SORRIAM! HOJE, TAMBÉM É NATAL...

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Amigos, estamos chegando no final do ano e o Natal está quase aí!


Todos os anos passamos por esta data especial, mas, será que já paramos para pensar sobre o que é o Natal para nós?

Quando somos pequenos, e no decorrer de todo o nosso crescimento, escutamos que esta data está vinculada ao aniversário de Jesus, mas, entendemos o que isso significa?

Eu amo o Natal! Amo porque sinto que esta data é especial! Ela me faz sentir que há algo mais do que o cotidiano de nossas vidas. Eu sinto uma alegria que me contagia completamente e, segundo os meus filhos, fico até boba! Adoro colocar as músicas de Natal e cantá-las. Mas, apesar de todo esse contentamento, admito também que, até pouco tempo atrás, meus natais não eram como eu gostaria que fossem!

Diante da incoerência, me propus mudar. Lembro da primeira vez que tentei, em uma ceia familiar, levantar a bandeira de que temos de lembrar mais do aniversariante e fazer uma oração de agradecimento por Ele ter vindo ao mundo para nos ensinar novas formas de enxergarmos a vida.
É engraçado como fiquei constrangida de chamar a todos que participavam daquela festa natalina para, antes de qualquer ceia, antes de qualquer troca de presentes, elevarmos o nosso pensamento a Jesus e homenageá-lo como o verdadeiro aniversariante. Tive receio, tive vergonha, mas fiz.

Foi muito gratificante perceber que todos aceitaram com tranquilidade e que curtiram o momento de internalização com Ele. E, mais ainda, começaram a usar desse proceder todos os anos, sem que tivéssemos que pedir! Foi muito legal perceber que, se eu tinha receios, talvez os outros também os tivessem!

Foi e é maravilhoso enxergar que o que tememos pode ser, somente, um pensamento equivocado nosso em relação aos outros! Quando compreendemos isso, nos possibilitamos agir mais, nos libertando de preconceitos que nos martirizam a alma. Esse também é um dos ensinamentos trazidos por Jesus!

A cada ano me percebo entendendo mais um pouquinho sobre o que é o Natal e vejo que Jesus nos trouxe, com a Sua vinda, inúmeros ensinamentos que estão nas entrelinhas de seus discursos.
Jesus foi um revolucionário! Se analisarmos o que Ele fez, veremos que Ele veio nos mostrar que as ideias que tínhamos sobre as verdades divinas estavam equivocadas: que o culto a Deus é interior e não exterior; que somos os Seus filhos bem amados e que Deus não possui as nossas imperfeições e deturpações humanas, por isso, não fica irado, não nos pune, não nos humilha, nos perdoa sempre. Ele É, simplesmente, Deus.

Vejo, nas redes sociais, algumas pessoas afirmando que alguns posts de piadas têm mais compartilhamentos do que os que falam sobre Deus. Acho que essa realidade já está mudando (pelo menos em meu mundo)! As pessoas estão carentes de Deus! As pessoas estão perdendo o medo de falar sobre as suas verdades religiosas e estão ávidas por levar aos seus semelhantes palavras de consolo e amor!

Mesmo que ainda não vivenciemos todas as palavras que proferimos, já conseguimos dividir as nossas ideias sem medo. Será que estamos querendo mostrar ao mundo o que não somos? Hipocrisia, diriam alguns? Eu acho que não. Vejo que, se ainda não vivenciamos tudo o que falamos, estamos nos deparando com as nossas verdades teóricas e elas estão para nós, da mesma forma que estarão para aqueles que a escutarem. Significa dizer que, talvez, o outro, mais preparado, possa vivenciar a nossa palavra antes mesmo de nós, mas a nossa ideia teorizada o auxiliou e, melhor, ela está em nós, para ser vivenciada quando estivermos prontos também.

Antes, eu me criticava quando pensava duas vezes antes de postar meus pensamentos. Depois, percebi que isso não era, pura e simplesmente, vergonha de falar de Deus. Era respeito pelo outro, de não invadir o seu templo interior com as minhas verdades.

Só que aprendi que, aqueles que não desfrutam das minhas ideias, também têm, como eu, a liberdade de lê-las e não aceitá-las, ou, simplesmente, não as ler, sem precisar se ofender com elas. Esse é um dos ensinamentos de Jesus para nós.

Ele falava para aqueles que queriam escutá-Lo, mas não se furtava de transmiti-las para aqueles que pareciam não compreendê-las ainda. Ele sabia que, em algum momento, tais sementes seriam importantes para este alguém como eram para Ele.

Claro que as nossas verdades não são iguais as de Jesus! Ele sabe muito e nós ainda estamos aprendendo, mas Ele nos mostrou que, mesmo tendo verdades relativas, são elas que nos auxiliarão em nosso caminhar e, se estivermos abertos à vida, tendo a benevolência de escutar também os outros, teremos mais condições de enxergar, quando a vida atuar, quais são as verdades que teremos de abraçar. Agindo assim, perceberemos que estamos também nos ensinando a não exigir do outro que abrace as nossas ideias, se ele não as quiser.

Isso se chama respeito pelo próximo! Isso se chama termos responsabilidade conosco! Então, isso é muito bom!


Sempre ouvi que não devemos discutir religião, política e futebol. Bem, quanto aos dois últimos não vou me pronunciar, mas em relação ao primeiro item, acho que essa frase é fantástica!
Acredito, piamente, que não devemos jamais discutir sobre religião. Nós devemos mesmo é conversar. Se não conversarmos sobre isso, sempre estaremos estagnados, não nos possibilitando raciocinar as nossas crenças mais profundas que podem estar erradas!

Conversar é diferente de discutir. Discutir é desequilíbrio, é um e outro querendo ter razão! Conversando, teremos condição de adquirir conhecimento sobre diferentes pontos de vista para nos darmos melhores instrumentos de evolução. Isso é aprendizado, isso é crescimento!

Jesus, quando aqui esteve, nos mostrou isso! Trouxe novas verdades, trouxe os instrumentos que nos dariam condições de acharmos o caminho de nossa evolução com menos dores e sofrimentos. Naquela época, não éramos acostumados a pensar sob estes parâmetros, nem a conversar sobre isso, só a receber as regras de conduta dos líderes religiosos e aceitá-las. Por isso, Ele sabia que o Seu destino era sucumbir diante de nossa ignorância. Mas, ele nasceu e renasceu, mostrando-nos que se responsabilizaria por Suas ações e que faremos o mesmo quando estivermos preparados.

