OBSESSÃO EXISTE?

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Semana passada postamos um texto que falava sobre a influência que nós, encarnados, exercemos sobre os nossos amados que já se foram.

Queria continuar nesse assunto, mas sob um outro prisma.

Como falávamos naquele texto, podemos, e muito, influenciar os nossos entes queridos, amigos de jornada que já se foram para os planos astrais, com os nossos sentimentos bons e não tão bons. Isso ficou claro, não foi?

Muitos poderiam dizer que esse processo é uma obsessão de encarnado para desencarnado. Também, poderíamos dizer que o desencarnado sob a nossa influência se escraviza diante de nossas dores e pelas suas próprias, fazendo-nos sofrer as suas desventuras. Estaríamos, assim, vivendo uma obsessão de desencarnado para encarnado também.

Diante desses quadros, vamos analisar o conceito de Obsessão. Segundo Kardec “seria o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticado senão por espíritos inferiores que procuram dominar o obsediado. É a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo.”¹

Bem, muito simples de entender e muito necessário, naquela época, para levar aos corações desavisados o temor e o respeito aos que habitavam os planos etéreos.

Certo é que, pelos encarnados da época não compreenderem as várias nuances da vida espiritual, levavam os experimentos realizados como forma de diversão e até de zombaria. Em razão disso, o conceito trazido por Kardec era adequado ao momento evolutivo do planeta.

Entretanto, hoje, já temos uma noção que esse conceito precisa ser compreendido com mais elasticidade. E não é porque ele (conceito) está errado, mas porque temos consciência que estamos mais preparados para entender a nossa verdadeira participação num processo de “obsessão”.

Vamos começar do início.

Quando Kardec nos trouxe essa informação, tivemos uma boa desculpa para tirarmos de nossos ombros as culpas por processos desequilibrantes pelos quais passávamos. Tudo era culpa de um espírito maligno que nos fazia tomar atitudes imorais ou mesmo impensadas, eximindo-nos de toda e qualquer responsabilidade sobre as nossas ações.

Na atualidade, porém, a espiritualidade amiga nos informa a todo tempo que esse processo, chamado de obsessão, deveria ser mais bem raciocinado. Já temos subsídios para entender que ele não é tão cômodo assim.

Podemos passar por uma influenciação espiritual que nos dará combustível para tomarmos atitudes que, a princípio, parecemos incapazes de fazer, mas que as executaremos com requinte. Isso significa que aceitamos tal influenciação, que estamos em sintonia com as ideias que nos foram trazidas, porque, mesmo quando nos encontramos influenciados por irmãos espirituais, somos nós quem damos o aval para toda a atitude que tomamos, ou seja, somos nós que escolhemos agir daquela forma; somos nós que aceitamos a sugestão dada por aquele espírito e agimos por nossa vontade.

Se fosse diferente, tal espírito teria poder para infringir uma das leis divinas que nos regem e é soberana que é a Lei da Liberdade que tem como escopo o livre arbítrio.

Mesmo quando pensamos na possessão, forma mais intensa de obsessão, não estamos desprotegidos. Todo processo de possessão inicia-se devagar e vai aumentando pouco a pouco a sua intensidade. Podemos nos desvencilhar daquela presença se desejarmos. É o nosso querer falando mais alto. Se não fazemos, é porque estamos em sintonia com o processo que se descortina ao nosso redor. Estamos confortáveis em delegar ao outro (obsessor) o processo de escolha que nos cabe. Mas, o fato de deixarmos alguém escolher por nós, não nos exime da responsabilidade ao aceitar cada escolha feita pelo outro.

Por isso, não podemos afirmar que somos alvos desprotegidos de quaisquer seres espirituais que, por motivos que não nos caberia saber, influenciam-nos a ponto de perdermos a nossa liberdade de escolha.

Ainda, esmiuçando o conceito trazido por Kardec, precisamos repensar quando afirmamos que somente participam de um processo de obsessão os maus espíritos.

