e a si mesmo a finalização daquela aflição.
A brincadeira da vez, e que está apavorando os pais de todo mundo, é o jogo mortalBaleia Azul”. Jovens se inscrevem em uma brincadeira nas redes sociais e são obrigados a participar de 50 (cinquenta) desafios dos mais estranhos aos mais perigosos, culminando com o ato de suicídio ao final do jogo. Nele, com o passar das tarefas, muitos jovens recobram a consciência do valor de sua vida e querem parar, mas não podem! Muitos dizem que vão desistir, mas não deixam, porque são ameaçados pelos seus organizadores, fazendo-os temer por sua vida e de seus entes amados. Tais organizadores os fazem acreditar que não há outra opção que não seja pôr um ponto final em sua vida.
Eu não sou especialista de nada, sou somente uma mãe razoável de adolescentes e fiquei pensando sobre tudo isso que venho acompanhando nas redes sociais e na televisão. Claro que sou uma das que, quando ouve algo nesse sentido, fica alerta, mas percebi que, novamente, a minha primeira reação foi pensar: “Ah! Os meus filhos não fariam isso!” E, de novo, me vem à mente que nenhum daqueles pais que perderam os seus filhos nesses jogos ou atitudes extremas também duvidava da capacidade deles de não caírem nessas armadilhas.
De qualquer forma, eu sempre oriento os meus filhos sobre o que acho perigoso, então, fui comentar com eles sobre essa nova mania e descobri que eles já estavam sabendo. Claro que, não da forma que eu expliquei, mas já sabiam porque era o comentário “da vez” na escola. O interessante é a reação que todo adolescente tem quando os seus pais falam sobre esse tipo de assunto. Disseram para mim: “A senhora acha mesmo que eu faria isso?”
Digo a cada um de vocês que dá uma certa vergonha de enfrentar essa pergunta, porque você os educa para quê, afinal? Mas, eu lhes respondi: “Eu não acredito que, racionalmente, vocês se envolveriam com isso, mas, também acredito que vocês ainda não têm maturidade o suficiente para enxergarem a malícia em certos jogos ou propostas feitas por amigos ou desconhecidos.” Não se envergonhem de encarar os seus filhos e dizerem isso, porque é uma verdade.
Todos nós, se buscarmos em nossa memória, lembraremos de alguma brincadeira que fizemos que é, agora, no mínimo, questionável aos nossos olhos de pais. Ainda, se nós, adultos, estamos caindo diariamente em inúmeros golpes dados por marginais que ligam para os nossos lares dizendo que sequestraram os nossos filhos; que nos abordam na rua, tentando vender o bilhete premiado; que nos vendem baratinho “gato por lebre” nas esquinas; por que achamos que os nossos jovens estarão imunes a este tipo de “trapaça”?
Que possamos dar a nossa palavra, a nossa visão em cada uma dessas experiências, para que eles, quando se virem em uma situação em que não enxerguem uma saída (porque isso pode acontecer), sejamos sempre os primeiros que eles lembrarão relacionados a tais assuntos e poderão desabafar e buscar soluções sem terem vergonha de nos contar. Se cada um de nós comentar com eles quando errarmos, eles poderão fazer o mesmo conosco, porque verão que é comum nos equivocarmos, mas que juntos podemos resolver os problemas que chegarem.

Somos pais, orientadores e amigos, então, façamos com que eles nos enxerguem nesses papéis. 

Porque somos escravos da aparência?

