SORRIAM! HOJE, TAMBÉM É NATAL...

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Amigos, estamos chegando no final do ano e o Natal está quase aí!


Todos os anos passamos por esta data especial, mas, será que já paramos para pensar sobre o que é o Natal para nós?

Quando somos pequenos, e no decorrer de todo o nosso crescimento, escutamos que esta data está vinculada ao aniversário de Jesus, mas, entendemos o que isso significa?

Eu amo o Natal! Amo porque sinto que esta data é especial! Ela me faz sentir que há algo mais do que o cotidiano de nossas vidas. Eu sinto uma alegria que me contagia completamente e, segundo os meus filhos, fico até boba! Adoro colocar as músicas de Natal e cantá-las. Mas, apesar de todo esse contentamento, admito também que, até pouco tempo atrás, meus natais não eram como eu gostaria que fossem!

Diante da incoerência, me propus mudar. Lembro da primeira vez que tentei, em uma ceia familiar, levantar a bandeira de que temos de lembrar mais do aniversariante e fazer uma oração de agradecimento por Ele ter vindo ao mundo para nos ensinar novas formas de enxergarmos a vida.
É engraçado como fiquei constrangida de chamar a todos que participavam daquela festa natalina para, antes de qualquer ceia, antes de qualquer troca de presentes, elevarmos o nosso pensamento a Jesus e homenageá-lo como o verdadeiro aniversariante. Tive receio, tive vergonha, mas fiz.

Foi muito gratificante perceber que todos aceitaram com tranquilidade e que curtiram o momento de internalização com Ele. E, mais ainda, começaram a usar desse proceder todos os anos, sem que tivéssemos que pedir! Foi muito legal perceber que, se eu tinha receios, talvez os outros também os tivessem!

Foi e é maravilhoso enxergar que o que tememos pode ser, somente, um pensamento equivocado nosso em relação aos outros! Quando compreendemos isso, nos possibilitamos agir mais, nos libertando de preconceitos que nos martirizam a alma. Esse também é um dos ensinamentos trazidos por Jesus!

A cada ano me percebo entendendo mais um pouquinho sobre o que é o Natal e vejo que Jesus nos trouxe, com a Sua vinda, inúmeros ensinamentos que estão nas entrelinhas de seus discursos.
Jesus foi um revolucionário! Se analisarmos o que Ele fez, veremos que Ele veio nos mostrar que as ideias que tínhamos sobre as verdades divinas estavam equivocadas: que o culto a Deus é interior e não exterior; que somos os Seus filhos bem amados e que Deus não possui as nossas imperfeições e deturpações humanas, por isso, não fica irado, não nos pune, não nos humilha, nos perdoa sempre. Ele É, simplesmente, Deus.

Vejo, nas redes sociais, algumas pessoas afirmando que alguns posts de piadas têm mais compartilhamentos do que os que falam sobre Deus. Acho que essa realidade já está mudando (pelo menos em meu mundo)! As pessoas estão carentes de Deus! As pessoas estão perdendo o medo de falar sobre as suas verdades religiosas e estão ávidas por levar aos seus semelhantes palavras de consolo e amor!

Mesmo que ainda não vivenciemos todas as palavras que proferimos, já conseguimos dividir as nossas ideias sem medo. Será que estamos querendo mostrar ao mundo o que não somos? Hipocrisia, diriam alguns? Eu acho que não. Vejo que, se ainda não vivenciamos tudo o que falamos, estamos nos deparando com as nossas verdades teóricas e elas estão para nós, da mesma forma que estarão para aqueles que a escutarem. Significa dizer que, talvez, o outro, mais preparado, possa vivenciar a nossa palavra antes mesmo de nós, mas a nossa ideia teorizada o auxiliou e, melhor, ela está em nós, para ser vivenciada quando estivermos prontos também.