Eu pergunto: você e eu somos espíritos maus? Porque se aceitamos que podemos influenciar um espírito que nos é caro, a ponto dele sair de seu caminho redentor para estar conosco, em nossa dor, então, o estamos “obsediando”, mas não porque somos maus, e sim porque somos ignorantes.

Num conceito mais real, eu entendo que qualquer um pode “obsediar” alguém, porque enquanto não compreendermos as verdades divinas e nos equivocarmos na exacerbação de nossos sentimentos, de nossas vontades, estaremos influenciando alguém para alguma coisa.

Se todos nós somos passíveis de influenciar, então, todos nós somos obsessores contumazes que convencemos o outro a fazer aquilo que achamos ser o correto. Mesmo quando pensamos num processo de obsessão característico (como o que foi descrito nos parágrafos acima), o obsessor acredita que está fazendo algo que é importante e certo, mesmo que o certo não seja para o obsediado, mas sim para ele, o obsessor. Não é o que fazemos?

Pensemos na vingança. Ela também não segue o mesmo princípio? Nós não somos capazes de nos “vingar” quando alguém faz algo que nos incomoda? Mesmo quando nada fazemos, não deixamos para Deus tomar as medidas necessárias para o outro sinta que não fez certo? Não é em nosso vocabulário o dito “Bem feito!”, quando nos vemos “vingados” pelas circunstâncias da vida?

Ainda não compreendemos o nosso papel na vida do outro, tampouco o dele na nossa vida. Isso é a comprovação de nossa inferioridade ante os degraus da evolução. Este estado de inferioridade nos leva a pensar que temos absoluta razão em nossas convicções e lutamos para que todos se submetam a elas, por dois motivos: somente pelo nosso bem estar (independentemente do que outro sinta) ou pelo bem estar daquele que amamos (acreditamos que temos todas as respostas). 

Quando percebemos, porém, o nosso erro (através de nossa evolução íntima), nos arrependemos, tentamos modificar o processo e seguimos novos cursos na vida.

Assim, é com todos. Pela nossa inferioridade, pela nossa ignorância, fazemos más escolhas, mas não somos maus. Somos filhos que ainda não entenderam que Deus sabe o que faz. Nos sentimos órfãos diante das adversidades da vida, achando que estamos sendo punidos por Deus por algo que fizemos. Essa sempre foi a ideia trazida pelos nossos grupos religiosos a séculos.

Quando percebemos que não estamos sós, que somos amados, que as leis estão incidindo sobre nós para o nosso aprendizado porque Deus nos ama, reagimos mais corretamente para produzirmos uma melhor conclusão naquela etapa de aprendizado.

Por tudo isso, precisamos compreender que o processo “obsessivo” é mais um processo de influenciação pela sintonia existente entre encarnado e desencarnado e que todos nós somos passíveis de sofrê-lo ou de cometê-lo.

Mas, seja quem influencie (encarnados ou desencarnados), teremos responsabilidade nos eventos presentes e futuros, segundo a nossa participação como concretizadores da ideia original trazida.
Obsessão existe? Podemos dizer que sim. Porém, acredito que mais como um processo de influenciação por sintonia mútua do que de dominação por submissão.
Pensemos nisso.

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Obsess%C3%A3o_(espiritismo)

COMO AS DORES DOS QUE FICARAM AFETAM OS ESPÍRITOS

13:07 2 Comments A+ a-



Postamos um texto, há duas semanas, com o título “Perda de um Ente querido. Deus nos quer sempre bem”. Ele versa sobre a perda de um ser amado e como isso nos atinge profundamente. Fixamos o tema na ideia de que, em muitos casos, pensamos que, quando perdemos alguém, estamos sendo punidos por Deus e como isso nos faz nos sentirmos órfãos ante a Paternidade Divina.

Hoje, eu gostaria de continuar neste mesmo tema sobre um outro enfoque. Por isso, se vocês não leram aquele post, recomendo a sua leitura!

