Natal, época de felicidade?

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Dezembro é um momento de festas. O Natal está chegando! Para muitos, um período de muita felicidade, para outros, de dor e sofrimento.

Podemos nos perguntar: por que alguém pode se sentir infeliz numa época de bênçãos e luzes? A resposta é bem simples: porque cada um, por motivos particulares e individuais, deixou de sentir o que torna o Natal especial.

Para uns, o natal é um momento mágico, porque sentem em seus corações a oportunidade de se verem mais profundamente ligados ao Pai e ao Seu Filho muito amado. Porque cada um de nós se sente aniversariando juntamente com Jesus.

Se, a cada aniversário nosso, temos a oportunidade de ver que mais um ano se passou e o quanto crescemos e aprendemos as lições da vida, imaginem quando passamos pelo aniversário de alguém tão especial como Jesus. Ele nos foi apresentado, século após século, como um exemplo de vida, de ensinamentos marcantes sobre como poderemos amar e nos fazermos mais presentes na vida do outro, seja ele um familiar, seja ele um estranho. Jesus se deparava, todos os dias, com muitos “estranhos” em sua caminhada, mas a ninguém rechaçava. Todos cabiam em Seu coração, todos se sentiam acolhidos por Ele.

Em razão de Sua postura, de Seu exemplo de vida, de Sua coerência no falar e no agir, foi escolhido por muitos de nós como aquele professor humilde de quem aceitamos os seus sábios conselhos para melhor vivermos. Só que isso somente é uma verdade para nós quando acreditamos Nele, quando acreditamos que Ele está ao nosso lado, nos amparando, nos acolhendo, nos acompanhando em cada experiência de nossas vidas.

Infelizmente, muitos de nós tivemos, nesta ou em outras experiências reencarnatórias, muitas decepções, mágoas, dores e sofrimentos. Então, se não aceitamos a bondade divina como certa para nossa existência (como um dogma) ou se não compreendemos o Segredo da Vida neste planeta escola, não conseguiremos nos sentir amados por Deus; questionaremos o Seu amor por nós; nos sentiremos desamparados por Ele.

O segredo da vida encarnada é simples, mas depende de nós aceitarmos tal segredo com verdadeiro: Deus, em Seu infinito amor, entrega em nossas mãos (com uma certa ajudinha de nossos instrutores) o destino de nossas vidas. No patamar evolutivo que temos, já podemos construir a base de nossa existência, através de nossas ações e escolhas. Então, o que vivemos faz parte de nossa plataforma de vida planejada por nós para o nosso crescimento. Se não cremos nisso, nos deixamos contaminar pelo desespero, pela tristeza infinita de acreditarmos que Eles (Deus e Jesus) não nos querem bem.

Trago, para ilustrar o que quero dizer, uma passagem do livro “Perdão, a Chave para a Liberdade”, de Ezequiel, onde Onofre conversava com a sua esposa sobre a sua dificuldade em aceitar ser feliz tendo o seu filhinho falecido há pouco tempo. Ante a resposta dela[1]...

“Henrique não o deixou só. Ele sabia que teríamos um ao outro. O que ele fez foi nos deixar uma lembrança de tempos muito felizes e isso jamais poderá ser pago por nós. Uma vez ele me disse que sua vinda a esse mundo tinha o propósito de nos mostrar que Deus nos amava, dando-nos a oportunidade de vivermos juntos por alguns anos. Eu achei que tinha entendido, na época, mas agora eu entendo mais. Ele já sabia que iria mais cedo. Como ele sabia disso, eu não sei. Mas, na minha visão, isso só prova que ele era realmente um anjinho e que Deus nos possibilitou vivermos com a presença dele. Isso é o amor de Deus para conosco.”

... Onofre concluiu consigo[2]:

“Pensando bem, em nenhum momento eu fiquei desprotegido em minha vida. Quando o meu pai morreu, eu tinha minha mãe; quando minha mãe se foi, logo depois eu conheci Luíza que preencheu a minha vida por completo; depois, nós tivemos Henrique, que foi um jardim florido para mim. No entanto, até agora, eu só me vi envolvido com as preocupações mundanas. Somente agora, que eu me flagrei querendo morrer, que eu entendi porque eu era tão revoltado com Deus. Porque pensava que Ele não me amava e só queria me punir. E, se Deus me punia, era porque eu não tinha sido um bom filho, levando o meu pai a sair sempre de casa para beber. Eu achava que o meu pai não via nada de bom em mim. Somente agora, com tudo isso, pude enxergar que ele bebia porque ele queria e que não era eu o causador de seu vício. Talvez, como eu, ele também precisasse se encontrar. Somente agora, que me deparei comigo mesmo, consigo ver e sentir as bênçãos de Deus na minha vida”.

Se perdemos alguém que amamos, se não conseguimos o emprego que sonhamos, se não temos a condição financeira que almejamos, nos rebelamos contra o Pai que, para nós, os Seus filhos rebeldes, deveria nos prover daquilo que acreditamos merecer.

Nos colocamos tão decepcionados com a vida, com as verdades estampadas e com o caminho que trilhamos que queremos dar às costas a tudo o que eles representam. Então, o primeiro que rechaçamos somos nós, pela decepção que sentimos de nós mesmos, e, depois, Jesus, porque Ele é o exemplo de como deveríamos viver, mas não o fazemos. Ele não é o Caminho, a Verdade e a Vida?

Mas, podemos mudar. Podemos buscar a compreensão de suas palavras. Podemos compreender que Ele jamais exigiu de nós algo que não conseguíamos fazer. Em nossos momentos de desilusão, podemos nos sentir tristes, podemos ter raiva e não conseguir perdoar, mas Ele aguardará que consigamos, cada um ao seu tempo, buscar esses instrumentos que nos fariam deixá-Lo adentrar em nós e nos consolar.

Jesus nos ensinou e continua nos ensinando, através de cada experiência que vivemos, que podemos fazer escolhas notáveis para o nosso bem estar. Então, Jesus aguarda. Ele aguarda cada irmão Seu lhe dar espaço em seu ser para que Ele possa promover os milagres da felicidade, da realização e do crescimento incessante.

A partir daí, todo aniversário será um momento de realização, principalmente, o de Jesus em nossa vida. A partir daí, não haverá dúvida em nossos corações que o Natal será sempre um momento de felicidade para todos nós.




[1] Machado, Adriana. Perdão: a chave para a liberdade (Kindle Locations 802-807).  . Kindle Edition.
[2] Machado, Adriana. Perdão: a chave para a liberdade (Kindle Locations 811-817).  . Kindle Edition.

Homofóbico, eu?

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Para não haver dúvidas, uma pessoa homofóbica é aquela que tem rejeição ou aversão ao homossexual e à homossexualidade. Homossexual, por sua vez, é a pessoa que sente atração por pessoas do mesmo sexo.

Gostaria de deixar claro que a homossexualidade e a homofobia são uma realidade no mundo, mas precisamos entender o perigo de tudo se generalizar, porque nem toda opinião contrária à homossexualidade é contrária ao homossexual, bem como o fato de alguém não desejar ser homossexual, não significa que ele é contrário à homossexualidade. Temos a tendência de, generalizando, imputarmos ao próximo preconceitos que, talvez, ele não os possua. Podemos não gostar de verduras, mas não odiar os vegetarianos!

De qualquer forma, em nosso país, existem muitas pessoas que, declarada ou veladamente, são contra o sentimento/relacionamento homoafetivo. Precisamos relembrar que, para um país que até hoje vê com estranheza um casal inter-racial, não seria diferente com um casal homossexual!