Antes, eu me criticava quando pensava duas vezes antes de postar meus pensamentos. Depois, percebi que isso não era, pura e simplesmente, vergonha de falar de Deus. Era respeito pelo outro, de não invadir o seu templo interior com as minhas verdades.

Só que aprendi que, aqueles que não desfrutam das minhas ideias, também têm, como eu, a liberdade de lê-las e não aceitá-las, ou, simplesmente, não as ler, sem precisar se ofender com elas. Esse é um dos ensinamentos de Jesus para nós.

Ele falava para aqueles que queriam escutá-Lo, mas não se furtava de transmiti-las para aqueles que pareciam não compreendê-las ainda. Ele sabia que, em algum momento, tais sementes seriam importantes para este alguém como eram para Ele.

Claro que as nossas verdades não são iguais as de Jesus! Ele sabe muito e nós ainda estamos aprendendo, mas Ele nos mostrou que, mesmo tendo verdades relativas, são elas que nos auxiliarão em nosso caminhar e, se estivermos abertos à vida, tendo a benevolência de escutar também os outros, teremos mais condições de enxergar, quando a vida atuar, quais são as verdades que teremos de abraçar. Agindo assim, perceberemos que estamos também nos ensinando a não exigir do outro que abrace as nossas ideias, se ele não as quiser.

Isso se chama respeito pelo próximo! Isso se chama termos responsabilidade conosco! Então, isso é muito bom!


Sempre ouvi que não devemos discutir religião, política e futebol. Bem, quanto aos dois últimos não vou me pronunciar, mas em relação ao primeiro item, acho que essa frase é fantástica!
Acredito, piamente, que não devemos jamais discutir sobre religião. Nós devemos mesmo é conversar. Se não conversarmos sobre isso, sempre estaremos estagnados, não nos possibilitando raciocinar as nossas crenças mais profundas que podem estar erradas!

Conversar é diferente de discutir. Discutir é desequilíbrio, é um e outro querendo ter razão! Conversando, teremos condição de adquirir conhecimento sobre diferentes pontos de vista para nos darmos melhores instrumentos de evolução. Isso é aprendizado, isso é crescimento!

Jesus, quando aqui esteve, nos mostrou isso! Trouxe novas verdades, trouxe os instrumentos que nos dariam condições de acharmos o caminho de nossa evolução com menos dores e sofrimentos. Naquela época, não éramos acostumados a pensar sob estes parâmetros, nem a conversar sobre isso, só a receber as regras de conduta dos líderes religiosos e aceitá-las. Por isso, Ele sabia que o Seu destino era sucumbir diante de nossa ignorância. Mas, ele nasceu e renasceu, mostrando-nos que se responsabilizaria por Suas ações e que faremos o mesmo quando estivermos preparados.

Então, o Natal é um dia especial, porque nos lembra Daquele que nos trouxe verdades que até aquele momento não podiam ser faladas porque não estávamos preparados para escutá-las sem rechaçá-las com os nossos preconceitos. É especial porque é um dia de libertação: quanto mais compreendemos os ensinamentos de Jesus, mais nos libertamos de nossos preconceitos, de nossas culpas, de nosso egoísmo!

O Natal é a desmistificação de antigas crenças que nos movem, mas que não nos servem mais. O Natal é a oportunidade que temos de nos depararmos conosco e entendermos que, a cada ciclo, outra oportunidade podemos nos dar para conseguirmos nos compreender, nos aprimorar, nos amar!

Jesus nos mostrou isso em toda a Sua vida e se, em nossa existência, nos colocarmos para agirmos como Ele, será sempre Natal para nós.



Então, sorriam... pois, hoje, também é Natal!

Depressão, podemos superá-la?

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Tenho certeza que muitos que já experimentaram a depressão já escutaram de alguém que tudo o que ele sente é besteira, que aquilo é fácil de se resolver, que é só deixar de lado a tristeza que a alegria retornará à sua vida!