Como ficamos quando os nossos entes amados se vão e como os afetamos mesmo que indiretamente?
A primeira parte da pergunta é muito fácil de ser respondida: nós ficamos muito tristes. Isso é um fato. Muitos são os sintomas que podem ser vivenciados profundamente por cada um de nós: a saudade bate, arrependimentos se fazem presentes, a culpa por atitudes impensadas martela o nosso coração...

Na maioria das vezes, sentimos um vazio em nossas vidas que, a cada dia, nos faz lembrar que alguém deixou de estar conosco. Então, nós sofremos: sofremos pouco, sofremos muito, sofremos bastante... depende de cada um de nós.

Pensamos o quanto fomos vitimados por aquela situação dolorida que nos arrancou de nosso meio a presença de alguém que nos era muito querido, quase essencial.

Mas, em nosso egocentrismo pensamos que somente nós sentimos saudade. Esquecemos que não existe morte e que, do outro lado da vida, aqueles que são alvo de nossa saudade também a sentem e com intensidade.

Esquecemos que, se eles estão vivos, também estarão sentindo a mesma ausência, a mesma saudade, a mesma dor por terem tido a necessidade de se ausentar de uma vida que, em muitos casos, nem queriam perder.

O interessante, todavia, é que as nossas emoções não se fixam somente em nós, estejamos nós no plano material ou espiritual. O amor nos liga ao ser amado aonde quer que ele se encontre.

Vamos pensar: se estamos o tempo todo em constante ligação energética com quem amamos, imaginem se estivermos (desencarnados) fixados em alguém (encarnado) que está portando sentimentos de tristeza, de saudade, de arrependimento e de culpa que foram construídos pela nossa ausência (no desencarne)? Imaginem que pudéssemos sentir tudo isso com muita intensidade! Se não é fácil lidar somente com as nossas dores, imagine nos depararmos com a dor que “provocamos” em alguém que amamos. Pois é o que acontece! Quando estamos no plano extrafísico, as emanações energéticas exacerbadas de nossos entes encarnados chegam a nós com intensidade e são quase audíveis.

Por isso, se amamos a quem se foi, temos que tomar cuidado com os sentimentos que alimentamos. Porque sentir é uma coisa, alimentar esse sentimento é outro bem diferente.

Para todo espírito que desencarna e que se encontra em um equilíbrio razoável (segundo a sua própria evolução), existe uma proteção natural que o isolará dos sentimentos normais de saudade dos entes que ficaram, dando-lhe a oportunidade de uma adaptação à sua nova etapa de vida.

O problema é quando não acontece assim. O espírito pode chegar portando algum nível de desequilíbrio que somado ao fato dos seus entes amados estarem sofrendo devastadoramente, fazem com que ele não consiga lidar bem com o seu retorno às esferas espirituais.

Ele pode sentir que precisa ajudar aos seus e, por uma escolha muito equivocada, desejar estar com eles nas esferas carnais. Imediatamente, ele se desloca para junto dos seus amados, fazendo com que todos entrem num processo prejudicial de influenciação.

Se não ficou claro, eu explico: todo espírito é livre para fazer o que quiser e, no plano espiritual, estará onde ele mais se identifica. Se ele deseja estar com os seus entes queridos, ele poderá se deslocar para junto deles. Mas, o problema é que ele não sabe o que fazer, porque ainda não se adaptou ao plano etéreo.

Então, em decorrência de uma postura de sofrimento exagerada adotada pelos próprios entes encarnados, inicia-se um processo obsessivo destes junto ao desencarnado, escravizando-o e alimentando uma ligação dolorosa de sofrimento mútuo.