Pensando nisso, podemos ter uma ideia do que “somos” hoje como seres humanos. Ainda temos dificuldade de enfrentar o que é novo, de perceber que o que antes poderia ser uma verdade, hoje, ela pode ter sido superada. Para alguns, tudo isso é errado. Algumas pessoas ainda estão vinculadas a ideias equivocadas de um país que foi, por muito tempo, escravocrata (e, por isso, a verdade propagada era que os negros não tinham alma) e que foi, por muito tempo, orientado que a homossexualidade era um pecado. Ainda hoje, existem pessoas que pregam essas vertentes como se pecaminosas fossem. Então, não será de uma hora para outra que essas ideias serão extirpadas de nosso consciente individual e coletivo. E quando digo nosso consciente, estou também englobando os próprios alvos de quem nos referimos, porque muitos deles não se aceitam como são. Mas, tal evolução consciencial acontecerá com cada um de nós, isso eu tenho certeza. Diante de tudo isso, podemos entender porque, em pleno século XXI, ainda há dificuldade de se aceitar um casal inter-racial ou homossexual.

Durante séculos, muitas foram (e ainda são) as pessoas alvo de preconceito vindo de terceiros que tinham (e ainda têm) dificuldade de entenderem as escolhas das primeiras, não as aceitando antes, não as aceitando agora. Quantos foram (e ainda são) expulsos de seus lares, por seus próprios pais, somente porque eles são o que são? É triste, mas, não vamos criticar imediatamente esses genitores. Pensem a que nível está a crença desses pais que, por acharem que isso é abominável ou pecaminoso, acreditam que não podem mais amar o seu próprio filho?

Em uma sociedade que pensava assim desde muitos séculos atrás, como esta poderia dar um salto e aceitar naturalmente aquilo que lhes é dito, somente agora, como certo e natural? Não há como exigirmos isso, mas podemos começar a orientar. Cada um de nós (que se importa) tem em seu cerne os aprendizados das vidas vividas. Cada um de nós já aprendeu alguma coisa e é com esse aprendizado que vamos nos flagrar preconceituosos (ou não) e nos lapidar para ajudarmos àqueles que ainda nada aprenderam.

Vemos estudos onde se comprova que as crianças tendem a não alimentar o preconceito que trazem dentro de si latente. Elas, se bem orientadas, não alimentarão aquilo que podem ter trazido de outras vidas (como no caso do preconceito) e ainda terão a oportunidade, numa sociedade mais conscientizada, de se verem trabalhando os seus próprios sentimentos menos nobres sobre as escolhas alheias.

O homem preconceituoso (homofóbico, racista, etc) é aquele ser que ainda não aprendeu a lidar com os seus próprios sentimentos em relação a si mesmo. Ele luta incansavelmente para lidar com as suas ideias deturpadas, porque entende que está certo num mundo que está se perdendo. Por isso, quando o homem preconceituoso se une a outro com o mesmo ideal, normalmente, eles se tornam violentos em defender as suas ideias porque, sem a razão, é a violência que impera para implantar uma “verdade” unilateral. 

Mesmo que quiséssemos defender a homofobia baseada na ideia da programação antecipada da nossa vida terrena e, por causa dela, entendêssemos que viemos homem ou mulher com um propósito e que não devemos deturpar o gênero para aprendermos com ele e suas limitações, ainda assim, não podemos esquecer que somos portadores de livre arbítrio e, por isso, aprenderemos de uma forma ou de outra sobre como lidar com as nossas escolhas, emoções e sentimentos.

Amar é natural. E se é natural, estarei cometendo pecado se amamos incondicionalmente alguém que é do mesmo gênero que nós?

Fica a reflexão.



[1] Neste artigo, não gostaria de entrar na discussão sobre a programação de vida de cada um de nós como homens ou mulheres, mas sim sobre o amor que podemos sentir pelo nosso próximo.

O divórcio sob a visão de um Deus Justo

09:30 8 Comments A+ a-


Hoje em dia, é muito natural para alguns pensarem que se não estamos satisfeitos com o nosso relacionamento e não mais desejamos continuar com o companheiro escolhido é só comunicá-lo e... tudo acabou!¹  Mas, não era assim antes e não é tão simples assim agora².

Como muitos estão lembrados, em nosso país, até pouco tempo atrás, existia uma obrigatoriedade legal de que o casamento somente se findaria com a morte de um dos cônjuges, inadmitindo o divórcio. A igreja católica ainda não o aceita e tal concepção não veio ao acaso. Sem querermos colocar em discussão sobre a Bíblia ter sido alterada por mãos humanas, em uma de suas passagens, Jesus foi questionado sobre o divórcio e Ele foi categórico ao responder que “Não separe, pois, o homem o que Deus uniu.”

Bem, tentando entender o que Jesus quis nos ensinar sobre o divórcio há mais de dois mil anos, busquei em mim o que eu considero condizente com a imagem que tenho de Jesus e, principalmente, de Deus. Se não concebo que Deus faz algo imperfeito, não conseguiria aceitar que Jesus confirmaria algo que estivesse imperfeito ou sem base nas leis divinas.

Ele afirmou que “não poderíamos separar o que Deus uniu”. Mas, o que significa isso para os dias atuais em que o divórcio, no Brasil e a cada dia, está mais fácil de se conseguir? Pensei no caso de que, quando estamos para reencarnar, formulamos, juntamente com os nossos instrutores, o melhor para a nossa programação de vida. Escolhemos aquilo que é extremamente importante para o sucesso de nossas metas: local de nascimento; partes da nossa personalidade que desejamos depurar; quem faria parte de nossa vida, como os filhos, companheiros de jornada, pais, irmãos, etc... (cada um, em seu planejamento, fechando o do outro para que, num grande mapa, todos possam participar dessa divina oportunidade de crescimento coletivo).

Então, a partir do momento que estamos nos organizando para tal experiência, as leis cósmicas nos colocam juntos e unidos com um único ideal: que dê certo! Deus nos uniu pelos laços do resgate de nós mesmos, nos abraços dos outros, na compreensão alheia de nossas falhas humanas por meio daqueles que seriam os mais aptos para as conciliações devidas, bem como no rigorismo daqueles que poderiam nos colocar no caminho mais reto de nossa proposta reencarnatória (“Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne.” - Marcos 10:7,8). Aqui, é trazida a figura dos pais e dos filhos.

Mas, Jesus continua explicando: “Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério." (Marcos 10:11,12).

Fiquei algum tempo pensando nessa passagem, admito. Fechei os meus olhos e busquei entendimento. E, aí, veio-me à mente a ideia de que Jesus designou como adúltero somente o cônjuge que repudia o seu companheiro, mas não o repudiado. O interessante é que o conceito de repudiar, vai além do “separar-se através do divórcio”. Ele significa “desamparar alguém, deixar em abandono; rejeitar, repelir”.

Analisando agora o conceito de adultério, ele vai além da “infidelidade conjugal”,  também é falsificação e adulteração.

Fiquei imaginando os casos de violência doméstica, de casamentos arranjados, onde um dos cônjuges, para sua própria sobrevivência, necessita se desligar dessa relação tóxica. Lembrando que, se não existem vítimas na aplicação das leis divinas, então, aqueles que vivem tais experiências, não estão sendo alvos de uma punição divina, mas sim tendo uma oportunidade de aprendizado e crescimento interior. Quando estes forem alcançados, nada mais há que os leve a continuar vivenciando essa experiência. Entendo que, naturalmente, os laços poderão ser desfeitos.

Consegui, finalmente, compreender que Jesus quis ir além da ideia de separação de um casal, mas sim de não sermos fieis às verdades em nosso relacionamento. O adúltero não seria, simplesmente, aquele que pede a separação, mas aquele que lhe deu causa. Aquele que não teria “motivos justificáveis” para abandonar um projeto de vida elaborado, tão exaustivamente, para o crescimento daquela coletividade mencionada anteriormente, mas deu causa ao abandono.

Por isso, compreendi também que a proibição do divórcio na visão de nosso Deus Justo está Nele jamais exigir algo de nós que ainda não temos condições de fazer; de amar plenamente aqueles que estão ao nosso redor; de compreendê-los plenamente em suas dificuldades, de aceitá-los integralmente como são.