Ledo engano daquele que menospreza o estado de depressão de um ente querido seu. Possivelmente, estará levando para este amor de sua vida mais uma carga de remorso, mais um motivo para que ele não consiga ultrapassar esse momento difícil de sua vida.

A depressão é uma doença que precisa ser tratada. Como todo doente que não conhece a sua doença, ela está lá, ele só não sabe ainda. O depressivo é como aquele paciente portador da tuberculose que, mesmo não sabendo dela, não consegue parar de tossir. Ele não precisa saber que está doente, ele, simplesmente, reage ao distúrbio de que é portador e age conforme os seus sintomas.

Como toda doença de que somos portadores, a depressão também advém de nosso estado de espírito, de nosso estado emocional. O depressivo chega a este estado porque antes teve medo, antes teve rancor, antes teve receio da vida.

Nós não entramos no estado de depressão imediatamente. Nós entramos em um estado de tristeza que vai se agravando mais e mais até chegarmos à depressão.


Mas, porque nos entristecemos? Porque, segundo a espiritualidade (e cada caso é um caso!), nós começamos a acreditar que a vida é um barco sem rumo; um barco que perdeu o seu leme e está à deriva seguindo a vontade das ondas. Neste momento, deixamos que a nossa fé esmoreça. Ela ainda está ali, mas abafada pelos medos que alimentamos, pelos traumas que abraçamos... Daí, começamos a temer quase tudo: tememos o dia que se inicia; tememos os fatos que virão com ele; tememos as pessoas que fazem parte dessa vida...

Mesmo que consigamos flagrar aquilo ou aquele que nos trouxe a angústia, que nos levou ao desespero, ao buraco, o ponto chave de tudo isso ainda somos “nós”. E enquanto não percebermos isso, poderemos fazer todo tipo de tratamento médico existente que a depressão não será totalmente curada em nosso coração.

A depressão pode ter sido incentivada por um ou mais fatos concomitantes e recorrentes, mas tudo se iniciou porque, em algum momento, começamos a desacreditar em nós mesmos; porque começamos a acreditar não sermos bons o suficiente para lidarmos com aquilo que chega até nós. E, se assim é, concluímos: não somos nada, não merecemos nada melhor!

A espiritualidade afirma que o ponto chave (e o que verdadeiramente importa) é que não nos perdoamos pelos nossos equívocos, não nos damos a oportunidade de fazer melhor e quando damos, não nos concedemos tempo suficiente para a conclusão da tarefa, incapacitando-nos de vermos a nossa potencialidade. Não entendemos que somos viajantes em busca de aprendizado e, portanto, alunos da Grande Escola. Se somos alunos, muito ainda haveremos de errar, mas com todas as oportunidades de refazer os nossos passos e acertar em algum momento. Teremos tempo, porque Deus nos dará todo o tempo que for necessário para isso.

Um outro ponto é: qual é o Deus que rege a nossa vida?! Se acreditamos em um Deus duro e vingativo; em um Deus perverso que deixará que a vida nos traga sempre o pior, sempre reagiremos como se nós “merecêssemos” os traumas que nos assombram. Mas, Ele não é nada disso. Ele foi descrito assim no passado porque somente dessa forma nós O respeitaríamos. Nós éramos bárbaros e o nosso Deus precisava ser também.

Por isso, Jesus, há dois milênios, veio nos esclarecer que o Deus que nos rege não é assim! E Jesus fez isso porque já estávamos mais preparados para nos depararmos com essa verdade: que Ele é “Pai”; que Ele nos quer bem; que Ele é Tudo... e Tudo de bom!

Precisamos nos desapegar da visão antiga desse Deus para nos darmos a oportunidade de nos perdoarmos como Ele nos perdoa a cada equívoco.


Ele sabe quem somos. E se sabe, não tem como se decepcionar. Somente nós nos decepcionamos conosco porque queremos ser mais do que ainda somos. Temos a visão do que é certo e queremos agir segundo essa visão. O problema é que ainda não somos capazes de colocarmos tudo em prática.
Para ficar mais simples de entender: sabemos como funciona um computador, mas sabemos fazê-lo funcionar? Podemos abri-lo e observar a posição de cada um de seus componentes, mas isso é suficiente?