Então, o Natal é um dia especial, porque nos lembra Daquele que nos trouxe verdades que até aquele momento não podiam ser faladas porque não estávamos preparados para escutá-las sem rechaçá-las com os nossos preconceitos. É especial porque é um dia de libertação: quanto mais compreendemos os ensinamentos de Jesus, mais nos libertamos de nossos preconceitos, de nossas culpas, de nosso egoísmo!

O Natal é a desmistificação de antigas crenças que nos movem, mas que não nos servem mais. O Natal é a oportunidade que temos de nos depararmos conosco e entendermos que, a cada ciclo, outra oportunidade podemos nos dar para conseguirmos nos compreender, nos aprimorar, nos amar!

Jesus nos mostrou isso em toda a Sua vida e se, em nossa existência, nos colocarmos para agirmos como Ele, será sempre Natal para nós.



Então, sorriam... pois, hoje, também é Natal!

Depressão, podemos superá-la?

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Tenho certeza que muitos que já experimentaram a depressão já escutaram de alguém que tudo o que ele sente é besteira, que aquilo é fácil de se resolver, que é só deixar de lado a tristeza que a alegria retornará à sua vida!

Ledo engano daquele que menospreza o estado de depressão de um ente querido seu. Possivelmente, estará levando para este amor de sua vida mais uma carga de remorso, mais um motivo para que ele não consiga ultrapassar esse momento difícil de sua vida.

A depressão é uma doença que precisa ser tratada. Como todo doente que não conhece a sua doença, ela está lá, ele só não sabe ainda. O depressivo é como aquele paciente portador da tuberculose que, mesmo não sabendo dela, não consegue parar de tossir. Ele não precisa saber que está doente, ele, simplesmente, reage ao distúrbio de que é portador e age conforme os seus sintomas.

Como toda doença de que somos portadores, a depressão também advém de nosso estado de espírito, de nosso estado emocional. O depressivo chega a este estado porque antes teve medo, antes teve rancor, antes teve receio da vida.

Nós não entramos no estado de depressão imediatamente. Nós entramos em um estado de tristeza que vai se agravando mais e mais até chegarmos à depressão.


Mas, porque nos entristecemos? Porque, segundo a espiritualidade (e cada caso é um caso!), nós começamos a acreditar que a vida é um barco sem rumo; um barco que perdeu o seu leme e está à deriva seguindo a vontade das ondas. Neste momento, deixamos que a nossa fé esmoreça. Ela ainda está ali, mas abafada pelos medos que alimentamos, pelos traumas que abraçamos... Daí, começamos a temer quase tudo: tememos o dia que se inicia; tememos os fatos que virão com ele; tememos as pessoas que fazem parte dessa vida...

Mesmo que consigamos flagrar aquilo ou aquele que nos trouxe a angústia, que nos levou ao desespero, ao buraco, o ponto chave de tudo isso ainda somos “nós”. E enquanto não percebermos isso, poderemos fazer todo tipo de tratamento médico existente que a depressão não será totalmente curada em nosso coração.

A depressão pode ter sido incentivada por um ou mais fatos concomitantes e recorrentes, mas tudo se iniciou porque, em algum momento, começamos a desacreditar em nós mesmos; porque começamos a acreditar não sermos bons o suficiente para lidarmos com aquilo que chega até nós. E, se assim é, concluímos: não somos nada, não merecemos nada melhor!

A espiritualidade afirma que o ponto chave (e o que verdadeiramente importa) é que não nos perdoamos pelos nossos equívocos, não nos damos a oportunidade de fazer melhor e quando damos, não nos concedemos tempo suficiente para a conclusão da tarefa, incapacitando-nos de vermos a nossa potencialidade. Não entendemos que somos viajantes em busca de aprendizado e, portanto, alunos da Grande Escola. Se somos alunos, muito ainda haveremos de errar, mas com todas as oportunidades de refazer os nossos passos e acertar em algum momento. Teremos tempo, porque Deus nos dará todo o tempo que for necessário para isso.

Um outro ponto é: qual é o Deus que rege a nossa vida?! Se acreditamos em um Deus duro e vingativo; em um Deus perverso que deixará que a vida nos traga sempre o pior, sempre reagiremos como se nós “merecêssemos” os traumas que nos assombram. Mas, Ele não é nada disso. Ele foi descrito assim no passado porque somente dessa forma nós O respeitaríamos. Nós éramos bárbaros e o nosso Deus precisava ser também.

Por isso, Jesus, há dois milênios, veio nos esclarecer que o Deus que nos rege não é assim! E Jesus fez isso porque já estávamos mais preparados para nos depararmos com essa verdade: que Ele é “Pai”; que Ele nos quer bem; que Ele é Tudo... e Tudo de bom!

Precisamos nos desapegar da visão antiga desse Deus para nos darmos a oportunidade de nos perdoarmos como Ele nos perdoa a cada equívoco.


Ele sabe quem somos. E se sabe, não tem como se decepcionar. Somente nós nos decepcionamos conosco porque queremos ser mais do que ainda somos. Temos a visão do que é certo e queremos agir segundo essa visão. O problema é que ainda não somos capazes de colocarmos tudo em prática.
Para ficar mais simples de entender: sabemos como funciona um computador, mas sabemos fazê-lo funcionar? Podemos abri-lo e observar a posição de cada um de seus componentes, mas isso é suficiente?

As nossas verdades são como os componentes desse aparelho: sabemos que todos juntos farão o computador funcionar, mas não temos ainda o conhecimento de como fazê-lo. Somente quando observarmos quem sabe, quando colocarmos a “mão na massa” para montá-lo, teremos angariado conhecimento para tanto. Daí, o que era segredo, deixou de ser! Assim é com a vida!

A depressão é um reflexo dos momentos do passado que não conseguimos nos libertar por não sabermos como “fazer funcionar” aquela experiência. Ela nos aprisiona em situações vividas outrora e que, naquela época, não conseguimos entender. Como no caso de uma mãe que se culpa sobremaneira pelo fato de seu filhinho ter se machucado e, em razão disso, cria em seu inconsciente que ela é uma péssima mãe... ela levará isso consigo, vida após vida, reafirmando a sua incapacidade para si a cada experiência desagradável com um filho seu. Ela somente sairá dessa prisão (construída por ela mesma) quando entender que somos pessoas falíveis e, por isso, erramos, mas estamos aqui para aprender com esses erros.