Acredito que, quando Jesus falou que o divórcio somente existia em razão da rudeza³ de nossos corações, ele estava nos descrevendo não somente no antes, mas também no agora. Se assim é, não temos como nos ligar ainda ao outro por laços inquebrantáveis porque nos tornaríamos algozes de nossos companheiros e mártires de nós mesmos, mas a cada uma das experiências que tivermos, buscaremos agir com o melhor de todo o nosso aprendizado.

O divórcio, na visão de nosso Deus Justo, é somente um instrumento, onde se errarmos, retornaremos para consertar aquilo que, por ignorância e coração embrutecido, ainda não compreendemos.



[1] Nossas concepções vão mudando com o tempo, mas nunca de uma forma pacífica. Muitas pessoas, para mudarem os valores de uma sociedade, sofrem muita discriminação e são alvo de muitas críticas. Isso se dá pelo medo dos seus conterrâneos (ou do mundo) das mudanças que aquelas pessoas estão propondo em suas vidas.
[2] Muitas consequências são produzidas a partir desse relacionamento e teremos que arcar com elas em algum momento. Mas, isso é assunto para outro artigo.
[3] Chegaram os fariseus e perguntaram-lhe, para o pôr à prova, se era permitido ao homem repudiar sua mulher. Ele respondeu-lhes: "Que vos ordenou Moisés?" Eles responderam: "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mulher." Continuou Jesus: "Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei;” (Marcos 10:2-5)

Quem são os nossos inimigos?

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Em um mundo em que todos buscam a perfeição, qual seria a melhor atitude que deveríamos tomar para sermos felizes?

Tudo ao nosso redor exige que façamos o nosso melhor, com um tempo menor, com uma eficácia fantástica... O tempo inteiro estamos lutando para nos dar bem, termos uma vida de sucesso, nos sentirmos felizes com as nossas conquistas...

Mas, será que esses são os valores com os quais deveríamos construir o nosso caminho? Será que com tantas metas inalcançáveis, estamos sendo caridosos e nos dando oportunidade para vivermos verdadeiramente? O que é viver feliz?

Em um outro artigo de nosso blog (“Comoa vida nos ensina!”), eu disse a vocês da necessidade que tive de parar... parar um minuto, parar por um tempo, parar... simplesmente, parar!

Precisei rever os meus valores, rever a minha vida, porque aquilo que realmente era importante para mim estava sendo relegado ao segundo plano de minha existência. Apesar de eu achar que estava feliz, uma insatisfação, uma ansiedade, uma angústia estavam tocando o meu ser e somente quando elas transbordaram foi que me flagrei necessitada de perguntar a mim mesma para onde eu estava indo.

Cada um de nós, em situação semelhante, daria uma resposta única e individual, mas é ela que nos leva a visualizar o que é realmente importante e quais são os valores que nos norteiam.

Por incrível que pareça, nós temos a tendência de acreditar que, em situações como essa, precisamos “lutar”. Sim, “lutar” por nossa evolução; “lutar” contra todos os valores internos e externos, e contra os comportamentos que nos fazem sofrer, mas que ainda têm força para nos ditar o que é importante em nossa vida.

Então, é o que fazemos! Todos os valores e crenças que enxergamos como prejudiciais a nós, que nos impedem de atingir os nossos novos parâmetros de vida e nos fazem sofrer se tornam os nossos inimigos e contra eles vamos “lutar”! Depois de muito esgotamento, lutando (contra nós) e odiando (a nós mesmos), perceberemos que empreendemos um esforço enorme contra um “inimigo imaginário”. Perceberemos que essa luta é inglória, que o campo de batalha é o nosso templo interior e que o inimigo, se morto, nos levará ao luto de nossa própria existência.

Temos de compreender que o principal alvo de nossos esforços é a compreensão de nós mesmos. Se enxergamos a deturpação de todos esses valores em nós e ainda sofremos as suas influências, isso somente se dá porque os aceitamos como essenciais e preciosos e que, por um tempo, nos auxiliaram (e ainda nos auxiliam) a caminhar; por um tempo, eles estavam (e ainda estão) “certos”. Então, a conclusão óbvia é que eles não eram e nunca foram nossos inimigos. Nós não éramos e nunca fomos os nossos próprios inimigos. Nós somente não sabemos ainda o que fazer para mudar.

Para entendermos melhor, trago um exemplo muito simples: o fato de um amigo não poder mais nos auxiliar, isso o torna nosso inimigo? Claro que não. Ele fez o seu papel e, diga-se, um importante papel no momento em que estava presente em nossa vida. E, mesmo que flagremos que ele não está mais apto para o auxílio, muitas vezes, não o deixaremos ir por não sabermos como agir sem ele.

Verdade seja dita, o nosso sofrimento maior é pensarmos que, por nossa vontade, construímos algo que nos traz dores e, então, não nos perdoamos. Mas, quando entendemos que nós não adotamos, intencionalmente, comportamentos ou construímos tendências que nos maltratam, nos libertamos de um sentimento equivocado de que não nos importávamos conosco, de sermos incapazes de nos proteger de nossa própria ignorância. A realidade é que nós ainda somos muito ignorantes para não abraçarmos aquilo que poderia nos trazer dor no futuro, mas, já crescemos o suficiente para nos modificarmos a cada instante em que nos enxergarmos no caminho equivocado.

Por isso, enxerguemos em nós a vontade de progresso, utilizando os instrumentos que temos (certos ou errados) para conseguirmos ultrapassar todas as dificuldades do caminho.


Estejamos certos ou não, será pela prática que enxergaremos como estamos trilhando o caminho por nós escolhido. Escutamos de todos os lados que o inimigo está em nós ou no outro. Mas, se nada é por acaso e tudo nos evolui, este inimigo não existe!

Viver na Guerra é Carma?

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Eu estava conversando com uma amiga e do nada eu lhe disse: “Su, me dê um tema para eu escrever? Aiai não sei sobre o que falar no blog...”

Então, ela veio com o tema em que estamos discorrendo, porque ela viu, em uma reportagem, uma menina de sete anos que está postando na internet, com todas as dificuldades de um lugar em conflito, a sua dor e a sua vontade de viver em paz.

O engraçado é que esse tema não foge ao teor do novo livro de Ezequiel “Nem tudo é carma, mas tudo é escolha”.

Por incrível que pareça, pensamos que viver em um país em guerra seria um carma da coletividade; que aquelas pessoas estão ali para pagarem por seus erros de outrora, mas não é só isso.

Primeiro, temos que lembrar que quem começa uma guerra o faz por sua simples escolha. Seja o presidente de uma nação, seja o povo que o incita, tudo começou por uma escolha. E continua, pela execução de novas escolhas.

Essas escolhas estão intimamente relacionadas a nossa forma de enxergar a vida, aos nossos conceitos e preconceitos, às nossas crenças. Assim, da mesma forma que Deus não programou, no pretérito, as guerras mundiais e as guerras santas, estas e as que existem ainda hoje são um reflexo da nossa humanidade ignorante que não aceita as diferenças, que não tolera ser contrariada.

Então, quando a guerra é proclamada, a partir dessa escolha humana, a Providência Divina agirá para que os reflexos dessa escolha insensata sejam úteis para os que nela viverem as suas experiências. Daí, começa uma mistura de carmas e escolhas.

Muitos poderão pedir para vir neste território em conflito para poderem superar as mazelas que acreditam ser portadores; muitos poderão vir para enfrentar a si mesmos e superar os seus traumas; muitos que não necessitam experienciar por muito tempo a dor da guerra, se verão com coragem para sair daquele território que já foi o seu lar e buscar conforto no território alheio; muitos se colocarão como voluntários divinos na tarefa de conscientização e conforto aos que lá já se encontram.