As nossas verdades são como os componentes desse aparelho: sabemos que todos juntos farão o computador funcionar, mas não temos ainda o conhecimento de como fazê-lo. Somente quando observarmos quem sabe, quando colocarmos a “mão na massa” para montá-lo, teremos angariado conhecimento para tanto. Daí, o que era segredo, deixou de ser! Assim é com a vida!

A depressão é um reflexo dos momentos do passado que não conseguimos nos libertar por não sabermos como “fazer funcionar” aquela experiência. Ela nos aprisiona em situações vividas outrora e que, naquela época, não conseguimos entender. Como no caso de uma mãe que se culpa sobremaneira pelo fato de seu filhinho ter se machucado e, em razão disso, cria em seu inconsciente que ela é uma péssima mãe... ela levará isso consigo, vida após vida, reafirmando a sua incapacidade para si a cada experiência desagradável com um filho seu. Ela somente sairá dessa prisão (construída por ela mesma) quando entender que somos pessoas falíveis e, por isso, erramos, mas estamos aqui para aprender com esses erros.

Até que consiga sair dessa prisão construída em seu íntimo, essa mãe reagirá negativamente toda vez que algo não sair como ela queria. É uma prisão de angústia e ansiedade. É uma prisão que pode nos levar à depressão!

Por que algumas pessoas escutam as maledicências dos outros sobre si mesmas e outras, não? Porque as primeiras não têm firme em seu íntimo a verdade sobre si mesmas e reforçam os seus traumas com a opinião alheia. As que não dão importância as maledicências, ou já estão revendo as suas crenças sobre si mesmas ou já as superaram em seu íntimo.

Por isso, é necessário que todos nós, sem exceção, observemos o que está chegando até nós por intermédio do outro e percebamos as nossas reações frente a cada uma das circunstâncias trazidas.
Tal atitude do outro pode ser errada, mas não é ruim para nós, entendam bem! Tais situações são as que nos fazem rever os nossos pontos de vista, bem como nos dão a chance de rechaçar o que não desejamos para nós. Podemos, porém, por ignorância, escolhermos escutar as maledicências e alimentá-las em nosso ser, o que acarretará ainda vivermos alguns momentos de dor que podem nos levar a estados depressivos consideráveis.


Tudo isso faz parte de mais um estágio de vida para nós e isso não é bobagem!


Se conhecemos alguém que está depressivo, que possamos entender que esse alguém precisa de ajuda e muita compreensão para que ele saia bem consigo mesmo deste estágio. Sejamos aqueles que o auxiliarão a perceber a sua potencialidade, a abandonar algumas crenças construídas outrora que já podem ser desmistificadas, a voltar a se amar como filho de Deus.

Se somos nós que nos encontramos depressivos, associemos tudo isso ao tratamento de saúde físico que não pode ser jamais desconsiderado porque este caso o estágio da doença já impregnou o campo da matéria e pela matéria precisa também ser curado.

Precisamos, para o nosso bem, apurar a nossa compreensão espiritual nos conhecendo mais e mais a cada dia para que consigamos associar todos os nossos aprendizados até então conquistados e sairmos o quanto antes dessa experiência traumática, mas espiritualmente enobrecedora.

PERDÃO, INSTRUMENTO LIBERTADOR

12:22 4 Comments A+ a-



Sabemos que muitos são os textos que falam sobre o perdão, mas vamos nos aventurar para falar um pouquinho sobre esse tema que é tão discutido e que parece ser tão complicado de ser colocado em prática.

O que é o perdão?