Até que consiga sair dessa prisão construída em seu íntimo, essa mãe reagirá negativamente toda vez que algo não sair como ela queria. É uma prisão de angústia e ansiedade. É uma prisão que pode nos levar à depressão!

Por que algumas pessoas escutam as maledicências dos outros sobre si mesmas e outras, não? Porque as primeiras não têm firme em seu íntimo a verdade sobre si mesmas e reforçam os seus traumas com a opinião alheia. As que não dão importância as maledicências, ou já estão revendo as suas crenças sobre si mesmas ou já as superaram em seu íntimo.

Por isso, é necessário que todos nós, sem exceção, observemos o que está chegando até nós por intermédio do outro e percebamos as nossas reações frente a cada uma das circunstâncias trazidas.
Tal atitude do outro pode ser errada, mas não é ruim para nós, entendam bem! Tais situações são as que nos fazem rever os nossos pontos de vista, bem como nos dão a chance de rechaçar o que não desejamos para nós. Podemos, porém, por ignorância, escolhermos escutar as maledicências e alimentá-las em nosso ser, o que acarretará ainda vivermos alguns momentos de dor que podem nos levar a estados depressivos consideráveis.


Tudo isso faz parte de mais um estágio de vida para nós e isso não é bobagem!


Se conhecemos alguém que está depressivo, que possamos entender que esse alguém precisa de ajuda e muita compreensão para que ele saia bem consigo mesmo deste estágio. Sejamos aqueles que o auxiliarão a perceber a sua potencialidade, a abandonar algumas crenças construídas outrora que já podem ser desmistificadas, a voltar a se amar como filho de Deus.

Se somos nós que nos encontramos depressivos, associemos tudo isso ao tratamento de saúde físico que não pode ser jamais desconsiderado porque este caso o estágio da doença já impregnou o campo da matéria e pela matéria precisa também ser curado.

Precisamos, para o nosso bem, apurar a nossa compreensão espiritual nos conhecendo mais e mais a cada dia para que consigamos associar todos os nossos aprendizados até então conquistados e sairmos o quanto antes dessa experiência traumática, mas espiritualmente enobrecedora.

PERDÃO, INSTRUMENTO LIBERTADOR

12:22 4 Comments A+ a-



Sabemos que muitos são os textos que falam sobre o perdão, mas vamos nos aventurar para falar um pouquinho sobre esse tema que é tão discutido e que parece ser tão complicado de ser colocado em prática.

O que é o perdão?


“Etimologicamente, a palavra "perdão" vem do latim perdonare que significa a ação de perdoar, ou seja, aceitar ou pedir desculpas; se redimir em relação a algo de errado. A expressão "pedir perdão" é usada quando alguém reconhece o seu erro e pede desculpas para a pessoa com quem foi injusto. (...) No âmbito religioso, o conceito de perdão está relacionado com o chamado "processo de purificação espiritual", ideia que está presente em quase todas as doutrinas religiosas, e que consiste na eliminação de sentimentos nocivos ao homem, como a raiva, a magoa ou o desejo de vingança.”[1]

Diante deste conceito, gostaríamos de levantar uma questão interessante: nós já somos capazes de aceitar ou pedir perdão?


A princípio diríamos que sim. Mas, será que conseguiríamos fazê-lo sempre?

Se o perdão é um processo de purificação espiritual, porque parece ser tão difícil colocá-lo em prática em alguns momentos? É nessa resposta que queremos chegar hoje.

Aceitar ou pedir perdão está no âmbito interno de nosso ser. Somos nós que decidiremos como agir e são as nossas crenças que nos impedirão ou nos impulsionarão a fazê-lo.

É mais fácil pedir ou aceitar o perdão? Também isso dependerá de cada um de nós.
Se formos honestos, lembraremos de algum momento de nossa vida que deixamos de aceitar ou nos desculpar com alguém, tendo essa pendência até hoje. E qual foi o motivo que nos impediu de solucionar essa contenda?

Se tememos receber uma negativa ao pedido de perdão, possivelmente, não o pediremos; se tememos que o outro faça de novo o que nos magoou ou ofendeu, possivelmente, não o perdoaremos. Essas verdades seriam as nossas crenças! Todas as nossas ações estarão baseadas em como reagiríamos se estivéssemos no lugar do outro e, com todas as nossas imperfeições ainda reluzentes ao nosso olhar, escolheremos agir para evitar o sofrimento que acreditamos possível acontecer, esquecendo, todavia, que sofremos de qualquer forma, se não mudarmos a forma de como encaramos o lugar do outro e o nosso próprio lugar na nossa vida.

A verdade é que quando temos pendências, sofremos todos os dias por estarmos vivenciando aquela circunstância. O ponto que não muda, é que nós só teremos pendências sofridas com quem amamos ou consideramos.

A espiritualidade amiga afirma que quando construímos um sentimento com alguém (amor, amizade, consideração...), essa ligação jamais se quebrará. Se pensarmos que somente nos magoamos ou nos decepcionamos com quem temos alguma ligação de sentimentos, então, sofreremos até resolvermos essa pendência, porque estamos ligados permanentemente numa energia em desequilíbrio...

Vocês podem estar pensando em casos de estranhos terem tido a capacidade de provocar, em vocês, indignação ou irritabilidade em algum caso passado. É verdade, tais sentimentos podem ter sido provocados, mas, se analisarem bem, não foram sustentados por muito tempo. Nós nos libertaremos rapidamente do desconforto, porque aquela pessoa nos é indiferente. Assim, se algum estranho na rua, esbarra em nós e derruba toda a nossa compra no chão e não nos ajuda, ficaremos revoltados, poderemos até xingá-lo, mas a indignação poderá permanecer por algumas horas, por alguns dias, mas, nunca, por toda a vida.

Vamos analisar com um exemplo mais grave: se este estranho mata um ente querido, teremos a oportunidade de ter inúmeros sentimentos (raiva, ódio, revolta...) por este alguém. Então, a teoria estaria errada?! Não, não está!