Vê-se, portanto, que esse processo de influenciação pode partir dos encarnados. E isso em razão da ignorância daqueles que amam, mas que não conseguem amar livremente. Não conseguem libertar o alvo de seu amor, por acreditar que eles (encarnados) somente serão felizes ao lado daquele que se foi. Não conseguem entender que amar é libertar, é aceitar os desígnios de Deus, quando chega o momento em que os seres que se amam precisam se distanciar por algum tempo. Não acreditam que a ponte de amor que os une é forte para jamais se romper.

 Por isso, precisamos ficar atentos aos nossos sentimentos desequilibrantes, seja para dar alento ao coração daquele amado que se distanciou, seja para que possamos aprender o melhor desse momento doloroso e trazermos paz ao nosso próprio coração.

Por incrível que pareça, a saudade é um sentimento importante em todos os seres, mas que quando em exagero, nos traz sofrimentos incalculáveis.

Se não sentíssemos saudade, não daríamos a devida importância àquela pessoa em nossa vida. Mas, para o nosso próprio bem, cabe a nós compreendermos que essa saudade deve caber em nosso coração. Se for maior do que ele, nos sufocará, bem como sufocará o ente amado que a sentirá com todas as dores construídas por nós e que a ela (saudade) forem somadas.


Portanto, acreditemos que somos capazes de viver a vida com a lembrança saudosa dos nossos entes queridos. Assim, estaremos construindo um futuro de felicidade para nós e para eles, dando-nos a condição de quando chegar a nossa vez de viajar para o outro lado, estejamos aptos para sermos recebidos com louvor por estes seres tão amados. 


- Adriana Machado

O Rio Doce somos nós?

13:31 3 Comments A+ a-



Hoje, estamos com o coração partido porque estamos com a sensação concreta de desolação.

Como é difícil vivermos na incerteza do amanhã? Como é penoso você acompanhar a trajetória daquela lama tóxica e nada poder fazer. Como é penoso nos sentirmos tão pequenos e dependermos de pessoas que parecem que não entendem o quão é grave o que passamos...
A primeira certeza que precisamos relembrar é que, apesar desse quadro triste que se apresenta, não estamos abandonados por Deus. Apesar de vermos e sentirmos a dor alheia, nada está sem a devida orientação dos mensageiros cósmicos. O Homem faz as suas besteiras, mas nada escapa da Providência Divina. No entanto, não escaparemos das consequências de nossas ações. É simples assim!
Se relembrarmos das grandes guerras, quantas foram as tragédias individuais e coletivas provocadas pela ganância e ignorância humana, mas, através das Mãos Providenciais, tais circunstâncias também trouxeram para os corações uma maior conscientização da dor alheia, um sentimento de maior solidariedade coletiva, além do inquestionável avanço tecnológico e medicinal.
Diante de tudo o que o Homem fizer, seja bom ou não tão bom, caberá a ele responder. Mas, Deus transmutará esse “tudo” em graças à grande Humanidade. Também agora, isso se dará. Eu acredito!
Mas, se Deus faz isso no âmbito coletivo, também o faz no individual. Para isso, no entanto, Ele precisa de nós. Precisa que nos mexamos, precisa que nos conscientizemos que podemos fazer a diferença. São essas certezas que levam os voluntários a se deslocarem de seus lares e ajudarem a quem precisa. Eles entendem que podem fazer a diferença para a coletividade. E nós, podemos fazer isso por nós?
O nosso querido Rio Doce já estava morrendo, mas, mesmo nós que dependemos dele nada fizemos para resolver. Deixamos nas mãos de outros a tarefa de agir...

Eu me pergunto: será que isso não é um reflexo do que fazemos a nós internamente também? Quantas vezes deixamos de atender às nossas necessidades mais prementes porque não acreditamos que somos capazes, porque acreditamos que não está em nossas mãos agir? Quantas vezes nos tornamos omissos em defender os nossos ideais, por não darmos crédito às nossas próprias convicções? Quantas vezes deixamos para o outro tomar atitudes em prol de nós mesmos que seriam de nossa única responsabilidade? Somos intimamente o que refletimos para o mundo exterior!
Precisamos sair de nosso casulo e compreender o que queremos. Precisamos saber o que é verdadeiramente precioso e acreditarmos que merecemos atingi-lo para tê-lo concretamente em nossas vidas. Somente nós poderemos fazer isso por nós. Deus espera que cheguemos a essa conclusão, pois Ele sabe que podemos, Ele sabe que temos condição e merecimento para, no esforço diário, criarmos nossa felicidade.

