Quem são os nossos inimigos?

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Em um mundo em que todos buscam a perfeição, qual seria a melhor atitude que deveríamos tomar para sermos felizes?

Tudo ao nosso redor exige que façamos o nosso melhor, com um tempo menor, com uma eficácia fantástica... O tempo inteiro estamos lutando para nos dar bem, termos uma vida de sucesso, nos sentirmos felizes com as nossas conquistas...

Mas, será que esses são os valores com os quais deveríamos construir o nosso caminho? Será que com tantas metas inalcançáveis, estamos sendo caridosos e nos dando oportunidade para vivermos verdadeiramente? O que é viver feliz?

Em um outro artigo de nosso blog (“Comoa vida nos ensina!”), eu disse a vocês da necessidade que tive de parar... parar um minuto, parar por um tempo, parar... simplesmente, parar!

Precisei rever os meus valores, rever a minha vida, porque aquilo que realmente era importante para mim estava sendo relegado ao segundo plano de minha existência. Apesar de eu achar que estava feliz, uma insatisfação, uma ansiedade, uma angústia estavam tocando o meu ser e somente quando elas transbordaram foi que me flagrei necessitada de perguntar a mim mesma para onde eu estava indo.

Cada um de nós, em situação semelhante, daria uma resposta única e individual, mas é ela que nos leva a visualizar o que é realmente importante e quais são os valores que nos norteiam.

Por incrível que pareça, nós temos a tendência de acreditar que, em situações como essa, precisamos “lutar”. Sim, “lutar” por nossa evolução; “lutar” contra todos os valores internos e externos, e contra os comportamentos que nos fazem sofrer, mas que ainda têm força para nos ditar o que é importante em nossa vida.

Então, é o que fazemos! Todos os valores e crenças que enxergamos como prejudiciais a nós, que nos impedem de atingir os nossos novos parâmetros de vida e nos fazem sofrer se tornam os nossos inimigos e contra eles vamos “lutar”! Depois de muito esgotamento, lutando (contra nós) e odiando (a nós mesmos), perceberemos que empreendemos um esforço enorme contra um “inimigo imaginário”. Perceberemos que essa luta é inglória, que o campo de batalha é o nosso templo interior e que o inimigo, se morto, nos levará ao luto de nossa própria existência.

Temos de compreender que o principal alvo de nossos esforços é a compreensão de nós mesmos. Se enxergamos a deturpação de todos esses valores em nós e ainda sofremos as suas influências, isso somente se dá porque os aceitamos como essenciais e preciosos e que, por um tempo, nos auxiliaram (e ainda nos auxiliam) a caminhar; por um tempo, eles estavam (e ainda estão) “certos”. Então, a conclusão óbvia é que eles não eram e nunca foram nossos inimigos. Nós não éramos e nunca fomos os nossos próprios inimigos. Nós somente não sabemos ainda o que fazer para mudar.

Para entendermos melhor, trago um exemplo muito simples: o fato de um amigo não poder mais nos auxiliar, isso o torna nosso inimigo? Claro que não. Ele fez o seu papel e, diga-se, um importante papel no momento em que estava presente em nossa vida. E, mesmo que flagremos que ele não está mais apto para o auxílio, muitas vezes, não o deixaremos ir por não sabermos como agir sem ele.

Verdade seja dita, o nosso sofrimento maior é pensarmos que, por nossa vontade, construímos algo que nos traz dores e, então, não nos perdoamos. Mas, quando entendemos que nós não adotamos, intencionalmente, comportamentos ou construímos tendências que nos maltratam, nos libertamos de um sentimento equivocado de que não nos importávamos conosco, de sermos incapazes de nos proteger de nossa própria ignorância. A realidade é que nós ainda somos muito ignorantes para não abraçarmos aquilo que poderia nos trazer dor no futuro, mas, já crescemos o suficiente para nos modificarmos a cada instante em que nos enxergarmos no caminho equivocado.

Por isso, enxerguemos em nós a vontade de progresso, utilizando os instrumentos que temos (certos ou errados) para conseguirmos ultrapassar todas as dificuldades do caminho.


Estejamos certos ou não, será pela prática que enxergaremos como estamos trilhando o caminho por nós escolhido. Escutamos de todos os lados que o inimigo está em nós ou no outro. Mas, se nada é por acaso e tudo nos evolui, este inimigo não existe!