Segundo diz a espiritualidade:


- Se o seu sentimento for muito profundo, quase de vingança, pode já ter havido alguma relação anterior entre você e este alguém e, estando já vinculados pelos sentimentos que antes os unia, agora só se reconheceram.
- Se ele for um completo estranho para você (ou seja, não se conheciam antes), possivelmente, a sua dor, a sua indignação será profunda pela “perda” do seu ente amado, mas o seu ódio pelo ofensor não.
- Se o seu ódio, porém, for profundo, contrariando o que foi dito anteriormente, um dos motivos pode ser que você está direcionando todo um sentimento de frustração e desejo de vingança contra um “alguém”, que agiu e lhe trouxe dor. Ele é só um alvo de sua dor profunda.

Nos dois últimos casos, vocês estarão iniciando um processo de conhecimento mútuo, infelizmente, por meio de um “escândalo”[2].

Mas, tudo isso, todos os vínculos que construímos, negativamente, dependem de nosso querer, porque podemos reagir com paz no espírito. Fato é que, se somos os únicos responsáveis pelos nossos próprios sentimentos, se alguém agir contra mim, pode ele determinar como me sentirei? Não, ele não pode. Eu me magoo, eu me irrito, eu sofro, porque quero. Por ter interpretado a atitude dele contrária a mim, eu construo todos os sentimentos, bons ou não tão bons, que quiser.

Mas, o nosso equívoco contra o ofensor não começa aí. Ele começa, normalmente, quando construímos um pedestal para que ele resida. Sim, é o que fazemos! Colocamos o nosso amado, o nosso familiar, o nosso amigo em um pedestal, porque ele é especial, porque o aceitamos como alguém importante para nós. Se é assim, mesmo que ele demonstre o tempo todo quem ele é com os outros, nós queremos acreditar que ele jamais agirá conosco da mesma forma.

O problema é que ele pode até tentar não fazer conosco, mas se não conseguir e agir conforme a sua natureza (atual), nós o condenaremos, esquecendo que ele não pediu para estar neste pedestal, que fomos nós quem o colocamos lá e que a queda sofrida por ele será imensa diante de nossos olhos. A decepção que sentiremos se encontrará na mesma proporção do tamanho do pedestal que construímos para ele!

Começamos a perceber, portanto, que somos os únicos responsáveis pela nossa dor, porque tudo depende de nós.


Depois desta verdade flagrante, como ainda podemos pensar em não aceitar ou pedir o perdão alheio? Simples, porque apesar de sabermos disso tudo, ainda queremos preservar o nosso orgulho. É ele que é colocado em “xeque”.

Não é vergonha flagramos esse sentimento de autopreservação em nós. É muito importante termos em nossa consciência que existe algo que é tão importante para nós que, mesmo podendo impedir, nos permitiremos vivenciar momentos de muita dor em nosso íntimo para preservá-lo.

Mas, o orgulho não está só. Com ele associamos o medo! Temos medo de sofrer de novo. Temos medo do que podem falar de nós... Temos medo de ficarmos frente a frente com o nosso próprio eu!

Nós somente deixaremos de utilizar o orgulho como escudo de proteção e pararemos de ter medo, quando nos conhecermos melhor. Porque, quando aceitarmos quem somos, não nos abalaremos quando alguém vier dizendo verdades ou mentiras sobre nós. Nada será novidade, nada nos confundirá. O orgulho não será mais necessário para a nossa proteção.
Diante de tudo isso, como o perdão pode ser libertador?

Porque neste processo de autoconhecimento, neste processo de purificação espiritual, estaremos mais livres para compreendermos as circunstâncias que chegarem a nós. Não precisaremos fantasiar sobre os outros ou sobre nós mesmos. Não teremos que colocar ninguém sobre pedestais ou nos culparmos por termos errado na escolha das pessoas que estarão ao nosso lado. Teremos consciência que estamos aprendendo, que estamos caminhando, que estamos crescendo... devagar.

O perdão é libertador porque todos nós poderemos praticá-lo, estando em que patamar evolutivo estivermos, só depende de nós desejarmos ficar bem.


Tudo estará baseado em como enxergamos a vida e que, se nós podemos errar, por não sermos perfeitos, os outros também poderão. O perdão, então, aceito ou pedido será consequência consoladora!

[1] In http://www.significados.com.br/perdao/
[2] “O escândalo é necessário, mas ai daquele que o praticar” – Jesus.

OBSESSÃO EXISTE?

11:37 4 Comments A+ a-


Semana passada postamos um texto que falava sobre a influência que nós, encarnados, exercemos sobre os nossos amados que já se foram.

Queria continuar nesse assunto, mas sob um outro prisma.

Como falávamos naquele texto, podemos, e muito, influenciar os nossos entes queridos, amigos de jornada que já se foram para os planos astrais, com os nossos sentimentos bons e não tão bons. Isso ficou claro, não foi?

Muitos poderiam dizer que esse processo é uma obsessão de encarnado para desencarnado. Também, poderíamos dizer que o desencarnado sob a nossa influência se escraviza diante de nossas dores e pelas suas próprias, fazendo-nos sofrer as suas desventuras. Estaríamos, assim, vivendo uma obsessão de desencarnado para encarnado também.

Diante desses quadros, vamos analisar o conceito de Obsessão. Segundo Kardec “seria o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticado senão por espíritos inferiores que procuram dominar o obsediado. É a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo.”¹

Bem, muito simples de entender e muito necessário, naquela época, para levar aos corações desavisados o temor e o respeito aos que habitavam os planos etéreos.

Certo é que, pelos encarnados da época não compreenderem as várias nuances da vida espiritual, levavam os experimentos realizados como forma de diversão e até de zombaria. Em razão disso, o conceito trazido por Kardec era adequado ao momento evolutivo do planeta.

Entretanto, hoje, já temos uma noção que esse conceito precisa ser compreendido com mais elasticidade. E não é porque ele (conceito) está errado, mas porque temos consciência que estamos mais preparados para entender a nossa verdadeira participação num processo de “obsessão”.

Vamos começar do início.

Quando Kardec nos trouxe essa informação, tivemos uma boa desculpa para tirarmos de nossos ombros as culpas por processos desequilibrantes pelos quais passávamos. Tudo era culpa de um espírito maligno que nos fazia tomar atitudes imorais ou mesmo impensadas, eximindo-nos de toda e qualquer responsabilidade sobre as nossas ações.