“Etimologicamente, a palavra "perdão" vem do latim perdonare que significa a ação de perdoar, ou seja, aceitar ou pedir desculpas; se redimir em relação a algo de errado. A expressão "pedir perdão" é usada quando alguém reconhece o seu erro e pede desculpas para a pessoa com quem foi injusto. (...) No âmbito religioso, o conceito de perdão está relacionado com o chamado "processo de purificação espiritual", ideia que está presente em quase todas as doutrinas religiosas, e que consiste na eliminação de sentimentos nocivos ao homem, como a raiva, a magoa ou o desejo de vingança.”[1]

Diante deste conceito, gostaríamos de levantar uma questão interessante: nós já somos capazes de aceitar ou pedir perdão?


A princípio diríamos que sim. Mas, será que conseguiríamos fazê-lo sempre?

Se o perdão é um processo de purificação espiritual, porque parece ser tão difícil colocá-lo em prática em alguns momentos? É nessa resposta que queremos chegar hoje.

Aceitar ou pedir perdão está no âmbito interno de nosso ser. Somos nós que decidiremos como agir e são as nossas crenças que nos impedirão ou nos impulsionarão a fazê-lo.

É mais fácil pedir ou aceitar o perdão? Também isso dependerá de cada um de nós.
Se formos honestos, lembraremos de algum momento de nossa vida que deixamos de aceitar ou nos desculpar com alguém, tendo essa pendência até hoje. E qual foi o motivo que nos impediu de solucionar essa contenda?

Se tememos receber uma negativa ao pedido de perdão, possivelmente, não o pediremos; se tememos que o outro faça de novo o que nos magoou ou ofendeu, possivelmente, não o perdoaremos. Essas verdades seriam as nossas crenças! Todas as nossas ações estarão baseadas em como reagiríamos se estivéssemos no lugar do outro e, com todas as nossas imperfeições ainda reluzentes ao nosso olhar, escolheremos agir para evitar o sofrimento que acreditamos possível acontecer, esquecendo, todavia, que sofremos de qualquer forma, se não mudarmos a forma de como encaramos o lugar do outro e o nosso próprio lugar na nossa vida.

A verdade é que quando temos pendências, sofremos todos os dias por estarmos vivenciando aquela circunstância. O ponto que não muda, é que nós só teremos pendências sofridas com quem amamos ou consideramos.

A espiritualidade amiga afirma que quando construímos um sentimento com alguém (amor, amizade, consideração...), essa ligação jamais se quebrará. Se pensarmos que somente nos magoamos ou nos decepcionamos com quem temos alguma ligação de sentimentos, então, sofreremos até resolvermos essa pendência, porque estamos ligados permanentemente numa energia em desequilíbrio...

Vocês podem estar pensando em casos de estranhos terem tido a capacidade de provocar, em vocês, indignação ou irritabilidade em algum caso passado. É verdade, tais sentimentos podem ter sido provocados, mas, se analisarem bem, não foram sustentados por muito tempo. Nós nos libertaremos rapidamente do desconforto, porque aquela pessoa nos é indiferente. Assim, se algum estranho na rua, esbarra em nós e derruba toda a nossa compra no chão e não nos ajuda, ficaremos revoltados, poderemos até xingá-lo, mas a indignação poderá permanecer por algumas horas, por alguns dias, mas, nunca, por toda a vida.

Vamos analisar com um exemplo mais grave: se este estranho mata um ente querido, teremos a oportunidade de ter inúmeros sentimentos (raiva, ódio, revolta...) por este alguém. Então, a teoria estaria errada?! Não, não está!

Segundo diz a espiritualidade:


- Se o seu sentimento for muito profundo, quase de vingança, pode já ter havido alguma relação anterior entre você e este alguém e, estando já vinculados pelos sentimentos que antes os unia, agora só se reconheceram.
- Se ele for um completo estranho para você (ou seja, não se conheciam antes), possivelmente, a sua dor, a sua indignação será profunda pela “perda” do seu ente amado, mas o seu ódio pelo ofensor não.
- Se o seu ódio, porém, for profundo, contrariando o que foi dito anteriormente, um dos motivos pode ser que você está direcionando todo um sentimento de frustração e desejo de vingança contra um “alguém”, que agiu e lhe trouxe dor. Ele é só um alvo de sua dor profunda.