O Rio Doce já estava morrendo, mas somente agora, ante tal tragédia, nos levantamos e nos comovemos com tanta dor...

E nós, também não estamos morrendo em vida? Será que nós não estamos suplicando por atenção às nossas necessidades mais íntimas e nos fazemos de surdos para não mudarmos?
Por acreditarmos que as águas dos rios deste imenso Brasil jamais se escasseariam, não tomamos as devidas providências para poupá-la. Por décadas, os especialistas estão nos avisando, mas, mesmo antes quando já estava claro a diminuição de seu volume, muitos ainda desperdiçavam as suas águas...
Também nós não fazemos isso conosco? Também nós não precisaremos sentir a ausência da “água” em nossa casa para percebemos que sem ela tudo pode acabar? Então, o que nos faz parar e pensar até onde podemos ir sem mudarmos de atitude?

Talvez nós precisemos de um rio de lama tóxica para nos escandalizarmos e nos mostrar o que já não está bom!...

Para uma criança entender que o pote de bala não é eterno, precisa vivenciar, várias vezes, as suas balas acabarem e sentir que precisa agir diferente para poder delas usufruir por mais tempo. Assim também somos nós! Precisamos vivenciar várias circunstâncias doloridas para decidirmos mudar de atitude.
Certo é que, nos dias atuais, se não nos precavermos, estaremos esgotando o nosso “volume d’água” por abraçamos tantas atividades sem fim, por nos dedicarmos com tanta determinação ao trabalho e nos omitirmos junto aos que amamos, por não nos pouparmos.
Então, eu me pergunto: será que nós também não estamos morrendo, minguando, em nossas próprias margens?
Certo é que não poderemos entregar essa tarefa para mais ninguém além de nós mesmos. Somente nós poderemos construir para nós o ambiente necessário para que a nossa “nascente” não seque.
Para isso, não é necessário que façamos algo grandioso, mas que façamos algo! Que saiamos de nossa fortaleza exterior e nos arrisquemos para que o nosso ecossistema interior não entre em colapso.
Que paremos de colocar a culpa no outro e arregacemos as mangas e trabalhemos por nós.
Se não for assim, viveremos deixando de lado tudo o que é realmente importante para nós e somente agiremos ante a calamidade, quando a “onda de lama tóxica” chegar até nós e tivermos que agir sem demora.  

- Adriana Machado.

PERDA DE UM ENTE QUERIDO.

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Não é a primeira vez que este assunto é tratado, seja na mídia, seja na internet, nas redes sociais, nas casas e livros espíritas.

Uma coisa é certa, ele é um assunto que nos atinge profundamente quando nos encontramos encarnados. Sentimos que, quando um ente querido se vai, algo muito precioso é perdido e não desejamos ficar longe daquilo que nos é valioso.

Gostaria de voltar a esse assunto, porque o livro de Ezequiel, “Perdão, a Chave para a Liberdade”, bem como as manifestações de tantas pessoas antes e após o seu lançamento, me fizeram ver o quanto o desalento pode conseguir guarida em nossos corações. Tudo isso me fez repensar alguns conceitos que tinha.

Desde muito nova, eu ouvia minha mãe dizer que, quando nascemos, a única certeza que temos na vida é de que vamos morrer. Após constatar esse fato, também percebi que não nos preparamos para tal evento e, quando ele chega, ficamos desnorteados.