Na atualidade, porém, a espiritualidade amiga nos informa a todo tempo que esse processo, chamado de obsessão, deveria ser mais bem raciocinado. Já temos subsídios para entender que ele não é tão cômodo assim.

Podemos passar por uma influenciação espiritual que nos dará combustível para tomarmos atitudes que, a princípio, parecemos incapazes de fazer, mas que as executaremos com requinte. Isso significa que aceitamos tal influenciação, que estamos em sintonia com as ideias que nos foram trazidas, porque, mesmo quando nos encontramos influenciados por irmãos espirituais, somos nós quem damos o aval para toda a atitude que tomamos, ou seja, somos nós que escolhemos agir daquela forma; somos nós que aceitamos a sugestão dada por aquele espírito e agimos por nossa vontade.

Se fosse diferente, tal espírito teria poder para infringir uma das leis divinas que nos regem e é soberana que é a Lei da Liberdade que tem como escopo o livre arbítrio.

Mesmo quando pensamos na possessão, forma mais intensa de obsessão, não estamos desprotegidos. Todo processo de possessão inicia-se devagar e vai aumentando pouco a pouco a sua intensidade. Podemos nos desvencilhar daquela presença se desejarmos. É o nosso querer falando mais alto. Se não fazemos, é porque estamos em sintonia com o processo que se descortina ao nosso redor. Estamos confortáveis em delegar ao outro (obsessor) o processo de escolha que nos cabe. Mas, o fato de deixarmos alguém escolher por nós, não nos exime da responsabilidade ao aceitar cada escolha feita pelo outro.

Por isso, não podemos afirmar que somos alvos desprotegidos de quaisquer seres espirituais que, por motivos que não nos caberia saber, influenciam-nos a ponto de perdermos a nossa liberdade de escolha.

Ainda, esmiuçando o conceito trazido por Kardec, precisamos repensar quando afirmamos que somente participam de um processo de obsessão os maus espíritos.

Eu pergunto: você e eu somos espíritos maus? Porque se aceitamos que podemos influenciar um espírito que nos é caro, a ponto dele sair de seu caminho redentor para estar conosco, em nossa dor, então, o estamos “obsediando”, mas não porque somos maus, e sim porque somos ignorantes.

Num conceito mais real, eu entendo que qualquer um pode “obsediar” alguém, porque enquanto não compreendermos as verdades divinas e nos equivocarmos na exacerbação de nossos sentimentos, de nossas vontades, estaremos influenciando alguém para alguma coisa.

Se todos nós somos passíveis de influenciar, então, todos nós somos obsessores contumazes que convencemos o outro a fazer aquilo que achamos ser o correto. Mesmo quando pensamos num processo de obsessão característico (como o que foi descrito nos parágrafos acima), o obsessor acredita que está fazendo algo que é importante e certo, mesmo que o certo não seja para o obsediado, mas sim para ele, o obsessor. Não é o que fazemos?

Pensemos na vingança. Ela também não segue o mesmo princípio? Nós não somos capazes de nos “vingar” quando alguém faz algo que nos incomoda? Mesmo quando nada fazemos, não deixamos para Deus tomar as medidas necessárias para o outro sinta que não fez certo? Não é em nosso vocabulário o dito “Bem feito!”, quando nos vemos “vingados” pelas circunstâncias da vida?

Ainda não compreendemos o nosso papel na vida do outro, tampouco o dele na nossa vida. Isso é a comprovação de nossa inferioridade ante os degraus da evolução. Este estado de inferioridade nos leva a pensar que temos absoluta razão em nossas convicções e lutamos para que todos se submetam a elas, por dois motivos: somente pelo nosso bem estar (independentemente do que outro sinta) ou pelo bem estar daquele que amamos (acreditamos que temos todas as respostas). 

Quando percebemos, porém, o nosso erro (através de nossa evolução íntima), nos arrependemos, tentamos modificar o processo e seguimos novos cursos na vida.

Assim, é com todos. Pela nossa inferioridade, pela nossa ignorância, fazemos más escolhas, mas não somos maus. Somos filhos que ainda não entenderam que Deus sabe o que faz. Nos sentimos órfãos diante das adversidades da vida, achando que estamos sendo punidos por Deus por algo que fizemos. Essa sempre foi a ideia trazida pelos nossos grupos religiosos a séculos.

Quando percebemos que não estamos sós, que somos amados, que as leis estão incidindo sobre nós para o nosso aprendizado porque Deus nos ama, reagimos mais corretamente para produzirmos uma melhor conclusão naquela etapa de aprendizado.

Por tudo isso, precisamos compreender que o processo “obsessivo” é mais um processo de influenciação pela sintonia existente entre encarnado e desencarnado e que todos nós somos passíveis de sofrê-lo ou de cometê-lo.

Mas, seja quem influencie (encarnados ou desencarnados), teremos responsabilidade nos eventos presentes e futuros, segundo a nossa participação como concretizadores da ideia original trazida.
Obsessão existe? Podemos dizer que sim. Porém, acredito que mais como um processo de influenciação por sintonia mútua do que de dominação por submissão.
Pensemos nisso.

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Obsess%C3%A3o_(espiritismo)

COMO AS DORES DOS QUE FICARAM AFETAM OS ESPÍRITOS

13:07 2 Comments A+ a-



Postamos um texto, há duas semanas, com o título “Perda de um Ente querido. Deus nos quer sempre bem”. Ele versa sobre a perda de um ser amado e como isso nos atinge profundamente. Fixamos o tema na ideia de que, em muitos casos, pensamos que, quando perdemos alguém, estamos sendo punidos por Deus e como isso nos faz nos sentirmos órfãos ante a Paternidade Divina.

Hoje, eu gostaria de continuar neste mesmo tema sobre um outro enfoque. Por isso, se vocês não leram aquele post, recomendo a sua leitura!

Como ficamos quando os nossos entes amados se vão e como os afetamos mesmo que indiretamente?
A primeira parte da pergunta é muito fácil de ser respondida: nós ficamos muito tristes. Isso é um fato. Muitos são os sintomas que podem ser vivenciados profundamente por cada um de nós: a saudade bate, arrependimentos se fazem presentes, a culpa por atitudes impensadas martela o nosso coração...

Na maioria das vezes, sentimos um vazio em nossas vidas que, a cada dia, nos faz lembrar que alguém deixou de estar conosco. Então, nós sofremos: sofremos pouco, sofremos muito, sofremos bastante... depende de cada um de nós.