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Acredito que muitos de vocês dirão que não são. Dirão que vocês não se preocupam com o que os outros vão dizer... Mas, afirmo que, para os muito poucos que não se importam mesmo, a grande maioria se preocupa sim.
Colocando claro que o meu objetivo aqui é fazer menção somente a aparência, sem tocarmos em qualquer preconceito que tenhamos construído em nosso coração ou pela coletividade, vamos tentar pensar no nosso cotidiano: se alguém chegar apresentável no seu trabalho, perto do seu carro, na mesma rua que você trafega, como você o trataria? Você desconfiaria dele? Na maioria das vezes, você o trataria muito bem e não desconfiaria que essa pessoa lhe faria qualquer mal, com exceção, talvez, se ele o olhasse ou agisse de uma forma suspeita que leve você a duvidar de suas intenções! Mas, e se alguém chegar desgrenhado, maltrapilho ou mesmo vestido com simplicidade? Se o cabelo estiver comprido demais e as unhas sujas? Com certeza, se ele se apresentar da forma que você considera fora do padrão, você imediatamente fará um julgamento de valor e, possivelmente, esta pessoa perderá a sua credibilidade sem ter tido tempo de provar o contrário.
Por sabermos disso, temos a reação de nos preocupar com a aparência e, diria eu que isso seria positivo, se essa preocupação ficasse no limite do aceitável. Termos o cuidado conosco é essencial para demonstrarmos o quanto estamos nos amando e nos preocupando com o nosso bem estar. Mas, colocarmos isso no oitenta da tabela de valores[1] é complicadíssimo, porque nos escravizamos ao que os outros acham que servirá para nós, ao que os outros entendem como satisfatório para a nossa aceitação. Não é isso que geralmente nós fazemos com os outros?
Estamos nos perdendo em importância, nos preocupando demais com a casca, porque se precisamos estar magros, bem vestidos, ter o carro do ano, o imóvel mais caro, tudo de melhor, estamos nos escravizando a uma ideia coletiva de que convenceremos os outros que temos valor pelo que temos, sem necessitarmos nos aprimorar nos tesouros de nossa alma, ou seja, o que somos
Nesse caso, como podemos nos libertar? Acredito que amenizando e aprendendo que a aparência não é tudo. Se tivermos respeito por qualquer um que esteja ao nosso lado, enxergaremos várias pedras preciosas a nos enriquecer com as suas experiências.
Estava eu numa palestra e ouvi a seguinte experiência: um empresário aguardava um especialista renomado em seu escritório e ele sabia que tal profissional tinha pouco tempo a perder, por isso, avisou a secretária que quando ele chegasse, era para ela o anunciar imediatamente. Passadas algumas horas, o empresário estranhou a demora e saiu de sua sala para saber se o especialista não tinha dado alguma notícia. Para a sua surpresa, ele já se encontrava lá, aguardando há mais de uma hora. O chefe repreendeu a secretária que se defendeu dizendo: “Mas, como eu iria saber que era ele, se o senhor me diz que ele era um doutor?” O ponto crucial dessa história é que o tal especialista estava de calça jeans e uma blusa comum. Sua mala tinha se extraviado e ele estava com a roupa com a qual ele viajou. Quando ele chegou no escritório, ela, sem escutá-lo e julgando-o pela aparência, pediu que aguardasse.
Bem, em uma análise bem crua, o que era mais importante para o empresário contratante: a roupa que o especialista usava ou o seu conhecimento?
Precisamos valorizar o que é realmente importante! Porque se continuarmos a valorizar a embalagem e não o conteúdo, não enxergaremos no outro aquilo que lhe dá o seu verdadeiro valor!
Enquanto agirmos assim, não quebraremos esse círculo vicioso que algumas sociedades criaram pela sua ignorância espiritual.
Isso acontece aqui no Brasil, mas também acontece em outros tantos lugares que, mesmo sendo civilizações mais antigas ou que se dizem muito mais espiritualizadas, separam os seus nacionais pelo padrão financeiro, pelas ideias divergentes, pela cor, pelo sexo, pela religião, etc, não permitindo, portanto, que, com a vivência, haja a troca das experiências entre os diferentes. Quem perde somos nós enquanto humanidade!
Que tomemos a precaução, portanto, para não ultrapassarmos a divisa do cuidado que devemos ter com o nosso corpo físico e a exacerbação de valorizá-lo tanto que, escravizados a ele, não enxergamos que esse invólucro é somente uma casca que, com o tempo, virará pó.




[1] “Oito ou oitenta”

Fracassos ou resultados: o que eu produzo?

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Eu estava lendo algumas frases que me marcaram e que eu faço questão de escrevê-las para não esquecer e me deparei com um pensamento de nosso amigo Wanderlei Oliveira que diz: “Não existem fracassos, existem resultados”. Ela me marcou antes e continua me fazendo pensar sobre o nível absurdo de minhas exigências pessoais.
Enquanto acreditarmos que, para nos sentirmos realizados e bem-sucedidos, não podemos jamais fracassar, estaremos vivendo repletos de insatisfações e frustrações. Isso porque não sabemos o que é ter sucesso na vida!
Vamos por partes: para cada ação nossa, haverá uma reação, não é? Tal premissa advém de uma lei divina que nos rege e que não temos como escapar de sua incidência. Mas, será que entendemos que essa reação nos é sempre benéfica? Que somente pelo fato de vivenciarmos os seus efeitos já é motivo de comemoração?
Se tivermos como premissa que fracasso é não alcançarmos as metas que nos propomos, nos sentiremos desestimulados, desanimados, porque colocaremos um ponto final em nossos esforços. A partir daí, acreditaremos que não tivemos sucesso em nossa empreitada e não mais lutaremos pelos nossos sonhos.
Mas, se a verdade é que não acertarmos de primeira faz parte de nosso crescimento como indivíduos, como podemos desejar vencer todas as batalhas se não temos experiências suficiente para sabermos qual a estratégia que deverá ser melhor aplicada naquele caso específico? Necessária a utilização de cada uma dessas experiências até que se compreenda, com a somatória de todos os resultados (positivos e negativos), o que melhor se adapta àquela circunstância.
Nós perdemos a noção do nosso nível de exigência, uma exigência que nos impõe uma vitória atrás da outra, uma perfeição inatingível. Se estamos crescendo dia a dia, se estamos aprendendo com cada uma das experiências com as quais nos deparamos, não há como sabermos tudo e, por conseguinte, não há como acertamos em todas as escolhas e atitudes que tivermos. Essa verdade já nos diz que não há como evitarmos nos equivocar em alguns de nossos empreendimentos. Se não há como evitá-lo, como não queremos vivenciá-lo? E se não o vivenciarmos, como cresceremos? O erro nos impulsiona a acertar; nos faz nos aprimorar como pessoas, como indivíduos, como seres divinos.
O erro não é um fracasso, mas sim um resultado de algo que ainda não dominamos, mas que estamos nos esforçando para compreendê-lo. Quando compreendermos a essência desta experiência, não haverá mais erros.
Se assim é, o que chamamos de fracasso nada mais é do que um resultado em nossas tentativas de acerto, se tornando, por consequência, um instrumento valoroso para a nossa construção íntima, para a nossa edificação como seres melhores.
Aprendamos a valorizar as nossas tentativas de acerto. Aprendamos a nos exigir somente aquilo que temos condições para dar, porque só assim não nos ancoraremos às frustrações que não nos deixarão bem utilizar todo o aprendizado que os resultados de nossa ação nos ensinaram.

Se hoje estamos usando do fracasso para nos martirizar pela “perda” de um sonho, que o transformemos em resultados para que não desanimemos em lutar por ele. Utilizemo-nos deles para que o nosso impulsionamento seja concreto e o aprendizado seja natural e condizente com os objetivos de nossa existência neste planeta escola.