Nos dois últimos casos, vocês estarão iniciando um processo de conhecimento mútuo, infelizmente, por meio de um “escândalo”[2].

Mas, tudo isso, todos os vínculos que construímos, negativamente, dependem de nosso querer, porque podemos reagir com paz no espírito. Fato é que, se somos os únicos responsáveis pelos nossos próprios sentimentos, se alguém agir contra mim, pode ele determinar como me sentirei? Não, ele não pode. Eu me magoo, eu me irrito, eu sofro, porque quero. Por ter interpretado a atitude dele contrária a mim, eu construo todos os sentimentos, bons ou não tão bons, que quiser.

Mas, o nosso equívoco contra o ofensor não começa aí. Ele começa, normalmente, quando construímos um pedestal para que ele resida. Sim, é o que fazemos! Colocamos o nosso amado, o nosso familiar, o nosso amigo em um pedestal, porque ele é especial, porque o aceitamos como alguém importante para nós. Se é assim, mesmo que ele demonstre o tempo todo quem ele é com os outros, nós queremos acreditar que ele jamais agirá conosco da mesma forma.

O problema é que ele pode até tentar não fazer conosco, mas se não conseguir e agir conforme a sua natureza (atual), nós o condenaremos, esquecendo que ele não pediu para estar neste pedestal, que fomos nós quem o colocamos lá e que a queda sofrida por ele será imensa diante de nossos olhos. A decepção que sentiremos se encontrará na mesma proporção do tamanho do pedestal que construímos para ele!

Começamos a perceber, portanto, que somos os únicos responsáveis pela nossa dor, porque tudo depende de nós.


Depois desta verdade flagrante, como ainda podemos pensar em não aceitar ou pedir o perdão alheio? Simples, porque apesar de sabermos disso tudo, ainda queremos preservar o nosso orgulho. É ele que é colocado em “xeque”.

Não é vergonha flagramos esse sentimento de autopreservação em nós. É muito importante termos em nossa consciência que existe algo que é tão importante para nós que, mesmo podendo impedir, nos permitiremos vivenciar momentos de muita dor em nosso íntimo para preservá-lo.

Mas, o orgulho não está só. Com ele associamos o medo! Temos medo de sofrer de novo. Temos medo do que podem falar de nós... Temos medo de ficarmos frente a frente com o nosso próprio eu!

Nós somente deixaremos de utilizar o orgulho como escudo de proteção e pararemos de ter medo, quando nos conhecermos melhor. Porque, quando aceitarmos quem somos, não nos abalaremos quando alguém vier dizendo verdades ou mentiras sobre nós. Nada será novidade, nada nos confundirá. O orgulho não será mais necessário para a nossa proteção.
Diante de tudo isso, como o perdão pode ser libertador?

Porque neste processo de autoconhecimento, neste processo de purificação espiritual, estaremos mais livres para compreendermos as circunstâncias que chegarem a nós. Não precisaremos fantasiar sobre os outros ou sobre nós mesmos. Não teremos que colocar ninguém sobre pedestais ou nos culparmos por termos errado na escolha das pessoas que estarão ao nosso lado. Teremos consciência que estamos aprendendo, que estamos caminhando, que estamos crescendo... devagar.

O perdão é libertador porque todos nós poderemos praticá-lo, estando em que patamar evolutivo estivermos, só depende de nós desejarmos ficar bem.


Tudo estará baseado em como enxergamos a vida e que, se nós podemos errar, por não sermos perfeitos, os outros também poderão. O perdão, então, aceito ou pedido será consequência consoladora!

[1] In http://www.significados.com.br/perdao/
[2] “O escândalo é necessário, mas ai daquele que o praticar” – Jesus.