Estamos errados? Não! Claro que não! É como sabemos reagir. Mas, se desejamos enfrentar algo que é inevitável, porque o desencarne chegará (sendo o nosso ou o de quem amamos profundamente), precisamos nos trabalhar intimamente para que, quando a dor chegar, nós não alimentemos um sofrimento desenfreado.

Uma das coisas mais fantásticas que descobri (e foi com a ajuda da espiritualidade) é que dor e sofrimento são duas coisas muito diferentes! E, se são diferentes, podemos separá-las!

A DOR é um uma circunstância, uma experiência em nossa vida que a interpretamos como ruim. O SOFRIMENTO é o “como?” e o “quanto?” sentiremos essa dor em nossa vida. Conceitos bem simples, não são? Complexos, porém, em nosso íntimo!

Para entendermos o conceito, vamos dar o exemplo de uma criança pequena em um playground: ela, brincando na areia, cai e se machuca. Chora, por que é o natural. Ela não entende porque dói, mas dói. Sua mãe vai até ela, a acalenta em sua dor e, depois, lhe diz: “Meu amor, só temos mais 10 minutos para ficarmos aqui. Se você ficar chorando, vai perder o parquinho!” Qual é a reação natural da criança? Ela levanta do chão e, mesmo com as lágrimas ainda frescas em seu rosto, escolhe brincar.

Sabemos que a dor não passou. Ela ainda está vivenciando a experiência dolorida, porque a sua perninha ainda dói, mas ela escolheu, apesar da dor, vivenciar aquele momento, especial para ela, sem sofrimento.

Entendo, nesse exemplo, que a criança somos nós! Por ainda sermos crianças, não entendemos as nossas dores e choramos todas às vezes que elas se manifestam. A mãe é Deus que sabe de nossa capacidade de enfrentarmos “o” parquinho (a vida), nos dando a oportunidade de explorarmos toda a sua extensão e, sob os Seus olhos atentos, quando nos machucamos, Ele vem até nós, nos acalenta e nos informa que aquele momento especial (a vida) é curto para perdermos tempo no sofrimento. 
É por isso que vemos tantas pessoas diferentes reagindo de forma diferente ante a perda de um ser amado. O amor de uma dessas pessoas pelo seu amado é menor do que o da outra? Não, claro que não!

Muitos são os fatores que nos fazem reagir diferente de nosso próximo em circunstâncias semelhantes. E um desses fatores é o entendimento de que não devemos escolher alimentar em demasia o sofrimento sentido, porque ele (o sofrimento) está lá, pode ser sentido, mas, para o nosso próprio bem, não deve ser alimentado. Se essa pessoa, ao contrário, escolher alimentá-lo, estará, como a criança, sentada no chão daquele parquinho e não se dará a chance de enxergar todas as bênçãos que chegarem a partir daquela queda.

O interessante, em nossa historinha, é que a “mãe” deixou a criança escolher. Se ela escolhesse continuar chorando, a mãe nada poderia fazer, a não ser continuar tentando lhe trazer conforto ao seu coraçãozinho sofrido. Deus respeita as nossas escolhas e isso é uma escolha!

Onofre (personagem do livro) me ensinou que, em muitos momentos, pensamos que estamos sendo penalizados por Deus quando essas circunstâncias dolorosas chegam a nós. Tanto é verdade, que elevamos o nosso pensamento a Ele e perguntamos: “Deus, por que comigo? O que eu fiz?”.  Mas, podemos começar a pensar diferente. Devemos entender que se tivemos alguém que muito amamos ao nosso lado, por um mínimo de tempo possível, foi um presente de Deus para nós, porque Ele nos ama!... E fomos merecedores desse tempo precioso junto a esse alguém!


Se recebemos esse presente, como nos sentirmos magoados ou traídos por Deus quando o tempo chega ao fim? Está na hora de acreditarmos que, apesar de ainda termos muito a caminhar, Deus nos ama do tamanho que somos, porque Ele sabe, Ele nos conhece, Ele nos aguarda! Deus nos quer sempre bem.