Pensamos o quanto fomos vitimados por aquela situação dolorida que nos arrancou de nosso meio a presença de alguém que nos era muito querido, quase essencial.

Mas, em nosso egocentrismo pensamos que somente nós sentimos saudade. Esquecemos que não existe morte e que, do outro lado da vida, aqueles que são alvo de nossa saudade também a sentem e com intensidade.

Esquecemos que, se eles estão vivos, também estarão sentindo a mesma ausência, a mesma saudade, a mesma dor por terem tido a necessidade de se ausentar de uma vida que, em muitos casos, nem queriam perder.

O interessante, todavia, é que as nossas emoções não se fixam somente em nós, estejamos nós no plano material ou espiritual. O amor nos liga ao ser amado aonde quer que ele se encontre.

Vamos pensar: se estamos o tempo todo em constante ligação energética com quem amamos, imaginem se estivermos (desencarnados) fixados em alguém (encarnado) que está portando sentimentos de tristeza, de saudade, de arrependimento e de culpa que foram construídos pela nossa ausência (no desencarne)? Imaginem que pudéssemos sentir tudo isso com muita intensidade! Se não é fácil lidar somente com as nossas dores, imagine nos depararmos com a dor que “provocamos” em alguém que amamos. Pois é o que acontece! Quando estamos no plano extrafísico, as emanações energéticas exacerbadas de nossos entes encarnados chegam a nós com intensidade e são quase audíveis.

Por isso, se amamos a quem se foi, temos que tomar cuidado com os sentimentos que alimentamos. Porque sentir é uma coisa, alimentar esse sentimento é outro bem diferente.

Para todo espírito que desencarna e que se encontra em um equilíbrio razoável (segundo a sua própria evolução), existe uma proteção natural que o isolará dos sentimentos normais de saudade dos entes que ficaram, dando-lhe a oportunidade de uma adaptação à sua nova etapa de vida.

O problema é quando não acontece assim. O espírito pode chegar portando algum nível de desequilíbrio que somado ao fato dos seus entes amados estarem sofrendo devastadoramente, fazem com que ele não consiga lidar bem com o seu retorno às esferas espirituais.

Ele pode sentir que precisa ajudar aos seus e, por uma escolha muito equivocada, desejar estar com eles nas esferas carnais. Imediatamente, ele se desloca para junto dos seus amados, fazendo com que todos entrem num processo prejudicial de influenciação.

Se não ficou claro, eu explico: todo espírito é livre para fazer o que quiser e, no plano espiritual, estará onde ele mais se identifica. Se ele deseja estar com os seus entes queridos, ele poderá se deslocar para junto deles. Mas, o problema é que ele não sabe o que fazer, porque ainda não se adaptou ao plano etéreo.

Então, em decorrência de uma postura de sofrimento exagerada adotada pelos próprios entes encarnados, inicia-se um processo obsessivo destes junto ao desencarnado, escravizando-o e alimentando uma ligação dolorosa de sofrimento mútuo.

Vê-se, portanto, que esse processo de influenciação pode partir dos encarnados. E isso em razão da ignorância daqueles que amam, mas que não conseguem amar livremente. Não conseguem libertar o alvo de seu amor, por acreditar que eles (encarnados) somente serão felizes ao lado daquele que se foi. Não conseguem entender que amar é libertar, é aceitar os desígnios de Deus, quando chega o momento em que os seres que se amam precisam se distanciar por algum tempo. Não acreditam que a ponte de amor que os une é forte para jamais se romper.

 Por isso, precisamos ficar atentos aos nossos sentimentos desequilibrantes, seja para dar alento ao coração daquele amado que se distanciou, seja para que possamos aprender o melhor desse momento doloroso e trazermos paz ao nosso próprio coração.

Por incrível que pareça, a saudade é um sentimento importante em todos os seres, mas que quando em exagero, nos traz sofrimentos incalculáveis.

Se não sentíssemos saudade, não daríamos a devida importância àquela pessoa em nossa vida. Mas, para o nosso próprio bem, cabe a nós compreendermos que essa saudade deve caber em nosso coração. Se for maior do que ele, nos sufocará, bem como sufocará o ente amado que a sentirá com todas as dores construídas por nós e que a ela (saudade) forem somadas.


Portanto, acreditemos que somos capazes de viver a vida com a lembrança saudosa dos nossos entes queridos. Assim, estaremos construindo um futuro de felicidade para nós e para eles, dando-nos a condição de quando chegar a nossa vez de viajar para o outro lado, estejamos aptos para sermos recebidos com louvor por estes seres tão amados. 


- Adriana Machado

O Rio Doce somos nós?

13:31 3 Comments A+ a-



Hoje, estamos com o coração partido porque estamos com a sensação concreta de desolação.

Como é difícil vivermos na incerteza do amanhã? Como é penoso você acompanhar a trajetória daquela lama tóxica e nada poder fazer. Como é penoso nos sentirmos tão pequenos e dependermos de pessoas que parecem que não entendem o quão é grave o que passamos...
A primeira certeza que precisamos relembrar é que, apesar desse quadro triste que se apresenta, não estamos abandonados por Deus. Apesar de vermos e sentirmos a dor alheia, nada está sem a devida orientação dos mensageiros cósmicos. O Homem faz as suas besteiras, mas nada escapa da Providência Divina. No entanto, não escaparemos das consequências de nossas ações. É simples assim!
Se relembrarmos das grandes guerras, quantas foram as tragédias individuais e coletivas provocadas pela ganância e ignorância humana, mas, através das Mãos Providenciais, tais circunstâncias também trouxeram para os corações uma maior conscientização da dor alheia, um sentimento de maior solidariedade coletiva, além do inquestionável avanço tecnológico e medicinal.
Diante de tudo o que o Homem fizer, seja bom ou não tão bom, caberá a ele responder. Mas, Deus transmutará esse “tudo” em graças à grande Humanidade. Também agora, isso se dará. Eu acredito!
Mas, se Deus faz isso no âmbito coletivo, também o faz no individual. Para isso, no entanto, Ele precisa de nós. Precisa que nos mexamos, precisa que nos conscientizemos que podemos fazer a diferença. São essas certezas que levam os voluntários a se deslocarem de seus lares e ajudarem a quem precisa. Eles entendem que podem fazer a diferença para a coletividade. E nós, podemos fazer isso por nós?
O nosso querido Rio Doce já estava morrendo, mas, mesmo nós que dependemos dele nada fizemos para resolver. Deixamos nas mãos de outros a tarefa de agir...