Mas, precisamos entender que a guerra em si não modifica ninguém. Ela é somente um fato que pode impulsionar uma possível mudança, positiva ou negativa, segundo a vontade daquele ser humano que nela vivencia ou vivenciou as suas dores.

Temos visto as duas faces da guerra, as duas formas que o povo, a ela submetido, reage: uma, em que a busca e a conscientização da paz se torna meta de vida e, outra, onde a vingança é a aplicação da justiça contra os seus algozes. Qualquer uma dessas metas pode ser absorvida pelo povo em conflito ou mesmo por toda a humanidade que, num mundo globalizado, acompanha os terríveis reflexos da guerra alheia.

Porque ainda existem essas guerras se já passamos por tantos conflitos que deveriam ter ensinado algo à humanidade? Porque somos pessoas que tem aprendizados únicos e particulares, e estes nos levam a caminhos únicos e particulares escolhidos por nós a cada experiência. Lembrando que, hoje, no patamar evolutivo que temos, poucos são aqueles que são obrigados a reencarnar compulsoriamente, então, quando ao reencarnarmos, por exemplo, nos colocamos para vivenciarmos um momento de conflito, temos em nós a vontade de superarmos as nossas tendências violentas através de uma vivência na violência. Mas, quando estamos na dor, somente a nós caberá a escolha e a responsabilidade do caminho a percorrer.

Entendamos que por mais que o nosso planeta esteja no processo de regeneração, ainda estamos na fase da seleção daqueles que nele ficarão. Então, muitos de nós estão buscando superar nossos carmas com escolhas melhores a cada dia. Mas, o que é melhor?! Somente a nós caberá definir.


Sabemos o que nos impulsiona?

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Em uma conversa muita animada com uns amigos, saí me perguntando o que nos impede de fazer para nós o que já sabemos que é certo? Fazer uma dieta, se estamos passando mal; entrar em uma academia, se estamos tendo problemas musculares ou físicos; sair de um emprego, se ele não me faz feliz; abraçar uma nova postura de vida se a que temos nos desagrada ou até nos machuca em praticá-la...

É engraçado como a gente luta para não fazermos algo diferente! É engraçado como a gente resiste em tomar atitudes novas, mesmo quanto está claro para nós que elas são extremamente necessárias!

Então, o que nos impede de realizá-las?

Cada um de nós tem o seu motivo pessoal (certo ou não) para não querer abraçar aquilo que já consegue enxergar como necessário para o seu bem estar.  

Dando um exemplo bem do cotidiano: aquela pessoa que está cheia de dores na coluna e o médico afirma categoricamente que ela necessita fazer exercícios para o fortalecimento da musculatura de suas costas. Ela sai do consultório dizendo que buscará uma academia, mas os dias passam e ela enrola e não toma providência para matricular-se. O tempo inteiro afirma que odeia academia e que fará isso porque precisa, mas, no “frigir dos ovos”, ou não vai ou se vai, para de ir pouco tempo depois. O que acontece com ela?

Como eu disse antes, cada um tem o seu motivo e ele, não se iludam, é extremamente importante para essa pessoa, mesmo que ela não saiba conscientemente que motivo seria esse. Por incrível que pareça, fazemos muitas coisas na vida que não percebemos o que nos move. Podemos dizer simplesmente que gostamos (ou não) de algo e por isso o fazemos (ou não), mas, na maioria das vezes, esse gostar (ou não) está escondendo os reais motivos de nossas ações.

“Eu tenho um marido que me bate”, diz alguém. “Mas, eu não posso sair de casa porque não tenho para onde ir.” Se esta pessoa fizesse uma análise muito pessoal de seus sentimentos e emoções veria que não é “porque não tem para onde ir” que a impede de sair de casa.

Normalmente, essa pessoa tem outros motivos, muito mais profundos e pessoais do que os que ela suporta para não fazer mudanças em sua vida. Eles são ainda tão fortes para ela que, apesar das dores sentidas, não consegue mudar a sua situação... até que um dia o “ deixar de apanhar” se tornará o motivo primário de sobrevivência e ela sairá de casa, ultrapassando todos os seus motivos anteriores mais ocultos.

Usei um exemplo que choca, mas isso também serve para outros mais amenos, como no exemplo acima da academia. Quantas vezes precisamos sentir dores insuportáveis para sairmos da inércia e entrarmos em uma academia? E depois, temos a tendência de sairmos dela quando a dor ameniza. Voltando a dor, retornaremos (ou não) para os exercícios, torcendo para que, executando-os (ou não), fiquemos bem.

Interromperemos esse ciclo somente quando percebermos que essa nova postura é necessária e não dá (ou dá?) para voltarmos ao estado de inércia que vivíamos antes.

É uma atitude muito inteligente buscarmos parar um minuto e tentar verificar em nosso ser se o motivo predominante que nos impulsiona a agir como agimos deveria continuar prevalecendo, apesar da necessidade que surgiu em nossa vida.

Esse é um espelho da vida: agiremos como sempre agimos até que algo (dor) nos impeça de continuar. Se acontecer deste algo (dor) não mais existir, insistiremos em voltar ao conforto das ações do pretérito (inércia) até que outro algo (dor mais agravada) nos exija reformulação de atitudes (sair da inércia), até que a gente perceba que não dá mais para continuarmos naquelas atitudes equivocadas do pretérito.

Dietas, exercícios, término de relacionamento... são atitudes que nos exigem mudanças de comportamentos, que nos exigem sair do que conhecemos e vivermos o desconhecido. Tudo isso pode assustar, tudo isso assusta a muitos de nós!

Confiemos que podemos fazer essas escolhas. Confiemos que estamos preparados para enfrentar essas novidades. Nem sempre poderemos ter o domínio de tudo, mas antes de nós, Deus domina, Deus sabe, Deus nos quer bem. Entreguemos a Ele o domínio e vivamos com a certeza de que não estamos sozinhos nos percursos de nossa jornada, dando-nos a oportunidade de abraçarmos o que é novo e melhor para nós.


Um ano da catástrofe do Rio Doce

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Este mês completa um ano que postei o texto “O Rio Doce somos nós?” onde tentei fazer uma comparação entre o que fazemos com a nossa vida e o que fizemos ou deixamos de fazer em relação àquele rio que era tão importante para todos nós, que era, e ainda é para alguns sinônimo de sobrevivência.

Um ano da tragédia se passou, como também um ano de maior crescimento individual para todos nós. E o que fizemos, enquanto sociedade prejudicada, para que a situação mencionada ficasse mais amena e resolvida? O que fizemos em prol de nós mesmos? 

Claro que essa resposta é individual e intransferível, mas eu posso dar aqui algumas visões sobre o que penso.

O que é um ano de uma vida? Para um bebê, esse um ano pode ser toda a sua vida; para uma criança, mais de um terço dela; para um adulto, pode ser somente mais um ano. Para aqueles que acreditam em reencarnação, pode ser apenas um milésimo de uma vida que é eterna; para os que não acreditam, pode ter sido apenas mais um ano e que outros virão... 

Para cada um, esse “um ano” tem um significado. Eu acredito, sem pesar, que este “um ano” foi um presente divino que passou e não voltará mais. O mais importante é o que ele deixou para nós e como reagimos, não o que pensamos sobre ele! 

Precisamos entender que, mesmo sendo eternos e tendo a oportunidade de voltarmos para mais uma vida encarnada, ou podermos viver mais um ano nesta mesma existência, não retira desse “um ano” a verdade dele ter sido uma oportunidade única, porque naquele momento éramos únicos também. Quem eu sou hoje, não é quem eu era nesse um ano atrás. Então, as experiências que eu vivenciei, as fiz de maneira única, com dificuldades únicas e aprendizados únicos. Toda a gama de experiências que apreendi nesse período foi única e que me fez ser esse alguém que sou hoje. O ano não foi perdido jamais, mas ainda assim poderia ter sido melhor aproveitado se eu entendesse que era preciso estar atento a cada momento sem deixar passar nenhum “ano”.

Tentarei explicar de uma maneira bem simples: tudo o que vivo se incorpora em mim, fazendo parte de quem eu estou no meu presente. Tudo o que vivencio me preparará para uma nova experiência no meu presente/futuro, mas, se eu não me percebo diariamente, como posso bem vivenciar as experiências e aproveitar bem as oportunidades que a vida me dá? Se vou sendo preparado pela vida a cada instante, como agir em determinadas circunstâncias se não estava atenta aos aprendizados? Com certeza, as ditas situações em que vivo serão vistas e sentidas por mim com maior dificuldade, porque precisarei tomar duas posturas ao mesmo tempo: buscar em mim o que poderia ter absorvido naquele ano gradativamente e enfrentar as dificuldades do meu dia, tudo de uma vez só. Não é fácil! 

Não estou aqui pregando que devemos ficar paranoicos para absorver todos os aprendizados vivenciados, mas sim que estejamos razoavelmente atentos para o que acontece conosco. Muitos de nós, infelizmente, estão vivendo a vida como aquele motorista que pega o seu carro e se dirige para o seu escritório sem perceber o caminho que percorreu! E pior, muitas vezes, se leva para o escritório quando queria ir para o parque com os seus filhos! Esse exemplo simples nos mostra como estamos nos automatizando e não vivendo plenamente os nossos dias.

Para aqueles que acreditam na reencarnação, é muito pior! Porque se sabemos que teremos todas as oportunidades para compreendermos o nosso Ser e crescermos, teríamos de entender que esse “um ano” é muito precioso para ser ignorado! Cada dia, cada semana, cada mês e cada ano, é um complexo dedicado a cada um de nós para nos libertarmos de nossas mazelas que nos escravizam a dores desnecessárias.  

Um ano de uma tragédia dolorosa ou, simplesmente, um ano de nossas vidas, é um instrumento valoroso que Deus nos dá para crescermos, para compreendermos as nossas emoções, para nos compreendermos como pessoas. Mas, só dependerá de nós como desejamos passá-lo ou no ano seguinte que será um reflexo de como vivemos nesse ano que passou.

Observemo-nos, sem obstinação, todos os dias, para que estejamos preparados para as novas experiências e, assim, as enfrentaremos com menos dores, porque, como no caso daqueles mais atentos que veem que a represa pode romper, se eles já fizeram tudo o que podiam, os danos, no momento da catástrofe, serão sempre minorados. 


Assim também é a nossa vida!    

Como a vida nos ensina!

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Como todos vocês devem já estar sabendo, o livro do Ezequiel “Nem tudo é carma, mas tudo é escolha” acabou de ser lançado pela Editora Dufaux. O primeiro lançado por ela foi há um ano atrás (“Perdão, a Chave para a Liberdade”). E pensando sobre isso, eu me flagrei com o seguinte pensameento: “Nossa! Como é a vida!”

Há pouco menos de seis anos, eu passei por um momento de grandes dores emocionais, porque tive de fazer uma escolha muito difícil na minha vida. Eu precisava parar de trabalhar.

Muitos foram os fatores que me levaram a tomar essa decisão, mas tenho que confessar que dois deles foram preponderantes: o meu desgaste físico e o emocional. Quando eu resolvi definitivamente parar, após uma batalha interior intensa, o meu estado emocional estava em frangalhos. Adivinhem o que se passava na minha cabeça? Que eu estava escolhendo ir de encontro a todos os valores que a sociedade de hoje diz que são importantes para uma mulher e a tornam digna de respeito: sua independência financeira e sua carreira de sucesso. E eu tinha as duas! Sabem, por todo o período em que eu trabalhei, o fiz intensamente, sem tirar férias, quando muito, uns dez dias no máximo por ano.

Naquele momento, os meus amigos e parentes foram contra eu ter uma atitude tão drástica. E eu tinha certeza que a sua reação era por amor a mim, mas, eu não tinha mais condições de continuar.

Meus filhos ainda eram pequenos e eles quase não me viam. Mesmo que eu tentasse dar a eles o melhor que a qualidade de minha presença pudesse lhes conceder, eu me sentia ausente de suas vidas. Também, me sentia assim em relação ao meu marido. Estava desgastada com o tipo de atividade que eu escolhi e que, antes, amava quando percebia que fazia diferença na vida de alguém, mas que eu, ao final, internamente, já não queria mais abraçá-la.

Por isso, quando eu não podia mais sustentar essa situação, parei de trabalhar e... doeu, doeu muito. Foram meses em que fiquei no suspense de me ver arrependida da atitude que tomei. Tentei me adaptar e me vi muito insegura porque estava sendo alvo de inúmeras críticas veladas por muitos conhecidos e desconhecidos à minha volta. Como podemos rotular alguém somente pelo fato dele não estar trabalhando fora?

Por incrível que pareça, eu me sentia muito mais exausta fisicamente depois que parei de trabalhar fora do que antes, quando o meu horário de trabalho era sobrecarregado. Eu “era” “somente” mãe, “somente” filha, “somente” sobrinha e enfermeira, “somente” dona de casa, “somente” esposa, “somente” médium... Entendam que eu coloquei o “era” entre aspas, porque eu realmente abracei as tarefas que a vida foi me solicitando. Eu “era” tudo plenamente, como ainda sou. Mas, o “somente” me foi rotulado pelos outros... e, infelizmente, por mim também que o aceitei. Que pena que levei tanto tempo para perceber que eu deixei que a opinião depreciativa dos outros sobrepujasse a minha visão otimista (que lutava para sobreviver), porque aquela somente deixou de me maltratar quando eu tomei consciência de meu próprio valor.

Uma amiga me disse naquele período: “Você não deixou de trabalhar, você parou de receber pelo trabalho que faz. É diferente!” Se olharmos para o lado, Deus está sempre conosco na figura dos amigos sinceros, dos familiares que nos amam... e daquelas experiências que nos auxiliam a enxergar e trabalhar as nossas dificuldades internas... E eu só tinha que convencer a mim mesma!

Mas, por que eu falei com vocês, lá no início, sobre os livros do Ezequiel? É muito engraçado a gente analisar o passado e ver como a vida trabalha a nosso favor! Foi somente quando eu estava mais segura sobre mim mesma que Ezequiel reapareceu na minha vida e me fez a proposta de escrever mais um livro. A partir daí, percebi que o momento daquela atividade tinha findado e começado um novo momento.

Por isso, gostaria que vocês pudessem olhar para uma circunstância ou o momento desgastante em que vocês estão vivendo e percebessem que ele(a) pode ser somente o início de uma nova etapa. Talvez uma etapa que vocês nem imaginam que irão abraçar, mas que a vida lhes trará os instrumentos necessários para que se sintam aptos para a tarefa.

Eu, desde sempre, sentia que não iria continuar “trabalhando fora” por muito tempo[1], e afirmava isso para os outros, mas quando precisei tomar a decisão de encerrar esse ciclo, não foi fácil. Tive de ultrapassar muitas crenças interiores. Por isso, não temam. Confiem no Pai, confiem na Vida, que as realizações pessoais que abraçamos, em nosso planejamento reencarnatório, acontecerão como devem acontecer.

Se tivermos olhos e ouvidos para a Vida, não construiremos o sofrimento que nos impedirá de nos sentirmos realizados em qualquer atividade abraçada, porque em qualquer uma delas estaremos em consonância ao que a Lei Divina do Trabalho apregoa!





[1] Mas, isso é assunto para um outro post.

Não julgueis, para que não sejais julgados.

14:15 0 Comments A+ a-



Esse ensinamento de Jesus é, hoje, muito comum de ser ouvido em nossos dias. Ouvimos e o falamos o tempo inteiro. Mas, vocês já pararam para pensar a extensão de seu entendimento?

Eu sempre o entendi como sinônimo dos reflexos da lei de causa e efeito, porque aquilo que eu construí, dele terei de me utilizar.