Eu me pergunto: será que isso não é um reflexo do que fazemos a nós internamente também? Quantas vezes deixamos de atender às nossas necessidades mais prementes porque não acreditamos que somos capazes, porque acreditamos que não está em nossas mãos agir? Quantas vezes nos tornamos omissos em defender os nossos ideais, por não darmos crédito às nossas próprias convicções? Quantas vezes deixamos para o outro tomar atitudes em prol de nós mesmos que seriam de nossa única responsabilidade? Somos intimamente o que refletimos para o mundo exterior!
Precisamos sair de nosso casulo e compreender o que queremos. Precisamos saber o que é verdadeiramente precioso e acreditarmos que merecemos atingi-lo para tê-lo concretamente em nossas vidas. Somente nós poderemos fazer isso por nós. Deus espera que cheguemos a essa conclusão, pois Ele sabe que podemos, Ele sabe que temos condição e merecimento para, no esforço diário, criarmos nossa felicidade.

O Rio Doce já estava morrendo, mas somente agora, ante tal tragédia, nos levantamos e nos comovemos com tanta dor...

E nós, também não estamos morrendo em vida? Será que nós não estamos suplicando por atenção às nossas necessidades mais íntimas e nos fazemos de surdos para não mudarmos?
Por acreditarmos que as águas dos rios deste imenso Brasil jamais se escasseariam, não tomamos as devidas providências para poupá-la. Por décadas, os especialistas estão nos avisando, mas, mesmo antes quando já estava claro a diminuição de seu volume, muitos ainda desperdiçavam as suas águas...
Também nós não fazemos isso conosco? Também nós não precisaremos sentir a ausência da “água” em nossa casa para percebemos que sem ela tudo pode acabar? Então, o que nos faz parar e pensar até onde podemos ir sem mudarmos de atitude?

Talvez nós precisemos de um rio de lama tóxica para nos escandalizarmos e nos mostrar o que já não está bom!...

Para uma criança entender que o pote de bala não é eterno, precisa vivenciar, várias vezes, as suas balas acabarem e sentir que precisa agir diferente para poder delas usufruir por mais tempo. Assim também somos nós! Precisamos vivenciar várias circunstâncias doloridas para decidirmos mudar de atitude.
Certo é que, nos dias atuais, se não nos precavermos, estaremos esgotando o nosso “volume d’água” por abraçamos tantas atividades sem fim, por nos dedicarmos com tanta determinação ao trabalho e nos omitirmos junto aos que amamos, por não nos pouparmos.
Então, eu me pergunto: será que nós também não estamos morrendo, minguando, em nossas próprias margens?
Certo é que não poderemos entregar essa tarefa para mais ninguém além de nós mesmos. Somente nós poderemos construir para nós o ambiente necessário para que a nossa “nascente” não seque.
Para isso, não é necessário que façamos algo grandioso, mas que façamos algo! Que saiamos de nossa fortaleza exterior e nos arrisquemos para que o nosso ecossistema interior não entre em colapso.
Que paremos de colocar a culpa no outro e arregacemos as mangas e trabalhemos por nós.
Se não for assim, viveremos deixando de lado tudo o que é realmente importante para nós e somente agiremos ante a calamidade, quando a “onda de lama tóxica” chegar até nós e tivermos que agir sem demora.  

- Adriana Machado.

PERDA DE UM ENTE QUERIDO.

17:23 6 Comments A+ a-


Não é a primeira vez que este assunto é tratado, seja na mídia, seja na internet, nas redes sociais, nas casas e livros espíritas.

Uma coisa é certa, ele é um assunto que nos atinge profundamente quando nos encontramos encarnados. Sentimos que, quando um ente querido se vai, algo muito precioso é perdido e não desejamos ficar longe daquilo que nos é valioso.

Gostaria de voltar a esse assunto, porque o livro de Ezequiel, “Perdão, a Chave para a Liberdade”, bem como as manifestações de tantas pessoas antes e após o seu lançamento, me fizeram ver o quanto o desalento pode conseguir guarida em nossos corações. Tudo isso me fez repensar alguns conceitos que tinha.

Desde muito nova, eu ouvia minha mãe dizer que, quando nascemos, a única certeza que temos na vida é de que vamos morrer. Após constatar esse fato, também percebi que não nos preparamos para tal evento e, quando ele chega, ficamos desnorteados.

Estamos errados? Não! Claro que não! É como sabemos reagir. Mas, se desejamos enfrentar algo que é inevitável, porque o desencarne chegará (sendo o nosso ou o de quem amamos profundamente), precisamos nos trabalhar intimamente para que, quando a dor chegar, nós não alimentemos um sofrimento desenfreado.

Uma das coisas mais fantásticas que descobri (e foi com a ajuda da espiritualidade) é que dor e sofrimento são duas coisas muito diferentes! E, se são diferentes, podemos separá-las!

A DOR é um uma circunstância, uma experiência em nossa vida que a interpretamos como ruim. O SOFRIMENTO é o “como?” e o “quanto?” sentiremos essa dor em nossa vida. Conceitos bem simples, não são? Complexos, porém, em nosso íntimo!

Para entendermos o conceito, vamos dar o exemplo de uma criança pequena em um playground: ela, brincando na areia, cai e se machuca. Chora, por que é o natural. Ela não entende porque dói, mas dói. Sua mãe vai até ela, a acalenta em sua dor e, depois, lhe diz: “Meu amor, só temos mais 10 minutos para ficarmos aqui. Se você ficar chorando, vai perder o parquinho!” Qual é a reação natural da criança? Ela levanta do chão e, mesmo com as lágrimas ainda frescas em seu rosto, escolhe brincar.

Sabemos que a dor não passou. Ela ainda está vivenciando a experiência dolorida, porque a sua perninha ainda dói, mas ela escolheu, apesar da dor, vivenciar aquele momento, especial para ela, sem sofrimento.