Por isso, quando escolhemos não julgar o próximo com o peso de nossa maledicência, estamos escolhendo não sermos julgados pela mesma maledicência do outro; quando escolhemos julgar o outro com piedade e compreensão, estamos escolhendo, por ação reflexa, não passarmos por essa experiência tão danosa ao nosso estado emocional quando somos nós os alvos do julgamento nosso irmão.

Mas, apesar de não contradizer essa lei divina, gostaria de colocar um outro ponto de discussão sobre esse pensamento. O que significa esse “não julgueis”?

Desculpem a expressão chula, mas sempre que nós “vomitamos” algo, significa que antes precisamos ter comido esse algo. Concordam?

Bem, se é assim, então, eu escolhi consumir esse algo e arcar com as consequências de ter feito essa escolha. Vocês podem não acreditar, mas isso também se dá com esse ensinamento de Jesus. Se vocês não se lembram, Ele completou essa frase dizendo, “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. (Mateus 7:2)

Eu acredito que Ele não queria nos dizer que esse julgamento seria somente de nós direcionado ao próximo e vice versa, mas sim que estaria vinculado ao nosso próximo mais próximo, que somos nós mesmos. Se eu, todos os dias, julgo os outros com um peso, quando eu tiver que julgar a mim mesma, o farei da mesma forma. Infelizmente, não temos muito cuidado com o limite de nossa “crueldade” ao decidirmos que o outro não tem razão ou não merece o nosso perdão.

Somos pessoas que agimos conforme vamos mudando as nossas verdades. Explico: a cada experiência que temos, vamos adquirindo um pouquinho mais de compreensão da vida, mas, precisamos entender que essa compreensão é individual, ou seja, podemos, diante de uma circunstância, absorvemos como aprendizado aquilo que compreendemos ser o correto. Descrevo, com um exemplo radical, sobre o que quero lhes passar: quando os cristãos entenderam que somente Jesus salvava, criaram as cruzadas e dizimaram aqueles que eles entendiam serem hereges. Escolha acertada? Para eles (ou nós), naquela época, sim. De qualquer forma, tudo começou com um pensamento que, fomentando a ignorância dos fiéis, se tornou um massacre para ambos os lados. Infelizmente, isso ainda é visto nos dias atuais.

Esse resultado também se dá com o nosso julgamento. Se eu tenho o costume de tentar entender as ações alheias; se eu tiver necessidade de julgar o outro, mas tento impor o mínimo de peso às suas ações e atos, face a verdade de que ainda somos aprendizes neste planeta escola; se eu busco o melhor do outro em suas ações... tenham certeza que, no momento que eu me virar para mim e tiver que me julgar, toda a minha condescendência será aplicada também.

Somos os nossos juízes em nossos tribunais interiores. Somente nós podemos nos julgar e condenar. Mesmo que o outro o faça, se não concordarmos com ele, nada sentiremos, nada sofreremos. Então, precisamos treinar o “nosso juiz” para enxergar além da condenação implacável, enxergar o nosso lado aprendiz, o nosso lado imperfeito que quer ficar melhor, mas não sabe ainda como.

Se nós percebermos o quanto estaremos nos beneficiando com esse entendimento mais profundo, estaremos mais e mais incentivados a nos esforçarmos para agirmos dessa forma com os nossos irmãos em Cristo.

Assim, com o tempo, vamos melhor compreendendo os ensinamentos de Jesus e as nossas verdades vão se tornando mais puras e felizes.

Não julguemos para não sermos julgados, essa é a nossa meta diária de amor e caridade.


Ansiedade, sofrimento desnecessário!

13:30 2 Comments A+ a-



Gostaria de conversar com vocês sobre esse assunto que é, segundo os especialistas, uma doença da atualidade.

Como eu não sou especialista, vamos falar sobre esse assunto no cunho da prática diária, no cunho de um sofrimento vivenciado de maneira antecipada por algo que tememos viver no futuro. E como é sem sentido pensarmos que fazemos isso conscientemente!

Para falar a verdade, é quase sem lógica pensarmos que, conscientemente, sentimos tanto medo do que passaremos no futuro que já sofremos de antemão no presente, alongando o momento da dor que, talvez, nem chegue a acontecer.

É quase como se resolvêssemos comer um alimento que adoramos já sabendo que ele nos fará mal e, por isso, o comemos já sofrendo pelo estrago que ele fará no nosso organismo algumas horas ou dias depois.

A pergunta é: será que esse estrago acontecerá? Porque muitas vezes, não acontece! A sabedoria é não comermos o que nos faz mal, mas se fizermos, que vivenciemos os seus efeitos, dolorosos ou não, quando eles chegarem. O tempo que ficamos sofrendo por possíveis consequências de nossas ações nos é um fardo bem pesado para carregarmos, ou seja, nos punimos duas vezes (antes e depois dos efeitos).

E eu não estou falando disso sem justa experiência, infelizmente. Eu tenho uma tia que está com Alzheimer. Por, pelo menos, seis anos, eu a estava auxiliando com as suas atividades mais rotineiras: pagar contas, tomar remédios... Há uns três anos, porém, seus irmãos entenderam que precisavam tomar uma medida drástica e colocá-la em uma casa de repouso. Por três anos, eu fui contra e disse que entendia que ela, com a ajuda que eu já estava dando, era capaz de continuar morando sozinha. Admito que, se antes já sofria com o seu estado de saúde, a partir daí, eu sofria mais ainda porque imaginava que ela sofreria e se sentiria traída se a retirássemos de sua casa, de suas coisas (porque ela era muito ligada a tudo isso). Admito que eu me sentia a pior de todas as sobrinhas deste mundo. Mas, a deterioração de sua saúde foi se agravando e eu percebi que não havia mais como protelar essa decisão.

No início deste ano, tomamos todas as providências para o seu ingresso em uma Casa de Repouso extremamente agradável e dentro das possibilidades financeiras de lá mantê-la. E como levá-la para lá, sem que ela se revoltasse? – era a minha pergunta angustiada mais frequente.

A família se uniu, fizemos um plano e o colocamos em prática. Sabem o que aconteceu? Ela chegou lá e adorou! Ficou sem perguntar muita coisa, apesar de, ante as poucas perguntas que fez, termos dado algumas “desculpas” para que ela aceitasse o novo lugar. Para a nossa felicidade, ela está lá até hoje. Claro que os seus irmãos e sobrinhos, estão sempre com ela, levando carinho e atendendo às suas necessidades.

Vocês poderiam pensar: “Agora, a Adriana aprendeu”. Bem, infelizmente, ainda não.

Como nem sempre aprendemos com a primeira experiência, tivemos outra para nos “testar” o aprendizado (rsrsr). Foi necessário interditá-la para que pudéssemos resolver, em nome dela, os seus problemas. Imaginem a nossa tristeza quando o juiz determinou que a levássemos para a audiência de sua própria interdição. Pensei em tantos olhares magoados dela em nossa direção, porque apesar de esquecida, ela ainda nos demonstra muita consciência de seus atos.

De novo, a vida me ensinou novas lições: ela nem percebeu o que aconteceu! Respondeu a todas as perguntas do juiz (infelizmente, sem coerência com a realidade que vivia) e, mesmo quando tivemos de desmenti-la na sua frente, ela não teve reação, como se não fosse com ela.

Sabem o que eu aprendi? Que tudo tem o seu tempo certo. Acredito que há três anos não seria o momento adequado, mas quando o nosso coração e razão percebem que é o momento, as possíveis dores se expressarão de uma maneira mais tênue... e se chegarem!

Quantas vezes, cada um de vocês sofre ou sofreu por antecipar circunstâncias meramente previstas? Quantas vezes, o sofrimento sentido antecipadamente foi exagerado ou mesmo desnecessário porque a circunstância não trouxe o efeito esperado? Quantas vezes sofremos mais antes do que depois dos efeitos chegarem em nossas vidas?

Acreditemos que, se tivermos de passar por situações desconfortáveis como reflexos de nossas escolhas, elas chegarão no momento mais propício de nossos estados emocionais e que, se sofremos antes ou em demasia, poderemos estar vivenciando dores desnecessárias e em um momento inadequado.


Acreditemos na vida.

Será que estamos percebendo o tempo passar?

13:16 0 Comments A+ a-



Tive uma oportunidade de poder passear com pessoas muito especiais para mim e gostaria de compartilhar com vocês um aprendizado que tive.

Dentre essas pessoas, uma delas tem setenta e seis anos de idade e percebi algo muito interessante: ela está envelhecendo. Isso pode parecer obvio depois que eu disse que ela tem setenta e seis anos, mas não era tão obvio para mim até esse passeio!

Sei que os nossos idosos de hoje não são como os nossos bisavós no passado. Os primeiros estão muito mais saudáveis e ativos do que muitos jovens que conhecemos na atualidade, mas, apesar de saber que ninguém precisa se aposentar da vida só porque está idoso, o que quero expor aqui é que há o desgaste natural do organismo pela idade e que, na maioria das vezes, não percebemos ou não queremos perceber esse processo em nós.

Continuando, ela sempre foi muito ativa e dava de dez a zero em mim em fôlego e disposição. Claro que ela ainda continua motivada e disposta a fazer o que fazia antes, mas hoje tudo é um pouquinho mais devagar do que antes e, às vezes, mais difícil.

Vi que ela também se surpreendeu com essas tais dificuldades e penso que seja porque ela ainda não se “flagrou” com a idade que tem. Quando eu e os demais víamos que ela ia fazer algo que acreditávamos estar além de sua capacidade e queríamos poupá-la, ela agia como se não entendesse o porquê de a estarmos impedindo de realizar a tarefa, se ela sempre fez aquilo “muito bem e obrigado”.

Meus pais sempre me ensinaram que a gente tem de perceber as necessidades alheias e isso é tão intrínseco em mim que eu ajo muitas vezes sem pensar. Vejo muitos jovens que não se levantam de suas cadeiras nos ônibus para um idoso ou gestante sentar, que não ajudam os mais velhos que carregam sacolas pesadas e não foi assim que fui educada. Um dia, eu estava no ônibus e vi um senhor em pé. Levantei imediatamente e perguntei se ele queria sentar. Qual foi a minha surpresa dele ficar surpreso! Quando desci do ônibus, conversando com quem estava junto comigo, descobri o porquê: primeiro, acreditamos que foi porque “alguém” o deixou sentar; mas, o mais engraçado (e fui objeto de chacota por isso) é que, possivelmente, eu era mais velha do que ele (rsrs).

Sabe, às vezes, eu esqueço que tenho quarenta e quatro anos!! E acho que isso também acontece com todo mundo, inclusive com essa pessoa especial que mencionei antes!

De todas as formas possíveis, esse passeio foi muito especial para mim: pude ver, nesta pessoa, alguém diferente da que eu estava acostumada e o mais legal é que esse “flagrar” me fez perceber que eu a amo muito mais.


Não me importa se ela está ficando mais velha e que, em algum momento, ela precisará, fisicamente, mais de mim do que eu dela. O importante é o quanto ela faz diferença para mim só dela existir.

Uma vez eu vi um vídeo, nas redes sociais, em que o Padre Fábio de Mello estava falando sobre a utilidade e inutilidade das pessoas e que somente saberemos se as pessoas nos amam quando estivermos no nosso período de inutilidade, porque aí estarão conosco pelo que somos e não pelo que podemos dar a eles.

Acho que foi isso que eu senti! Não porque essa pessoa estava inútil, muito pelo contrário, ela continua ativa e forte, mas porque eu não me importava de ter que ajudá-la a estar mais confortável com as adversidades físicas que se colocavam à nossa frente.  

Quantos de nós têm a oportunidade de se fazerem úteis e compartilharem mais um dia com aqueles que amam? Quantos de nós podem se dar ao luxo de abraçar os seus amados e dizer aquilo que sentem sem vergonha ou medo?

Que possamos estar presentes ativamente na vida de quem nos é caro para que não nos arrependamos de tudo aquilo que deixamos de fazer por acharmos que teríamos tempo no futuro.

Não percamos tempo, porque o tempo que se foi não volta mais.



Ser 08 ou 80

15:55 0 Comments A+ a-



Primeiramente, gostaria de explicar o que eu chamo de “ser 08 ou 80”: é estarmos sempre nos extremos, amando demais ou de menos, irritados demais ou de menos, alegres demais ou de menos...

Ser 08 ou 80 é estarmos vivendo a vida sem nos percebermos na exacerbação de nossos sentimentos, de nossas emoções, de nossos pensamentos, de nossas próprias ações.

Sendo honestos conosco, temos de admitir que, hoje, vivemos assim todos os dias! Nós vivemos nesses dois extremos porque ainda não compreendemos as lições que a vida nos proporciona, ou seja, o equilíbrio é o que almejamos, mas alcançá-lo, ainda não nos foi possível em algumas áreas de nossa existência. Então, quando vivemos esses extremos, normalmente, eles nos trazem momentos de sofrimento e angústia.

Mas, a boa notícia é que esse estado de desequilíbrio de nossas ações ou sentimentos não abrange tudo em nós. Não estamos 08 ou 80 em todos os setores da vida. Em alguns, já alcançamos alguma estabilidade, já alcançamos o conhecimento pleno que nos faz viver bem sob aquele aspecto. Dou um exemplo corriqueiro para entender o processo: quando estamos aprendendo a dirigir, tudo o que temos de fazer para que o carro ande é muito bem pensado e ficamos atentos a cada ação que realizamos. Quando já internalizamos o procedimento, dirigimos sem perceber e até conversamos realizando as ações instintivamente. Assim é quando falamos em nossa evolução pessoal. Todas as nossas atitudes são o resultado de nosso aprendizado absorvido integralmente ou não.

Se percebemos que ainda vivemos no “08 ou 80” em algumas de nossas ações, pensamentos, sentimentos... é porque ainda não internalizamos plenamente o aprendizado a nós exposto e que levaremos um tempo para que isso aconteça. O importante é que esse tempo dependerá única e exclusivamente de nós mesmos, porque se tivermos boa vontade nos esforçaremos para que a compreensão se faça.

Se assim é, significa que só depende de nós o nosso crescimento e a saída do desconforto de estarmos nesses extremos. Só depende de nós, como na direção de um automóvel, de ficarmos atentos ao barulho do carro, a necessária reação ao volante, na colocação correta da marcha e dos pedais para que o nosso “carro” siga em frente e permaneça ligado, mas que, quando for necessário, saberemos também como freá-lo e desligá-lo.

É imprescindível lembrar, no entanto, que cada um vive a seu tempo, na busca por aprender a dirigir bem o seu "carro".

Não desistamos ou desanimemos quando nos percebermos nos extremos de nossas emoções, sentimentos, pensamentos ou ações. Lembremos que só estamos naquele estado porque ainda não compreendemos a lição, mas quando esta estiver internalizada (e isso só acontecerá se nos dedicarmos a vivenciá-la sem medo) agiremos naturalmente sem qualquer esforço ou sofrimento.

08 ou 80? Ainda estamos assim, mas chegaremos no equilíbrio pleno... um dia.

Vocês também sentem que o dia encolheu?

16:14 0 Comments A+ a-


Em razão da enorme quantidade de coisas que eu fazia, eu nunca conseguia fazer tudo o que eu precisava e sentia que o dia estava ficando cada vez menor.

Hoje, no entanto, estou com uma ideia que gostaria de compartilhar com vocês. Claro que não estarei esgotando o assunto aqui e, talvez, vocês não concordem comigo, mas, além de termos muitas atividades que podem nos sugar todo o tempo do mundo, fico me perguntando se, onde estou colocando a minha atenção, é tudo o que realmente importa para mim.