Entendo, nesse exemplo, que a criança somos nós! Por ainda sermos crianças, não entendemos as nossas dores e choramos todas às vezes que elas se manifestam. A mãe é Deus que sabe de nossa capacidade de enfrentarmos “o” parquinho (a vida), nos dando a oportunidade de explorarmos toda a sua extensão e, sob os Seus olhos atentos, quando nos machucamos, Ele vem até nós, nos acalenta e nos informa que aquele momento especial (a vida) é curto para perdermos tempo no sofrimento. 
É por isso que vemos tantas pessoas diferentes reagindo de forma diferente ante a perda de um ser amado. O amor de uma dessas pessoas pelo seu amado é menor do que o da outra? Não, claro que não!

Muitos são os fatores que nos fazem reagir diferente de nosso próximo em circunstâncias semelhantes. E um desses fatores é o entendimento de que não devemos escolher alimentar em demasia o sofrimento sentido, porque ele (o sofrimento) está lá, pode ser sentido, mas, para o nosso próprio bem, não deve ser alimentado. Se essa pessoa, ao contrário, escolher alimentá-lo, estará, como a criança, sentada no chão daquele parquinho e não se dará a chance de enxergar todas as bênçãos que chegarem a partir daquela queda.

O interessante, em nossa historinha, é que a “mãe” deixou a criança escolher. Se ela escolhesse continuar chorando, a mãe nada poderia fazer, a não ser continuar tentando lhe trazer conforto ao seu coraçãozinho sofrido. Deus respeita as nossas escolhas e isso é uma escolha!

Onofre (personagem do livro) me ensinou que, em muitos momentos, pensamos que estamos sendo penalizados por Deus quando essas circunstâncias dolorosas chegam a nós. Tanto é verdade, que elevamos o nosso pensamento a Ele e perguntamos: “Deus, por que comigo? O que eu fiz?”.  Mas, podemos começar a pensar diferente. Devemos entender que se tivemos alguém que muito amamos ao nosso lado, por um mínimo de tempo possível, foi um presente de Deus para nós, porque Ele nos ama!... E fomos merecedores desse tempo precioso junto a esse alguém!


Se recebemos esse presente, como nos sentirmos magoados ou traídos por Deus quando o tempo chega ao fim? Está na hora de acreditarmos que, apesar de ainda termos muito a caminhar, Deus nos ama do tamanho que somos, porque Ele sabe, Ele nos conhece, Ele nos aguarda! Deus nos quer sempre bem. 

Confira entrevista realizada em bate-papo na Editora Dufaux

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Em bate-papo realizado na Editora Dufaux, falei um pouco sobre minha vida e experiências pessoais, trajetória no espiritismo e autoconhecimento. Confira a primeira parte dessa conversa.

1 – Quem é Adriana Machado?

Eu sou mãe, filha, esposa, irmã, sobrinha, nora, cunhada e outros, e ainda participo, juntamente com amigos espirituais queridos, da elaboração de livros que trazem consolo e paz. Dizem que isso é ser escritora (risos).

2 - Como você se descreve? 

Eu me vejo como uma pessoa de temperamento forte, rigorosa nos meus objetivos, organizada, uma boa amiga (mas isso só os amigos podem afirmar - risos). Descrevo-me como uma pessoa meiga, carinhosa e honesta.
Sou uma pessoa otimista e vejo o mundo com os olhos de quem acredita na existência do bem. Não quero enxergar no outro uma ação maldosa que ele ainda não tenha me mostrado. Prefiro a decepção do que a ansiedade de encontrar algo que me desagrade no próximo.

3 - Como médium, você busca por sabedoria?

Tenho muita sede do saber. Mas, esse “Saber” é bastante diversificado. Quero muito aprender sobre as coisas. Sempre gostei de observar as pessoas fazendo as suas atividades, como consertar um aparelho, instalar um equipamento, trocar uma lâmpada. Mas, a minha sede de aprender, hoje, está muito voltada para encontrar os instrumentos que me ajudarão a lapidar todos aqueles resquícios de imperfeição que enxergo em mim todos os dias.
Por isso, trabalho com todo o meu coração nas atividades mediúnicas e sociais que realizamos na Fraternidade, para colocar, na prática, o que escuto a cada dia do meu viver.

4 – Fale sobre a fraternidade que você fundou.

Ah! A Fraternidade é o meu segundo lar. É onde me vejo como aprendiz, como professora, como amiga, como auxiliadora, como cristã! Fundamos a Fraternidade no ano de 1998, porque o grupo espiritual que nos assistia nos convidou para abraçarmos uma tarefa de auxílio e amparo com parâmetros um pouquinho diferenciados dos que existiam até então. Que não seríamos os únicos, mas que não haveria na nossa cidade de Vitória, no Espírito Santo, uma Instituição que nos abrigaria com aquela proposta. Neste ano, fazemos dezessete anos de muito trabalho, dedicação e amor a todos que nos visitam, sejam os da carne, sejam os do mundo maior, e a cada dia parece que mais e mais temos de aprender para continuarmos nos doando. Trabalhamos com muito empenho e é com alegria que desejamos aprender.

Perdão: a chave para a liberdade

15:43 2 Comments A+ a-

Adriana Machado pelo espírito Ezequiel



Neste romance revelador, conhecemos Onofre, um pai que enfrenta a perda do seu único filho de apenas oito anos de idade. Diante do luto e das mágoas adquiridas ao longo da sua história, Onofre encontra-se enfraquecido e inconformado, sendo convidado à encarar um processo desafiador de autoconhecimento, para que possa enxergar a vida com um novo olhar. Será essa a chave para a sua libertação?


Adriana Machado trabalha mediunicamente desde os 17 anos, e participou da fundação da Fraternidade Cristã Bezerra de Menezes – FCBM – na cidade de Vitória, no Estado do Espirito Santo, em 1998, após um convite da espiritualidade para que o grupo trabalhasse pela divulgação dos ensinos do Espírito Verdade e de Allan Kardec.

Nesse mesmo ano, recebeu em sua casa a visita de autor espiritual Ezequiel, que lhe propôs que trabalhassem juntos na concretização da missão proposta.  Surge então o primeiro livro dele “Onde tudo começou”, publicado no ano de 2013 pela própria FCBM.

Dando continuidade a esse empenho vem a lume esse livro, confirmando a seriedade e comprometimento da espiritualidade em nos esclarecer e consolar.

Além de Ezequiel outros amigos espirituais trouxeram para Adriana novas propostas para psicografar seus trabalhos e a encontraram de coração e mente abertos para a continuidade da missão que ela abraçou com profunda alegria.