Já ouvi sobre as teorias do nosso tempo estar menor também, mas não é sobre isso que estou falando e nem quero entrar nesse mérito. Estou aqui trazendo para vocês a ideia de que, se sentimos que o tempo está curto, então, (a) estamos vivendo a nossa vida sem percebermos; ou (b) não a estamos vivendo plenamente; ou (c) não estamos fazendo o que realmente é importante para nós; ou (d) todas as alternativas acima estão corretas.

Parem para pensar um pouquinho e percebam como vocês estão gastando o seu tempo?

Se estão sentindo que o tempo não dá para nada, significa que estão, de uma forma ou de outra, se dedicando a algo que não está dando lugar ao que pode ser também muito importante para vocês. Se a situação fosse inversa, a sensação de dever cumprido seria o único sentimento em seu ser, apesar de não conseguir fazer tudo o que precisava naquele dia.

Por exemplo, se eu estou sentindo isso, posso estar trabalhando demais, limpando demais, me preocupando demais... e não percebendo que isso está consumindo todo o tempo que eu poderia estar me dedicando a algo que o meu ser almeja alcançar.

Não se iludam pensando que estamos errando no foco de nossa atenção. Não, não é isso. Se estamos trabalhando, limpando, nos preocupando, significa que tudo isso tem a sua importância. O ponto chave é que, mesmo sendo imprescindível, não precisa ser o resumo de nossa vida.

Vamos imaginar que o que nos move a trabalhar demais é o bem estar de nossa família. É um motivo justo e caridoso! Mas, se estamos fazendo isso e não nos damos tempo para usufruir da mesma, significa que a nossa atitude não está sendo coerente ou que esse motivo não é o único ou não é o motivo que realmente nos impulsiona.

Precisamos unir as nossas sensações às ações que a abraçam.

É difícil encararmos as nossas verdades internas, mas, usando o exemplo acima, muitas vezes, colocamos a nossa família como uma desculpa honrada para mergulharmos de cabeça no trabalho porque é ele quem está sendo eficiente para não enfrentarmos algo que nos incomoda internamente: sentimentos ou emoções que dão margem a crenças que nos afligem e que não nos sentimos aptos para enfrentá-las.

Nós, inconscientemente, percebemos que se nos dedicarmos intensamente a determinadas atividades, elas nos darão a sensação de que estamos vivenciando melhor a nossa vida e não teremos de enfrentar alguns de nossos temores internos. Essas atividades portanto, são muito importantes para nós e colocaremos toda a nossa atenção nelas, ao ponto de, na exacerbação da fuga de nós mesmos, não conseguirmos nos enxergar vivendo sem elas. O problema é que podemos fazer isso por um tempo, mas não todo o tempo do mundo. Por nossa própria exigência, a vida nos trará experiências que nos farão encarar aquilo que está em nós para nos libertarmos dessa pseudo-satisfação. Se somos nós que construímos o nosso futuro através de nossas ações e escolhas no presente, então, temos de aceitar que a vida nos afastará, em algum momento e compulsoriamente, dessas atividades, por elas nos iludirem na conquista de nosso crescimento interior.

Fico me perguntando: será que se soubéssemos, escolheríamos limpar a casa inteira no último dia de nossa vida?

Não deixemos para o final de nossa existência a descoberta do que o nosso ser anseia realizar. Temos as nossas tarefas diárias que não poderão ser abandonadas, mas que as façamos com moderação para nos darmos tempo para nos sentirmos e enfrentarmos aquilo que é imprescindível ao nosso crescimento. Estaremos assim, sendo coerentes e vivenciaremos, não uma pseudo, mas real satisfação.


O nosso dia está encolhendo? Não, é só uma sensação do nosso ser nos avisando que outras coisas ainda precisam ser vistas.

Carma ou Escolhas?

13:12 0 Comments A+ a-



É muito comum escutarmos “por aí”, expressões do tipo, “Fulano é o meu carma!”. Mas, o que significa essa frase em nosso contexto de vida?

No conceito budista, Carma é o resultado direto de nossas ações no passado, sejam elas boas, não tão boas ou até mesmo neutras. Por consequência, estas ações acarretariam para nós frutos de mesma intensidade e qualidade, ou seja, vivenciaríamos experiências boas, não tão boas ou neutras, respectivamente, em nosso presente.

O problema é que, na generalidade, as pessoas não entendem o carma sob este aspecto. Pensam que se algo de ruim acontece é porque foi o destino que lhes trouxe uma experiência para purgarem os seus erros do passado e que nada do que fizerem poderá mudar tal situação.

Se abraçamos essa ideia equivocada do carma, ela pode nos trazer grandes atrasos, por ela não conseguir responder aos nossos anseios. Quando eu afirmo que algo é meu carma e que não posso fazer nada para mudá-lo, eu coloco um peso enorme sobre os meus ombros e acabo me tornando impotente para enfrentá-lo. Se me vitimizo ou não quero enxergar como esse algo pode estar na minha vida, não conseguirei utilizar dos instrumentos que já conquistei para lidar com o possível problema.

Ainda, quando eu penso no conceito certo do Carma, se tudo o que vivo é um reflexo do que já fiz, eu não abranjo as escolhas que faço, conscientemente, para concluir minha purificação e apressar o meu progresso. “Não se deve pensar que todos os sofrimentos suportados neste mundo sejam necessariamente a indicação de uma determinada falta”.[1] 

Por isso, precisamos ir além.

Quando penso em qualquer experiência de minha vida, não consigo desvinculá-la jamais da ideia do livre arbítrio, de escolhas que são minhas. Toda ação ou omissão de minha parte advém da minha livre escolha em agir dessa ou daquela forma. Isso significa dizer que os resultados de meu livre arbítrio construirão a vida que viverei no meu presente.

Todas as minhas experiências são um reflexo de minhas escolhas. Cada movimento que faço ou não faço, cada ação ou pensamento que tem por base as minhas escolhas, me darão condições de eu construir um mundo completo e complexo. E será nesse mundo em que eu terei que viver. Mesmo quando eu penso no outro fazendo parte deste mundo, ele terá agido conforme as suas escolhas fazendo com que os nossos mundos se interliguem e que as consequências de nossas ações sejam compartilhadas entre nós.

Sobre as experiências a serem vivenciadas, o que admiro nas leis que nos regem é que, seja qual for o grau evolutivo que eu tiver, ante uma ação equivocada ou não que eu cometer, elas incidirão sobre mim exatamente na proporção do meu conhecimento; de minha capacidade de compreender as experiências que me chegam; da minha evolução. Portanto, a incidência da lei estará vinculada não somente ao resultado de minha ação, mas, principalmente, à minha verdadeira intenção.

Resumidamente, então, somos nós que escolhemos, através de nossas próprias ações, passar por experiências boas ou não tão boas que nos trarão o aprendizado e o progresso. Então, se eu uso da maledicência e não percebo o quanto esta ação é maléfica para mim e para o outro, estou já, inconscientemente, construindo em minha vida, no tempo certo e oportuno, uma experiência que me trará esse entendimento. Friso, no entanto, que não significa, necessariamente, que seja a própria maledicência ou algo ruim aos meus olhos o objeto de meu aprendizado, mas, por incidência e sabedoria da lei, algo apropriado me ensinará.

Os efeitos que vivenciamos, vida após vida, estão relacionados às escolhas que fazemos. E esses efeitos nada mais são do que infinitas oportunidades de aprendizados para o nosso crescimento. Por isso, o “Fulano” acima não está acompanhando o “Sicrano” por acaso ou por punição deste último, mas por utilidade e necessidade de ambos. Aí está a grandeza das Leis Divinas que nos regem.

Carma ou Escolhas? O que vocês acham?



[1] In “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Petit, p. 69, 1997.